3. KADINLARIN SİYASAL KATILIMI VE TEMSİLİYLE İLGİLİ SORUNLAR VE
4.4. Araştırmanın Bulguları
4.4.3. Kadın Meclis Üyelerinin Yerel Siyasette Karşılaştıkları Engeller ve
A comunicação entre os homens é algo pré-histórico e que vem sendo desenvolvido, ampliado, modernizado e, por que não dizer, mediatizado. As relações interpessoais precisaram, com o passar do tempo, ser feitas a partir de meios específicos, utilizados para potencializar e intensificar o alcance de tal troca discursiva. Desse modo, as publicações escritas, o desenvolvimento dos jornais, rádio, televisão, internet e mídias móveis exemplificam-nos a necessidade de mediar o discurso para torná-lo mais amplo e com maior alcance.
O século XX trouxe, junto com o desenvolvimento da Ciência e da necessidade de racionalizar as ações humanas e explicá-las, a demanda pela explicação das ações de comunicação. O fenômeno da comunicação em larga escala instigou pesquisadores de diversas áreas que se interessaram pela origem e pelas implicações de tal movimento social. A Antropologia, a Matemática, a Sociologia, a Psicologia e as Linguagens uniram-se para buscar compreender como se dava o funcionamento de todo o processo comunicativo. Desse modo, diversas teorias surgiram no século XX, cada uma compreendia as relações intercomunicativas de determinada maneira, sob certa perspectiva. De um âmbito geral para um mais específico, podemos apontar que o aprimoramento das teorias da comunicação levou ao surgimento das teorias do jornalismo, que pretendem explicar não apenas a técnica em si, mas as relações estabelecidas a partir dela. Desse modo, as teorias do jornalismo também são limítrofes ao entendimento da função específica do jornalista, sujeito que age diretamente na produção do conteúdo veiculado na imprensa. Será este, portanto, o caminho
desenvolvido nessa reflexão: apontar as discussões desenvolvidas no século XX (especialmente) para explicar o fenômeno da comunicação de massa para, em seguida, apresentar as teorias do jornalismo e, concomitantemente, a imagem do jornalista a elas vinculada. Este ponto é o que mais nos interessa nesta pesquisa: a partir dos estudos das teorias da comunicação e do jornalismo, colocar em cena a figura do profissional jornalista e abrir espaço para discutir sua identidade.
A necessidade de cientificar o processo que se ampliava na sociedade foi concretizada com a teoria matemática da informação. Os engenheiros Shannon e Weaver buscaram em seus estudos verificar a quantidade de informação que um canal poderia transmitir, sem ruído. Dessa forma, entendiam o canal como o instrumento comunicativo utilizado para repassar informações e torná-las públicas e acessíveis aos receptores. A informação é compreendida como todo dado compartilhado através da mídia. A teoria matemática caracteriza-se, pois, mais pela quantificação de dados do que pela compreensão do processo. Os matemáticos compreendem a comunicação como parte de um sistema e, portanto, não investigam os sujeitos nela envolvidos, apenas a maneira como as informações são colocadas no dispositivo comunicacional.
Com o desenrolar da Grande Guerra, os estudiosos da Psicologia e da Sociologia
começaram a se inquietar com a constituição da sociedade que se “alimentava” das
informações fornecidas pela mídia. Nomeada como sociedade de massa, ela começa a ser estudada de forma mais particular na década de 1920. São desse período a teoria hipodérmica, a teoria matemática da comunicação e a corrente funcionalista de Lasswell, desenvolvidas por sociólogos, cientistas políticos e psicólogos que se envolveram na nova dinâmica que se estabelecia na sociedade ocidental. Os acontecimentos históricos foram fundamentais para a formação da sociedade. As duas Grandes Guerras Mundiais contribuíram para a expansão e difusão das informações. Além da imprensa escrita, o rádio assumiu seu lugar de propagador da informação e teve seu auge nos anos 1930 e 1940, no Brasil. A busca por informações e a conexão que começava a se estabelecer entre as nações estimulou sociólogos e psicólogos a refletirem sobre o recente movimento social.
Com o intuito de abranger um pouco mais o processo de troca de informação, psicólogos políticos da Escola Norte-Americana desenvolvem a teoria hipodérmica, que teve seu auge nos anos 1930. Neste período, a compreensão do sujeito enquanto homem de massa veio à tona e constituiu sentido na sociedade. Wolf (1985) caracteriza a massa
como “um conjunto homogêneo de indivíduos que, enquanto seus membros, são
essencialmente iguais, indiferenciáveis, mesmo que provenham de ambientes diferentes,
heterogêneos, e de todos os grupos sociais” (WOLF, 1985, p.8). Dessa forma, a teoria
estabelece que os meios de comunicação, agora conhecidos como mass media, direcionam-se a essa massa homogênea, uniforme e totalizante. Tal teoria ignora, pois, a individualidade do processo de comunicação e dos sujeitos nele envolvidos.
