1.4. Kalite’nin Tarihsel Gelişimi
1.4.5. Kalite’nin Gelişmesine Katkı Yapan Kişiler
Em São Bernardo do Campo, a Educação de Jovens e Adultos está instituída como modalidade da educação básica desde 2009, mas o atendimento à população não escolarizada data de antes. De acordo com o documento Diretrizes Curriculares da EJA (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2012b), há registros no município que remontam à oferta de salas no âmbito do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). Em 1989, implantou-se o Programa Municipal de Alfabetização de Jovens e Adultos (PAMJA) com o objetivo de vencer o analfabetismo entre os funcionários públicos do município, sendo que, na sequência, o programa foi ampliado visando atender a população da cidade, denominando-se nessa ocasião como Programa de Alfabetização e Cidadania (PAC). O desenho do programa previa parcerias - por meio de convênios com universidades e fundações locais - para a contratação de educadores e realização de formação continuada. Em 1993, esses programas são substituídos pelo Programa Municipal de Alfabetização e Cidadania (PRO-MAC) em convênio com a Universidade Metodista, que era responsável pela contratação da equipe técnica e de educadores que realizariam o programa. Ao assumir a educação de jovens e adultos em 2009, como parte da oferta realizada integralmente pela rede pública, a EJA passa a integrar o sistema municipal de educação.
A oferta de cursos voltados à formação para o trabalho no município data de 1953, com o núcleo de Ensino de Corte e Costura. Anos depois, a oferta de cursos passa a ser ministrada nos Centros de Iniciação Profissional (CIPs), que mais tarde passam a se denominar Escolas de Iniciação Profissional (EMIPs). Tantos os CIPs como as EMIPs estavam vinculadas à Secretaria de Educação e Cultura do município. Em 1998, essas unidades têm sua administração transferida para a recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (SEDESC), sob o abrigo das ações de assistência social desenvolvidas pelo poder público municipal. As EMIPs voltam a se vincular à Secretaria de Educação no ano de 2010, com o objetivo de integrar os cursos de formação profissional à elevação da escolaridade da população jovem e adulta (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2012b, p.25-26).
Atualmente, a Secretaria de Educação de São Bernardo do Campo têm suas políticas de educação para jovens e adultos organizadas a partir de quatro frentes, a saber: oferta de EJA nas Escolas Municipais de Educação Básica (EMEBs), onde são atendidos alunos nos dois segmentos do ensino fundamental, sendo o primeiro segmento organizado em ciclos de alfabetização e pós-alfabetização, e o segundo segmento, dividido nos ciclos III e IV, equivalentes aos anos finais do ensino fundamental; Movimento de Alfabetização (MOVA), o qual atende população que a escola não alcança, com a oferta do primeiro segmento do ensino fundamental; Telessala, dirigida ao público maior de 17 anos, a qual atende aos anos finais do ensino fundamental com a oferta de ensino em módulos, realizada nas EMEBs, Escolas Municipais de Educação Profissional (EMEPs); e a Educação Profissionalizante, que acontece nas EMEPs, definindo-se pelo “[...] trabalho na perspectiva de elevação de escolaridade e qualificação profissional em áreas com itinerários formativos horizontalizados e verticalizados, correspondendo aos critérios básicos de escolaridade de cada curso e/ou modalidade no segmento profissional” (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2012b, p.22). Nessas unidades, há oferta escolar da EJA e de cursos FIC.
A implantação da turma do PROEJA FIC no município, em agosto de 2010, se dá em condição diferenciada dos demais municípios. Em Francisco Morato, o PROEJA FIC foi implantado em uma unidade escolar dirigida à Educação de Jovens e Adultos - o que já se constituiu como um fato distinto dos demais municípios - e no caso de São Bernardo do Campo, a distinção se dá pela implantação em uma unidade que, além de ser destinada à EJA, também se caracteriza pela oferta da formação profissional, a EMEP e Centro de Treinamento Profissional Madre Celina Polcci. A cidade possui mais 7 EMEPs; contudo, essa condição não foi favorável para a constituição da turma de PROEJA FIC, pois, de acordo com o relato de G6, a localização da referida escola, escolhida pelo IFSP para a implantação da turma por suas instalações e laboratório, não atendia à demanda do curso de formação proposto no âmbito do Programa. A pretensão da administração municipal, de acordo com G6, era utilizar uma unidade móvel que pudesse se deslocar até as escolas onde havia demanda identificada, o que na época não foi aprovado pelo campus São Paulo. Essa foi uma das grandes dificuldades encontradas pelo município, na medida em que a demanda se localizava em outras regiões da cidade. Com o trabalho de divulgação do curso, foram realizadas 11 matrículas e, mesmo com o baixo número de alunos, a gestão optou por manter o curso, como forma de garantir a implantação do Programa e, se possível, sua posterior ampliação, uma vez que a expectativa inicial girava em torno da oferta seis turmas.
A composição do quadro de professores para o Programa não foi um problema, pois o PROEJA FIC contou com uma professora efetiva da rede municipal (sendo que, no decorrer do Programa, esta profissional se desligou e foi substituída) e com uma professora da formação profissional já contratada pela entidade conveniada com a Secretaria de Educação, o CEEP, a mesma entidade que atua também em Osasco. Da mesma forma, os gastos com materiais de consumo do curso entravam no cômputo dos demais cursos de formação profissional ofertados pelo município, adquiridos pela mesma entidade.
