• Sonuç bulunamadı

2.ÇOCUKTA İŞİTSEL MUHAKEME VE İŞLEM BECERİSİ 2.1.Muhakeme Nedir?

4. ANNENİN BİLİŞSEL UYARIM DAVRANIŞLAR

3.2. Çalışma Grubu

Nas primeiras visitas, a localização geográfica do CAPS II Leste intrigou-nos: este se encontra situado entre dois grandes hospitais da cidade. Uma localização nada inocente! Esse cenário nos interpela sobre dois possíveis caminhos. De um lado, podemos imaginar que este fato pode de certa forma, reforçar velhas idéias sobre o modelo hospitalocêntrico. Por outro lado, sua localização foi pensada de forma estratégica, posicionando um serviço que representa o “novo”, que aponta para novas formas de lidar com os diversos tipos de sofrimentos psíquicos, em meio ao que há de mais tradicional e “moderno” em termos de serviços de saúde. Ou ainda, a realidade social na qual estamos inseridos e que constitui objeto de investigação revela contradições flagrantes, expressas inclusive na estrutura urbana, no ordenamento físico e territorial de nossas cidades.

Vale salientar ainda, que o CAPS II- leste está localizado no coração de um dos bairros mais tradicionais de Natal71 – Petrópolis – onde reside parte da elite e das classes mais

abastadas da cidade. Todavia, os usuários atendidos, em sua grande maioria, são provenientes de outras zonas administrativas. A fim de obtermos informações as mais precisas possíveis a respeito desse aspecto, fizemos um levantamento junto aos prontuários dos usuários objetivando conhecer seu local de residência, gênero, idade, tempo de permanência no serviço, além do tipo de modalidade de atendimento. Ressaltamos que os dados são relativos ao ano de 2008.

71

Segundo relatório de pesquisa (2005), Natal, capital do RN, contava, em 2000, com uma população de 712.317 habitantes (dados do Censo de 2000), distribuídos em 34 bairros que formam as quatro regiões administrativas segundo as quais a cidade é dividida. Ainda segundo o mesmo relatório a população tem crescido nas últimas quatro décadas a taxas elevadas, decorrente do grande fluxo migratório, que faz deste Município o principal destino da população migrante do Estado. Isso acarretou um processo de urbanização desordenada, provocando o surgimento de bairros periféricos, nos quais se concentra a maioria da população pobre, extrapolando seus efeitos para áreas limítrofes da Região Metropolitana de Natal, caracterizando um fenômeno de aglutinação espacial, como acontece como os municípios de Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Extremoz. A cidade do Natal apresenta uma diversidade demográfica bastante peculiar, pois, como cidade de porte médio e destino de grandes correntes migratórias do interior do RN viu o perfil da geografia humana de seus bairros se alterar significativamente. Atualmente coexistem bairros tradicionais, decadentes, emergentes e em expansão; bairros de formação recente. A pesquisa atribui o crescimento populacional das três últimas décadas ao processo migratório campo-cidade e de seus efeitos indiretos e não. Através da Lei municipal nº3.878, de 07 de dezembro de 1989, a cidade está dividida em quatro regiões administrativas: Norte, Sul, Leste e Oeste.

O quadro abaixo indica a quantidade geral de usuários por tipo de atendimento e sexo que foram identificados através dos prontuários consultados relativos ao ano 200872.

Modalidade de Atendimento Sexo Masculino Sexo Feminino Total Intensivo 6 11 17 Semi-Intensivo 31 14 45 Não intensivo 27 13 40 Visita Domiciliar 3 2 5 Total 67 40 107

Optamos por analisar os dados de acordo com a modalidade de atendimento. Apresentando por meio de gráficos73 com combinações englobando a faixa etária, zona

administrativa que residem, tempo de ingresso no serviço são exemplos de algumas delas. Iniciaremos com os dados referentes à modalidade de atendimento intensivo.

72 Salientamos que durante nossa pesquisa de campo, tomamos conhecimento através de um dos

técnicos que faz o acolhimento inicial, da dificuldade no processo de registro de entrada ou passagem pelo serviço da totalidade de usuários. Assim, a quantidade de usuários atendidos pelo CAPS II- Leste durante o ano tomado como referência para a coleta de dados.

