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2.4. Örgütsel Bağlılık Düzeyini Belirleyen Faktörler

2.4.2. Örgütsel Faktörler

2.4.2.10. Örgüt Kültürü

Durante os cincos anos que Pasolini colaborou com a revista Vie Nuove, foram publicadas mais de 130 edições da sua coluna, mesmo com as diversas pausas e interrupções, como, por exemplo, durante todo o ano de 1963 e boa parte de 1964. Duas coletâneas destas crônicas publicadas na Itália, Le belle bandiere (1977)73

e Saggi sulla politica e sulla società (2006)74

, serviram como base para a seleção dos 48 textos apresentados neste trabalho, cujo principal critério utilizado foi a relevância dos assuntos tratados em cada crônica para um 71

Cf. Mais uma despedida. 72

Belloccio, op. cit., p. XIV. 73

PASOLINI, P.P. Le belle bandiere: Dialoghi 1960-1965. Org. G.C. Ferretti. Roma: Riuniti, c1977. 74

PASOLINI, P.P. Saggi sulla politica e sulla società. Org. W. Siti e S. De Laude. 4 ed. Milano: Mondadori, 2006.

leitor brasileiro de hoje. Assim, alguns textos, mesmo que muito relevantes dentro do contexto italiano ou dentro do contexto da obra de Pasolini, foram excluídos por tratarem de temas muito específicos da Itália ou de difícil compreensão para o leitor brasileiro. No entanto, além do critério de relevância para um público brasileiro, também foram selecionados alguns textos importantes por documentarem momentos oportunos do relacionamento desenvolvido por Pasolini com seus leitores.

Na edição do livro Le belle bandiere, as crônicas foram organizadas cronologicamente e publicadas do mesmo modo como apareceram na revista, com as cartas dos leitores seguidas pelas respostas de Pasolini. A cada semana uma ou mais cartas eram escolhidas para serem respondidas, a critério do próprio Pasolini ou da direção da revista.

O volume organizado por Ferretti incluiu a maior parte dos textos publicados por Pasolini na coluna. No entanto, a consulta ao volume Saggi sulla politica e sulla società foi absolutamente necessária, pois este volume, que compila uma ampla gama de textos jornalísticos publicados por Pasolini em toda sua carreira, faz parte da coleção I Meridiani, da editora Mondadori, em sua edição dedicada a Pasolini que reúne, em diversos volumes, sua obra completa e totalmente revisada. Estes volumes constituem-se hoje na mais recente e completa edição da obra de Pasolini publicada na Itália. Além dos dois volumes citados, existe também uma compilação completa dos textos publicados na coluna Dialoghi con Pasolini no volume I dialoghi75

, organizado por Giovanni Falaschi em 1992, a qual, no entanto, não foi utilizada como referência neste trabalho.

No final deste trabalho foi inserido um Índice de Referência que indica as referências aos originais de cada crônica traduzida. Pois, mesmo que o volume Le belle bandiere tenha sido usado como base para a seleção das crônicas incluídas neste trabalho, por incluir um maior número de textos, sempre que possível foi utilizado o volume de 2006 como texto-base para a tradução. O volume de 2006 também apresenta algumas crônicas não incluídas na seleção de Ferretti de 1977.

Os textos selecionados foram, por sua vez, agrupados em três grandes blocos temáticos: Literatura, Cultura e Política e Sociedade. O primeiro bloco reúne as crônicas nas quais Pasolini discute questões de “Literatura”, principalmente sobre a produção literária na Itália no período após a II Guerra Mundial, o uso dos dialetos, a importância da ideologia do escritor e outras literaturas europeias em destaque naqueles anos, como a russa. No segundo bloco foram reunidos os textos que versam sobre temas de “Cultura”, como cinema, principalmente sobre as próprias obras de Pasolini, mas também sobre filmes de outros 75

PASOLINI, Pier Paolo. I Dialoghi. Roma, Riuniti, 1992.

cineastas lançados na época, além de temas como religião, sexo, censura, a imprensa na Itália e o crescimento dos meios de comunicação de massa, impressões de viagens e poesias publicadas pelo autor na sua coluna ao longo dos cinco anos de colaboração. O último bloco será dedicado aos temas gerais de “Política e Sociedade”, onde Pasolini discute com seus leitores sobre o renascimento do fascismo, o advento do neocapitalismo, o futuro do marxismo e a crise mundial dos Partidos Comunistas.

