A) KANUN TASARI VE TEKLİFLERİ
IX.- KANUN TASARI VE TEKLİFLERİ İLE KOMİSYONLARDAN GELEN DİĞER İŞLER (Devam)
A CNUDM consagra uma série de poderes aos Estados Costeiros, que variam conforme a área a que se referem.
Assim, no Mar Territorial, determina a Convenção que o Estado tem, de algum modo, plena soberania sobre o mesmo (assim como sobre o espaço aéreo, o leito e o subsolo desse mar), como se do seu território terrestre se tratasse. Entretanto, os navios de qualquer bandeira, terão o direito de passagem inofensiva, podendo atravessar as águas do Mar Territorial desde que o façam de maneira rápida e ininterrupta, seja em direcção a qualquer porto fora das águas interiores, seja simplesmente para sair delas. A passagem inofensiva deverá respeitar as leis do Estado Costeiro e as normas internacionais pertinentes, não podendo, a qualquer pretexto, prejudicar a paz, a boa ordem ou a segurança do Estado (CNUDM).
Além do direito de passagem inofensiva, convém igualmente alertar para o facto de a capacidade de intervenção do Estado Costeiro sofrer algumas limitações, nos termos do Artigo 27.º da CNUDM, nomeadamente ao proibir o exercício de jurisdição penal sobre as embarcações, que só é permitida quando: a infracção tenha
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Cf. Cançado Trindade (2003: 64).
consequências no Estado Costeiro; as práticas criminosas ponham em causa a paz do Estado Costeiro ou a ordem do Mar Territorial; a intervenção do Estado Costeiro tenha sido requerida pelo comandante do navio ou por agentes diplomáticos ou consulares do Estado de bandeira; a intervenção do Estado Costeiro seja necessária para a supressão do tráfico ilícito de drogas narcóticas ou substâncias ilícitas. Além destes casos, o Estado Costeiro só pode abordar, no âmbito de uma investigação criminal, navios que se encontrem no seu Mar Territorial vindos das suas águas interiores.
Já dentro da Zona Contígua, o Estado poderá tomar as medidas de fiscalização que entender necessárias de forma a prevenir e, eventualmente, sancionar quaisquer infracções aos seus regimes legal, aduaneiro, fiscal, de imigração e/ou sanitários, que se cometam no seu Território ou no seu Mar Territorial, bem como reprimir quaisquer infracções às leis e regulamentos no seu Território ou no seu Mar Territorial (Artigo 33.º da CNUDM), o que pode incluir legislação penal e ambiental, com as limitações do Artigo 27.º da CNUDM, e tendo em conta que a Zona Contígua serve como extensão do Mar Territorial, mas onde o Estado Costeiro tem, sobretudo, poderes preventivos145.
Na ZEE, como é exposto na CNUDM, o estado ribeirinho possui “direitos de
soberania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais, vivos ou não vivos das águas sobrejacentes ao leito do mar, do leito do mar e seu subsolo, e no que se refere a outras actividades com vista à exploração e aproveitamento da zona para fins económicos, como a produção de energia a partir da água, das correntes e dos ventos” (Número 1a do Artigo 56.º da CNUDM). Além disso,
o Estado costeiro possui jurisdição no que se refere à “colocação e utilização de ilhas
artificiais, instalações e estruturas”, “investigação científica marinha” e “protecção e preservação do meio marinho” (Número 1b, idem). Podemos, por isso, afirmar que o
Estado Costeiro tem sobre a ZEE direitos de exploração e aproveitamento dos seus recursos biológicos e minerais, competindo-‐lhe a autorização, mediante licença, para que outros países completem o nível de captura recomendada pelos organismos internacionais, estabelecendo as cotas, o período de tempo em que a pesca ocorrerá e as espécies que poderão ser capturadas, assim como tem o direito exclusivo sobre a
determinação da captura dos recursos minerais ou de qualquer outra utilização económica possível na ZEE.
