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Kültürel Çeşitlilik Karşıtlığı: Modernleşme ve Ulus-Devlet

BÖLÜM 2. KURAMSAL VE KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.1. Kültürel Çeşitlilik (Çokkültürlülük)

2.1.1. Farklı Kültürleri Bir Arada Tutma Siyasal Teorisi: Çokkültürcülük

2.1.1.3. Kültürel Çeşitlilik Karşıtlığı: Modernleşme ve Ulus-Devlet

Figura 19 – Foto aérea do núcleo São Dimas Fonte: SEMUTTRAN (2000)

Segundo dados da SEMDES, a ocupação deste núcleo ocorreu em meados da década de 1970, mais precisamente em 1976; iniciou-se com algumas famílias e, logo depois, somaram aproximadamente 40.

A favela está situada no Bairro Piracicamirim, Região Sul do município, apontada como região de crescimento devido às suas características propícias. Embora haja muitos loteamentos populares e, num passado não muito distante, existissem outros, porém poucos núcleos, atualmente este é o único núcleo de favelas existente nessa região. (Ver Anexo 07)

A área ocupada fora reservada ao sistema de lazer – praças e jardins – do loteamento denominado Jardim Bandeirante, aprovado pela Prefeitura através do processo administrativo nº 4.075/59. O referido sistema de lazer

encontra-se subdividido em 3 áreas, sendo 2 com 4.050m2 e 1 com 1.805 m2. Vale

informar, ainda, que uma das áreas de 4.050m2 e a outra com 1.805m2 situam-se

aproximadamente a 120m de frente para a Rua São Dimas, daí a denominação do núcleo.

Em 1960, através da escritura de doação do 1º Tabelionato da

Cidade de Piracicaba, as referidas áreas, num total de 9.905m2, juntamente com

as áreas reservadas ao sistema viário do loteamento, foram doadas ao município, com base na Lei Municipal nº 841, de 28 de dezembro de 1959, passando à categoria de área pública de bem comum do povo.

A área do referido loteamento foi destacada da transcrição nº 22.073, livro 3J do registro competente da Comarca, sendo que as áreas que passaram a integrar o bem público foram transcritas sob nº 22.829.100

O outro sistema de lazer de 4.050m2, com frente para a Avenida Frei Tomé de Jesus, bem próxima ao Ribeirão Piracicamirim, também estava ocupado por uma favela que se denominava Jardim Maracanã. Porém, em meados de 1993, os moradores da área foram removidos para o loteamento Jardim Vitória.

As áreas públicas destinadas aos sistemas de lazer, porém ocupadas, não tiveram suas matrículas descritas e abertas junto ao Serviço de Registro de Imóveis. A ocupação do núcleo aconteceu não só nas áreas reservadas aos sistemas de lazer como também em parte da Rua São Dimas.

Hoje, moram no núcleo cerca de 40 famílias, ou 150 pessoas, em sua maioria adultos e adolescentes. A maior parte da população do núcleo mora lá há mais de 20 anos.101

Conforme referência de moradores do núcleo, entre 1989 e 1990 o poder público municipal implantou as redes de água, esgoto e energia elétrica no local, reconhecendo, assim, o ilegal.

Se não fossem a falta de pavimentação asfáltica e as características de algumas construções, o núcleo se confundiria com o restante do loteamento, pois praticamente 100% das moradias são em alvenaria, e os lotes, ou a dimensão que cada imóvel ocupa, não é menor, em sua maioria, do que 5m de frente por 20m de fundos.

100 A transcrição nº 22829 tem as seguintes características e confrontações:”uma área de terreno

com trinta e nove mil, seiscentos e trinta e quatro metros e cinco decímetros quadrados (39.634,75m2), área essa que se destina: 9.505 metros quadrados a jardins e praças e 29729,75

metros quadrados às vias públicas denominadas Paulo de Mattos, José de Campos Camargo, José Batista Carvalho Neto, Jacob Wagner, São Dimas, Pedro Ferrari, Prof. Nelson Camponez do Brasil, Bento Ferraz de Arruda e Av. Frei Tomé de Jesus, no Loteamento denominado Bandeirantes”.