73Ressaltamos que em todos os gráficos apresentados, distinguimos o gênero dos usuários. Como vocês

Gráfico 01 – Usuários em atendimento intensivo- Por regiões administrativas de Natal

Uma singularidade nesta modalidade é que a soma da região sul e leste equivalente a 65%, ou, em números inteiros 11 (onze) usuários74, números que superam pela primeira vez a

soma da região norte e oeste 36%, ou, 05 (cinco) usuários. Lembramos que esta modalidade exige freqüência diária nos dois turnos de funcionamento da casa. Constatamos que o equivale a 70%, ou, 12 (doze) usuários atendidos por esta modalidade não residem na zona leste, enquanto somente 30%, ou em outros números, o irrisório valor de 05 (cinco) usuários residem nesta região administrativa. Problematizamos, doravante, as conseqüências reais deste fato. Antes de maiores reflexões sobre estes dados, questionamos: mais da metade dos usuários do CAPS pesquisado não reside no território que funciona tal dispositivo. Isto acarreta a necessidade de locomoção. Ressaltamos que vivemos em uma capital com a segunda maior tarifa de transporte público do nordeste. Sabemos que o serviço disponibiliza para seus usuários cartões eletrônico para este fim, contudo, quais as condições dos familiares

74 Quando tratarmos dos números inteiros, estaremos considerando a soma dos usuários do gênero

participarem do “tratamento”? Esta família tem disponível em seu orçamento mensal uma quantia para deslocar-se ao CAPS? E se não tiver? Como faz? Questionamos, ainda, quais as possibilidades de construir-se um projeto terapêutico para o usuário que reside na zona norte, para aquele outro que reside na oeste, sul. É possível uma equipe dar conta de toda essa demanda? Como alcançar a desinstitucionalização com ações restritas aos limites do serviço?

De fato, cremos que estes dados são reveladores da atual crítica situação da rede de atenção psicossocial em Natal. Impossível de acatar aos princípios da territorialidade nessa realidade. Um sujeito em sofrimento psíquico residente na zona norte da cidade busca um serviço na zona leste por quê? Supomos que não exista outro CAPS nas imediações de sua moradia ou aquele que existe não oferece vaga.

Tomando as quatro modalidades de atendimento (intensivo, semi-intensivo não-intensivo e visita domiciliar) realizadas pelo CAPS, o número total de mulheres é um pouco superior ao de homens em apenas uma modalidade (intensivo), com 11 (onze) usuárias, conforme informa a figura acima. Ao voltarmos nossa atenção para o recorte de gênero, observamos que do total dos usuários em modalidade semi-intensiva 69% são homens, enquanto que 31% de mulheres, número até duas vezes superior ao total de usuários do gênero feminino.

A modalidade intensiva é a única que apresenta um número superior de incidência de mulheres em detrimento do gênero masculino. Do total, 65% são usuárias, enquanto 35% são homens. Especificamente, a zona leste contraria um pouco esses dados, pois, o número de usuários do gênero masculino (03-três) é um pouco superior ao feminino (02- dois).

Na figura abaixo mostramos dados referentes ao ano de ingresso no CAPS, para atendimento intensivo:

Gráfico 02 – Usuários em atendimento intensivo- Por ano de entrada

Analisando os dados, constatamos que de 2005 até os dias atuais há uma tendência crescente na busca pelo serviço. Nesse mesmo período 12 (doze) usuários iniciaram no serviço, contra somente 05 (cinco), do período posterior.

O gráfico mostra, ainda que entre 1994 e 2004 - exatamente uma década - não houve um ingresso significativo de novos usuários. Será que podemos afirmar que as pessoas de uma década atrás padeciam menos de sofrimentos psíquicos, se comparadas com os sujeitos dos anos 2000? Temos duas bases de análise: de um lado, poder ter havido um aumento de pessoas em sofrimento psíquico ocasionado pelas condições precárias de trabalho a qual milhares de brasileiros são submetidos. Por outro lado, a implantação de um serviço que “desinstitucionaliza” a loucura em uma cidade que, tradicionalmente, lidou com medidas de hospitalização para pessoas em sofrimento psíquico passa por um período de quebra de resistências. Salientamos que há pessoas com mais dez anos de apoio no âmbito do CAPS o

que pode ser considerado, em nossa perspectiva, como um tipo de “institucionalização capisilar”.

