2.ÇOCUKTA İŞİTSEL MUHAKEME VE İŞLEM BECERİSİ 2.1.Muhakeme Nedir?
8. Kardeş sayısı, cinsiyet, baba eğitim düzeyi, anne eğitim düzeyi ve çocuk sırası değişkenleri okul öncesi eğitim kurumuna devam eden 5-6 yaş grubu çocukların Selçuk
O processo de aproximação com a realidade dos usuários e com o cotidiano da casa foi rico, complexo e surpreendente. Tivemos, por exemplo, que aprender as sutilezas das “palavras”. Por ocasião de uma das primeiras oficinas, um usuário assim se expressou:
“- O louco é diferente do doido! Doido rasga dinheiro, louco não... Eu sou louco.”
A questão da discriminação é forte na fala de todos os usuários tanto da sociedade em geral como também de familiares. Um usuário afirmou que sua esposa não senta ao seu lado no transporte coletivo, pois, sente vergonha dele. Assegurou que certa vez estava comprando uma TV e encontrou um velho psiquiatra que lhe perguntou: “Você por aqui! Está tomando os remédios direitinho?”. Depois disso a loja que já havia aprovado seu cadastro deu uma desculpa qualquer e vetou a venda. Isso nos revela a importância de combater essa cultura manicomial segregadora que alimenta diversos tipos de preconceitos e situa-se interiorizada em cada um de nós, por mais que pensemos que não. Na sociabilidade que vivemos loucura não é sinônimo de liberdade.
Neste CAPS II- Leste, a totalidade dos usuários assistidos utiliza medicação, além de terem um histórico de internações em hospitais psiquiátricos.
Apresentaremos a seguir os usuários com os quais trabalhamos, os mesmos escolheram o nome de algum sentimento com o qual se identifique. Sempre que nos referíamos a eles usaremos seus codinomes. Apresentamos-lhe um pouco da história de: Gratidão, Amor e Ansiedade.
Gratidão nasceu em 30 de outubro de 1962, natural de Natal/RN, solteiro, cursou o 2º grau completo, não possui religião definida. Foi encaminhado ao serviço por um psiquiatra. A maior queixa da família é o isolamento social e a agressividade com os pais, além das alucinações. O nascimento de gratidão foi á fórceps (a vácuo), nasceu todo deformado, com corte na cabeça, não conseguia mamar, não conseguia comer (vômitos constantes). Aos quatro anos, devido a uma queda, precisou colocar uma peça de platina na cabeça. Era uma criança muito inteligente com facilidade para expressar-se e fazer amizades, hiperativo, brigava constantemente com os coleguinhas. Ainda nessa fase de sua vida gratidão padeceu de muitas doenças tais como: difteria, osteolite, cirrose hepática (06 anos). Ele é o mais velho de uma família de 04 filhos, todos na mesma faixa etária. Fez uso abusivo de maconha aos 14 anos. Sua paixão é música. Afirma ter sido feliz até os 18 anos, idade em que começaram a ser identificados os problemas psiquiátricos. Com essa idade foi morar em um apartamento pago pelo pai, por não se sentir bem na sua casa. Passou somente três meses. Nessa fase tentou suicídio. Foi internado na CSPSL, em uma instituição de nome “Nosso Lar” (em Fortaleza). Tem histórico de internações em instituições espíritas, doutrina seguida por Gratidão por certo tempo. Não tem registrado o número exato de internações. Durante um tempo fez psicoterapia,
porém, não deu continuidade. Durante 20 anos não recebeu qualquer tratamento, sem sequer pegar luz solar, sem caminhar. O diagnóstico dado é F.20.0 (Esquizofrenia). Atualmente, faz uso das seguintes medicações: Haldol 5mg- 1 manhã e 1á tarde. Biperideno 2mg pela manhã (01). Leponex 100mg 01 M, 01 T e 02 N. Faz uso de Rivotril 1mg nos dias em que está mais agitado, ansioso. Gratidão solicitou uma redução em seu horário, pois, afirma sentir-se bem, esta saindo de casa com freqüência. A solicitação foi aceita. Gratidão faz poesias, e uma delas nos chamou atenção: “O conforto não é tudo. Perigo me cercava que eu não via, nem ouvia. A guerra dentro do lugar. Algumas pessoas que ouço estão de folga, ordenando os “loucos bandidos”. Sobreviva, o milagre aconteceu! O perigo! Escapei? A sobrevivência é a vitória!”.
Ao ler essa poesia vi a li revelada uma síntese da história de gratidão. Dentre nossos entrevistados era o que ocupava uma posição de classe “superior”, ou melhor, sua família possui um quadro financeiro acima da classe média de nossa cidade Natal. E por esse traço foi escolhido, para deixar claro e trazer para o debate a luta entre classes, fundante nessa sociabilidade capitalista. Gratidão em sua poesia afirma: O conforto não é tudo! Uma clara posição e classes. Gratidão registra o tempo em que não ouve vozes, como também seu temor em voltar. Superou desde seu nascimento literalmente tantas dificuldades, doenças inúmeras... Quantas vezes não estamos em “guerra” com muitos pensamentos na mente? E qual de nós não está em permanente luta pela sobrevivência? Sou grata por ter tido o privilégio de conhecer mais esse sobrevivente! E ratificou aquilo que para mim é a maior qualidade do ser humano: superação.
