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Kısa Çalışma Fazla Saatlerle Çalışma

I- KISA ÇALIŞMA ÇALIŞMA SÜRELERİ İLİŞKİSİ

2- Kısa Çalışma Fazla Saatlerle Çalışma

2. 1. Escola e violência

A escola, em sua condição de instituição, acaba sofrendo os efeitos de processos sociais mais amplos. Processos esses que incidem de forma muito peculiar nas relações sociais estabelecidos naquela instituição. Assim sendo, a violência veiculada à questão da educação, propõe que a escola tenha uma postura ética, que proporcione o engajamento de seus membros pela via educacional. Assim,

“violência” é o nome que se dá a um ato, uma palavra, uma situação, etc., em que um ser humano é tratado como um objeto, sendo negados seus direitos e sua dignidade de ser humano, de membro de uma sociedade, de sujeito insubstituível. Assim definida, a violência é o exato contrário da educação, que ajuda a advir o ser humano, o membro da sociedade, o sujeito singular (ABRAMOVAY; AVANCINI, 2005, p.25).

O que é caracterizado como violência varia, em função do estabelecimento escolar, da posição de quem fala (professores, diretores e alunos, dentre outros), da idade, do sexo. Sendo importante uma conceituação mais apropriada do lugar, do tempo e dos inquiridos – atores que a examinam. “[...] requer um leque extenso do que seja violência, expressando uma multiplicidade de experiência dos jovens com situações violentas” (ABRAMOVAY; et al, 2002, p.95).

Falar de violências nos estabelecimentos escolares é também supor que estas tenham lugar em estabelecimentos (escolas), onde podem variar em diversos fatores, dentre eles: intensidade, magnitude, permanência e gravidade.

A violência relaciona-se com a palavra, assim como o silenciamento, cercamento de palavra, em planos diversos. A não negociação de conflitos estimula o recurso da não comunicação. Mas a não palavra se configura em violência além do corte da relação dialógica, a recusa à argumentação, a ouvir e compreender o outro, refletindo e transpondo intolerância (ABRAMOVAY; AVANCINI, 2005,p.82).

Candau et al (2001) atribui ao conceito de violência nas escolas, não apenas as agressões físicas e individuais, ou sob a forma de vandalismo, como também as chamadas incivilidades em forma de ofensas e humilhações, palavras grosseiras, dentre outras; além de dividir a violência nas escolas em três pontos principais: violência física, econômica e moral ou simbólica.

Fenômeno múltiplo e diverso, que assume determinados contornos em conseqüências de práticas inerentes aos estabelecimentos escolares e ao sistema de ensino, bem como às relações sociais nas escolas (ABRAMOVAY; AVANCINI, 2005, p.70).

Quanto à análise teórica sobre a violência nas escolas, Charlot (2002) divide esta análise em três formas: violência na escola; violência à escola e violência da escola. A violência nas escolas caracteriza-se pelo tipo de violência que se produz dentro do espaço escolar, não estando diretamente ligada à natureza e às atividades da mesma, como por exemplo: brigas, agressões e xingamentos entre alunos neste espaço. A violência à escola constitui-se no tipo de violência pela natureza e pelas atividades da instituição escolar; uma violência contra a escola. São exemplos desta forma de violência: as depredações e pichações nas escolas. Por último, a violência daescola, ou seja, uma violência institucional, simbólica, corresponde à forma como a escola e seus agentes conduzem o processo de ensino e que, muitas vezes estas formas incidem de forma negativa no processo ensino - aprendizagem. Os exemplos desta forma se apresenta como: a atribuição de notas, palavras desdenhosas dos adultos, atos que se configuram como injustos e racistas, dentre outros.

O significado de violência não é consensual. O que é caracterizado como violência varia, em função do estabelecimento escolar, do status de quem fala (professores, diretores, alunos...), da idade e, provavelmente, do sexo.

A defesa de um conceito ampliado de violência se fundamenta numa compreensão do fenômeno como algo intrinsecamente relacionado ao contexto social, histórico, cultural em que se dá, com a vantagem de poder abarcar ações, comportamentos e processos diferenciados que envolvem sujeitos distintos (alunos, professores, moradores da comunidade, etc.) e a própria instituição escolar. Assim, não são apenas os episódios graves e espetaculares – como homicídios, porte e uso de armas – que são compreendidos como violência, mas também conflitos, comportamentos e práticas institucionais incorporadas aos cotidianos dos estabelecimentos escolares (ABRAMOVAY; AVANCINI, 2005, p.79).

