2.1. KALKINMA AJANSLARI
2.1.1. Kalkınma Ajanslarının Genel Özellikleri
Foram utilizados dois instrumentos de pesquisa no desenvolvimento deste trabalho. O planejamento inicial era fazer a coleta dos dados através apenas de grupos focais. Este instrumento de pesquisa, segundo Gatti (2005) permite tanto a compreensão de processos de construção da realidade por determinados grupos sociais, como também os seus comportamentos e atitudes e, por isso, constituiu uma importante técnica para o conhecimento das representações, percepções, crenças, hábitos, valores, restrições, preconceitos, linguagens e simbologias prevalentes no trato de uma dada questão por pessoas que partilham alguns traços em comum, relevantes para o estudo visado. No entanto, o não comparecimento dos pais dos agressores no processo de triagem nas duas reuniões semestrais foi aquém do esperado e, apesar do planejamento inicial, tivemos de utilizar outra técnica de coleta de dados, a saber, a entrevista semiestruturada. Nela, as questões são apresentadas como uma conversa com objetivo, na qual o entrevistado terá a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto sem respostas ou condições prefixadas pelo pesquisador, o que vai ao encontro da abordagem qualitativa (MINAYO, 2004).
A inclusão das famílias dos agressores foi extremamente importante para a pesquisa do fenômeno bullying. A participação das famílias dos três protagonistas do
fenômeno (vítima, testemunha e agressores) era necessária e crucial para o aprofundamento de um tema tão complexo, como o fenômeno bullying. Portanto, utilizar dois instrumentos adequados à metodologia qualitativa nos permitiu atingir nossos objetivos.
3.5.1 Grupo focal
O grupo focal é uma técnica que favorece a coleta de dados nos estudos qualitativos. Ele tem a vantagem de fornecer dados confiáveis e pertinentes em um tempo adequado, relativamente curto e com baixo custo.
Por definição, um grupo focal “é um conjunto de pessoas selecionadas e reunidas por pesquisadores para discutir e comentar um tema, que é objeto de pesquisa, com base em sua experiência pessoal” (POWELL; SINGLE, 1996, p.449 apud GATTI, 2005).
Essa técnica é empregada de acordo com esses estudiosos Powell e Single, desde 1920, como técnica de pesquisa de marketing e usada pelo cientista social Robert Merton, em 1950, na área de comunicação. No período de 1970 a 1980, o grupo focal começou a ser utilizado de forma abrangente pelos pesquisadores em diversas áreas, tais como as áreas sociais, da saúde, da informação e outras (GATTI, 2005). Segundo Carlini-Cotrim (1996), o grupo focal é uma técnica de pesquisa qualitativa que tem sido usada no mundo inteiro para estruturação de ações em saúde publica. A autora ainda acrescenta que esta técnica simples e rápida tem sido utilizada na área da saúde, em outros países e no Brasil, para coleta de dados nos mais variados temas, inclusive em temas como o fenômeno bullying (BEZERRA; PORTO, 2010).
Para Kitzinger (2006), os grupos focais são “um tipo de entrevista em grupo” que permite e valoriza a comunicação entre os participantes da pesquisa a fim de coletar os dados desejados. O pesquisador, durante a aplicação desta técnica, colhe os dados partindo da interação dos sujeitos que participam do grupo. A conversa tem como alvo um determinado tema, o qual é proposto pelo moderador. Por meio de um
roteiro de perguntas sobre determinado tema, o moderador incentiva a conversa do grupo. Isso faz com que os elementos subjetivos sejam revelados, tais como valores culturais, concepções, regras sociais, elementos que, provavelmente, não apareceriam em métodos mais objetivos de pesquisa, tais como questionários ou entrevistas estruturadas.
A autora acrescenta que, quando a dinâmica do grupo funciona bem, a pesquisa pode se direcionar para novas e inesperadas perspectivas sobre o tema estudado. Além disso, o trabalho em grupo auxilia os pesquisadores a terem contato com formas diferentes de comunicação pelos participantes do grupo, incluindo piadas, histórias, provocações e discussões. Essa variedade de comunicação é útil porque o conhecimento e as atitudes das pessoas no grupo focal aparecem de forma mais ampla do que as respostas racionais a perguntas diretas utilizadas em outros métodos objetivos de coleta de dados.
Antes de se aplicar o grupo focal, o seu planejamento deve ser focado no objetivo da pesquisa. Posteriormente, deve ser elaborado pelos pesquisadores um roteiro que atenda aos objetivos propostos. O número de participantes de acordo com diversos autores varia de quatro a 12 pessoas e a duração das sessões em torno de uma a duas horas (CARLINI-COTRIM, 1996; GATTI, 2005; KITZINGER, 2006).
Os critérios de seleção dos participantes vão variar de acordo com os objetivos da pesquisa. Segundo Gatti (2005), não é recomendável que os participantes do grupo se conheçam muito ou conheçam o moderador do grupo, para evitar que ocorra inibição ou mesmo um certo controle das discussões pelos participantes. A autora ainda alerta que não se deve fornecer aos participantes informações detalhadas sobre o objeto da pesquisa para evitar que os participantes compareçam ao encontro com ideias pré-formadas ou participação preparada. Além disso, os grupos devem ser homogêneos de acordo com os objetivos do tema pesquisado. Por exemplo: Nesta pesquisa, separamos os grupos focais de pais dos alunos envolvidos no fenômeno bullying da seguinte forma: pais de alunos vitimizados e pais dos alunos que assistem ao bullying (pais dos observadores).
