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2.4.3. Karbon Ayak İzi

“Como exprimir-se um coração, como outro irá entender...” .Tiúttchev.

Este verso citado por Vygotsky em seu livro “A construção do pensamento e da linguagem” (2001), nos fala como é complexa e delicada a comunicação da dimensão subjetiva.

Chamou-nos a atenção, pois, tem sido uma de nossas dificuldades quando buscamos no discurso a produção de sentido nos movimentos das configurações simbólicas que atravessam o cotidiano de um processo. Como integrar essa dimensão complexa, sistêmica, dialógica e dialética na compreensão da constituição das formas superiores de organização do psíquico que pretendemos estudar?.

A comunicação é complexa, pois quando a linguagem se materializa – na fonética, na morfologia, no léxico, na semântica, no ritmo, na música – as categorias gramaticais escondem as categorias psicológicas.

Estas podem ser manifestadas de outras formas também, como: as expressões faciais, a postura corporal diante do outro, o toque, a distância, os

signos, os desenhos, o silêncio e os gestos. Incluem-se também nas categorias psicológicas individuais dos interlocutores as diferenças como: cultura, idade, gênero, posição econômico-social, raça, experiências, crenças, ideologias.

Vygotsky (2001) condena o método de análise psicológica que decompõe a totalidade psicológica complexa em elementos, isto é, resolver a questão do pensamento e da linguagem, decompondo-a em pensamento e linguagem. Explica com a seguinte analogia: se uma pessoa ao tentar explicar cientificamente qualquer propriedade da água – a água apaga o fogo – ao dissolver a água em hidrogênio e oxigênio como meio de explicação dessa propriedade nunca poderia explicar que a água apaga o fogo, pois esses elementos são voláteis e oferecem combustão.

O autor justifica com seguinte explicação, que embora longa transcreveremos para uma melhor compreensão:

[...] a relação entre o pensamento e a palavra não é uma coisa mas um processo, um movimento contínuo de vaivém do pensamento e da palavra, e vice versa. Nesse processo, a relação entre o pensamento e a palavra passa por transformações que, em si mesmas, podem ser consideradas um desenvolvimento no sentido funcional. O pensamento não é simplesmente expresso em palavras; é por meio delas que ele passa a existir. Cada pensamento tende a relacionar alguma coisa com outra, a estabelecer uma relação entre as coisas. Cada pensamento se move, amadurece e se desenvolve, desempenha uma função, soluciona um problema. Esse fluxo de pensamento ocorre como um movimento interior através de uma série de planos. Uma análise da interação do pensamento e da palavra deve começar com uma investigação das fases e dos planos diferentes que um pensamento percorre antes de ser expresso em palavra. A primeira coisa que esse estudo revela é a necessidade de se fazer uma distinção entre dois planos da fala. Tanto no aspecto interior da fala – semântico e significativo – quanto no exterior – fonético – embora formem uma verdadeira unidade têm as suas

próprias leis de movimento. A unidade da fala é uma unidade complexa, e não homogênea. (VYGOTSKY, 1999b, p.156)

A palavra representa uma unidade viva do som e significado, por exemplo: as companhias de bebidas alcoólicas foram proibidas de utilizar imagens infantis atrativas para crianças em suas propagandas, porém a lei foi sancionada depois de uma dessas empresas exibir tais imagens por vários meses. Com o impedimento, a empresa tirou as imagens proibidas, mantendo apenas o slogan com as palavras: nã nã nã nã; para quem não acompanhou todo o processo, essas palavras não têm nenhum significado; porém, para outros, ao lerem estas palavras lembrarão da cerveja e dos caranguejos abaixando as calças e mostrando o bumbum falando nã nã nã nã (com ritmo próprio) e desaparecendo no mar após terem bebido a cerveja do homem.

Assim, o som da palavra desprovido de sentido ecoa como outros sons da natureza, do mesmo modo, o significado desprovido do som da palavra se transforma em mera representação reproduzindo a ideologia. Sem significado a palavra torna-se um som vazio.

Na música Palavras, dos Titãs, escrita por Marcelo Fromer e Sérgio Brito, há o seguinte trecho:

“ palavras não são más. Palavras não são quentes palavras são iguais sendo diferentes...”

