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Esta categoria engloba todos os aspectos relativos ao ciclo produtivo do sorgo e dos fatores que influenciam seu desempenho, produtividade e rentabilidade econômica.
Fazendo uma comparação com a Árvore do Conhecimento e baseado nos três níveis de classificação (Pré-Produção, Produção e Pós-Produção) que a compõem, observa-se que o nível de Produção representado no mapa hiperbólico (FIG. 1 e 2), tem uma correspondência com a categoria Manejo da Cultura (FIG. 10) existente na estrutura semântica aqui proposta. No entanto, daí em diante os sub-níveis da Árvore do Conhecimento e as categorias da estrutura semântica do sorgo, embora em alguns pontos apresentem convergência em outros divergem, o que é compreensível, dados os critérios particulares adotados em cada uma das modelagens.
Ainda, conforme assinalado em diversos trechos dos artigos analisados, o sucesso de um sistema de produção está intrinsecamente ligado ao correto manejo da cultura. Baseado nesta premissa e considerando que a Embrapa cumpre um papel estratégico no desenvolvimento da agricultura brasileira, alavancando a sua competitividade no contexto do agronegócio, as subcategorias apresentadas na estrutura semântica evidenciam as ações de pesquisa e a expertise acumulado pelos seus especialistas.
De acordo com os resultados da presente pesquisa, a análise dos artigos científicos mostra que boa parte dos esforços de pesquisa dos especialistas da Embrapa está direcionada a temas diversos tais como: análise do Clima e Estações (3.1), área voltada ao estudo do desempenho do sorgo sob o efeito das chuvas e durante o período de estiagem; Solos (3.2), avaliando os fatores favoráveis (3.2.1) e os fatores desfavoráveis (3.2.2) que influenciam a qualidade do solo; aspectos ligados a Adubação e nutrição do solo (3.2.3) onde estudos avaliam a utilização e a eficiência de corretivos e fertilizantes químicos e orgânicos com o intuito de minimizar impactos negativas gerados por elementos agressivos do solo;
Figura 11 – Mapa conceitual da classe Manejo da Cultura Fonte: desenvolvido pelo autor
A subcategoria Plantio e condução da lavoura (3.3) apresenta técnicas recomendadas para a otimização do plantio e tratamento fitossanitário adequado, que se traduz em ações corretivas e preventivas, tais como: controle de plantas daninhas, pragas e doenças.
A subcategoria Colheita (3.4); destaca boas práticas a serem utilizadas na época da colheita e fornece parâmetros de desempenho para a mesma.
O ciclo produtivo do sorgo inclui a chamada etapa de Pós-produção (3.5), onde são desenvolvidas diversas pesquisas, cujos resultados fornecem indicativos para aumentar a eficiência no processo de compactação da silagem, armazenamento dos grãos do sorgo, condições ideais de silagem através da avaliação do padrão de fermentação de híbridos de sorgo visando assegurar sua boa preservação, e análise de processos de secagem dos grãos. Destaca-se que a análise das técnicas de armazenamento e dos processos de fermentação exigiu um aprofundamento na compreensão dos efeitos gerados na silagem pelo uso de aditivos e inoculantes bacterianos, pois segundo afirma RODRIGUES et. al (2007) “bons aditivos devem reduzir perdas de matéria seca, melhorar a qualidade higiênica da silagem, limitar a fermentação secundária, melhorar a estabilidade aeróbica, aumentar o valor nutritivo e dar ao produtor um retorno maior em produção animal que o custo com o aditivo”.
Ressalta-se que através de treinamentos e programas de transferência de tecnologia, esta expertise é sistematicamente repassada da Embrapa para o extensionista rural, e deste para o pequeno e médio agricultor das diversas regiões do Brasil, através de cartilhas, livros, manuais, etc. Desta forma a Embrapa, alinhada com a sua missão institucional, cumpre o seu papel social, buscando o desenvolvimento da agricultura no Brasil.
Ainda em relação às pesquisas desenvolvidas no âmbito do manejo da cultura, é importante destacar, que em função do amplo leque de assuntos envolvendo domínios de conhecimento diversos que são abordados com altos níveis de complexidade, as pesquisas são desenvolvidas por equipes multidisciplinares, envolvendo profissionais de diversas áreas.
Categoria 4: ALIMENTAÇÃO (FIG. 12)
O grão do sorgo é utilizado na alimentação humana e a planta (folhas e grãos) é utilizada na alimentação animal. No primeiro caso, o consumo humano é bastante difundido em alguns
países da África. No segundo caso, constata-se que no Brasil esta cultura é de grande relevância no contexto agropecuário brasileiro, considerando que sua principal destinação é a alimentação animal, conforme citado por Rodrigues et al. (2006, 2008). A sua Destinação (4.2.1) inclui Ruminantes (4.2.1.1), como os bovinos, ou Monogástricos (4.2.1.2) como é o caso de frangos e suínos.
Pesquisas agropecuárias incluem análises do Estado nutricional (4.2.3) de animais. Considerando-se sua Tipologia (4.2.4), a alimentação animal, o sorgo está presente na composição de dietas, e é fornecido também na forma de pastagem, forragem ou silagem. No caso de dietas específicas, o sorgo tem participação importante como suplemento protéico, suas especificidades estão registradas na subcategoria Dieta (4.2.4.1).