O local da realização dos encontros deve ser adequado (amplo, silencioso, acessível). É recomendado que se trabalhe em círculos com cadeiras e, de preferência, em volta de uma mesa (CARLINI-COTRIM, 1996; GATTI, 2005).
Além do moderador (ou moderadores), deve-se utilizar um ou dois relatores para as anotações cursivas do que se faz e do que se fala, como também ajudar nos aspectos técnicos: a verificação do material de áudio, geralmente são utilizados gravadores, como também na organização da sala.
A garantia do sigilo dos registros e dos nomes dos participantes precisa ser dada e enfatizada (GATTI, 2005). A autora acrescenta que:
O moderador de um grupo focal deve ser bem escolhido, Pode ser o próprio pesquisador ou outro profissional, porém precisa ser experiente, hábil, ter clareza de expressão, ser sensível, flexível e capaz de conduzir o grupo com segurança, lidando competentemente com as relações e interações que se desenvolvem e as situações que se criam no grupo em função das discussões. Precisa ser um profissional capaz de despertar confiança e de gera empatia, para conduzir com habilidade o grupo na direção dos objetivos da pesquisa, sem criar situações embaraçosas(2005, p.35). Nossa pesquisa foi constituída de três grupos focais constituídos de pais de vítimas e pais de observadores. A discussão ocorreu de acordo com dois roteiros utilizados para os dois grupos das famílias das vítimas (APÊNDICE E) e o das testemunhas (APÊNDICE F) de acordo com os nossos objetivos. Todos os grupos foram gravados e posteriormente transcritos, mediante a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido do Comitê de Ética e pesquisa com seres humanos, da UFMG (APÊNDICE B).
3.5.2 Entrevista semiestruturada
O segundo instrumento da pesquisa, que optamos por utilizar, foi a entrevista semiestruturada, pois, como dissemos anteriormente, não foi possível formar grupos focais com os pais dos adolescentes agressores envolvidos no fenômeno bullying. Sendo assim, consideramos a utilização dessa técnica adequada aos objetivos desse estudo qualitativo que busca captar as representações sociais das famílias de adolescentes envolvidos nos problemas de agressor e vítima, sobre o fenômeno
Ressaltamos ainda que, em se tratando de uma pesquisa qualitativa, existe um envolvimento do entrevistado com o pesquisador e que isto, segundo Minayo (2004), não deve ser considerado como uma falha ou como um risco comprometedor da objetividade, mas, sobretudo uma condição primordial de aprofundamento de uma relação intersubjetiva. A autora ressalta que, ao assumir esta inter-relação no ato da entrevista, o afetivo, o existencial, o contexto do dia a dia, as experiências e a
linguagem do senso comum são contempladas, e é justamente isso que permite o
êxito da pesquisa qualitativa.
Nesse tipo de entrevista, um roteiro (APÊNDICE G), contendo indicações gerais é predefinido e ele busca desencadear a fala do entrevistado sobre o assunto, mas sem direcionar ou limitar as respostas.
De acordo com Minayo (2004), essa técnica visa apreender o conjunto de ideias e atitudes dos atores sociais. O roteiro da entrevista semiestruturada deverá ser sucinto, ou seja, conter poucas questões. Sua função é ser um instrumento para orientar a entrevista, facilitando a abertura, a ampliação e o aprofundamento da comunicação. A autora acrescenta que a entrevista semiestruturada é um instrumento para orientar uma “conversa com finalidade”.
O critério de escolha das famílias dos adolescentes agressores foi propositiva (HIGGINBOTTOM, 2004), isto é, os entrevistados foram escolhidos por serem os que, de acordo com a nossa análise, detinham as informações privilegiadas sobre os outros pais da Escola. Assim, os pais dos adolescentes agressores foram escolhidos mediante a indicação da diretoria da Escola, devido ao fato de os julgarmos representativos para esta pesquisa, pelo seu envolvimento com o adolescente em questão nos problemas de agressor e vítima.
Flick (2004) acrescenta que a vantagem dessa técnica é o uso consistente de um guia da entrevista. Para o autor, este roteiro aumenta a comparabilidade dos dados, e sua estruturação é intensificada como resultado das questões do guia.
Na abordagem qualitativa, a quantidade de entrevistas a serem realizadas não é prevista de forma planejada e com antecedência. No entanto, o “critério de
saturação” que conforme Minayo (2004) é o conhecimento formado pelo pesquisador, no trabalho de campo, o qual aparece através das repetições dos entrevistados da temática estudada, e percebe-se que, diante dessas falas semelhantes, foi possível compreender a lógica interna dos participantes da pesquisa. Fontanella et al. (2008) ressaltam a relevância do procedimento do “critério de saturação” que segundo os autores deve ser checado a cada fase do levantamento de dados. Nesta pesquisa, ele foi atingido após a realização de 11 entrevistas semiestruturas com pais de adolescentes agressores.