Compreendemos que o trabalho em saúde mental é complexo, cada sujeito tem seus sofrimentos em gruas variados, e ritmos de evolução igualmente distintos, contudo, um serviço pautado nos moldes de atenção psicossocial não cabe nenhum traço que remeta a um tempo longo no serviço.

Abaixo apresentamos o gráfico com informações referentes a faixa-etária dos usuários do CAPS II - Leste.

Dentre os usuários atendidos pelo CAPS durante o ano de 2008, nesta modalidade de atendimento 13 (treze) estão entre a faixa etária de 19-49. De antemão sabemos que é uma faixa etária na qual comumente as pessoas estão em plena produção, na concepção de trabalho em enquanto fundante do ser social. Esses sujeitos estão fora do mercado de trabalho, e arriscamos afirmar que a configuração do mundo do trabalho na contemporaneidade é atravessado por contradições fundante desse modo de produção capitalista. O ser humano nunca foi tão explorado, desgastado física e mentalmente. Até que ponto os processos de trabalho contribuem para um quadro de agudo sofrimento psíquico? Afinal os dados de nossas entrevistas também revelam como o trabalho influenciou o desencadeamento ou o agravamento do quadro de sofrimento psíquico.

No que se refere a análise dos dados coletados referente a segunda modalidade de atendimento - semi-intensivo, destacamos inicialmente a distribuição dos usuários atendidos pelo CAPS durante o ano de 2008, segundo as variáveis sexo e região administrativa onde residem:

Analisando o gráfico, identificamos que dentre os 45 (quarenta e cinco) usuários de atendimento semi-intensivo, trinta e quatro 34 (trinta e quatro) provêm de bairros de outras zonas administrativas e não da zona leste, de onde procedem apenas 11 (onze). Assim, temos um quadro de atendimentos semi-intensivo, com 75,6 % dos usuários oriundos de bairros distintos daqueles compreendido na área de cobertura prioritária. Cabe interrogar os determinantes de tal configuração do atendimento, bem como as possibilidades da concretização da ação do CAPS no processo de reinserção destes usuários, considerando que os mesmos vivem realidades distintas e, sobretudo, residem em áreas distantes daquela área de implantação do serviço, contrariando o princípio do território fundamental para o processo de concretização da reforma psiquiátrica.

Constatamos, assim, que maioria destes usuários é oriunda de bairros distantes do serviço. Além das dificuldades encontradas pelos mesmos para uma participação sistemática75,

trabalhamos com um parâmetro ideal estipulado (comparecimento pelo menos três vezes por semana), sem termos condições de afirmar que a totalidade dos usuários do regime semi- intensivo participa realmente das atividades propostas com duas ou três visitas semanais ao serviço, todas as semanas do mês, todos os meses do ano.

Apresentamos abaixo dados expressos no gráfico com informações sobre o ano de entrada desses usuários atendidos por essa modalidade de atendimento.

75 Como não se têm dados relativos à freqüência dos usuários, apesar do CAPS dispor de listagens de

freqüência, todavia, as mesmas não são tratadas, nem analisadas para se ter uma visão mais próxima do real.

Gráfico 05 – Usuários em atendimento semi-intensivo - Por ano de entrada

Visualizamos um quadro semelhante aos números relativos a modalidade intensiva, ou seja, se destacarmos o período de 2005-2008, constatamos um significativo aumento na busca pelo serviço, assim, ratificamos as considerações anteriormente realizada. Assim, entre 2005- 2008, nessa modalidade 28 (vinte e oito) novos usuários passaram a ser atendidos pelo CAPS, em detrimento de 17 (dezessete) usuários ingressos entre 1998-2004. Constatamos que predomina uma tendência a uma permanência deste usuário, um tanto longa, para um serviço tipo o CAPS. Alertamos para os riscos de um serviço aberto ferir os princípios da luta anti- manicomial ocasionado pelo tempo excessivo de permanência dos usuários no serviço.