A utilização do sorgo na Pastagem (4.2.4.2) se dá durante a etapa anterior à do florescimento do grão. Sabe-se que na região central do Brasil a produção de pastagem cai drasticamente em abril, em função disto parte da pastagem é vedada para uso durante a época das chuvas, para sua posterior utilização no período da seca, esta prática é conhecida como pastagem diferida. O sorgo na forma de Forragem (4.2.4.3) é aproveitado na alimentação de bovinos, sendo fornecido picado no cocho. Existe ainda a possibilidade de obtenção do feno através do processo de secagem da forragem.
A utilização do sorgo como Silagem (4.2.4.4) permite disponibilizar uma reserva alimentar para o gado, através do armazenamento da forragem em depósitos próprios. Considerando sua importância estratégica para a pecuária, existe todo um esforço de pesquisa desenvolvido pelos especialistas da Embrapa Milho e Sorgo, orientados para o desenvolvimento de técnicas adequadas para a ensilagem do sorgo. A subcategoria Silagem apresenta as Propriedades (4.2.4.4.1) que caracterizam a silagem, os Processos (4.2.4.4.2) que ocorrem na mesma, e revelam o leque de pesquisas cujos estudos e experiências laboratoriais têm como foco garantir o valor nutricional e a qualidade da silagem orientando o agricultor no conhecimento das variáveis que devem ser controladas de forma a evitar efeitos prejudiciais no material ensilado.
Ainda a respeito do processo de silagem, a análise dos artigos científicos revelou a necessidade de se criar uma subdivisão específica que tratasse de diversos fatores que tivessem relação direta com a Qualidade da silagem (4.2.4.4.3), esta subdivisão apresentou
um grande e rico volume de informações que por sua vez foram agrupadas da seguinte forma: Efeitos Benéficos (4.2.4.4.3.1), Efeitos Prejudiciais (4.2.4.4.3.2) e Causa x Efeito (4.2.4.4.3.3).
Embora o método analítico-sintético tenha sido utilizado ao longo de toda a estrutura classificatória do sorgo, foi nas três subdivisões acima citadas e em função da amplitude e diversidade do conhecimento nelas contidas, que este método mostrou de forma particular o seu real potencial na organização do conhecimento de um domínio. A estruturação e organização destas três últimas subdivisões demandaram esforços significativos de análise, pois conforme podem ser verificadas nestas subcategorias, as referências encontradas em cada uma delas estavam disseminadas em diversos artigos. Para exemplificar a afirmação acima, segue baixo algumas das afirmações referentes aos Efeitos prejudiciais da lignina:
teor de lignina
principal fator limitante da digestibilidade (13.19 - 13.20 - 18.8 - 21.40 - 21.48) reduz o valor energético das forragens (21.32)
Observa-se que as informações referentes ao teor de lignina, encontram-se espalhadas em três artigos diferentes (13, 18 e 21), havendo em cada um deles, diversas citações.
São descritos também os efeitos benéficos apresentados pela presença na silagem de elementos como ácido acético, ácido láctico, uréia e carboidratos solúveis; destaca-se também a utilização de aditivos e inoculantes bacterianos. Fatores como alto pH, teor de lignina, nitrogênio amoniacal, alta teor de ácido acético, umidade excessiva, tanino condensado e outros, prejudicam a obtenção de silagens de qualidade.
Ressalta-se a importância do bloco Causa x Efeito (4.2.4.4.3.3) onde se buscou relacionar uma grande quantidade de variáveis ligadas ao sorgo, que ao serem dispostas aos pares, revelaram relações de causa e efeito entre ambas. A seleção de cada par de variáveis analisadas foi feita a partir da leitura dos textos, e a relação de causa x efeito foi estruturada pelo autor desta pesquisa, de forma a propiciar uma maior compreensão da dinâmica da cultura do sorgo.
A título de esclarecimento, seguem abaixo alguns exemplos extraídos da estrutura semântica:
! ! " # $%& '()
" $'% *) $'% *) "
+ $%& '& , '% *%)
Nos exemplos acima, na primeira linha são apresentadas as duas variáveis envolvidas, na linha seguinte é descrita a relação causa-efeito entre a primeira variável e a segunda.
Na seqüência, a categoria Alimentação apresenta as subdivisões Resíduos (4.2.5) da alimentação animal; Processos digestivos / fermentativos (4.2.6), que descreve pesquisas sobre cinética da fermentação e da digestão animal em ruminantes, produção de gases, perdas fecais e urinárias e degradação da matéria seca, entre outros; e Medidas de digestibilidade (4.2.7), onde se destacam índices utilizados para avaliar a digestibilidade na alimentação animal, entre estas podemos citar: taxa de digestibilidade, energia digestível aparente, taxa de fermentação e digestibilidade da matéria seca, entre outros. Encerrando a categoria Alimentação estão os Fatores econômicos na pecuária (4.2.8).
Figura 12 – Mapa conceitual da classe Alimentação Fonte: desenvolvido pelo autor