As palavras são iguais mas quando acompanhadas de um significado são diferentes por exemplo:

Vejam as mudanças da palavra amarelo nas frases que seguem: Ela deu um sorriso amarelo. Hoje o brasileiro vestiu verde e amarelo. Nos momentos finais do jogo o time amarelou.

Se isolarmos as palavras amarelo das frases acima, elas serão iguais, representarão o significado congelado no dicionário: da cor do ouro, da gema do ovo, do enxofre.

Por isso, devemos substituir o método de decomposição pelo método de análise que desmembra em unidades. Segundo Vigotsky (2001) essa unidade pode ser encontrada no aspecto interno da palavra: no seu significado é que se encontra o pensamento verbalizado. Vigotsky (2001) adverte que o determinante da natureza interna do significado não está onde se costuma procurar. “a palavra nunca se refere a um objeto isolado mas a todo um grupo ou classe de objetos. Por essa razão, cada palavra é uma generalização latente ...” Desta forma, possibilita, por intermédio da análise do sentido da linguagem do sujeito, verificar a parte no todo e o todo na parte, esclarecendo uma das nossas dúvidas iniciais relacionada ao método. E complementa:

[...] Sendo assim, fica evidente que o método de investigação do problema não pode ser outro senão o método da análise semântica, da análise do sentido da linguagem, do significado da palavra. Nesta via é lícito esperar resposta direta à questão que nos interessa – a da relação entre pensamento e linguagem, porque essa relação faz parte da unidade por nós escolhida, e quando estudamos a evolução, o funcionamento, a estrutura e o movimento dessa unidade, podemos apreender muito do que nos pode esclarecer a questão do pensamento e da linguagem, da natureza do pensamento verbalizado. (VIGOTSKY, 200, p.10).

Voltemos aos exemplos da palavra amarelo: Um sorriso amarelo em nossa região significa desinteresse. Vestir verde amarelo significa patriotismo para todo brasileiro. O time amarelou em nossa região significa que se acovardou.

Para muitos não seriam necessárias estas explicações pois a palavra traz consigo uma significação isto é uma generalização latente. Do que decorre que, a generalização não tem natureza universal, o significado é definido em cada momento da história, lugar, cultura e experiências vividas.

Assim, as palavras só terão sentido e significado com os sujeitos que lhes dão “recheio”. Nós é que engravidamos as palavras, escreveu Merhy (2005) em um texto utilizando uma metáfora do processo de engravidamento das palavras citando o caso da Integralidade no setor da Saúde:

[...] com muita facilidade, no caso da integralidade – que procura expressar uma categoria analítica para o pensamento, com a intenção de ser portadora de uma formulação de mudanças radicais, para as ações de saúde – adotamos a postura de que a palavra é portadora de sentido e significado por si e que basta adotá-la no nosso falar, para sentirmos profundamente inovadores. Não é assim. Somos testemunhas, no dia–a-dia dos nossos serviços, de que são muitos os que falam em integralidade e que isso não significa necessariamente que sejam protagonistas de novas práticas de saúde. (MERHY, 2005, p.195).

Neste sentido, como anteriormente citamos o que Vygotski (2001) escreveu “o significado não está onde costumamos procurar”, [...] “a unidade da fala é uma unidade complexa, e não homogênea”, na educação, por exemplo, empregam-se algumas palavras apenas no aspecto fonético como interdisciplinaridade, transdisciplinaridade, integração disciplinar e extensão, modismos; algumas vezes até desconhece-se seu verdadeiro significado e muito menos as usa como

categorias de ação visto que estas pressupõem a parceria, o diálogo. Minayo, (1996), afirma que:

[...] é o paradoxo da saúde no interior do fenômeno da doença, seu potencial criativo. A riqueza dos mundos físicos e biológicos, a infinita diversidade das formas de adaptação individual e social, as imensas possibilidades de reconstrução de significados e da vida cotidiana, que estão à disposição de profissionais e investigadores da saúde para que possam compreendê-la e agir.

