İKİNCİ OTURUM Açılma Saati: 15.03
VII.- ÖNERİLER A) SİYASİ PARTİ GRUBU ÖNERİLERİ
A Constituição Federal de 1988 protege o direito de crença no artigo 5º, VI225, com a liberdade de cultos e da religião em si, mas esse dispositivo não pode ser analisado como o único sobre o tema. Por isso, devemos apresentar também os demais dispositivos que envolvem a liberdade religiosa no Brasil: CF, art. 5º, VII226 e VIII227, art. 19, I228, 150, VI, b229 e 210, §1º230.
Esse conjunto de dispositivos constitucionais é o que determina a laicidade do Estado Democrático de Direito brasileiro. E, segundo seus regramentos, todos têm direito a ter uma religião e essa deve ser respeitada independentemente da religião do próximo.
225 Art. 5º, VI. É inviolável a liberdade de consciência de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.
226 Art. 5º, VII. É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.
227 Art. 5º, VIII. Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recursar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
228 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.
229 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI – instituir impostos sobre: b – templos de qualquer culto.
230 Art. 210. §1º. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escola públicas de ensino fundamental.
Segundo Luiz Alberto David Araújo231, a laicidade do Estado brasileiro está presente por uma série de elementos conceituais: liberdade de fé e de confissão religiosa, direito ao exercício de qualquer religião (liberdade de culto), liberdade de associação religiosa, dever de neutralidade do Estado, ensino religioso facultativo.
Os dispositivos constitucionais prevêem a liberdade religiosa de uma maneira geral, pois disciplinam acerca da liberdade de culto, de crença e de organização religiosa, isto é, as formas possíveis de expressão religiosa estão garantidas constitucionalmente.
José Afonso da Silva diferencia os dispositivos: “Fez bem o constituinte em destacar a liberdade de crença da de consciência. Ambas são inconfundíveis, pois o “descrente também tem liberdade de consciência e pode pedir que se tutele juridicamente tal direito”, assim como “a liberdade de crença compreende a liberdade de ter uma crença e a de não ter uma crença”.232
Ademais, outro dado relevante: se uma pessoa tem o direito garantido constitucionalmente de ter uma religião, é possível compreender que, da mesma forma, igualmente lhe é concedido e garantido constitucionalmente o direito de não ter uma religião.
Sobre o tema é fundamental destacar que uma pessoa não é obrigada a ter uma religião e, muito menos, ficar fiel aos dogmas religiosos para todo o sempre. É possível ser ateu, agnóstico e, também, modificar sua preferência religiosa com o transcurso do tempo, por isso, as liberdades de crença e de culto são importantes para a garantia da tolerância e a laicidade.
Acerca da liberdade de culto invocamos novamente os pensamentos de José Afonso da Silva: “A religião não é apenas sentimento sagrado puro. Não se realiza na simples contemplação do ente sagrado, não é simples adoração a Deus. Ao contrário, ao lado de um corpo de doutrina, sua característica básica se exterioriza na prática dos ritos, no culto, com suas cerimônias,
231 ARAUJO, Luiz Alberto David & NUNES JÚNIOR, Vidal Serrano. Curso de direito constitucional. 8 ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 114.
manifestações, reuniões, fidelidade aos hábitos, às tradições, na forma indicada pela religião escolhida”.233
É exatamente nessa temática que reside o cerne desse capítulo ao analisar o direito à liberdade de culto, a qual expressa às peculiaridades e as particularidades de cada religião e cada ao ser humano respeitar as diferenças de credo, crença e culto.
No entanto, na prática, não é o que acontece, pois, alguns cultos são desrespeitados, pessoas são hostilizadas, ridicularizadas, humilhadas, etc., como veremos no capítulo a seguir.
Em países laicos como o Brasil a diferença é ainda mais acentuada o que gera uma rivalidade, quase que uma competição, não das religiões, mas sim, de seus componentes em tentar convencer o próximo de que a sua religião, a sua fé é a mais importante em detrimento da crença e da religião de outro.
Se uma pessoa gosta dos rituais ocultos, se é simpatizante com os rituais de magia ou com as oferendas das religiões africanas não existe motivo de não cultuar essa adoração, o que não se pode permitir é que um cristão desdenhe dessa fé, ridicularize seus rituais, simplesmente por ter outra orientação religiosa.
O ser humano cataloga a religião entre maioria ou minoria e a tendência é sempre considerar que aquele que não faz parte de sua crença é a minoria, logo, como não existe uma religião melhor do que outra, teremos de analisar o direito das minorias, mas antes, vermos como funciona o tênue limite entre a tolerância e a intolerância religiosa.
No entanto, antes disso, vamos nos ater um pouco mais na questão da diversidade religiosa brasileira, em especial nas religiões de tradição e origem africanas: a Umbanda e o Candomblé.
