AİLE İLİŞKİLERİNDE KADIN HAKLARI
4.2 Kardeş-Akraba İlişkileri
A Bacia dos Parecis (Siqueira, 1989) repousa discordantemente sobre as Províncias Geocronológicas Rio Negro – Juruena e Ventuari – Tapajós. Apresenta uma área aproximada de 500000 Km2, alongada na direção geral W-E, contendo cerca de 6000 m de sedimentos do Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico, e rochas vulcânicas (derrames e diques) do Jurássico (Fig. 2.3).
33
Além da Província Kimberlítica Diamantífera de Juína (PKDJ), as províncias kimberlíticas de Paranatínga, MT, Pimenta Bueno, RO e Pontes e Lacerda, MT (Almeida & Svisero, 1991) também estão localizadas ao longo da borda da Bacia dos Parecis. Associados ocorrem extensos derrames de lavas toleíticas das Formações Tapirapuã, em MT e Anari, em RO. Os eventos magmáticos citados parecem estar perfeitamente em sincronismo com a evolução tectônica da Bacia dos Parecis.
As unidades geológicas pertencentes à Bacia dos Parecis (Figs. 2.3 e 2.2.1b) que ocorrem regionalmente nas proximidades do campo kimberlítico (cluster) de Juína são da base para o topo: Formação Fazenda da Casa Branca (Carbonífero superior a Permiano), Grupo Parecis (formações Salto das Núvens e Utiariti; Juro-Cretáceo) e Formação Araguaia (Terciário/Quaternário).
A Formação Fazenda da Casa Branca constitui-se de arenitos ortoquartzíticos, arenitos feldspáticos, grauvacas, siltitos, argilitos, diamictitos e conglomerados, que foram depositados em ambiente continental subaquático (fluvial/eólico) com contribuição glacial e periglacial (Siqueira, 1989).
Fig. 2.3 – Mapa geotectônico simplificado da Bacia dos Parecis (Siqueira & Teixeira, 1993) mostrando a localização das Províncias kimberlíticas de Juína (JU), Paranatinga (PA), Pimenta Bueno (PB), Colorado do Oeste (CO) e Pontes e Lacerda (PL). BA, Basaltos Anari e BT, Basaltos Tapirapuã.
O Grupo Parecis (Barros et al., 1982) é constituído pelas Formações Salto das Nuvens (base) e Utiariti (topo). A Formação Salto das Nuvens inicia-se por conglomerados
34
petromíticos basais (seixos de arenitos eólicos e basaltos), de matriz arcoseana, intercalados com arcóseos, argilitos e trapes basálticos. Nas porções mais a sul da bacia, a Formação Salto das Nuvens apresenta traps de basaltos da Formação Tapirapuã, em sua parte basal. Portanto houve um sincronismo entre as últimas manifestações magmáticas e o início da deposição dessa formação.
A Formação Utiariti mostra contato inferior gradacional e, um pacote sedimentar constituído em quase sua totalidade por sedimentos arenosos, em cores variegadas nas matrizes branca, amarela, roxa e avermelhada, depositadas em bancos maciços e espessos. Em algumas porções mais a sul da bacia ocorrem camadas conglomeráticas intercaladas nesta Formação. Barros et al. (1982) admitem que uma das fontes dos diamantes que ocorrem nos
placeres Terciário/Quaternário da região, corresponde as camadas conglomeráticas que
ocorrem intercaladas na Formação Utiariti.
Os sedimentos do Grupo Parecis atingem as cotas mais altas da bacia. Acima dos 500 m acham-se recobertos por formações laterizadas de espessura entre 10 e 15 m. Essa unidade estratigráfica desenvolvida no Terciário/Quaternário é denominada Formação Araguaia (Siqueira, 1989). Constitui-se de sedimentos pouco consolidados representados por siltes, areias siltosas mal estratificadas, argilas e conglomerado basal com seixos mal rolados e heterogêneos.
Devido à proximidade com a “Inflexão dos Andes”, a Bacia dos Parecis apresentou atividade tectônica significativa a partir do início da colisão Mesozóica da Placa de Nazca com o continente sul-americano. A ascenção de arcos ou altos estruturais internos de Vilhena (NNE-SSW) e da Serra Formosa (NNW-SSE), promoveram a compartimentação da Bacia dos Parecis em três sub-bacias, nomeadas, de oeste para leste: Rondônia, Juruena e Alto Xingu (Fig 2.3; Siqueira e Teixeira, 1993).
Em resposta aos pulsos tectônicos e ascensão dos Andes ocidentais, acentua-se a expressão do Arco do Rio Guaporé (a oeste da bacia), isolando-a da Depressão Sub-andina com qual esteve ligada no Paleozóico. O Arco da Serra Formosa separa dois depocentros superimpostos à bacia, de oeste para leste, respectivamente nos intervalos Triássico-Cretáceo e no Terciário.