Nos últimos anos, dado o aumento ou registro de atos delituosos e de pequenas e de grandes incivilidades tem-se como resultado um sentimento de insegurança nos que freqüentam o ambiente escolar. Tornam-se mais visíveis as transgressões, os atos agressivos; os incidentes mais ou menos graves têm como palco a escola ou seu entorno, onde todos os atores (professores, alunos e corpo técnico -pedagógico) sentem-se vítimas em potencial.

Observa-se, nos anos 1990, que a violência escolar passar a ser observada nas interações dos grupos de alunos, caracterizando um tipo de sociabilidade entre os pares ou de jovens com o mundo adulto, ampliando e tornando mais complexa a própria análise ao fenômeno (SPOSITO, 2006, p.91).

Em alguns lugares, a violência nas escolas associar-se-ia a três dimensões, segundo Abramovay; Castro. A primeira dimensão retrata a degradação do ambiente escolar, ou seja, a dificuldade na gestão das escolas, resultando em estruturas diferentes. A segunda dimensão corresponde a uma violência que se origina fora e vem para dentro da escola, manifestando-se por intermédio da penetração das gangues, do tráfico de drogas e da visibilidade crescente da exclusão social. E a terceira dimensão relaciona-se com componentes internos das escolas; específicas de cada estabelecimento.

A violência nas escolas pode ser classificada em três níveis: a violência, a incivilidade e a violência simbólica. No tocante à violência, compreende-se como: golpes, ferimentos, violência sexual, roubos, crimes, vandalismos, dentre outros. A incivilidade corresponde a humilhações, palavras grosseiras, falta de respeito, entre

outros. Por último, violência simbólica, ou institucional, refere-se à falta de sentido em permanecer na escola, cujas características são: o ensino passa a ser visto como um desprazer, que obriga o jovem a aprender matérias e conteúdos alheios aos seus interesses; as imposições de uma sociedade que não sobre acolher os seus jovens no mercado de trabalho; a violência das relações de poder entre professores e alunos; a negação da identidade e satisfação profissional aos professores, a sua obrigação de suportar o absenteísmo e a indiferença dos alunos (ABRAMOVAY; LIMA; VARELA, apud CHARLOT, 2005).

No contexto da violência nas escolas, é importante diferenciar os conceitos de agressividade, agressão e violência:

Agressividade é uma disposição biopsíquica relacional: a frustação (inevitável quando não podemos viver sob o princípio único do prazer) leva à angústia e à agressividade. Agressão é um ato que implica uma brutalidade física ou verbal (agredire é aproximar-se; abordar algum; atacá-lo). Agressão que utiliza a força apenas de maneira instrumental, mesmo que se limita a uma simples ameaça. Agressão violenta, na qual a força é utilizada muito além do que é exigida pelo resultado, com uma espécie de prazer de causa mal, de destruir, de humilhar. Violência remete a uma característica desse ato enfatiza o uso da força, do poder, da dominação. De certo modo, toda agressão é a violência na medida em que usa a força (CHARLOT, 2005, p.435/436).

A agressão define-se como um comportamento repetitivo e persistente que, na confrontação com a vítima, viola seus direitos. A agressividade é utilizada cotidianamente nas diversas partes do mundo, seja para expressar violência, seja para expressar coragem. Ao contemplar o conceito de agressividade, devem-se analisar dois tipos de teoria. São elas: as teorias ativas e teorias reativas. Quanto às teorias ativas, são aquelas que defendem a agressividade como um impulso interno e inato. A agressividade seria algo próprio da espécie humana e, portanto, impossível de evitar. As teorias reativas são próprias daqueles a idéia de que a agressividade tem origem ambiental. A agressividade seria uma reação aprendida no ambiente (FANTE, 2005).

Quanto aos determinantes do comportamento agressivo ou violento na escola, segundo Fante (2005), são aqueles que determinam as possíveis causas do

comportamento violento intimidatório e cruel, presentes nas interações que se desenvolvem no palco escolar. Estes fatores são caracterizados pelos tipos diversos de interações, sendo elas: sociais, familiares, socioeducacionais e pelas expressões comportamentais agressivas manifestadas nas regiões interpessoais.

O comportamento agressivo ou violento nas escolas é hoje o fenômeno social mais complexo e difícil de compreender, por afetar a sociedade como um todo atingindo diretamente as crianças de todas as idades, em todas as escolas do país e do mundo (FANTE, 2005, p. 168).