As pesquisas científicas que buscam compreender os aspectos da comunicação humana têm, inclusive, que dar clareza e transparência aos seus métodos e pressupostos epistemológicos para validar o conhecimento criado por sujeitos individuais e coletivos. Trata-se de um desafio muito grande uma vez que nem Vygotsky (2001) demonstrou certeza quando escreveu o resumo do resultado básico de toda a sua pesquisa:

Os processos que se consideravam tolhidos de modo uniforme e imóvel são, de fato, interligados pela mobilidade. O que antes se considerava uma construção simples, a pesquisa mostrou que é complexa. No nosso empenho de delimitar os aspectos externo e semântico da linguagem, a palavra e o pensamento, não existe nada a não ser a aspiração de colocar em um aspecto mais complexo e em um vínculo mais sutil a unidade que, em realidade, é o pensamento discursivo. A complexa estrutura dessa unidade, os complexos vínculos e as tradições entre planos isolados do pensamento verbal só surgem no desenvolvimento. (VYGOTSKY, 2001, p.483, grifo nosso) Assim, verificamos que o objeto pesquisado não estava dado, à espera de nossa descoberta, ele está “sendo” no cruzamento da individualidade com o coletivo e do cotidiano com a história, como Sawaia (1987) adverte “ele é devir, é identidade,

é diferença, é interpretação de contrários, são infinitos processos que formam um só.”

Os pressupostos acima descritos deram uma ligeira noção de como trabalhar, porém o verdadeiro desafio é por onde começar?

Os indicadores da subjetividade aparecem por meio das mais diferentes formas de expressão e estão em desenvolvimento. Sendo um processo, não podemos congelar imagens, criar um universo empírico, estudar o fenômeno em grupos fora de seu cotidiano, porque assim se naturaliza e nos distanciamos das questões do dia a dia.

Spink, P.K, (2003) responde algumas das questões acima, conceituando um campo-tema: não é um lugar específico, delineado, separado e distante, mas se refere a processualidade. É um complexo de redes de elementos de sentidos que se interconectam. Pode ocorrer em qualquer lugar de interação social, bem como mediada por jornais, revistas, rádio, televisão, documentos públicos, artefatos, documentos de arquivo. Alguns podem acontecer com hora marcada com bloco de anotações e gravador.

Neste sentindo o pesquisador não só rompe com a neutralidade como também se torna sujeito ativo, participativo e reflexivo na produção teórica.

[...] a psicologia deve sair do campo das crenças produtoras de certezas para entrar na aventura infinita da construção dos complexos processos e configurações que caracterizam a subjetividade como ontológica. Estamos no momento de estimular o desenvolvimento de teorias locais que dêem conta das zonas de sentido sobre o estudado, que não aparecem nas teorias clássicas do pensamento psicológico, ainda muito ligadas a componentes

metafísicos implicados na certeza”.(MORIN, 2000, p. 77 apud REY, 2003, p.273)

Depois desta jornada chegamos a um ponto de parada para reflexão, e arriscamos em considerar que pesquisar em Psicologia Social é explicar toda materialidade encontrada nos mais diversos meios das tramas sociais, o que será confrontado e entrecruzado com o diálogo com as teorias locais para explicar o estudado e ampliar saberes e buscar caminhos próprios de soluções inovadoras. É um processo de construção de conhecimento sobre o objeto (devir, gênese, desenvolvimento, crise), tem caráter contrutivo-interpretativo (sistematização, essência e relação das coisas).

Então, ao organizar e reclassificar toda documentação coletada, demos conta de que a Tese estava sendo, pois nessa busca de encontrar significado para o problema em estudo, trabalhávamos juntamente com outros professores do curso, na solução desses problemas com a Reforma Curricular do Curso de Enfermagem.

Eureka!!! a tese está sendo, é devir nesse espaço temporal e plural de Construção Coletiva do Projeto Pedagógico, pois abrange as múltiplas conexões capazes de dar respostas ao processo de formação do profissional enfermeiro no movimento entre o particular (professores, alunos, profissionais e usuários dos serviços de saúde) com o coletivo (legislações e instituições e políticas públicas de saúde e educação) e o cotidiano (sala de aula e diversos cenários da prática), com a história (individual e do grupo). A representação esquemática desse complexo sistema psicológico do processo de construção das competências de futuros enfermeiros é vista na Figura 1.

Neste espaço, confrontam-se diferentes culturas e linguagens, diferentes interlocutores e diferentes cenários que freqüentemente divergem em relação às maneiras de ensinar e aprender, bem como em relação às estratégias que devem ser usadas e valorizadas.

Fig. 1 Representação esquemática – O complexo “sistema psicológico” do processo de construção de competência de futuros enfermeiros.

