II. BÖLÜM
2. KÜTAHYA SANCAĞI’NDA BULUNAN MEDRESELER
2.3. KÜTAHYA KAZASI’NDA BULUNAN MEDRESELER
A visão educativa da mídia pública aparece fortemente na América Latina no período que marca a intensa industrialização desses países. Eles passavam por uma experiência de expansão de seus parques industriais e das taxas demográficas, favorecendo a promoção do pensamento de novas políticas para o continente. Segundo essa concepção, a televisão seria mais uma ferramenta empregada na ampliação da formação da população, garantindo o aumento da mão de obra qualificada, beneficiando a indústria que estava em plena expansão.
Segundo Fernández (2002) o esforço para introduzir a televisão educativa na América Latina ocorreu devido a um diagnóstico de agências especializadas e de órgãos internacionais de ajuda ao desenvolvimento, que chegaram à conclusão de que o que levaria a uma melhoria na qualidade escolar não era o enfoque nos processos intra-escolares de aprendizagem, mas
73 sim uma intervenção tecnológica externa, possível por meio de uma televisão pública educativa.
Na perspectiva de Beltrán (2002),
Os projetos de televisão educativa, associados às televisões públicas, participavam da ideia de que as mídias massificariam a educação, apoiariam outros processos educacionais e permitiriam atingir, com relativa facilidade, as populações que estavam excluídas dos circuitos oficiais da educação. Via de regra, não se concebeu uma televisão educativa que recolhesse as transformações nos conhecimentos, nas sensibilidades ou nas estéticas que as sociedades experimentavam, mas pelo contrário, aumentou ainda mais a lacuna entre o conhecimento e o entretenimento (BELTRÁN, 2002, p.91-2). Na década de sessenta, se atribuía muita importância à TV educativa. Segundo as resoluções da primeira reunião da Comisión Interamericana de Telecomunicaciones (Citel), realizada em 1965 em Washington, os meios de radio e televisão seriam eficientes na promoção de programas educativos para uma população que está distribuída em uma larga extensão territorial. A terceira reunião deste mesmo órgão reforçou ainda mais esta ideia, ao definir que o desenvolvimento econômico e social do continente latino-americano estava condicionado às oportunidades propiciadas através do rádio e televisão educativas.
Os favoráveis a esta visão viam a televisão pública intimamente vinculada com as políticas educacionais de cunho nacional ou regional, seja substituindo as salas de aulas onde as mesmas são insuficientes, seja complementando as aulas com conteúdos adicionais. Desse modo, a televisão ganhou uma atenção especial por ser um meio de desenvolvimento desses países e também por seu potencial instrutivo ao combinar sons e imagens (VALENTE, 2009a).
O início dos esforços para uma programação educativa formal estava limitado ao conceito de Telecursos. Ou seja, o intuito era coincidir os horários das aulas com programas de TV relacionados com alguns materiais escolares. Contudo, na década de 1980, os telecursos foram evoluindo para um conceito mais abrangente, a tele-educação, no sentido da educação à distância. Segundo Fernández (2002), “essa evolução introduziu uma compreensão mais complexa da possibilidade educativa da TV” (FERNÁNDEZ, 2002, p.163).
No Brasil, a tradição da televisão pública teve início com a fundação das emissoras educativas32. De acordo com o decreto lei 236 de 1967 as TVs educativas teriam como
32 Roquette-Pinto foi o grande entusiasta da televisão educativa no Brasil. No ano de 1952, Roquette-Pinto une seus esforços com os de Tude de Souza, José Oliveira Reis e o general Lauro Medeiros, formando uma comissão para realizar a implantação da Televisão Educativa Brasileira (cf. LUZ, 2010).
74 finalidade “a divulgação de programas educacionais, mediante a transmissão de aulas, conferências, palestras e debates” (BRASIL, 1967).
Além disso, “a televisão educativa não tem caráter comercial, sendo vedada a transmissão de qualquer propaganda, direta ou indiretamente, bem como o patrocínio de programas transmitidos, mesmo que nenhuma propaganda seja feita através dos mesmos” (BRASIL, 1967)33. Esta determinação tinha como um dos seus objetivos impedir que as
televisões educativas competissem diretamente por verbas publicitárias com as televisões comerciais. Somente na década de 1970 que a televisão educativa no Brasil consegue um desenvolvimento substancial, data que coincide com a criação do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização) (LUZ, 2010).
A presente concepção parte da premissa de que a mídia eletrônica, principalmente a televisão, se constitui como um difusor fundamental na distribuição dos conteúdos. Muitos países latino-americanos, como já foi ressaltado, a utilizaram na tentativa de promover educação a uma população com um baixo índice de instrução. A televisão se constituía como uma nova mídia, despertando o interesse dos políticos na sua capacidade de transmissão de conteúdos a uma grande parcela de pessoas. Alguns criticaram esta postura, defendendo que a televisão só desempenharia sua função educativa a partir de um planejamento que identificasse de forma real as necessidades do processo educativo, bem como os insumos e recursos que poderiam contribuir para o êxito deste projeto (BURKE, 1971).
Atualmente, com uma disseminação cada vez maior, deve ser ressaltado o papel da internet, que se constitui como uma inovação tecnológica na qual são depositadas grandes expectativas para a melhoria na qualidade da educação. Para Fernández (2002),
Esse panorama evolutivo, da tele-escola para a tele-educação e para a Internet é um mapa no qual é possível situar as emissoras públicas especializadas numa programação centrada na função educacional formal. Algumas estações de TV aberta, nos países de menores recursos, ainda apresentam programações mais próximas da tele-escola; os mais evoluídos trabalham com esquemas mais amplos de educação à distancia (FERNÁNDEZ, 2002, p.165).
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