Desta maneira, tanto as vulcânicas toleíticas das Formações Anari e Tapirapuã (~197 Ma; Montes-Lauar et al., 1994; 206 Ma, Barros et al., 2006) como as províncias kimberlíticas de Paranatinga (122,6 - 126,3 Ma; Heaman et al., 1998), Juína (91,6 - 94,6 M.a; Heaman et
al., 1998), Pimenta Bueno (226 ± 7 Ma) e Pontes e Lacerda, são produtos de magmatismo
35
de fraqueza do embasamento como resposta aos pulsos orogênicos dos Andes em convergência.
2.4 – PROVINCIA KIMBERLÍTICA/DIAMANTÍFERA DE JUÍNA
Conforme relato de Pinto Filho et al. (1977 apud Barbosa, 1991), a Sopemi havia encontrado kimberlitos mineralizados no alto Rio Roosevelt e no Pimenta Bueno (ou Comemoração). Como visto anteriormente, a descoberta dos kimberlitos de Juína nos anos de1970 deve-se à Sopemi S.A. (Silva et al., 1980; Schultz Filho, 1981), que já havia descoberto kimberlitos na província de Paranatínga, MT (Lopes, 1976; Fragomeni, 1976).
Davis (1977a, b) obteve idades (U-Pb em zircão) entre 80,1 – 79,2 Ma para os kimberlitos das intrusões denominadas Juína-5 e 6 (J-5 e J-6; PKDJ, MT) e idades entre 120 – 121,1 Ma para o kimberlito Batovi-9 (Província de Paranatinga, MT).
Santos & Loguercio (1984) observaram que as crateras kimberlíticas das intrusões Juína 3 e 9 (J-3 e J-9; Fig. 2.4) apresentavam níveis de sequência rítmica, representados por alternância de material tufáceo com finas lâminas argilosas e níveis de tufo maciço com enclaves de gnaisses e argilitos. Esses mesmos corpos foram posicionados no Cretáceo baseado em evidências de campo (Schults Filho, 1981). Três outras ocorrências intrusivas ultrabásicas foram evidenciadas e classificadas por Santos & Loguercio (1984) como kimberlitos por apresentarem minerais índices desse tipo de rocha (piropo, ilmenita magnesiana, diopsídio cromífero e flogopita).
Svisero (1983) identificou e analisou inclusão de olivina (DPS-64a) em diamante de garimpos do Rio Aripuanã (MT), cuja composição principal (em peso) é 41,03% de SiO2, 50,96% de MgO, 7,44% de FeO. Gonzaga & Tompkins (1991), que associaram a distribuição e controle estrutural das Províncias Kimberlíticas brasileiras a três grandes lineamentos estruturais, posicionaram a província kimberlítica de Juína (ou Aripuanã) no segmento denominado Parguasense. Para os autores, esse segmento situado dentro dos limites do Cráton Amazônico (Mato Grosso), apresenta os mais importantes kimberlitos mineralizados, incluíndo-se Juína e Paranatinga. Teores superiores a 1 quilate por metro cúbico ocorrem nos aluviões do rio São Luiz, cuja fonte é remetida a Província Kimberlítica de Juína (ou Aripuanã, Gonzaga & Tompkins, 1991).
Granadas inclusas em diamantes, recuperadas em aluviões do Rio São Luiz foram analisadas inicialmente por Wilding et al. (1989). Os autores apontaram que cerca de 50% das granadas eram da suíte eclogítica e mostravam alto conteúdo de silício, sugerindo que essas granadas haviam sido formadas em grandes profundidades no manto (> 300 km).
36
Wilding et al. (1991) e Harte et al. (1999) identificaram, em estudos de diamantes de Juína, paragêneses de inclusões minerais de pressão elevada, que teriam sido originados a grandes profundidade, em níveis do manto inferior (>670km) e na zona de transição (440 a 670 km). Outros trabalhos vêm também contribuindo para o conhecimento desses campos kimberlíticos: Kaminsky et al. (2001, 2009a,b), Bulanova et al. (2010).
Haralyi (1991) em estudos na província kimberlítica/diamantífera de Juína, relatou a ocorrência de mais de vinte intrusões kimberlíticas, cuja localização encontra-se no mapa geológico da figura 2.2b.