Não pretendemos, contudo, apenas alinhar as opiniões, mas o confronto dos diferentes olhares e esse diálogo coletivo é a maior riqueza deste estudo.

Dando continuidade aos ensaios de nossos primeiros passos de um novo fazer científico, decidimos nos embrenhar pela pesquisa da ação participante e, portanto, ao mesmo tempo desempenhar o papel no grupo como sujeito e pesquisadora. Também adotamos a “prática reflexiva” proposta por Shön (1982)

ENFERMEIRO: generalista, humanista, crítico e reflexivo

COMPETÊNCIAS Dimensão técnica-científica Dimensão sócio-educativa Dimensão ético-política Dimensão percepção: avaliação antecipação e decisão ELEMENTOS DE SENTIDO Professor Aluno Usuário Profissionais CONTEXTOS SOCIAIS PRODUTORES DE SENTIDO CURRÍCULO HISTÓRIA DO SUJEITO Diretrizes Curriculares do MEC Projeto pedagógico da PUC-SP Conselho Regional de Enfermagem MERCADO DE TRABALHO HISTÓRIA DO CURSO Associação Brasileira de Enfermagem IDEOLOGIA

citado por Moreira (1995) que compreende três componentes: conhecimento-em- ação, reflexão-em-ação e conversa-reflexiva-com-a-situação. Este último componente, segundo Moreira (1995) em transação com os materiais contextuais e os demais atores dá margem à descoberta e permite repensar a compreensão dos problemas e planejar o esquema da situação e propor possíveis soluções.

Sobre o pesquisador, dois conceitos se destacam:

Primeiro Oliveira Rosika e Oliveira Miguel (1981) apud Franco (2001, p.215), dizem:

Se o objetivo do pesquisador é contribuir para a problematização uma clarificação da prática vivida pelo grupo, ele deve preservar uma distância crítica da realidade e a ação cotidiana do grupo. A verdadeira inserção implica, portanto, uma tensão permanente entre o risco de identificação excessiva do pesquisador com os protagonistas da situação em que está inserido e a necessidade de manter um recuo que permita uma reflexão crítica sobre a experiência em curso. É preciso, justamente alcançar uma síntese entre a militante de base e o cientista social, entre o observador e o participante sem sacrificar nenhum dos dois pólos desta relação.

De outro lado, Góis e Ximenes (1998) dizem:

Há uma imensa capacidade da mente humana de estudar a si mesma e o mundo objetivo, de se compreender como objeto de si mesma e sujeito do mundo estudado e vivido, de ser parte e de ser todo, de ser criatura de ser criador, de mudar o instante e de ser mudado por ele, seja no cotidiano comum ou no ato de investigar a si e a tudo mais.

“Pesquisa-ação é por excelência a práxis científica” afirma Lane (1999, p.18), e a autora escreve:

A partir de um enfoque fundamentalmente interdisciplinar, o pesquisador-produto-histórico parte de uma visão de mundo e do homem necessariamente comprometida e neste sentido não há possibilidade de gerar um conhecimento “neutro” nem um conhecimento do outro que não interfira na sua existência. (LANE, 1999, p.18)

Essa experiência, como pesquisadora, foi nova para mim, a consciência converge e movimenta em espiral os papéis se confundem e se alternam. Em razão de que ora sou objeto estudado, pois sou docente da escola, ora sou autora da ação, já que faço parte da comissão de reforma curricular, ora sou administradora da ação, visto que sou coordenadora do curso de enfermagem.

Este movimento dialético nos leva a compreender a prática transformadora como algo que é construído historicamente, já que cada ação traz consigo a marca de outras ações prévias.

Não pretendemos nos apropriar desse produto (o Projeto do Curso de Enfermagem e as transformações) como resultado da pesquisa. Situação semelhante vivenciou Sawaia (1987) em sua tese de doutorado e concordo com suas afirmações:

[...] inevitavelmente cairia num determinismo de causa e efeito, que encobriria a dialética do real, que se move em espiral onde o possível efeito volta como causa da causa anterior, alterando- a e alterando-se no processo, para depois continuar avançando sempre nesse sentido. E além de falsear o movimento enviesará os resultados de forma assintosa, pois não trabalhamos com situação experimental, de controle de variáveis.

