2. SİYASAL KATILIM , SİYASAL TEMSİL VE KADIN
2.3. Kadınların Siyasal Katılımı ve Temsili
2.3.1. Kadının Siyasetteki Yeri
Conforme exposto, a educação financeira será utilizada como um requisito básico do plano de capacitação financeira, a fim de promover o entendimento mínimo dos temas de finanças pessoais. Para auxiliar a população a lidar com problemas efetivos da vida financeira, a proposta é a montagem de uma estrutura ampla de centros públicos de aconselhamento financeiro, com atendimento prestado por especialistas, a ser disponibilizado de forma universal, com previsão de acompanhamento e supervisão nos casos mais complexos da vida financeira familiar – incluindo casos de microempreendedorismo popular.
Esta seção traz as diretrizes que devem compor o modelo de funcionamento dos centros de aconselhamento financeiro. Além de observações já apontadas nos capítulos anteriores, a seção toma por base iniciativas empíricas e propostas presentes na literatura especializada (DEPARTMENT OF TRADE AND INDUSTRY, 2004; GILLESPIE; DOBBIE, 2009; HASSAN et al., 2008; HM TREASURY, 2007; KEMPSON; COLLARD,
92 2012; MONEY ADVICE SERVICE, 2015; RUSSIA’S G20 PRESIDENCY; OECD, 2013; THORESEN, 2008).
Em primeiro lugar, os centros de aconselhamento financeiro deverão estar preparados para abranger os seguintes temas:
i) informações gerais sobre produtos e serviços financeiros (crédito, seguro, investimento e planos previdenciários), sem recomendação específica de um dado produto ou de dada instituição financeira (a não ser que este seja um caso exclusivo);
ii) informações sobre o mercado imobiliário (compra, acesso à crédito, e venda); iii) planejamento e análise comparativa sobre produtos financeiros e não-
financeiros, de médio e longo prazo, para atender a eventos do ciclo de vida familiar (casamento, educação, aposentadoria e falecimento) e poupança precaucional;
iv) orientação para gerenciamento financeiro de microempreendimentos populares (oportunidades de renda adicional; abertura, venda e fechamento de atividade; direito tributário);
v) gerenciamento de crises financeiras pessoais (perda de emprego, queda na renda, despejo da moradia, falecimento e doenças graves) e superendividamento;
vi) renegociação de dívida com credores;
vii) apontamentos sobre questões tributárias e direitos do consumidor financeiro; viii) redirecionamento a outros profissionais para tratamento de casos mais
específicos.
É de se esperar que nas fases de crise ou estagnação macroeconômica, maior esforço dos consultores esteja concentrado em problemas de escassez de crédito e de gerenciamento de dívidas, enquanto nos períodos de crescimento, o foco deve ser tanto nas oportunidades de investimento (financeiro, imobiliário ou dos microempreendimentos populares), quanto na maior oferta de linhas de crédito pessoal e microempresarial.
Duas observações devem ser feitas sobre o posicionamento do consultor, a fim de não criar falsas expectativas por parte das famílias requerentes. Em primeiro lugar, ao tratar de temas futuros, o profissional deve ressaltar fundamentos da incerteza fundamental e dos vieses comportamentais do nosso modo de pensar, deixando o consultado ciente de que não existem respostas completas e corretas sobre o desempenho futuro da economia – assim
93 como não existem decisões isentas de vieses psicológicos –, mas apenas trajetórias e tendências construídas com base em indicadores do passado recente que – possivelmente – podem sofrer alterações, provocando novas expectativas sobre o futuro – novamente, não isentas de vieses psicológicos por parte dos agentes econômicos e da própria incerteza fundamental. Adicionalmente, em especial nos períodos expansivos do ciclo econômico, o consultor/conselheiro deve assumir um posicionamento claro que aponte os riscos de reversão da fase de crescimento ao longo do tempo, assim como da importância de um comportamento precaucional por parte das famílias, evitando que estas sejam contagiadas por climas de euforia de mercado, comuns nas fases expansivas do ciclo.
