• Sonuç bulunamadı

Küreselleşmenin ekonomik ve Mali Faktörleri

Seguindo as tendências do cenário internacional, o mercado de trabalho brasileiro também tem sofrido os impactos das mudanças na oferta e demanda por trabalho qualificado, assim como os reflexos dessas mudanças sobre os retornos à educação. Um aspecto essencial discutido na literatura brasileira consiste no potencial da educação e do mercado de trabalho como fatores explicativos das desigualdades de renda no Brasil, enfatizando a desigualdade educacional e a evolução dos prêmios pela educação, ou seja, o valor monetário atribuído a cada ano adicional de escolaridade.

Especificamente sobre a oferta de trabalho, desperta a atenção o aumento contínuo do grau de escolaridade médio da força de trabalho brasileira desde a metade do século passado (ANDRADE & MENEZES FILHO, 2005; BARRO & LEE, 2010a; BARROS et al, 2010; MENEZES FILHO, 2001; RAMOS, 2007; ULYSSEA, 2007).

Barro & Lee (2010a), examinaram a expansão educacional de 146 países, incluindo o Brasil, para o qual a escolaridade média era de 1,5 anos de estudo em 1950, passando para 2,8 em 1970, 4,5 em 1990, alcançando 7,5 anos de estudo em 2010, superando a média dos países em desenvolvimento (7,1). De acordo com Barros et al (2010), baseando-se nos dados da PNAD, a escolaridade da força de trabalho brasileira aumentou em quase dois anos de escolaridade no período de 1997 a 2007, passando de 6,4 em 1997 para 8,2 em 2007, enquanto historicamente o progresso por década vinha sendo de apenas um ano de escolaridade. Utilizando dados da PNAD de 1981 a 1999, Andrade & Menezes-Filho (2005) constataram que a proporção de pessoas com baixa qualificação (até 4 anos de estudo) tem caído continuamente, enquanto o percentual de pessoas com qualificação intermediária (entre 5 e 11 anos de estudo) está crescendo e a participação de pessoas qualificadas (15 anos de estudo) esteve praticamente estagnada desde as gerações nascidas no início da década de 50.

Diante disso, impõe-se outra constatação importante. A expansão da escolaridade contribuiu de forma expressiva para a queda da desigualdade de renda observada nos últimos anos no Brasil. Segundo os estudiosos do assunto, a queda da desigualdade tem sido em grande parte atribuída ao aumento no volume, cobertura e focalização das transferências governamentais (renda não derivada do

trabalho). Contudo, também foram relevantes as mudanças ocorridas na renda do trabalho, tanto decorrentes da expansão educacional na força de trabalho quanto das reduções de diferenciais por nível de escolaridade. Estima-se que a contribuição bruta da escolaridade na explicação das desigualdades é de cerca de 1/3, enquanto a contribuição marginal gira em torno de 1/4 da desigualdade total (BARROS et al, 2010; RAMOS, 2007). Assim, dentre os fatores que afetam a produtividade do trabalho e, conseqüentemente, a renda do trabalhador, a escolaridade é, sem dúvida, um dos mais significativos.

Ainda do ponto de vista de Ramos (2007) e Barros et al (2010), o mercado de trabalho tanto pode revelar quanto gerar desigualdades. De modo geral, a desigualdade em remuneração do trabalho é apenas “revelada” pelo mercado de trabalho, traduzindo as diferenças pré-existentes em produtividade, devido a dotações desiguais de qualificações entre trabalhadores e postos de trabalho. Contudo, o mercado “gera” desigualdade ao remunerar diferentemente indivíduos que possuem, em princípio, um mesmo potencial produtivo, e trabalham em postos de trabalho similares, seja por discriminação ou por segmentação. Os diferenciais decorrem de discriminação quando o mercado remunera de forma diferenciada homens e mulheres ou brancos e não brancos de produtividade equivalente; por segmentação, quando remunera de forma diferenciada trabalhadores que são perfeitos substitutos uns dos outros na produção, mas que ocupam postos em distintos segmentos do mercado de trabalho.

Seguindo esse raciocínio, também no Brasil tem se ampliado o interesse pela conexão entre a qualidade das combinações trabalhador-ocupação e o ajustamento do mercado de trabalho, passando necessariamente pela determinação da incidência de incompatibilidades e seus efeitos sobre os rendimentos e a mobilidade dos trabalhadores.

Santos (2002) utilizou dados extraídos da PNAD, referentes aos anos 1992, 1995, 1997 e 1999, para analisar a ocorrência de overeducation e estimar seus efeitos sobre os salários no mercado de trabalho brasileiro. Utilizando-se a medida do desvio padrão indicada por Verdugo & Verdugo (1989), as proporções de trabalhadores sobreeducados oscilaram entre 19,76% em 1992 e 19,58% em 1999, enquanto pelo critério modal constatou-se a tendência de crescimento do fenômeno, com 28,27% em 1992, chegando a 31,95% em 1999. Na incidência por sexo, verificou-se que as mulheres são mais sobreeducadas do que os homens. Os