Os pressupostos de Rey (2003) sobre subjetividade e seu significado atual na construção do pensamento psicológico, trouxeram uma saída para a encruzilhada

epistemológica em que nos metemos. Como um farol, iluminou um mar de opções diante de nossas dificuldades de encontrar uma teoria que fosse capaz de dialogar com uma realidade complexa, estudada. O autor nos ensina que atrás dos problemas específicos de investigação psicológica há um sistema social complexo, sendo assim o momento empírico está em diferentes situações.

O processo de formação do enfermeiro percorre diferentes espaços sociais, configurando a constituição subjetiva do comportamento individual e social. Passamos a considerar a categoria subjetividade social em nosso estudo. Rey (2003) escreveu;

[...] que integra o individual, o social e o histórico, não somente na dimensão da linguagem ou das práticas discursivas e narrativas, mas também em uma nova dimensão ontológica da psique, como subjetividade de base dialético-complexa e de natureza histórico cultural. (REY, 2003, p. 179).

A categoria de subjetividade social foi introduzida por Rey, (2003, p. 202) “com a intenção de romper com a idéia arraigada nos psicólogos, de que a subjetividade é um fenômeno individual, apresentou-a como um sistema complexo produzido de forma simultânea no nível social e individual”.

Tal fenômeno pode ser explicado nas palavras de Chauí (1997) “Subjetividade é uma estrutura de experiências significativas e significantes que não começam nem terminam na consciência de si de um sujeito, uma teia de sentidos tecidas na relação intercorporal no diálogo com o outro”.

Assim, realidade objetiva (cenário em que ocorre a aprendizagem – processos sociais) Rey (2003, p.202) considera que não devem “[...] ser vistos como externos em relação aos indivíduos, ou como blocos de determinantes consolidados,

que adquirem o status de “objetivo” diante do subjetivo individual, devem ser vistos como processos implicados dentro de um sistema complexo, a subjetividade social, da qual o indivíduo é constituinte e, simultaneamente, constituído.” Rey (2003, p.209) destaca que “as configurações que caracterizam a subjetividade social se concretizam nos espaços de relações dentro dos quais os indivíduos atuam.” Além disso, argumenta que “as configurações de um espaço da subjetividade social nos dá visibilidade sobre outros.”

Assim, nas sendas de um novo fazer científico, os próximos capítulos terão um caráter construtivo interpretativo e através de uma conversa-reflexiva-com-a- situação buscaremos teorias locais que dêem conta da dimensão ontológica da psique como subjetividade de base dialético-complexa e de natureza histórico cultural, para explicar a gênese da subjetividade social produzida pelos sistemas de sentido no ensino de enfermagem.

A pesquisa ação participante não tem um plano definido de ação; etapas a seguir não definem que elementos devem ser observados ou controlados; ela segue caminhos diferentes. Para garantir a cientificidade, deve-se evitar os obscurantismos manipuladores. (Sawaia ,1987).

O procedimento da pesquisa ação participante foi construído através de uma conversa reflexiva com a situação.

Inicialmente, a compreensão a gênese da subjetividade social que produz, os sistemas de sentidos na ação educativa nos leva a três aspectos que constituirão

a) Partimos da história dos currículos de enfermagem do Brasil e confrontamos com fatos históricos do Curso de Enfermagem da PUC-SP.

b) As variáveis: os desencontros entre a teoria e a prática e as configurações subjetivas do espaço social em que ocorre a aprendizagem;

c) Finalmente, podemos ancorar no presente e focalizar o que nos move para uma mudança na construção do novo currículo, é aqui que o passado e o presente se fundem e o presente é visto à luz da História.

Neste sentido, confrontaremos as configurações subjetivas constituídas por elementos de sentidos ao longo da história dos currículos de enfermagem com as configurações subjetivas vivenciadas no momento atual de construção de um novo currículo.

Um farto material que representasse a linguagem (polifônicas idéias acerca de currículo) foi coletado, representando o “campo tema”, a processualidade de redes de sentidos que se interconectam: documentos públicos e institucionais, atas de reuniões da Congregação da Escola de Enfermagem Coração de Maria (nome inicial do Curso de Enfermagem – PUC-SP); publicações técnico-científicas, relatórios, participação em reuniões da Comissão de Reforma do Curso de Enfermagem,

Fizemos uma busca realizada na base de dados BDENF da BIREME, e pesquisamos os descritores: currículo e enfermagem publicados entre os anos de