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KANUN TASARI VE TEKLİFLERİ İLE KOMİSYONLARDAN GELEN DİĞER İŞLER (Devam)

ÜÇÜNCÜ OTURUM Açılma Saati: 17.00

VIII.- KANUN TASARI VE TEKLİFLERİ İLE KOMİSYONLARDAN GELEN DİĞER İŞLER (Devam)

A tolerância religiosa, da forma como é conceituada mascara uma intolerância, logo, se converte em seu conceito fundamental em uma (in)tolerância. Então, como combater ou garantir os direitos e liberdades de crenças daqueles que pretendem conviver harmonicamente em detrimento dos intolerantes?

E como afirmar que uma religião é melhor do que outra? Impossível, da mesma forma que não se pode reduzir a importância de uma em detrimento de outra.

Voltaire alerta que se aumentar o número de cultos a tendência é diminuir a intolerância: “Quanto mais seitas houver, tanto menos perigosa cada uma será; a multiplicidade as enfraquece; todas são reprimidas por justas leis que proíbem as assembléias tumultuosas, as injúrias, as sedições e que estão sempre em vigor pela força coativa”.271

Norberto Bobbio: “Se sou o mais forte, aceitar o erro alheio pode ser um ato de astúcia: a perseguição causa escândalo, o escândalo faz crescer a mancha, a qual, ao contrário, deve ser mantida o mais possível oculta. O erro poderia propagar-se mais na perseguição do que numa benévola, indulgente e permissiva tolerância (permissiva, mas sempre atenta). Se sou o mais fraco, suportar o erro alheio é um estado de necessidade: se me rebelasse, seria esmagado e perderia qualquer esperança de que minha pequena semente pudesse germinar no futuro. Se somos iguais, entre o jogo o princípio da reciprocidade, sobre o qual se fundam todas as transações, todos os compromissos, todos os acordos, que estão na base de qualquer convivência pacífica (toda convivência se baseia ou sobre o compromisso ou sobre a imposição): a tolerância, nesse caso, é o efeito de uma troca, de um modus vivendi, de um do ut dês, sob a égide do “se tu me toleras, eu te tolero”.272

271 VOLTAIRE. Tratado sobre a tolerância: a propósito da morte de Jean Calas. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 29.

João Maurício Adeodato: “Assim como grosseria não implica coragem, tolerância tampouco significa aceitar qualquer atitude, não quer dizer pusilanimidade. Tolerância e bonomia não devem aparecer como covardia, mas ser determinado por arroubos do próprio temperamento vai indicar falta de civilidade e controle para sofrer discordâncias, sem tachar de inimigos os críticos e só transformar em amigos os bajuladores. Plutarco vai muito mais além da tolerância porque pensa de uma perspectiva moral edificante: “Sem dúvida não se vingar de um inimigo, quando a ocasião se apresenta, é humanidade! Mas compadecer-se dele quando está prostrado e assisti-lo quando está na miséria, aí está a verdadeira generosidade””.273

Carlos Eduardo Lins da Silva: “ A recusa a aceitar crenças diferentes é que torna necessária a tolerância; se apreciamos ou somos indiferentes às concepções do outro, não necessitamos de tolerância. A tolerância, pois, pressupõe a não-aceitação de uma diferença cognitiva entre convicções e atitudes que perduram de maneira racional. Se alguém rejeita negros ou muçulmanos, não vamos exigir dele tolerância, e sim de que, supere seu racismo ou preconceito religioso, pois se trata de uma questão de igualdade de direitos e não de tolerância. O pressuposto é a aceitação de que todos são iguais ou de “mesmo valor”na coletividade política. Essa é a norma universal que precisa ser aceita antes que possamos exigir tolerância recíproca”.274

Sara Guerreiro: “A liberdade religiosa só pode existir verdadeiramente num ambiente pluralista, mas o pluralismo, abre as portas à intolerância, uma vez que são necessariamente confrontadas visões diferentes do mundo e da vida. É necessário assegurar que desse confronto não resulta um conflito cujas dimensões podem colocar em causa o próprio pluralismo. Para tal, a tolerância constitui-se como conceito chave”.275

273 ADEODATO, João Maurício. A retórica constitucional (sobre tolerância, direitos humanos e outros

fundamentos éticos do direito positivo). 2 Ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 139.