De frisar que nessa área qualquer Estado goza do direito de navegação e sobrevoo, cabendo-‐lhe ainda a liberdade de instalação de cabos e dutos submarinos. Contudo, a Convenção deixou uma lacuna interpretativa, pois não esclareceu se essa liberdade, perfeitamente definida pelo Artigo 58.º146, permite ou não a realização de manobras e exercícios militares por outros Estados que não o Costeiro.
Já na PC, por oposição à ZEE, o poder de jurisdição e de exploração exclusiva do Estado Costeiro refere-‐se ao solo e ao subsolo (Artigos 77.º e 78.º da CNUDM) – tendo em conta que, como supra explanado, a PC pode ir além do espaço referente às 200 milhas, o Estado tem, hipoteticamente, a possibilidade de aproveitar todos os recursos marinhos da sua PC independentemente da jurisdição sobre as suas águas suprajacentes. Em suma, o Estado encontra-‐se legitimado a fazer uma livre exploração dos seus recursos, regulando em que termos tal pode ser feito e fazendo valer as suas normas sobre todos aqueles que interfiram/afectem a sua PC.
Todos estes direitos/poderes do Estado, com especial atenção para os referentes à Plataforma Continental, reflectem-‐se na própria forma como os mesmos vão actuar sobre os recursos aí existentes.
Ora, como o Estado, ao abrigo da CNDUM, tem direitos exclusivos, competindo-‐ lhe, no âmbito da sua soberania, regular o modo como a extracção e utilização dos recursos marítimos é feita. Conforme veremos no ponto seguinte, a PC abrange uma grande variedade de recursos, que necessitarão de ser defendidos de ameaças externas, sob pena de o poder do Estado sob os mesmos ficar ameaçado. É nesse sentido que as normas da CNDUM conferem a exploração exclusiva ao Estado, de modo a legitimar, também, a sua actuação de defesa contra aqueles que ponham em causa os seus recursos marítimos.
Cumpre-‐nos, por isso, expor exactamente que tipo de recursos é que a Plataforma Continental tem, para, assim, podermos analisar a sua relevância do ponto de vista das Relações Internacionais, nomeadamente quanto à Segurança e Defesa.
1.2.3. A importância dos recursos existentes na Plataforma Continental
Tendo em conta o desenvolvimento histórico da ZEE e da PC, verificamos que se colocam várias questões e que se suscitam vários problemas do ponto de vista económico, científico e, consequentemente, de segurança.
Do ponto de vista económico, percebemos que estão em causa inúmeros recursos, cuja captação fica, nos termos da CNUDM, no exclusivo arbítrio do Estado Costeiro.
Em primeiro lugar, tendo em conta a globalização e a generalização do comércio internacional, destaca-‐se a figura do Transporte Marítimo que, quer de pessoas quer de bens, tem uma dimensão significativa, nas suas várias vertentes. Assim, há dados que comprovam que em 2005 o segmento de Shipping & Transporte alcançou, a nível mundial, um volume de negócios de 287 mil milhões de Euros (estimando-‐se que tenha chegado em 2010 aos 326 mil milhões); o sector de Portos e
Logística chegou, em 2005, aos 25 mil milhões de euros em volume de negócios (e, em
estimativa, em 2010 este ascendeu para os 30 mil milhões); e o ramo de Serviços
Marítimos, por sua vez alcançou os 5,7 mil milhões de euros no ano de 2005
(estimando-‐se que em 2010 subiu para os 6,5 mil milhões de Euros) 147.
A relevância do Comércio Marítimo no âmbito da economia mundial é tal que se estima que cerca de 90% do Transporte de Mercadorias intercontinental seja feito por via marítima148; já o Transporte de Gás Natural por via marítima para a Europa representa cerca de 11% do gás consumido149, enquanto que o comércio marítimo
147 Cf. SAER (2009: 81).
148
Cf. Kaplan (2012).