Amor foi encaminhado ao serviço pelo ambulatório de saúde mental da Ribeira. Natural de Nova Palmeira/PB, nascida em 21/12/1975, solteira, estudou até o 2º grau, católica, reside com os pais. Teve uma infância “normal”. Trabalhou durante dez anos no estacionamento do Natal Shopping. Saiu do emprego em 2006, a partir daí foi se isolando em casa, apresentando choro fácil, ficando deitada com forte e persistente vontade de morrer. Tentou suicídio várias vezes. Sua primeira internação foi em 19 de fevereiro de 2006 e a última em 26 de junho de 2008, ao todo a mesma já foi internada 11 vezes. Afirma não sentir nenhuma melhora em seu quadro. O diagnóstico dado é F.25 (Transtornos esquizoafetivos). Atualmente, faz uso de: Amipitripitilina 25mg. 01 M, 01 T e 02 N. Líbio 30mg 01 M, 01 T e 01N. Diazepan 10mg 01M e 02N. Zyprexe 10mg 02N. Freqüenta o serviço todos os dias durante os dois turnos.
O amor surpreendeu-me pela sua juventude. Indago se é preciso tantos psicotrópicos! Com essa acepção temos resultados nos moldes tradicionais: inúmeras internações e sem
muitos avanços no quadro. Marca-me também como a relação com o trabalho foi um divisor na vida do amor. Será que se o amor não tivesse sido demitido ele iria apresentar esse quadro de sofrimento psíquico tão agudo? Ou essa situação iria emergir independente de qualquer coisa? Quem poderá dizer? O fato é que um amor lindo e jovem tem um pensamento constante de morte.
Amor tem uma mãe que o apóia em tudo. Uma mãe forte, bastante afetuosa que afirma: “Quando ela ta nervosa, em crise eu vou atrás do hospital! A única coisa é levar pro hospital, é pegar botar num carro... ligar pro meu filho e levar”. E a evolução tida no decorrer do tratamento de amor no CAPS? Não fica comprometido com tantas internações psiquiátricas em um modelo de atenção tradicional? Em outro instante a própria mãe expressa sua opinião sobre o tratamento prestado no hospital: “Dava mais trabalho chegava em casa comida de piolho, eu ia ter trabalho pra tirar né?”. Fica difícil pensar em evolução no quadro de sofrimento psíquico com intervenções como estas... Em especial, esse caso revela para mim o horizonte desafiador de materialização da reforma psiquiátrica. Como desinstitucionalizar, institucionalizando? Se faz um trabalho no CAPS, daí o sujeito entra em crise e é internado em hospital psiquiátrico, devido a inexistência de centros 24hrs na rede de atenção psicossocial municipal.
Ansiedade foi encaminhada pelo ambulatório do Hospital João Machado. Natural do município de São José de Mipibu/RN estudou até o 4º ano primário, casado, evangélico, tem cinco filhos (03 fora do casamento). Foi criado pelos avôs. Perdeu o pai aos 04 anos. Começou a trabalhar na adolescência. Quando prestou serviço militar tentou suicídio. Trabalhou mais de 20 anos como motorista de ônibus e caminhão. Começou a apresentar tristeza profunda, irritabilidade, impaciência e medo. Iniciou tratamento psiquiátrico em 2000. Em 2005, foi internado na CSPSL por dois dias, saiu após sua esposa assinar termo de responsabilidade. Afirma ter visões, ouvir vozes e mania de perseguição. Ansiedade passa até 05 dias sem tomar banho e com as mesmas roupas. Seu diagnóstico atual é de F.25.1(Transtornos esquizoafetivos) F.10.1(Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool). Em registros mais antigos o diagnóstico é definido como: F.33 (Transtorno depressivo recorrente) e F60.4 (Personalidade histriônica). Atualmente faz uso de: Amipitripitilina 25mg 02M e 02N, Clonazepan 2mg 1 e1/2 N. Seroquel 100mg 02M e 04N.
Ansiedade tem uma história marcada pelo trabalho. Uma vida antes de não ter condições de trabalhar e outra quando trabalhava como motorista. A meu ver ansiedade é um
espectro da sociabilidade do capital que extrapola os limites físicos e mentais da força de trabalho humana, ocasionando doenças, desequilíbrio.
Apresentamos um pouco das nossas observações na tentativa em conhecer como esse processo de reforma está sendo sentido ou não pelos nossos usuários e familiares, como também os profissionais envolvidos nesse processo desafiador.
3.2.2. RELAÇÕES E VIDA SOCIAL: COMO TECER A TEIA DE LAÇOS SOCIAIS A DESPEITO