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2.1. Çıkar Çatışmasının Tanım, Kapsam ve Unsurları

2.1.1 Kamu Hizmeti ve Kamu Görevlisi

A vida na pequena Vila, como relatado pelo sr. Tido, era marcada pelo trabalho com a pesca e a agricultura - o referido senhor desde os sete anos de idade já trabalhava com seu pai também pescador. A ferramenta de trabalho era a rede e o paquete (uma pequena embarcação), trazendo para casa os peixes guarajuba, pescada, espada, boca mole e muito camarão. Na época, por falta de meios para conservar o peixe, a alternativa dos pescadores era salgá-lo e secá-lo ao sol e vento ou assá-lo e, logo no dia seguinte, seguirem viagem para Mossoró, com parada em Gangorra para dormir, depois de 5 horas de percurso percorrido a pé. Na madrugada do dia seguinte, seguiam viagem, também a pé, com chegada prevista a Mossoró às 7 horas da manhã, onde haveria a comercialização de todo o pescado. Outra forma de deslocamento se dava por Areia Branca, saindo da vila de Tibau a pé até o porto do rio Mossoró, onde está localizado o distrito de Grossos, para de lá atravessar de barco para pegar

o trem que saía da ferrovia “Porto Franco” ou o “Caminhão Misto”, que deslocava pessoas e

produtos diversos para Mossoró.

O pescador e agricultor sr. Gabriel de 77 anos, relatou que na década de 1940 a atividade da comercialização do pescado passou a se intensificar com a chegada dos atravessadores, como o sr. Zé Bacurau, que vinha de Mossoró de carro, comprava o peixe salgado na Vila de Tibau e vendia-o na Paraíba. Nessa época, também se deu o início da comercialização do camarão.

As mulheres da Vila participavam das atividades desenvolvidas, dividindo-se no tratamento e salga dos peixes e nos trabalhos domésticos, além do ofício com a renda de labirinto.

A agricultura de subsistência, que atendia às necessidades da Vila, era realizada no

local chamado pelos seus moradores de “no mato” - área com lagoas de água doce e onde

também havia a Casa de Farinha, ao sul da vila. Os produtos cultivados eram melancia, feijão, milho, jerimum, mandioca. Segundo os relatos dos moradores mais antigos, para se chegar às áreas agricultáveis, comum a toda a Vila, era necessário atravessar dunas com areias brancas e sem vegetação, o que caracteriza a existência das dunas móveis. Concluímos que as dunas

dividiam a Vila em duas zonas: a da pesca e a da agricultura. Em ambas, havia moradias - talvez a existência das dunas móveis possa ter sido mais um fator que tenha levado a migração dos pescadores para próximo à faixa litorânea, mas tudo não passa de especulações de nossa parte, pois não fazendo parte deste trabalho a investigação do período aqui descrito, embora tal se faça necessário para tentarmos vir a mapear a localização original da Vila e sua expansão para o que hoje é o município de Tibau.

Além da Vila de Tibau, como relata o pescador e agricultor sr. Evilásio, na década de 1940 houve uma contagem da população em Tibau para o controle da malária que estava dizimando a população e foram registradas 200 famílias ao longo do litoral. Essa população se tornou mais evidente para o estado do Rio Grande do Norte, com a Segunda Guerra Mundial, na ano de 1942, com chegada de tropas à Vila, para guarnição do Litoral Brasileiro, gerando uma convivência entre soldados e moradores, com, inclusive, surgimento de laços matrimoniais entre aqueles e estes.

Segundo dona Estelita, o lazer da população da Vila era “a Festa de Ano”, que reunia

moradores de toda a região, inclusive cearenses vindos para a Missa da Noite de Natal e do Ano Novo, celebrada pelo Padre Manoel Lucena, que vinha a cavalo de Areia Branca. As pessoas chegavam para a referida Festa bem cedo, e chegavam a pé, a cavalo ou de jegue, com suas roupas engomadas e estendidas no braço e os sapatos de festa na mão, para serem usados apenas na noite da Missa. A hospedagem se dava nas casas dos moradores da Vila. Haviam barracas que vendiam diversos produtos, desde bebidas e comidas, a artesanato e acessórios femininos. O comércio era promovido tanto pelos moradores locais quanto por

pessoas vindas de Mossoró e adjacências. Havia cantador, baile e o famoso “forró do pessoal da mata”. Era um período de eventos, marcado pelo lazer. Inclusive nesse período era que a

população da Vila comia carne vermelha, pois havia o abate de um boi, que era dividido para os moradores que solicitavam a carne. Não podia haver desperdício, uma vez que não havia onde se acondicionar a carne após o abate, devendo ocorrer, assim, o consumo imediato. Como forma de controle, antes do abate, era feita, de porta em porta, a contagem dos moradores que iriam adquirir o produto e a quantidade solicitada. Tudo era registrado em um bloco de anotações, para se poder saber qual teria que ser o tamanho do animal a ser abatido.

Em registro oral da história de Tibau, conseguimos obter a informação de que havia, nesse período, uma integração entre os vilegiaturistas e os residentes da Vila e que os vilegiaturistas em Tibau vivenciavam a rotina da comunidade, inclusive participando das festas do vilarejo e ajudando na sua organização. A vilegiatura marítima proporcionava o estabelecimento de vínculos afetivos dos vilegiaturistas com os pescadores e agricultores,

passando aqueles a participar da vida pitoresca, que, sem fornecimento de energia elétrica, era marcada pelo nascer e pelo pôr-do-sol e o tempo, marcado pelo tempo dos homens, “o tempo

lento dos homens”, marcada por uma forte solidariedade entre os moradores da vila.

Benzer Belgeler