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2.3. Çıkar Çatışması Önleme Yolları

2.3.1. Çıkar Çatışması Politikaları

2.3.2.3. İzleme ve Uygulama Mekanizmaları

2.3.2.3.1. Denetim

As práticas socioespaciais dessa sociedade urbana provocam um forte rebatimento na organização espacial de Tibau que irá se refletir nos processos de urbanização, uma vez que a prática da vilegiatura vem norteando as decisões do uso do solo urbano, promovendo, assim, um arranjo espacial pautado na lógica do lazer e realizando um ordenamento espacial não apenas na faixa litorânea, mas em todo o território municipal, na promoção de uma dinâmica intraurbana e interurbana intensa, principalmente no período das férias de final de ano e nos feriados prolongados – fato este que se impõe como uma singularidade a esse município litorâneo.

O norteamento das decisões a partir das referidas práticas socioespaciais do vilegiaturista se deve em muito ao seu vínculo territorial que se perpetua no tempo e no espaço. Tal fato é comprovado na investigação, quando obtivemos a resposta de 10,26% dos entrevistados afirmando vir frequentando a Tibau há 15 ou 20 anos, enquanto 66,67% afirmam vir fazendo-o há mais de 20 anos.

A frequência sazonal, mas fiel, da ida dos vilegiaturistas para a praia termina por justificar a propriedade de um imóvel residencial, embora, em menor proporção, o aluguel da segunda residência também venha se constituindo numa prática entre aqueles. A fidelidade ao lugar, forte característica do vilegiaturista, constitui-se num fator que resulta na geração de novas relações sociais estabelecidas com vizinhos vilegiaturistas e moradores do lugar. O Gráfico 5 traz a resposta dos vilegiaturistas entrevistados em Tibau, quando indagados sobre seu principal vínculo

com o lugar: a resposta “vínculo familiar e afetivo”, representando 91%, das respostas, como o

que mantém a constância do deslocamento das cidades de origem, foi a que predominou.

Gráfico 5 – Vínculo principal do vilegiaturista com a Praia de Tibau/RN

Conforme ficou constatado na investigação exploratória (especificamente nas entrevistas realizadas) – o descanso e o lazer são as práticas mais exercitadas em Tibau pelos vilegiaturistas, sendo que, dos lazeres, o mais destacado foi o banho de mar, conforme apresenta o Gráfico 6. É importante ressaltar que a informação que consta no gráfico como

“outros”, representada por 20,51%, demonstra a combinação dos elementos, tais como

caminhar, banho de mar, descanso e festa.

Grafico 6 – O Tipo de lazer praticado pelo vilegiaturista em Tibau/RN

Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.

O vínculo territorial afetivo está fortemente relacionado com a propriedade da segunda residência (ver Gráfico 7), cuja justificativa está ligada à primeira condição, qual seja, a

“busca pela qualidade ambiental que a praia oferece”, seguida da “proximidade com a cidade de origem” e da “influência dos parentes e amigos”.

Gráfico 7 – Fatores que levaram à aquisição da casa de temporada

Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.

0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 Proximidade com sua cidade de origem

Disponibilidade e preço da terra mais… Infraestrutura disponível (comércio,…

Condições sociais favoráveis Qualidade ambiental Influenciados por amigos e parentes

69,23 3,85 1,28 3,85 80,77 42,31 %

Não se pode ignorar, todavia, o movimento dialético que se dá entre a função social de uso e a de troca. A segunda residência passa a exercer a função social de troca quando a compra do espaço para o consumo do lazer passa a ressignificar a relação social primeira, a de uso. Segundo Harvey (1980), a partir dessa relação dialética, apresenta-se o espaço-mercadoria.

A valorização dos atributos naturais da praia de Tibau é transformada em mercadoria e almejada por uma sociedade emergente do lazer, que busca no ambiente litorâneo uma maior qualidade ambiental, proporcionada pelo clima litorâneo, mas logo capturada pelo Setor Imobiliário, que passa a divulgar produtos vários para as diversas classes sociais, assumindo o

“planejamento” da produção do espaço-mercadoria.