274 SILVA, Carlos Eduardo Lins da. Org. Uma Não com alma de Igreja Religiosidade e políticas públicas nos

Eua.São Paulo: Paz e terra, 2009, p. 27.

275 GUERREIRO, Sara. As Fronteiras da Tolerância Liberdade religiosa e proselitismo na Convenção Européia

Julio Seoane Pinilla276: “Se devemos fundamentar a tolerância é porque devemos repensar cada conceito que a modernidade nos ofertou e nesse replanejamento formarmos a sociedade moderna e o homem que nela pode viver. Depois virão as negociações, as eliminações, o não permitir dentro de nosso mundo a quem consideramos estar fora dele (por exemplo a intolerância do fundamentalismo islâmico), as decisões, o reivindicar de cotas maiores de tolerância (seja na inevitável luta social e parlamentar na hora de propor e aprovar determinadas leis); e estas são as características da sociedade dentro da qual estamos e pela qual, em mais ou em menos, temos optado.”277

A intolerância religiosa deve ser combatida e os organismos internacionais estão atentos aos abusos dos intolerantes e a defesa dos direitos humanos busca, dentre outras coisas, exatamente essa proteção.

A previsão da Declaração Universal dos Direitos do Homem, todas as Convenções, o Pacto de Direitos Civis e Políticos, etc., têm como objetivo garantir que todos os Estados que recepcionam e ratificam os dispositivos da ONU criem em seu âmbito interno mecanismos de combate à intolerância religiosa e garantam a liberdade religiosa278.

Sobre o tema Salete Oliveira: “A tolerância é uma conquista do direito e de direito O pressuposto metafísico do campo (a natureza humana) constituiu a preposição do domínio universal (a conquista de direito) por meio da ausência de território ( a tolerância é uma conquista). É assim que a conquista de direito se amplia para sua própria maioridade. Não se tratará mais, tão somente dos direitos do homem e do cidadão, consagrados na Declaração de 1789, mas da universalização dos direitos humanos, prescrita na Declaração de 1948, que

276 SEOANE PINILLA, Julio. Fundamentar o defender la tolerancia?Revista Derechos y liberdades, n. 5, v. 2, 1995, p. 93.

277 Tradução livre: Si debemos fundamentar la tolerância ES porque debemos repensar cada concepto que la modernidad nos há otorgado y en esse replanteamiento formamos la sociedad moderna y AL hombre que em Ella puede vivir. Después vendrán las negociaciones, las eliminaciones, El no admitir dentro de nuestro mundo a quien creemos que está fuera de El (v.g., la intolerância del integrismo islâmico), las disensiones, El reclamar cotas de tolerancia mayores (sea ia inevitable lucha social y parlamentaria a la hora de proponer y aprobar determinadas leyes); y éstas son las características de la sociedad dentro de la cual estamos y por la que, em más o em menos, hemos optado.

278 O Brasil signatário da grande maioria dos tratados que prevêem a liberdade religiosa, como vimos, garantiu esse direito na Constituição Federal e cumpriu com os ditames da própria ONU em recepcionar os dispositivos no âmbito interno.

atualizará o projeto de emancipação kantiano. O brilho reluzente iluminista da tolerância veio traduzir-se na maioridade do domínio jurídico-político da humanidade”279.

E concordamos com o posicionamento de todos os autores citados nesse capítulo sobre as alternativas para o combate à intolerância.

O problema se mostra sem solução quando os direitos humanos e os demais preceitos da ONU não são reconhecidos pelos países e, tampouco, são recepcionados em seu âmbito interno.

E, também, a outra possibilidade: ser parte dos dispositivos internacionais, porém a influencia religiosa é maior e mais forte do que a busca pela defesa dos direitos humanos e o combate à intolerância.

Nestes casos é preciso saber como auxiliar essas comunidades ou compreender qual será o próximo passo que poderá substituir a (in)tolerância religiosa e, assim, trazer conseqüência aos demais e, inclusive, aos direitos humanos.