O aconselhamento deve ser ofertado por profissionais especializados em finanças pessoais, com formação superior (no caso do profissional sênior) ou no ensino médio (os assistentes), e que conte, não apenas com conhecimento e habilidade técnica, mas com informações sobre as trajetórias atuais e futuras do mercado financeiro e da economia, em linguagem apropriada para tratamento de um público médio de baixo nível educacional.
Sobre os demais aspectos práticos de execução dos centros de aconselhamento, é indispensável a realização de estudos empíricos mais detalhados sobre a dimensão e o perfil da demanda. Entretanto, um esforço de planejamento preliminar pode ser feito, tomando com base outras propostas (África do Sul e União Europeia) e experiências internacionais em andamento (Irlanda, Reino Unido, Holanda e Austrália), presentes na literatura:
a) A equipe de profissionais irá compor centros de aconselhamento financeiro que oferecerão serviços de atendimento imediato (básicos) ou pré-agendado (mais específicos ou complexos). Os Consultores Financeiros Independentes (CFI) se dividirão entre profissionais sêniores e consultores assistentes – capacitados com curso especializado em finanças pessoais e vieses comportamentais, promovidos por universidades públicas ou por entidades parceiras do setor financeiro e do terceiro setor (HASSAN et al., 2008).
b) A proposta é que itens básicos e gerais das finanças pessoais possam receber tratamento por parte dos consultores assistentes, que vão adquirindo maior experiência, enquanto temas mais complexos – como o gerenciamento de crises financeiras familiares – receberão atendimento prioritário dos consultores sêniores (HASSAN et al., 2008).
c) Todos os profissionais sêniores devem ser funcionários públicos em tempo integral, sem vínculo empregatício ou contratual com nenhuma instituição financeira, a fim de garantir neutralidade de suas dicas e orientações (HASSAN
94 et al., 2008; WILLIS, 2008). Por outro lado, os consultores assistentes podem trabalhar como voluntários, ligados à instituições de ensino (estudantes universitários) e entidades do terceiro setor – conforme proposto por Thoresen (2008), Gillespie e Dobbie (2009) e previsto no próprio projeto da União Europeia (RUSSIA’S G20 PRESIDENCY; OECD, 2013).
d) Os centros prestarão serviço de atendimento universal e gratuito, com foco especial na população de baixa renda, que tende a ter maior demanda reprimida por serviço qualificado de consultoria provido pelas instituições de mercado (GILLESPIE; DOBBIE, 2009; HASSAN et al., 2008; KEMPSON; COLLARD, 2012; MONEY ADVICE SERVICE, 2015; RUSSIA’S G20 PRESIDENCY; OECD, 2013; THORESEN, 2008).
e) A maior parte do financiamento deve vir de impostos cobrados sobre lucros das instituições financeiras, como apontado em projetos internacionais presentes na literatura, exceção feita à etapa de treinamento dos consultores, descrita acima (GILLESPIE; DOBBIE, 2009; HASSAN et al., 2008).
f) O atendimento prioritário deve ser feito presencialmente, nos próprios centros. No entanto, questões mais simples (dúvidas) ou o acompanhamento de temas em tratamento podem ser oferecidos via telefone ou mídia online (chat e email) – aspecto comum entre projetos nacionais descritos na literatura (GILLESPIE; DOBBIE, 2009; HASSAN et al., 2008).
g) Finalmente, um banco de dados internos, a exemplo do caso de educação financeira, deve ser construído para subsidiar estudos de monitoramento e avaliação das atividades prestadas.
Em síntese, a proposta é que o serviço de aconselhamento financeiro deverá ser a principal fonte de informações e conselhos sobre finanças pessoais às famílias, em posição hierarquicamente superior à educação financeira – o que contrasta com os projetos convencionais de capacitação financeira. A expectativa é que este serviço atue não só para promover o bem-estar social, mas também como um fator institucional que opere como estabilizador das expectativas do conjunto de agentes econômicos, minimizando os efeitos da incerteza fundamental – muito embora se reconheça que isso não é garantia para eliminar a instabilidade e reversão dos ciclos econômicos e financeiros.
A próxima seção muda o foco, voltado não mais para o preparo e qualificação dos demandantes por produtos e serviços financeiros, mas para a regulamentação da oferta
95 financeira e proteção do consumidor, condição necessária – embora não suficiente – para permitir o desenvolvimento da capacitação das famílias.