É importante reter, destes conceitos, que a agressividade sempre está relacionada à atividade de pensamento, imaginação ou ação verbal e não verbal, ou seja, a agressividade pode ser manifestada pela ironia, pela omissão, não se caracterizando, exclusivamente, pela humilhação, constrangimento ou destruição do outro. Já a agressão implica, não necessariamente, mas está intimamente ligado ao ataquee quando se utiliza a força, a este ato dá-se a denominação de violência.

Quanto aos atos de violência ou agressividade dos alunos, eles acontecem com grande freqüência, porém nem sempre são identificados pelos professores e podem tomar forma mais explícita ou velada. Sendo assim, a autora classifica os atos violentos quanto: ao grau, à forma, ao tipo, ao nível, à dimensão, aos determinantes e às conseqüências (FANTE, 2005).

Quanto ao grau, a violência pode ser simples, ou pontual (quando um ou mais agressores atacam esporadicamente uma vítima, motivados por um desentendimento que acaba gerando conflito); e complexa, ou freqüente (ocorre quando um ou mais agressores atacam habitual e repetidamente uma mesma vítima, sem motivação evidente, como por exemplo, o fenômeno bullying).

Há aqueles comportamentos, valores e ideais que são próprios da adolescência e, por isso, considerados normais e esperados. Entretanto, há aqueles que o social reforça e que trazem muito mais sofrimento hoje do que tempo atrás (CAMACHO,2001, p.136).

No tocante à forma, a violência pode ser direta, indireta, implícita, velada, explícita e identificada. Destaca-se aqui a violência direta e indireta. A direta é quando ocorre contra pessoas e de forma interpessoal. Já a indireta é praticada contra utensílios, bens ou patrimônios. Em relação ao tipo de violência, divide-se em: física e sexual, verbal e psicológica. Quanto ao nível, a violência pode ocorrer entre: discentes, docentes, funcionários, pais e instituição.

Nas dimensões, a violência pode ocorrer: no interior da escola – ligada às relações interpessoais e às microviolências. Quanto ao entorno da escola, as relações interpessoais no uso do tráfico de drogas e armas. A violência da escola pode ser institucional ou simbólica, além da disciplina de corpos e mentes, métodos de ensino, relação de comunidade escolar e desesperança quanto ao papel da escola. Em relação aos determinantes, vários fatores são analisados: os biológicos, os pessoais, os familiares, os sociais, os cognitivos e os ambientais.

O fundamento básico da forma de expressão mascarada da violência contra os diferentes é a discriminação, nas suas variadas modalidades. São as práticas de intolerância em face dos diferentes, concretizados nas formas de discriminação social (aos pobres ou ricos demais), racial (aos negros), de genro (aos homossexuais) e aos que se distanciam, aos maus colegas e aos novatos na escola, aos gordos, aos feios e outros (CAMACHO,2001, p.134).

Por último, em relação às conseqüências da violência, elas variam em relação ao corpo discente, corpo docente e quadro de funcionários e na família e na sociedade.

A intolerância ao diferente é uma das faces do processo que dá origem à violência. Do outro lado, pode surgir um outro tipo de conduta: os diferentes, isoladamente ou em grupo (no qual se identifica na diferença), respondem com agressão que os discriminam (CAMACHO,2001, p.136).

Dentre as conseqüências no corpo discente, segundo Fante (2005), destacam-se: o absenteísmo (falta de assistência às aulas), os problemas psicológicos e somáticos (ansiedade, tédio e depressão), o desencanto pela escola,

queda de rendimento escolar, a falta de perspectiva de futuro melhor via educação; queda de auto-estima, a evasão escolar, a retenção escolar, a descrença no poder público. Entre as conseqüências no corpo docente e no quadro de funcionário estão: a descrença no poder público, a desesperança e desencanto pela profissão, o absenteísmo, a descrença no sistema educacional, a queda na auto-estima, os problemas somáticos e psicológicos, a síndrome de Burnout (problemas relativos ao estresse profissional). Por último, na família e na sociedade, a falta de perspectiva de um futuro melhor via educação, a desvalorização do ensino, a descrença no sistema educacional e no poder público são as principais conseqüências do processo.

A obesidade, a baixa estatura, a cor da pele mais escura, e tantos outros desvios dos padrões aceitos socialmente são motivos de discriminação, de exclusão, de auto-isolamento, de sentimento de rejeição, de baixa auto-estima, enfim, de muito sofrimento para os adolescentes (CAMACHO, 2001, p.136).