A partir da contribuição behaviorista, compreende-se que os indivíduos (entendidos como massa uniforme) reagem a estímulos provocados pela informação. Tem-se, portanto, o modelo estímulo-resposta. Os meios de comunicação empreendem um estímulo midiático à massa que reage àquele estímulo de modo a produzir uma resposta também de caráter uniforme. Os teóricos “(...) defenderam a ideia de que os meios de comunicação tinham uma influência direta sobre as pessoas e a sociedade,
podendo provocar só por si mudanças de opinião e de comportamento nas pessoas”
(SOUSA, 2002, p.133). Ou seja, a teoria propõe uma representação da sociedade como uma massa homogênea que reage mecanicamente diante dos estímulos da mídia, especialmente os propagandísticos.
Destarte, outras contribuições foram sendo acrescentadas à teoria com o intuito de avançar na compreensão do processo de comunicação, como a corrente funcionalista. Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), surgem quatro correntes distintas para explicar a comunicação: a corrente funcionalista, a escola canadiana, os estudos críticos e a sociologia interpretativa. Veremos, inicialmente, a teorização referente à corrente
funcionalista, que tem como expoentes: Lasswell, Merton e De Fleur. Na década de 1930, Lasswell estabelece quatro variáveis para se definir o ato
comunicativo: quem? diz o quê? com que efeito? através de que canal?. Vê-se aqui um resquício do pensamento matemático da comunicação, pois ainda há a preocupação com o canal usado para repassar os dados comunicativos. Porém a informação assume outro caráter, pois agora ela é proveniente de um sujeito; considera-se que há alguém que produz a informação e tem uma intenção para tal ato comunicativo. Wolf (1985, p.11) relembra as premissas do modelo lasswelliano: os processos são assimétricos (com emissor ativo e massa passiva de receptores), a comunicação é intencional e objetiva um efeito, os papéis do comunicador e do destinatário são independentes das relações sociais, situacionais e culturais. Apesar de os receptores ainda serem considerados uma
massa passiva, nesta teoria os produtores da informação são vistos com mais atenção e, portanto, assumem um lugar diferenciado no processo de comunicação.
Outro modelo funcionalista é nomeado de fluxo de comunicação em múltiplas etapas. Formulado por Lazarsfeld, em 1944, a partir do livro, The People’s Choice: How do the voters Makes His Mind in a Presidential Campaign, o estudo buscou verificar a influência da imprensa na decisão de votos dos cidadãos. Como resultado, desenvolveu-se a ideia de que em um primeiro momento, a mensagem divulgada pelos meios de comunicação, é recebida e mais ou menos assimilada por um líder de opinião. Depois, tal indivíduo compartilha suas escolhas de voto para as pessoas que ele conhece. Concluiu-se também, a partir desses estudos, que as pessoas tendiam a ler ou escutar conteúdos com os quais já estavam de acordo, ou ler materiais escritos por pessoas conhecidas, cuja opinião era favorável à sua. Desse modo, havia uma pré- seleção na imprensa por parte do público.
A abordagem dos usos e gratificações também faz parte da corrente funcionalista, que compreende o receptor como agente e a comunicação é utilizada para suprir as necessidades do indivíduo. Ela “procura entender os usos que as pessoas fazem
da comunicação social para satisfazerem necessidades e serem gratificadas” (SOUSA,
2002, p.175). Esses estudos tiveram início em 1944, com Herta Herzof (SOUSA, 2002) com a pesquisa sobre as radionovelas, nos Estados Unidos e a relação com o público feminino. A conclusão a que chegou a pesquisadora é que as mulheres usavam as radionovelas para adquirirem conselhos, para se libertarem ou mesmo para compensar seus próprios problemas. Mais adiante, Scharamm, Lyle e Parker (1961) modernizaram a pesquisa e em sua análise sobre a relação das crianças com a mídia, postularam que meninos e meninas utilizavam a televisão, especialmente, para conseguirem suas recompensas. Concluiu-se, portanto, que as pessoas não eram passivas como propunha a teoria hipodérmica, mas que elas agiam e buscavam se beneficiar, conseguir suas gratificações por meio da mídia. Fala-se, portanto, em uma relativização do poder dos meios de comunicação e a concessão de autonomia ao público que interage e se beneficia das relações comunicacionais.
Os anos de 1950 e 1960 representaram um avanço para as teorias da comunicação ao analisar a tecnologia e os efeitos da mídia. A Escola Canadense teve como seu grande representante, Marshall Mcluhan, que desenvolveu o conceito de aldeia global. Juntamente com ele, Pierre Lévy e Edward Shills estudaram os meios de
comunicação como uma forma ativa de se relacionar na então nomeada era digital. Para McLuhan os meios de comunicação se transformam em um prolongamento dos sentidos humanos (BARREIRA, 2013, p.35), capaz de promover o encontro entre os indivíduos. Apesar de a teoria ter se desenvolvido em meados do século passado, é especialmente no desenrolar do século XXI que ela toma corpo e propriedade com a concretização do uso da internet e dos meios digitais.
