O presente estudo lançou-se às possibilidades de apreender recortes da subjetividade que envolve os sujeitos ostomizados, utilizando para isso uma abordagem quanti. Foi bastante desafiador a construção de um trabalho numa perspectiva metodológica que, na época, ia à contramão das pesquisas desenvolvidas até então na área da estomaterapia; uma sinalização a esse encontro de métodos vai ocorrer, ainda que de forma bastante discreta, na literatura internacional nos anos de 2009 e 2010, e depois só nos anos de 2013 e 2014, quando também começam publicações nacionais nesse sentido.
Com a análise dos dados conseguiu-se demonstrar uma correlação moderada, positiva e estatisticamente significativa entre as variáveis de satisfação com a imagem corporal, no tocante ao aspecto da aparência, e a autoestima; permitindo inferir que embora a maioria dos ostomizados estivessem insatisfeitos com sua aparência, possuíam elevados níveis de autoestima.
Logo, distúrbios na Imagem Corporal ainda constituem nós críticos a serem cuidadosamente observados por profissionais de saúde que cuidam de indivíduos ostomizados, uma vez que as impressões que o indivíduo tem do próprio corpo são geradoras de paz ou sofrimento psíquico. Entretanto, ao que parece com os dados da pesquisa, é que tais indivíduos acabam por redirecionar suas preocupações para outras áreas de suas vidas capazes de lhe trazerem algum bem-estar e, consequentemente, melhorarem sua autoestima, como uma maneira compensatória ante as alterações na aparência que a ostomia os impõe a conviver.
Outro dado interessante é o expressivo número de homens em comparação ao de mulheres na constituição da amostra, isso revela que aqueles vão mais à instituição, se
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engajando, pois no tratamento adjuvante, e estando mais predispostos às inter-relações pessoais, logo, esses são indícios de uma maior ressocialização para o grupo masculino.
Quanto às limitações do estudo, estas estiveram voltadas mais para o número amostral, pois embora tivéssemos um N representativo da amostra, percebeu-se que o quantitativo de sujeitos quando agrupados em suas características sócio-demográficas ou clínicas, nem sempre permitia uma distribuição normal favorável à aplicação dos testes estatísticos, de modo que tais variáveis acabaram se prestando apenas à caracterização dos participantes.
Desse modo, obtivemos uma amostra homogênea, embora não tenha sido possível estabelecer associações estatisticamente significativas entre suas variáveis sócio-demográficas e clínicas, com as de satisfação com a Imagem Corporal e a de Autoestima.
Uma grande dificuldade para a condução do estudo foi o acesso à população alvo, quase que não se conseguiu atingir o número amostral devido à baixa adesão dos ostomizados à pesquisa. Próximo a findar o prazo de coleta, utilizou-se da estratégia de liberação dos instrumentos para os familiares levarem para os ostomizados responderem em casa; entretanto quando avaliado o quanto foram distribuídos, constata-se que muito pouco retornaram. Salienta-se ainda que os sujeitos que decidiam participar, eram os que se mostravam fisicamente bem e sem nenhuma limitação à primeira análise, além de terem sido recrutados numa instituição de apoio, aqueles que tinham um maior comprometimento do estado geral rejeitavam de imediato o contato; logo isso pode indicar um viés para uma amostra de sujeitos já reabilitados.
O fato de o local de recrutamento ser uma instituição de apoio talvez possa explicar os níveis elevados de autoestima predominante na amostra, já que isso contraria a literatura utilizada como fonte comparativa, em cujos estudos tal etapa geralmente
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ocorria a nível ambulatorial em hospitais, espaço este que possui outra simbólica sobre o processo saúde-doença. O que nos faz refletir que o real papel da instituição seja mais simbólico mesmo, haja vista no período de coleta de dados as atividades que lá funcionavam eram basicamente a entrega de material e consultas com a enfermeira.
Parece que o simples fato de frequentar um mesmo espaço que outros semelhantes seus, e nos curtos períodos de tempos em que aguardam por algumas das atividades, o diálogo que emerge naquela sala de espera, nos quais o reforço positivo e a troca de experiências são sempre presentes, surgem como elementos motivadores no processo de enfrentamento.
Os instrumentos se mostraram bastantes simples de serem operacionalizados, e eficazes em mensurar os aspectos em análise, todavia as escalas por si só não dão conta de abranger toda a subjetividade que possa ser expressa na fala dos sujeitos. Desse modo, recomenda-se que elas sejam incorporados sim na prática dos profissionais que assistem os ostomizados, contudo sua utilização não deve ficar restrita a cálculos de escores, mas devem servir para enriquecer as possibilidades de compreensão desses sujeitos, estimulando a uma relação dialógica que não fique engessada, ou seja, que cada item das escalas possa dar vasão aos sentimentos desses indivíduos, e que o profissional possa qualificar sua escuta para que intervenções no sentido da reabilitação sejam mais eficientes e eficazes.
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Simas, J. P. N., Macara, A. & Melo, S. I. L. (2014). Imagem corporal e sua relação com peso e índice de massa corporal em bailarinos profissionais. Rev. Bras. Med. Esporte, 20(6), 433-7. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/rbme/v20n6/1517- 8692-rbme-20-06-00433.pdf.
Siqueira, A. J. (2011). As representações do corpo na idade média. Vivência, 33, 49-58.
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Sun, V. et al. (2013). Surviving Colorectal Cancer: Long-Term, Persistent Ostomy- Specific Concerns and Adaptations. J Wound Ostomy Continence Nurs., 40(1), 61- 72. Recuperado de: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3536890/.
Teixeira, J. A. C. (2004). Psicologia da Saúde. Análise Psicológica, 3(XXII), 441-448. Recuperado de http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/aps/v22n3/v22n3a02.pdf.
APÊNDICE I:
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES.
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA. Questionário Geral Estruturado
Nome (Iniciais): __________ Sexo: ( )Feminino ( )Masculino Idade: ________________ Estado Civil: __________________ Escolaridade em anos: ________________________
Profissão: ________________________________________ Renda Familiar: ________________________________
Zona de residência ( )Natal ( )Interior: _____________________ Religião:
É crente em alguma religião? ( )Não ( )Sim Qual?________________ Se sim, é praticante? ( )Sim ( )Não ( )Não se aplica
Questões sobre o estoma:
Tipo: ( ) Colostomia ( )Ileostomia Causa: ______________________
Critério de permanência: ( )Definitivo ( )Temporário Duração da ostomia: Anos_______ Meses_______
ANEXO I
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES.
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA. Escala de Satisfação com a Imagem Corporal
Fator 1: Escala de Satisfação com a Aparência – ESA
Este questionário contém uma série de afirmativas sobre como você se sente em relação a você mesmo (a). Indique, por favor, o número que mais corresponde a seus sentimentos, segundo a escala reproduzida abaixo. Responda de acordo com a primeira ideia que lhe vier à cabeça. Suas respostas para cada item serão anônimas.