A perspectiva de saída da cidade de origem, do local do cotidiano, representa a busca do homem por refazer-se “nos lugares aprazíveis”, num distanciamento de sua rotina diária. Aqui, fixar-se na praia abre um leque de possibilidades para a prática de lazeres, representando um recorte espaço-temporal, conforme aponta Pereira (2012, p. 63):

A vilegiatura acontece quando indivíduos ou grupos sociais reservam em seu cotidiano um recorte espaço-temporal onde as necessidades dos praticantes (lazer) serão atendidas, ou seja, o gozo está na condição de se sedentarizar temporariamente em outro lugar que não seja sua residência, seu habitar, sua morada.

É importante destacar que, no final do século XIX e início do XX, a prática da vilegiatura marítima foi marcada pela elitização, mas, já na segunda metade do século XX, mais especificamente na década de 1980, tal prática massificou-se e expandiu-se, alcançando novos estratos sociais, corroborando, assim, com os estudos de Boyer (2008) e Corbin (1989), que evidenciam a massificação e recodificação das práticas socioespaciais. É o que se revela nos nossos entrevistados: 79,49% representam a classe C (entre 2,2 até 9,5 salários); e 16,66% representam a classe A/B (com renda acima de 9,5 salários).

Para o Brasil e para o Nordeste, que segmentos configuram-se nos estratos médios sociais? A variável renda é a primeira a ser observada, principalmente quando o almejado é compreender o acesso e a utilização de uma prática que se fundamenta, dentre outras coisas, na aquisição de pelo menos um segundo imóvel para práticas de lazer. De acordo com Souza e Lamounier (2010), dois recortes podem ser estabelecidos conforme segue: a classe média propriamente dita, com rendimento médio familiar acima de R$ 4.807 (classe A/B); e a classe média baixa, com renda oscilando entre 1.115 e 4.807 (classe C) (PEREIRA, 2012, p. 115)3.

3

Classe A/B, acima de 9,5 salários mínimos (com base no salário de R$ 510,00) e Classe C, entre 2,2 e 9,5 salários mínimos (com base no salário de R$ 510,00) (PEREIRA, 2012, p. 115).

A massificação se explica pela necessidade cada vez maior da prática do lazer e pela busca, por parte de determinados grupos, por obter reconhecimento social como aponta Tulik (2001), e status conforme aponta Fonseca e Lima (2012, p. 16), “Boyer (2003) observa que a aquisição de uma segunda residência proporciona Status ao seu proprietário, sendo um elemento de distinção entre seus pares. Tal fato também se constitui um elemento explicativo para a expansão do fenômeno”.

Uma nova realidade que vem ocorrendo dentro da prática da vilegiatura marítima, e que também responde a necessidade do reconhecimento e Status social, é que não se torna, mais necessária a posse de um domicílio para, por exemplo, se passar temporadas na praia. Um grupo de excursionistas que, antes, se deslocava para passar apenas o dia na praia, dispõe hoje da oportunidade de alugar uma segunda residência, de vilegiaturistas ou de residentes, para temporadas de férias, o que torna menos dispendioso para o orçamento familiar, visto que não se precisa manter uma segunda residência com seus custos de manutenção e segurança, podendo-se vir a dividir os custos do aluguel com mais de uma família – prática bem característica das famílias advindas da Paraíba, segundo entrevista com o Secretário de Tributação do município.

Com relação à ocupação funcional dos entrevistados, estes distribuem-se entre estudantes, professores, aposentados, comerciantes e funcionário público. O nível de instrução demonstra que os entrevistados, em sua grande maioria, revelam um grupo diferenciado, pois 62,82% possuem graduação em Nível Superior, completada ou em andamento, destacando-se 21,79%, com pós-graduação conforme apresenta (Gráfico 8).