233 Idem, ibidem.
Em especial no Nordeste brasileiro, especificamente na Bahia, já conhecida como Bahia de todos os santos. Será que nesse Estado brasileiro a Constituição Federal é plenamente harmônica com as especificidades dos rituais africanos?
Será correta uma intervenção estatal na questão do sacrifício de animais? Da mesma forma, é possível, ou melhor, adequado, para compreender uma religião tentar compará-la com outra?
E as singularidades, os ritos e cultos próprios não devem ser respeitados, mas em que momento termina a liberdade de culto e começa a proteção do Estado à sociedade?
7.7.1. As religiões brasileiras com tradições africanas: Umbanda e Candomblé
As religiões de origem africana padecem com uma elevada ignorância e, principalmente, intolerância acerca de seus rituais e cultos.
Clara que não somos favoráveis ao sacrifício de animais como se fossem oferendas para espíritos, ou os que os religiosos desse segmento chamam de entidades.
Ademais, é estéril o debate acerca do sacrifício, pois, este já é criminalizado no direito brasileiro234, portanto, não nos cabe fazer nenhum juízo de valor, apenas compreender um pouco melhor a diversidade religiosa sobre a qual estamos diante.
234 Constituição Federal: Art. 225, §1°, VII: “Cabe ao Poder Público: Proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco a sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade”. Art. 173, §5° e no art. 225, §3° “as condutas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas e jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar danos causados”.
Lei n° 9.605/98. Art. 29: aborda a questão da matança de animais da fauna silvestre. “Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida. Pena – detenção de seis meses a um ano. Art. 32 “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos; pena – detenção de três meses a um ano. §1°. Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. §2°. A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre a morte do animal.
Confessamos que o nosso conhecimento é deveras limitado acerca dessas religiões e, exatamente por isso, abrimos um tópico próprio por entender que o leitor também pode ser um desconhecedor e, assim, iremos juntos, romper uma nova barreira do preconceito.
Rafael Soares de Oliveira: “O respeito à diferença é o primeiro passo para o ecumenismo. A consideração pela diferença é essencial, e só haverá união entre os terreiros de candomblé e as diversas religiões quando se respeitar que angola é angola, queto é queto, jeje é jeje. Porém, quando alguma religião, não só negra, candomblé, de santo, mas católica, cristã, sofre agressão por outra, que todos se proponham a defender o respeito àquela casa, àquele culto, àquela nação, àquela igreja. Deus não tem apenas uma cor. Ele é preto, azul, amarelo, vermelho, branco. Podemos alcançá-Lo fazendo soar o atabaque ou o cravo, depondo oferendas no mar ou comungando a hóstia embebido em vinho”.235
O primeiro passo para a liberdade religiosa é respeitar a religião como ela é e não tentar estabelecer um elemento comparativo, como dizer que no candomblé a entidade tal corresponderia ao santo tal no catolicismo. A nosso ver uma crença não precisa ser comparada a nenhuma outra como ponto de referência.
Se no Candomblé ou na Umbanda a entidade tal tem um nome então esta terá a sua importância dentro da própria hierarquia religiosa do candomblé ou da umbanda, não sendo necessário buscas um equivalente em lugar algum.
Da mesma forma temos os cânticos, os rituais e as orações.236 É evidente que existem peculiaridades às quais causam certa estranheza para aqueles, como nós que não são familiarizados com as religiões afros, como os atabaques, a denominação pai e mãe de santo e uma infinidade de nomes de entidades religiosas e rituais que não sabemos e tampouco conseguimos reproduzir nesse espaço.
235 OLIVEIRA, Rafael Soares de. Candomblé Diálogos fraternos contra a intolerância religiosa. Rio de Janeiro: DP&A, 2003, págs. 16 e 17.
236 O culto dos orixás enriqueceu o Brasil com a beleza de seus ritos e símbolos, inspirando inúmeros artistas (lembremos Carybé, Mário Cravo, Agnaldo Santos, Dorival Caymmi, Tati Moreno, Capinan, Roberto Mendes, Bel Borba...- a lista seria interminável). OLIVEIRA, Rafael Soares de. Candomblé Diálogos fraternos contra a
E temos um interessante relato acerca da confluência de duas religiões afro: a umbanda e o candomblé: “Na sua expansão, a umbanda penetrou em áreas onde o candomblé era hegemônico, e o candomblé também avançou no espaço da umbanda. Esse contato foi prolongado, pacífico e muito fecundo, sobretudo nas grandes metrópoles do país”.237
O respeito com o que não conhecemos deve ser redobrado e com a religião ainda mais, discriminar e agredir o que não se conhece tem outro nome: ignorância, portanto, antes de criticar as religiões afro é melhor aprendermos seu funcionamento e a criminalizando e reprimindo quando dos sacrifícios dos animais, independentemente da tradição ou do costume religioso, porque acima da religião existe a hierarquia das normas e por haver a previsão normativa de que maus tratos ou a morte de animais é crime, então não há que se falar em tolerância religiosa, mas sim, em respeito à lei.