Vale voltarmos nossa atenção para o corte de gênero. Do total dos usuários em modalidade semi-intensiva 69% (ou, 31) são homens, contrapondo-se a 31% (ou, 14) de mulheres, número até duas vezes superior ao total de usuários do gênero feminino. Parece-nos que aquele velho dito popular onde caracteriza as mulheres como sexo frágil não condiz com a

realidade, dentre as quatro modalidades de atendimento (semi-intensivo, intensivo, não- intensivo e visita domiciliar) oferecido pelo CAPS, o número de mulheres é um pouco superior ao de homens em apenas uma modalidade (intensivo).

Com relação à faixa-etária dos usuários desta modalidade especifica, analisamos que há uma predominância maior de pessoas que estão entre 30-49 anos, como pode ser observado no gráfico abaixo:

Gráfico 06 – Usuários em atendimento semi-intensivo – Por faixa etária

Instigamos novamente a reflexão sobre as determinações que levam pessoas em idade de atividade produtiva, padecerem de agudos quadros de sofrimento psíquico. Acreditamos que o trabalho enquanto categoria ontológica para o ser social é uma dimensão essencial para o alcance dos objetivos apregoados pela reforma psiquiátrica. E cabe a nós pensar sobre o mundo de trabalho na contemporaneidade. Este tem contribuído para uma boa saúde mental de seus trabalhadores, ou é o oposto? Sabendo dos elevados índices de desemprego, o nível de

exploração da força de trabalho humana, não é difícil chegar a uma conclusão. Outra indagação: Em um mercado de trabalho tão competitivo há espaço para os sujeitos em sofrimento psíquico? Todas essas questões apontam o horizonte desafiador para materialização da reforma psiquiátrica.

Doravante, nos deteremos às informações referentes a uma modalidade de atendimento que só existe no CAPS II- Leste devido a não concretização da rede de atenção psicossocial municipal – o atendimento ambulatorial. Na seqüência observem o gráfico com a distribuição de usuários segundo a região administrativa que reside e gêneros:

Gráfico 07 – Usuários em atendimento – não-intensivo (ambulatorial)- Por regiões administrativas de Natal

Como na maioria das modalidades de atendimento o número de usuários pertencentes ao gênero masculino supera o feminino. O primeiro é responsável por 67%, enquanto, que as mulheres totalizam 33%.

Nesta modalidade de atendimento (não-intensivo= ambulatório) o número de usuários que não residem na zona leste compreende 73% do total, restando somente o valor de 28% dos usuários que residem nessa área. Tratando esses dados em números inteiro temos: somente 11 (onze) usuários residem na zona leste, enquanto, as demais regiões somam 29 (vinte e nove) usuários. A região administrativa onde se localiza o serviço que constitui nosso objeto de pesquisa, e seguindo a proposta de reforma psiquiátrica, deveria respeitar o princípio do território e assim contribuir com o processo de reinserção deste ao meio social mais amplo, detém um número reduzido de usuários. Não precisamos aprofundar na análise para relacionarmos o tempo excessivo de permanência do usuário no serviço com essas dificuldades de atender ao principio do território.

Os princípios da reforma psiquiátrica defendem como fundamental a participação do usuário em todas as dimensões da vida social, tais como lazer, trabalho, educação, habitação. Isto colabora no processo de superação da velha idéia de incapacidade, de restrita socialização tradicionalmente associada ao sofrimento psíquico. No CAPS investigado esta participação não pode ser ponderada na medida em que os locais de moradia são distantes do serviço.

Esta é a única modalidade de atenção psicossocial que possui dentre seu público usuários oriundos da Região Metropolitana de Natal (RMN). Cabe frisarmos que o dispositivo ambulatorial dispensa maiores aparatos para desenvolver seu trabalho, pois, trata-se de um serviço de baixa complexidade, estando dentre os serviços básicos de saúde. O fato preocupante é que este não é o papel do CAPS, pois esta não é uma das modalidades oferecidas por um serviço substitutivo como o CAPS. E o número de usuários atendidos nesta modalidade (40) é um pouco menor que o total de público atendido na modalidade semi- intensivo (45). Tal fato aponta para uma sobrecarga de trabalho no CAPS II - Leste. A equipe reconhece que desse modo os profissionais da psiquiatra deixam de participar mais efetivamente nos espaços coletivos da “casa”, pois, dedicam-se quase exclusivamente ao atendimento ambulatorial. Isso confirma nossa constatação da ausência da psiquiatra nas oficinas. Com efeito, durante a toda a fase de observação participante da pesquisa, a psiquiatra participou somente de 01 (uma) oficina.