Gráfico 8 – Nível de instrução dos entrevistados

Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012. 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 12,82 11,54 12,82 12,82 28,21 21,79 %

Uma forte característica que marca o perfil do vilegiaturista é a estrutura familiar, entre os entrevistados, 62,82% são casados e 10,26% são viúvos, conforme investigação durante as entrevistas, (Gráfico 9). A prática da vilegiatura marítima é praticada principalmente por famílias com estabilidade financeira e com filhos. Dos entrevistados que se disseram solteiros, 21,79 estavam inseridos na estrutura familiar, representando, na maioria das vezes, os filhos dos proprietários ou responsáveis pela propriedade ou aluguel da segunda residência.

Gráfico 9 – Situação conjugal dos entrevistados

Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.

A motivação que mais pesou para a aquisição ou aluguel do imóvel, em sua grande maioria, como aponta o Gráfico 10, foi o lazer, com 71,79% dos entrevistados. Justamente por ser o lazer a motivação maior, não existe o interesse mercantilista em alugar, daí porque,

dentre os proprietários entrevistados, 55,13% terem afirmado “nunca alugar o imóvel”.

Mesmo assim, vêm se configurando, nesse cenário, novas práticas com vistas a viabilizar o aluguel das segundas residências, a saber: 6,41% afirmaram alugar seu imóvel, embora raramente, e 3,85%, às vezes.

Reforçando essa prática do aluguel, trazemos os dados de 33,33% dos entrevistados vilegiaturistas que vêm há longo tempo alugando casas de outros vilegiaturistas como também de residentes. Afirma Harvey (1980, p. 136) que “[...] Numa economia capitalista um indivíduo tem duplo interesse na propriedade, ao mesmo tempo como valor de uso atual e

futuro e como valor de troca potencial ou atual, tanto agora como no futuro”. O que nos faz

0,00 20,00 40,00 60,00 80,00

Solteiro Casado Separado/ divorciado Viúvo 21,79 62,82 5,13 10,26 %

concluir que a prática mercantilista do aluguel, que vem se acentuando no tempo, como uma relação dialética em que o valor de uso passa a se constituir no valor de troca e vice-versa.

Novas alternativas de uso das segundas residências se impõem a partir do percentual de 32.05 % dos entrevistados, que afirmam alugar os domicílios, representando em números absolutos 16 entrevistados; 09 afirmam serem os domicílios cedidos. Deduzimos daí que novas formas de uso dos domicílios vêm se configurando para se vir a usufruir cada vez mais de temporadas de férias na praia, assim, intensificando a dinâmica socioeconômica no território de Tibau, passando a ser cada vez mais este tipo de domicílio um negócio para o proprietário. Conforme elucida Fonseca e Lima (2012, p. 17),

Desse modo, a segunda residência assume dupla funcionalidade para seus proprietários: 1 – um local de descanso e lazer para seu próprio desfrute e de seus familiares; 2 – um investimento rentável que poder ser administrado por ele mesmo ou por uma empresa especializada.

Gráfico 10 – Qual foi a motivação maior para aquisição ou aluguel do imóvel?

Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.

Quando questionados sobre o que representava Tibau para eles, foram-nos dadas as

seguintes respostas: “lazer/diversão”, “tranquilidade”, “descanso”, “reunião familiar”, “trabalho” e a combinação desses elementos, ressaltando-se a prevalência da reunião familiar

com o lazer, que, a nosso ver, se explica pelo fato de a reunião familiar ser uma herança deixada pelos primeiros vilegiaturistas nos idos de 1890, e uma forte característica da prática

0,00 20,00 40,00 60,00 80,00

Investimento Lazer O investimento como motivação principal O Lazer como motivação principal 2,56 71,79 7,69 17,95

da vilegiatura marítima, assim, contribuindo para o vínculo territorial e, consequentemente, para a expansão urbana que vem se dando principalmente a partir de Mossoró.

Benzer Belgeler