prêmios salariais associados à sobreeducação e à subeducação confirmaram as predições da teoria, encontrando-se prêmio salarial negativo para sobreeducação (média de -21%) e prêmio salarial positivo para subeducação (média de 26,55%). Corroborando os modelos de discriminação salarial, verificou-se que as mulheres auferem prêmios salariais menores que os homens, tanto as sobreeducadas quanto as subeducadas. Quanto à distribuição espacial do fenômeno, verificou-se significativa dispersão nas proporções, mostrando mais sobreeducados nas regiões Sudeste e Sul, contrapondo-se à maior ocorrência de subeducados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Analisando-se a dispersão regional dos prêmios salariais para os sobreeducados, o Nordeste apresentou prêmios bastante próximos dos registrados para o Sudeste, mas sempre menores. A Região Sul liderou o ranking no período (exceto em 1992, quando é superada pelo Sudeste). No caso da subeducação, a Região Sul também apresentou prêmios mais altos, com exceção do ano de 1997, quando superada pela Região Sudeste; a Região Nordeste apresentou resultado inesperado (anomalia) no ano de 1992 com prêmio negativo, seguindo nos demais anos a tendência de acompanhamento do prêmio salarial da Região Sudeste.

Machado, Oliveira & Carvalho (2004) enfatizaram a demanda enviesada por qualificação e o crescimento sistemático da escolaridade média da oferta de mão- de-obra. A amostra analisada foi extraída das PNAD’s de 1981 a 2001, composta por indivíduos em ocupações e atividades não agrícolas, urbanas, entre 21 e 65 anos de idade. Também mensuradas pelo desvio padrão, as incompatibilidades calculadas cresceram de 11,42%, em 1981, para 32,92, em 2001, constatando ainda o descolamento da taxa de incompatibilidade feminina em relação à masculina, refletindo o crescimento da participação da mulher no mercado de trabalho e o aumento do nível de escolaridade média das mulheres. Foi ratificada a evidência de relacionamento inverso entre a taxa de incompatibilidade e a idade, devido principalmente aos ganhos de experiência ao longo do ciclo de vida. A análise por grandes regiões revelou que o Nordeste e o Norte são as regiões com menores taxas de incompatibilidade. Os setores de atividades mais afetados pela ocorrência de incompatibilidades foram os serviços distributivos (comércio e transportes) e a indústria moderna. Dentre os grupos ocupacionais, o comércio apresentou a maior taxa de incompatibilidade, seguido por transporte/comunicação e serviços.

desagregação regional, destacando resultados para o Estado de São Paulo, maior mercado de trabalho entre os Estados brasileiros, e para as Grandes Regiões, por gênero e por grupos de ocupações. As incidências foram obtidas por Job Analysis, e também foram estimados os retornos para a educação requerida, sobreeducação e subeducação, a partir dos dados do Censo 2000. Nos resultados, sobressaíram os baixos níveis de escolaridade dos brasileiros no final da década de 1990; a taxa de subeducação era de 53%, enquanto a sobreeducação, 17,3% dos indivíduos ocupados. Os números encontrados para as Grandes Regiões também corroboravam as desigualdades educacionais existentes, com maiores proporções de adequados e sobreeducados nas regiões Sudeste e Sul e alta subeducação para o Nordeste (aproximadamente 60% dos ocupados).

Segundo Esteves (2009), parece haver um padrão de resultados nas evidências empíricas indicando que os retornos da educação requerida são maiores que os retornos sobre escolaridade obtida. Entretanto, têm surgido críticas de que tais regularidades foram obtidas mediante estudos para os mercados de trabalho como um todo, e que de algum modo seriam influenciados pela seletividade do matching entre trabalhadores e firmas. Diante disso, Esteves (2009), testou a hipótese de que os retornos da sobreeducação, da educação requerida e da subeducação seriam um firm wage effect, ou seja, propôs solucionar o problema da seletividade de matching mediante a utilização de informações de uma única empresa. Para isso, aplicou a medida de Realized Matches para cada uma das ocupações (3 dígitos CBO) de uma grande empresa industrial brasileira, para os anos de 1996, 1997 e 1998. Seus resultados ratificaram fatos estilizados. Os homens constituem a maior fração da mão-de-obra empregada; apresentam maior tempo de emprego; são mais velhos e dispõem de menos anos de escolaridade. Quanto às incompatibilidades, as mulheres apresentam maiores (menores) percentuais de sobreeducação (subeducação). Os coeficientes obtidos nas análises dos retornos reforçaram as regularidades da literatura, tanto pela especificação de Duncan & Hoffman (1981) quanto pela de Verdugo e Verdugo (1989), confirmando que a educação requerida pode ser mais bem remunerada que a escolaridade obtida. Assim, não foram confirmados os argumentos de que os retornos perderiam significância após o controle do firm wage effect.

Cavalcanti, Campos & Silveira Neto (2009) evidenciaram as diferentes variáveis observáveis associadas às incompatibilidades e ao ajustamento adequado

do trabalhador brasileiro, buscando explicar o papel das diferentes variáveis de demanda e oferta de trabalho na determinação das diferenças de mismatch entre a Região Nordeste (mais pobre do país) e a Região Sudeste (mais rica do país). Os resultados foram obtidos a partir de uma amostra de 408 famílias ocupacionais da CBO-Domiciliar da PNAD 2007, indicando 22,8% dos brasileiros como sobreeducados e 27,7% como subeducados. Entre as regiões, destacaram os dois extremos na distribuição do mismatch: o Nordeste com a mais alta proporção de subeducados (32,8%) e a mais baixa proporção de sobreeducados (19,6%); o inverso sendo verdadeiro para o Sudeste, menor proporção de subeducados (25%) e maior de sobreeducados (24%).