O município empreendeu, durante o ano de 2011, processos formativos com profissionais da rede municipal que atuam na EJA, o que culminou na elaboração das diretrizes curriculares para a modalidade. As diretrizes curriculares propostas estão amparadas no princípio da educação integral, como nova identidade para a escola. O documento afirma que diante das mudanças globais, encontra-se “[...] na educação integral as bases para uma mudança substancial, pois é incorporada de humanidade, traz em sua essência o trabalho, a cultura, a ciência” (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2012b, p.40-41). Dados os princípios, as diretrizes apontam que a proposta curricular se apoie em quatro eixos: Memória e Territorialidade; Linguagens: Corporal, Matemática, Tecnológica, Escrita e Oral; Meio ambiente; Cultura e Trabalho. Quanto à metodologia pedagógica proposta, o documento indica a possibilidade de planejamento por meio de projetos.
Assim como nos demais municípios, o acompanhamento, a supervisão e a formação de formadores por parte do IFSP não atendeu às expectativas no processo. Na visita do primeiro responsável do campus São Paulo à escola, este apontou inadequações do laboratório, as quais precisariam ser revistas; sob a coordenação do novo professor do IF, o laboratório foi aprovado sem ressalvas. A professora responsável pela profissionalização relatou ter participado dos quatro encontros para formação técnica ocorrido no campus São Paulo, afirmando, aquilo que já fora indicado pelos outros professores, ou seja, que tais encontros se restringiram à apresentação técnica de empresas do ramo de produção de tintas. PQ2 alegou também que a relativa demora na entrega do plano de curso de pintura deveu-se à inexperiência do professor coordenador do PROEJA FIC, visto ele não possuir conhecimento em relação ao curso proposto. Além das visitas para inspeção do laboratório realizadas pelo
campus São Paulo, o IFSP esteve duas ou três vezes no município, quando o
acompanhamento foi assumido pelo campus Guarulhos, segundo G7. Essas visitas, que tinham como objetivo acompanhar o desenvolvimento do curso, propiciaram às pedagogas do IFSP conhecer o espaço e conversar com professores e alunos. Em novembro de 2011, as coordenadoras sociopedagógicas organizaram visitas a São Bernardo do Campo de
representantes de outras cidades envolvidas com o PROEJA FIC, com a finalidade conhecer o laboratório. Outra visita dessa natureza, em Osasco, teve como objetivo mostrar o trabalho realizado.
O desenvolvimento da formação profissional do curso passou por um impasse inicial, tendo em vista que a proposta do curso de pintura da entidade, a qual estava vinculada à professora, não se coadunava com o plano de curso proposto pelo Instituto, tornando-se necessária uma adequação. Segundo PQ2, uma das dificuldades referiu-se ao fato de os alunos ainda estarem em processo de alfabetização. Avalia também que a incerteza causada pela demora inicial na definição de como seria o curso gerou insegurança junto aos alunos, provocando algumas evasões. A professora, à semelhança dos professores de profissionalização dos demais municípios, recorreu a outros professores da unidade que possuíam experiência com o curso de pintura para ampará-la, tendo buscado auxílio igualmente junto aos colegas dos outros municípios.
Iniciada a turma de PROEJA FIC com alunos do segundo termo, o curso em São Bernardo enfrentou o mesmo problema de Osasco quanto ao tempo de duração. Da mesma forma, foi estendido para dois anos, a fim de contemplar a carga horária proposta no Programa. São Bernardo do Campo, com oferta dos anos finais de ensino fundamental, a princípio poderia contar com a saída buscada por Francisco Morato e Itapevi; contudo, visto que a sala possuía um número reduzido de alunos, optou pela não continuidade do segundo segmento da EJA.
De acordo com C2, o curso iniciou com 11 matriculados e chegou ao final com 4 alunos, sendo 2 concluintes do primeiro segmento do ensino fundamental e 2 que iriam receber apenas o certificado de FIC, na medida em que necessitariam permanecer no primeiro segmento.
A exemplo de outros municípios, não foi elaborado um currículo específico para o PROEJA FIC. Segundo P11, a orientação curricular vigente para a EJA consistiu na referência para a proposta do Programa, sendo necessário adequá-la em relação à formação profissional, de forma que fizesse sentido para o aluno. A professora da base comum acompanhava as aulas da professora da profissionalização, como subsídio para estruturar o trabalho. Segundo ela, não existia um currículo pensado a priori, mas havia um planejamento praticamente diário de como se daria a relação entre o trabalho de ambas, tanto na escolha dos conteúdos, como na metodologia pedagógica a ser empregada. De acordo com PQ2, a metodologia de trabalho por projetos foi a que mais se adequou aos propósitos do Programa.
A coordenação pedagógica da unidade relata ter enfrentado dificuldades no acompanhamento do curso. Tendo ingressado na rede municipal em concurso realizado em 2009, não possuía experiência na área de educação de jovens e adultos ou ensino profissionalizante. Para ela, a questão da integração curricular passou a fazer mais sentido com a abertura de turmas de EJA na unidade em 2011, pois antes disso, com o início do PROEJA FIC em 2010, ela se ressentia com a falta de interlocutores junto aos professores com os quais pudesse estabelecer discussões, justificando que tanto o trato do ensino profissionalizante quanto da integração curricular não são temas abordados na formação em Pedagogia. Relata ter participado de um encontro no IFSP, no qual os grupos de trabalho foram divididos, mas não compreendia aquela situação. Segundo seu depoimento, foi a partir da realização das formações coordenadas pelo IIEP que veio a se situar dentro do campo. Cabe aqui observar que o IIEP foi a entidade contratada pelo município para promover uma série de encontros formativos junto às equipes de formação profissional e com os professores da EJA para discutir temas relacionados ao campo, como a concepção de trabalho, de itinerário formativo, entre outros.
Segundo informações levantadas junto a G7, em junho de 2014, os certificados dos alunos estavam sendo providenciados pelo IFSP.