101 Dados conforme pesquisa de campo realizada em janeiro de 2004 pela equipe de regularização

No entorno, num raio de aproximadamente 2km, existem vários equipamentos comunitários, como pronto socorro, escolas, terminal de ônibus, além de muito comércio e serviços – supermercados, lojas, padarias, farmácias, agências bancárias e outros.

Elencada como uma das metas prioritárias pela diretoria da EMDHAP, no mês de março de 2004, 31 famílias lá residentes receberam o Título de Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia, cujo teor estabelece basicamente que o concessionário exerce a posse sobre o imóvel descrito no objeto do referido título há mais de 5 anos, e declara que a área que ocupa não é superior a 250 m2.

Porém, o termo não é acompanhado por planta de situação ou do parcelamento do solo. Entre outros, o título é gratuito e com prazo indeterminado, enfatizando a impossibilidade de dar ao imóvel diferente destinação da residencial.

Em sua clausula 7ª dispõe que a concedente executará os serviços de regularização fundiária através de serviços de levantamento planialtimétrico- cadastral, topográfico e todos os demais atos necessários à individualização e registro do parcelamento urbano, sem qualquer custo ao concessionário, dentro do plano de ação proposto pela concedente. Porém, esses serviços não foram executados até o final da pesquisa e, não foram definidos os prazos para o cumprimento do disposto neste artigo.

Assim, adiam-se o projeto e a aprovação do parcelamento, ou seja, transfere-se o problema para futuras administrações e tenta-se auferir os lucros políticos, já que essa maneira de concessão é mais ágil do que com a individualização dos lotes.

Conforme informações, tanto dos moradores do local como da própria EMDHAP, e pesquisa feita nos Serviço de Registro de Imóveis, os referidos títulos de concessão ainda não haviam sido encaminhados para registro até o final de 2004.

Além da distribuição de títulos de concessão, foi solicitada ao governo federal verba através do Programa de Subsídio à Habitação, que visa, entre outros, a melhorar a condição das moradias em núcleos de sub- habitação – até o final desta pesquisa tal recurso não havia sido viabilizado.

Quadro 3. Resumo do núcleo São Dimas

Localização

Loteamento Jardim Bandeirante Bairro Piracicamirim

Região Sul

Número de famílias Aproximadamente 40 Tempo de Ocupação Aproximadamente 25 anos

Infra-estruturas existentes Redes de água, esgoto, energia elétrica e iluminação pública.

Situação jurídica da área Área pública da categoria de ”Bem Comum do Povo” Legislação municipal

específica de regularização fundiária para a área

Decretos Municipais nºs 10.178/03; 10.654/04;10.681/04 (baseados no E.C. e na MP nº 2220/01)

Fase em que se encontra no processo de regularização (dezembro/04)

Receberam o Título de Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia, porém sem definição cadastral junto à Prefeitura e registro dos mesmos em cartório.

Tipo predominante das

residências Alvenaria

Situação (desenho) urbana do

núcleo Bom, porém com necessidade de intervenções principalmente na drenagem de águas pluviais, nas calçadas e pavimentação.

Recursos Administrativos

Recursos Financeiros EMDHAP Não houve

Necessidades para conclusão do processo de regularização

Priorização

Coordenação efetiva

Equipe especializada e multidisciplinar Levantamento planialtimétrico-cadastral Participação popular Instituição de ZEIS Desafetação * Projeto de regularização Aprovação e registro

Comercialização com os ocupantes

* principalmente se continuar com o processo de regularização definitivo, ou seja, até a regularização de títulos de propriedade.

Figura 20 – Parte superior da favela São Dimas Fonte: Silvia Maria Morales Funes

Figura 21 – Parte inferior da favela São Dimas Fonte: Silvia Maria Morales Funes