Faz parte do escopo dos estudos da teoria culturológica (1960) o desenvolvimento da Escola Francesa, com representantes como Morin, Lévy, Bourdieu, Althusser e Baudrillard. Essa teoria estuda a cultura de massa (cultura produzida pela
mídia) e a relação entre elementos antropológicos, “o objeto de estudo é a definição da nova forma de cultura da sociedade contemporânea” (BARREIRA, 2013, p.51). A publicação de “Cultura de massa no século XX: o espírito do tempo” (1962), de Edgar
Morin, é considerada marco no estabelecimento da teoria culturológica. A teoria
“entende que a cultura de massa forma um sistema de cultura, constituindo-se como um
conjunto de símbolos, valores, mitos e imagens, que concernem tanto à vida prática
como ao imaginário coletivo” (BARREIRA, 2013, p.51). O autor francês assegura que a
cultura de massa segue as normas do capitalismo e por isso tende à homogeneização (sincretismo) dos costumes, destina-se a um aglomerado de indivíduos. Essa tendência teórica traz à tona as contradições do sistema cultural e atribui mais atenção à relação entre consumidor e objeto de consumo. Desse modo, a produção cultural adequa-se ao imaginário do consumidor composto por arquétipos, estereótipos e fantasias, a partir do sincretismo entre o real e imaginário.
Na Inglaterra, desenvolveram-se os estudos culturais (Cultural Studies), a partir de meados dos anos 1950, que se consolidaram nos anos 1960 através do centro contemporâneo de estudos culturais, em Birmingham. Fala-se da “análise de uma forma específica do processo social, relativa à atribuição de sentido à realidade e ao desenvolvimento de uma cultura de práticas sociais compartilhados em uma área
comum de significados” (BARREIRA, 2013, p.54). Os estudos culturais objetivam uma
análise da cultura, história e sociedade. São abordados temas ligados às culturas populares e à construção de identidades.
No Brasil, tais estudos repercutiram no desenvolvimento da Folkcomunicação, em fins do século XX. Trata-se da primeira contribuição brasileira para as pesquisas em comunicação. O representante maior é Luiz Beltrão, estudioso que discute as
implicações das manifestações culturais populares e sua relação com a mídia. Beltrão define a figura do líder comunitário “como um formador de opinião a partir do que é
transmitido pelos meios de comunicação de massa” (BARREIRA, 2013, p.38). A folkcomunicação dedica-se a estudar a comunicação daqueles que estão à margem da sociedade. Ela seria, portanto, “uma forma de resistência ou, no mínimo, um esforço
para suprir as necessidades locais de comunicação” (BARREIRA, 2013, p.41).
A partir dos anos 1970 surge uma nova perspectiva nos estudos da imprensa: passa-se a considerar a notícia como construção. Sob esse prisma, estão autores como Berger e Luckman (1971) e Tuchman (1978), para citar os mais conhecidos. Para esses
teóricos, “é impossível estabelecer uma distinção radical entre a realidade e os media noticiosos que devem ‘refletir’ essa realidade porque as notícias ajudam a construir a própria realidade” (TRAQUINA, 2005, p.168). Essa perspectiva é a que mais se
aproxima da concepção discursiva da notícia, sob o nosso viés da Análise do Discurso. A partir dessa teoria, considera-se não apenas a dificuldade do profissional jornalista de manter sua isenção dos fatos, mas também a problemática do uso da linguagem e de suas estratégias na construção e defesa de um ponto de vista.
A Escola de Frankfurt tem sua maior representação com Theodore Adorno, Walter Benjamin, Max Horkheimer e Hebert Marcuse. A Escola teve seu início em 1932, mas com a política nazista precisou ser fechada e somente retornou na década de 1960. Como escola multidisciplinar, os pensadores cunham o termo indústria cultural, em detrimento do termo cultura de massa, já conhecido do início dos anos 1920. A segunda geração tem como expoente Jurgen Habermas. Influenciados pelas ideias de Marx e Freud, os teóricos criticam a sociedade burguesa. O termo indústria cultural
“aponta para algo explorado, construído, manipulado e organizado em grande escala para o consumo” (BARREIRA, 2013, p.45) e substitui o termo cultura de massa. A
partir dessa teoria, a indústria começa a ser compreendida como mercadoria. Desse modo, a indústria age na disciplina e na aceitação do indivíduo a ponto de fazê-lo satisfazer e criar necessidades. Há uma pseudoindividualidade, uma vez que o indivíduo está submetido aos interesses da sociedade industrial e mercadológica.
Procuramos apresentar nas linhas acima um panorama das teorias que primeiramente explicaram a comunicação e seus efeitos sociais (a curto e longo prazo). Para melhor compreender a relação mídia x sociedade e discutir mais a respeito do papel social do jornalista, apresentaremos o panorama das principais teorias do
jornalismo que fornecem instrumentos para a análise e compreensão dos elementos e estratégias jornalísticas que contribuem para a formação da imagem do profissional da área.