O serviço acaba por responder a uma demanda existente devido à rede psicossocial não oferecer em número suficiente as diferentes formas de atenção, sequer um ambulatório. O número de serviços não atende satisfatoriamente as demandas apresentadas. Essa é a realidade de um dos CAPS da capital do nosso Estado, o que nos instiga a pensar sobre as

condições do atendimento as demandas das pessoas em sofrimento psíquico em periferias e zonas rurais.

Inquieta-nos também pensarmos que se há dificuldade na oferta de serviços básicos, qual a realidade daqueles classificados como de alta complexidade? O fato é que até os dias atuais inexiste em nossa capital um CAPS tipo III, que se ocuparia com quadros mais graves.

Novamente é recorrente o dado de que a soma dos usuários oriundos das regiões mais carentes de Natal, ou seja, as zonas norte, oeste e Região Metropolitana de Natal (RMN) é 20% superior ao resultado da soma das regiões sul e leste, que resulta em 40% do total de usuários atendidos a nível ambulatorial. É inconteste o fato de que regiões caracterizadas por acentuada pobreza padecem em número elevado de distintos sofrimentos psíquicos. Não é nosso interesse cair no estigma de associar pobreza/sofrimento psíquico, contudo, é evidente que os sofrimentos são acentuados pelos quadros de miséria e aguda escassez material resultantes das formas de sociabilidade peculiares ao atual desenvolvimento do capitalismo.

No seguimento um gráfico com número de usuários em atendimento não-intensivo (ambulatorial) por ano de entrada no CAPS:

Gráfico 08 – Usuários em atendimento não-intensivo (ambulatorial)- Por ano de entrada

Como as demais modalidades, o número de novos usuários atendidos pelo CAPS entre o corte de tempo: 2005-2008 é superior àqueles entre 1998-2004. Nesse primeiro período 21 (vinte e um) novos usuários iniciaram seus tratamentos. Enquanto no segundo corte temporal abarca 19 (dezenove) usuários. Como essa não é uma modalidade própria de um serviço da natureza do CAPS, preocupa-nos o fato destes dados revelarem uma possível fase de estagnação na qual se encontra a reforma psiquiátrica em Nata. Ao longo dos anos não houve ampliação de serviços básicos como ambulatórios, sobrecarregando os serviços e conseqüentemente rebatendo diretamente na eficácia do trabalho do CAPS.

Analisando o gráfico a seguir temos ratificado as análises anteriores, no referente à faixa-etária. Arriscamos afirmar que o perfil dos usuários atendidos pelo CAPS durante o ano de 2008, pode ser caracterizado como um público jovem:

Gráfico 09 – Usuários em atendimento não-intensivo (ambulatorial)- Por faixa etária

No que diz respeito a última modalidade de atendimento - visita domiciliar. Como recorrente o total de usuários do sexo masculino predomina com 71%, restando às mulheres 29%, como pode ser visualizado abaixo:

Gráfico 10 – Usuários em atendimento visita domiciliar- Por Gênero

Enfatizamos que, exceto nesta modalidade, o número de usuários oriundos da região norte da cidade não supera o total de usuários das demais regiões administrativas. Dos 05 (cinco) usuários atendidos, somente 01 (um) reside na zona norte, 01 (um) oeste, 01 (um) sul e 02 (dois) leste. Ressaltamos que um dos preceitos das políticas sociais na atualidade é a aproximação física dos serviços com o local de vida e de moradia dos usuários. De fato ao se falar em inscrição territorial ou em políticas com recorte territorial, o aspecto mais evidenciado é a proximidade física. No caso em estudo observamos que apesar do fácil acesso à casa devido a uma localização que é atendida por diversas linhas de transporte coletivo, constatamos que a maioria dos usuários são provenientes de bairros distantes, de outras zonas administrativas, possivelmente não atendidas por este tipo de serviço. O atendimento a pessoas provenientes de lugares os mais variados finda por comprometer também o estabelecimento de vínculos