Entre os estudos acerca das violências nas escolas, a influência francesa remete à discussão e diferenciação sobre o que significa violência, transgressão e incivilidade.

Entende-se por violência como o dever ser reservado ao que ataca a lei com uso da força ou ameaças usá-la por meio de lesões, extorsão, tráfico de drogas na escola, insultos graves. Quanto à transgressão, corresponde ao comportamento contrário ao regulamento interno do estabelecimento (mas não ilegal do ponto de vista da lei): absenteísmo, não-realização de trabalhos escolares, falta de respeito, dentre outros. A incivilidade não contradiz, nem a lei, nem o regimento interno do estabelecimento, mas as regras da boa convivência: desordens, empurrões, grosseiras, palavras ofensivas geralmente ataque ao cotidiano – e com freqüência repelido – ao direito de cada um (professor, funcionários, aluno) ver respeitada sua pessoa (CHARLOT, 2002).

Na dinâmica escolar atual, porém, não é fácil distinguir violência, transgressões e incivilidades. Estas situações ganham enormes proporções no cotidiano escolar e promovem, muitas vezes, o ataque à dignidade e à identidade

pessoal e profissional de professores e alunos, fenômeno este intitulado de violência.

Conforme Charlot (2005, p.439), “os incidentes violentos se produzem sobre um fundo social e escolar forte”. Este fundo de tensão corresponde à situação de sociedade e do bairro. Quando o bairro é um alvo mais incisivo de violência, a probabilidade de que a escola seja atingida é bem maior. Vale salientar que a análise não pode ser generalizada, pois uma generalização traz resultados, nem sempre fidedignos:

É a violência enquanto vontade de destruir, de aviltar, de atormentar, que causa problema – e que causa mais problema ainda em uma instituição que, como a escola, inscreve-se na ordem da linguagem e da troca simbólica e não na da força física (CHARLOT, 2005, p.436).

O que se coloca em pauta não é apenas a tentativa de minar com a agressividade e com o confronto, presente no interior do espaço escolar, mas o fato de “regulá-los pela palavra” e, não, pela violência.

2.2 Fatores que incidem na análise acerca das violências nas escolas

Estudos importantes sobre violências nas escolas são os desenvolvidos por Debarbieux (2002) e Farrington (2002). Trata-se este último de uma análise européia que tem como principal tarefa apresentar os fatores de risco para a violência juvenil. Estes estudos têm como formas de identificação dos fatores de risco os levantamentos longitudinais prospectivos. Essas análises sobre os fatores de risco são de fundamental importância para o estudo da violência nas escolas, sobretudo frente à realidade vivida pelo sistema educacional brasileiro.

A partir desta análise, uma importante questão a ser discutida são os fatores de risco. Entende-se por fatores de risco as variáveis que conduzem a prever um alto índice de violência juvenil. Como por exemplo: impulsividade, baixo desempenho escolar, pais criminosos, baixa renda familiar e supervisão parental deficiente (FARRINGTON, 2002).

Pode-se dizer que os fatores de risco como: o psicológico, o familiar, o socioeconômico e o de vizinhança influenciam, de forma decisiva, no desenvolvimento a longo prazo do potencial para a violência, apresentado por um individuo (FARRINGTON, 2002). Dito de outra forma: Eles contribuem para as diferenças existentes entre os indivíduos, visto que numa mesma circunstância, algumas pessoas apresentam uma maior tendência de cometer violência do que outras.

De acordo com Farrington (2002), os delitos violentos, bem como os demais crimes têm origem nas interações entre os agressores e vítimas, em determinadas situações. Alguns atos violentos são cometidos normalmente, por pessoas portadoras de tendências violentas, relativamente estáveis e duradouras, ao passo que outros são cometidos por pessoas mais normais, que se vêem em situações que tendem a levar à violência. Os fatores de risco para a violência dividem-se em fatores psicológicos; fatores familiares; fatores relativos à colegas; à condição socioeconômica e à vizinhança.

Conforme Debarbieux (2002), embora a abordagem dos fatores de risco seja de real interesse para análise da violência escolar, ela não deve levar a uma visão determinista, mas, sim, levar a uma visão que reconheça o papel das variáveis familiares e pessoais, além de contemplar as variáveis estruturais e contextuais.