A ordem cronológica de publicação dos textos foi mantida dentro de cada bloco temático, assim como a estrutura de publicar a carta do leitor, seguida pela resposta de Pasolini e pela data de publicação. Os títulos dos textos originais (quase todos redigidos pela redação da revista Vie Nuove, conforme se explica na introdução de Le belle bandiere76

) foram mantidos, com exceção dos textos que não tinham título, os quais foram intitulados da maneira mais neutra possível.

Os comentários do tradutor não pretendem se limitar a elucidar dificuldades lingüísticas ou pontuais acerca de nomes e lugares citados, mas explicitar contextos sociais, culturais e políticos específicos relacionados com os temas discutidos, buscando referências históricas e contextualizadas.

A tradução comentada ocorre através de pequenos textos explicativos inseridos no início de cada crônica, em forma de notas de rodapé. Nestes comentários iniciais estão as mais importantes referências históricas e factuais relacionadas ao texto e aos assuntos que nele são discutidos, servindo como base para o início da leitura e facilitando sua legibilidade ao evitar a inserção de inúmeros comentários ao longo do texto. Mesmo assim, na maior parte das vezes foram necessárias inserções de notas de rodapé adicionais.

Mesmo com a ideia estabelecida desde o início de realizar uma tradução comentada deste trabalho, a necessidade intrínseca da presença dos comentários, junto ou dentro do texto traduzido, foi se consolidando com o andamento dos trabalhos da tradução propriamente dita, quando a maior parte das dificuldades, cada vez mais complexas, estava quase sempre relacionada com a compreensão do contexto e do pensamento do autor, e não com questões linguísticas.

Para a redação destes comentários foram utilizados materiais diversos, desde livros de história da literatura italiana, história geral italiana e história mundial, até livros específicos sobre a vida e a obra de Pasolini. Também foram utilizadas como base as notas contidas nas coletâneas de 1977 e 2006.

Neste âmbito convém destacar a importância fundamental dos materiais consultados 76

Pasolini, 1977, p. 40.

no acervo do Centro Studi – Archivio Pier Paolo Pasolini, localizado na cidade de Bolonha, na Itália, no âmbito da Biblioteca da Cineteca del Comune di Bolonha. O material deste acervo foi doado em 2003 pela atriz Laura Betti, grande amiga de Pasolini, que desde a morte do escritor dirigia a Fundação Pier Paolo Pasolini, com o objetivo de difundir a sua obra através de encontros, seminários, publicações e mostras cinematográficas. Além de livros, filmes, monografias, vídeos e fotografias sobre e de Pasolini, este acervo também possui uma rica documentação de matérias de jornais, revistas e outros periódicos com textos de Pasolini ou sobre Pasolini. Estes materiais, divididos cronologicamente, foram especialmente úteis para este trabalho, principalmente as matérias publicadas entre os anos de 1960 e 1965. Algumas destas matérias de revistas e jornais foram citadas nos comentários desta tradução, pois foram consideradas úteis para a compreensão do contexto da época.

Entre os livros consultados neste acervo, convém destacar o volume Una strategia del linciaggio e delle mistificazioni: l'immagine di Pasolini nelle deformazioni mediatiche (Bologna: Tip. Moderna, 2005), organizado por Roberto Chiesi, diretor do Archivio Pasolini em Bolonha, e concebido primeiramente como catálogo de uma exposição organizada por este instituto. A exposição em questão mostrava, através de matérias e reportagens publicadas em jornais, como a imagem de Pasolini era manipulada pela imprensa, com especial destaque para o período entre 1960 e 1964 (período em que Pasolini escreve a maior parte das crônicas para Vie Nuove).