Iwanuch & Kondo (1997), em estimativa preliminar do potencial diamantífero do corpo kimberlítico de Juína 2, analisaram a composição química e feições superficiais de granadas. Esses autores identificaram oito grupos químico-genéticos de granada (programa de análise discriminante): cinco grupos de peridotitos e piroxenitos, dois grupos de eclogitos e um último grupo que não se enquadrou no programa de análise usado. Em seu trabalho concluíram que: cerca de 50% da população das granadas são de paragêneses medianamente diamantíferas e 10,87% de paragêneses provavelmente diamantíferas, denotando médio potencial diamantífero primário para o pipe Juína 2. Ressaltaram ainda, a presença de espessas coroas kelifíticas tríplas nas granadas e de inúmeras feições superficiais de corrosão, dissolução e de alteração hidrotermal de alta temperatura, atestando que pode ter havido também uma parcial reabsorção, dissolução e corrosão dos diamantes desse kimberlito.
Em estudo de inclusões em diamantes provenientes do rio São Luiz (Juína, MT) foram identificados ferropericlásio [(Fe,Mg)O], granada majorita (solução sólida de clinopiroxênio com granada), coríndon (rubi, com alto cromo), piropo-almandina com estrutura tetragonal (TAPP), stishovita (SiO2), moissanita (SiC) e silicatos [CaSiO3; (Mg,Fe)SiO3] com estrutura da perovskita (Wilding et al., 1989; Wilding et al., 1991; Harte & Harris, 1994; Hutchison, 1997; Harris et al.,1997].
Teixeira et al. (1998a, b), em trabalhos descritivos de amostras de furos de sondagem e petrografia, identificaram e classificaram cerca de 23 estruturas explosivas da Província Kimberlítica de Juína. Segundo esses autores, essas estruturas explosivas configuram-se como amplas crateras de formato circular (com área de até 55 ha., na sua porção apical), com 20 a 80 m de altura, compostas principalmente de rochas piroclásticas subaéreas, tephras hidroclásticas, depósitos vulcanoclásticos ressedimentados e lentes ou camadas sedimentares com contribuição de material vulcanogênico.
37
As crateras com formatos de taça de champanhe (Figura 2.4a),apresentam condutos alimentadores normalmente estreitos (entre 100 a 150 m de diâmetro) e preenchidos por brechas kimberlíticas vulcanoclásticas (Teixeira et al., 1998a). Os autores diferenciaram ainda as estruturas de acordo com as rochas encaixantes em: i) Estrutura explosiva encaixada em rocha sedimentar (Bacia dos Parecis) e ii) Estrutura explosiva encaixada em rocha do embasamento granito-gnáissico (Província Geocronológica Rio Negro - Juruena). Estruturas explosivas encaixadas no embasamento são menores que as anteriores e não desenvolveram completamente os depósitos piroclásticos extrusivos como as estruturas encaixadas em sedimentos paleozóicos da Bacia dos Parecis. Algumas das feições texturais e de estruturas, registradas em testemunhos de sondagem dos principais corpos kimberlíticos de Juína, são mostradas nas fotografias 2.4(a, b, c, d). Estudos isotópicos de idade U-Pb em zircões mantélicos (Heaman et al., 1998) recuperados em kimberlitos de Juína e de Paranatinga indicaram dois períodos distintos para a formação desses zircões: um Cenomaniano (91,6 - 94,6 Ma para Juína) e outro Barremiano (122,6 - 126,3 Ma para Paranatinga). Essas idades são interpretadas pelos autores como dois episódios diferentes de magmatismo, as quais são a exata oposição quanto as afirmações de Crough et al., (1980) e Gibson et al. (1997) de que o magmatismo kimberlítico dessa região do Brasil teria sido contemporâneo ao magmatismo toleítico relacionados à atividade da pluma mantélica de Trindade.
Em 2006, a empresa mineradora do Canadá – DIAGEM, informou o resultado de um
bulk sample executado no solo eluvial preso ao corpo do kimberlito Collier 4 (Fig. 2.4b e
Foto. 2.4b). O corpo com 17 hectares apresentou um teor médio de diamante de 0,62 quiltates/m3 (variando entre 1 a 2,69 quilates/ m3). No processo foram
38
Fig. 2.4a – Figura esquematizada das estruturas explosivas kimberlíticas encontradas em Juína, MT (Teixeira, 1997). Fácies I corresponde a rochas epiclásticas, Fácies II, estruturas resedimentadas, e Fácies III estruturas brechadas.
Foto. 2.4a - Fotografia de testemunhos de sondagem obtidas das crateras dos kimberlitos de Juína (Teixeira, 1997). Arenitos avermelhados se intercalando com arenitos kimberlíticos (cinza esverdeado).
39
Fig. 2.4b – Imagem de satélite mostrando a localização do corpo kimberlítico Collier 4 quando foi efetuado o bulk sample pela empresa canadense Diagem.
Foto 2.4b - Mina Fazenda Duas Barras, em fase de lavra experimental do corpo kimberlítico