A abordagem dos fatores de risco só tem valor quando centrada nas condições sociais e institucionais que produzem esses riscos.

Na perspectiva dos fatores de risco da violência juvenil, os mesmos podem ser divididos em: fatores de risco circunstanciais a longo prazo; e fatores de risco circunstanciais a curto prazo. Os principais fatores de risco circunstanciais a longo prazo na violência juvenil são: a) psicológicos – a forte impulsividade e a baixa inteligência; vale salientar que, provavelmente, são associadas às funções executivas do cérebro; b) familiares – pouca supervisão, disciplina severa, maus- tratos físicos, ter um pai violento, família numerosa, família desfeita; c) colegas delinqüentes - baixa condição socioeconômica, residir em centros urbanos e em bairros com altos índices de criminalidade.

Os fatores circunstanciais argumentam por qual razão o potencial de violência se atualiza em determinadas situações. Sendo assim, explicam as diferenças de curto prazo internas a cada indivíduo, por que em determinadas ocasiões, algumas pessoas apresentam maiores probabilidades de cometer violência que outras. E ainda, os fatores circunstanciais podem ser específicos a determinados tipos de crimes, tais como roubos, em oposição a estupros, ou até mesmo a furtos de rua, em oposição a assaltos a bancos, dentre outros. Uma das teorias circunstanciais da criminalidade mais aceitas é a teoria das atividades de rotina: “para que um crime predatório venha a ocorrer, o requisito mínimo é a convergência, no tempo e no espaço, de um agressor motivado e de um alvo conveniente, na ausência de um guardião da paz” (FARRINGTON, 2002, p.26).

Entre os principais fatores de risco circunstanciais de curto prazo estão o consumo de bebidas alcoólicas e atos que conduzem a episódios violentos, como por exemplo, uma discussão trivial.

De acordo com Fante (2005) os fatores externos e internos são determinantes na compreensão da violência nas escolas. Os fatores externos são decisivos na formação da personalidade do aluno, devido à influência que recebe no seu contexto familiar, social e meio de comunicação. No contexto social são analisados os grandes problemas da sociedade atual: pobreza e desemprego, que trazem como principal conseqüência: a desigualdade. Favorecem um ambiente de agressividade, delinqüência e atitudes anti-sociais. Além da falta de condições mínimas de uma vida digna (moradia, alimentação e saneamento básico) e precária assistência em educação e saúde. Quanto aos meios de comunicação, em especial o televisivo,

vem sendo questionado por contribuir para o aumento da agressividade, principalmente entre as crianças. Fante (2005) atenta para o fato de que existe uma grande relação entre a televisão e a construção da identidade e do comportamento, não apenas dos adolescentes, mas de toda a sociedade. Na família, os comportamentos violentos e agressivos que os alunos apresentam na escola causam sofrimentos de forma velada, ou não. Tem sua origem, dentre outros fatores, no modelo educativo familiar de acordo com o qual foi criado. Dentre os fatores familiares que contribuem para a conduta agressiva das crianças e dos adolescentes, podem-se citar: a) os maus-tratos e o modelo educativo familiar; b) os métodos educativos ambíguos; c) a desestruturação familiar e d) a falta de tempo para os filhos.

O comportamento agressivo e violento de muitos pais para com os filhos geralmente se expressa pela punição ou violência física (bater, beliscar, empurrar, chutar) e pela violência psicológica (xingar, humilhar, agredir com palavras, desfazer, comparar, caçoar). (FANTE, 2004, p.177).

Os fatores internos dividem-se em: clima escolar, relações interpessoais e características individuais de cada membro da comunidade escolar. A escola tem o dever de prevenir o fenômeno violência que se desenvolve em seu contexto, e de intervir, impedindo a sua proliferação. O clima escolar tem como objetivo que a escola esteja centrada no princípio da equidade; isto é, que todos têm os mesmos direitos. Seu propósito é tentar minimizar as discrepâncias e diferenças existentes na sociedade. Na realidade, os alunos acabam sendo tratados como iguais, sem levar em consideração as suas características e necessidades individuais, bem como suas diferenças pessoais, confundindo homogeneidade com equidade. Este fato pode ser visto e manifesta-se através de vários aspectos: pela forma de tratar e abordar os conflitos interpessoais, pela metodologia empregada na aprendizagem, dentre outros. A baixa escolaridade e evasão escolar são características peculiares do funcionamento escolar. Na contemporaneidade, há um grande dilema, entre os