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C. Özel Çevre Koruma Bölgeleri ve Biyolojik Çeşitliliği Koruma Çalışmaları…

5. Köyceğiz-Dalyan Özel Çevre Koruma Bölgesi

Burnham se situa entre Lenin e Taylor. Não somente porque foi trostskista até 1933 e publicou The managerial revolution em 1940, porém - mais ainda - na medida em que retomou a idéia da importância da organização do trabalho, generalizou seus efeitos, integrou-os numa concepção economicista do poder e, no conjunto, respondeu a Marx com Taylor.

Como os marxistas poderiam negar que as condições da produção determinam a posse do poder político? E Burnham constatou a uniformização crescente das infra-estruturas no Hemisfério Norte. O taylorismo triunfa, da Califórnia aos Urais. O crescimento industrial, o ordenamento do mercado de trabalho e das riquezas, assim como a produtividade máxima, tornaram-se os valores das nações avançadas.

As sociedades modernas se estruturam então segundo uma nova hierarquia social, dominada pelos managers ("os organizadores").

Somente eses técnicos muito superiores possuem ao mesmo tempo competências t~cnicas, conhecimentos científicos e, sobretudo, capacidades psicológicas e sociais indispensáveis para dominar, já que "os seres humanos são instrumentos de produção tão importantes quanto as máquinas e é preciso saber manejá-los". O poder na sociedade não pertence aos financistas, muito especializados; não passou para as mãos dos técnicos de laboratório, cujo saber permanece excessivamente científico; é detido pelos organizadores, que coordenam o conjunto e dirigem o todo, inclusive os homens. Os managers já éxercem o poder real; é inelutável que se apoderam do poder legal (e, também aqui, os

marxistas não diziam outra coisa quando consideravam que, na monarquia francesa do século XVIII, os burgueses já detinham o poder).

A era dos organizadores culminará assim em um "regime ditiltorial", que triunfará por todo o mundo. As superestruturas variarão em função das tradições históricas; e Burnham considera apenas três dessas variações: a soviética (estatizada), a alemã (nacional-socialista)" e a americana (depois do New Deal).

Indicar quem detém o poder é conferi-Io a esse alguém? Se se responder afirmativamente, a distinção entre o cientista e o político desaparecerá. De resto, o fato de que Burnham acreditasse na vitória da Alemanha nacional-socialista não quer dizer que a desejasse. Também seria apressado convertê-lo no simples ideólogo dos managers. James Burnham inscreve-se antes na linha dos sociólogos desiludidos; e sua obra pretende ser, antes de mais nada, uma desmistificação do comunismo. Se o capitalismo está morrendo, o poder dos produtores é impossível. A liçãa política que disso resulta não deixa lugar a dúvidas: é inútil esperar a revolução socialista; acessoriamente, seria" reacionário empenhar-se na preservação do regime capitalista. Resta então um reformismo tecnocrático que levará ao management. Como observava Léon Blum, "a revolução será feita, mas a revolução ditatorial substituirá a revolução social e, no que toca à imensa massa dos proletários, que não farão mais do que mudar de senhor e de explorador, ela será feita para nada".

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

James BURNHAM. The managerial Revolutio1l (1940), trad. francesa: L'ere des organisaleurs, Calmann-Lévy, 1947 (com prefácio de Léon Blum); The Machiavelians, Delenders 01 Freedom (1943) (Lcs Machiavéliens, Calmann-Lévy, 1949).

D, J. K. Galbraith: "Onde você trabalha?"

A ascensào dos organizadores ultrapassa ° estreito quadro da empre~a. O manager de um partido, de uma administração ou de um sindicato participará na direção do regime ditatorial. Joho Kenneth

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Galbraith não desenvolverá essa generalização das teses de Burnham, na medida em que irá preferir analisar o sistema econômico americano.

O autor de O novo Estado industrial investiga as motivações desses novos responsáveis. Mais precisamente, ele pergunta que milagre faz com que suas motivações correspondam às das grandes empresas nas quais trabalham. Por que mecanismo osorganizadores querem o que o Estado- Cientista quer? O que impulsiona a tecno-estrutura? O dinheiro, muito pouco; as gratificações, mais; o "social-narcisismo'',l certamente. .

A rentabilidade econômica é legitimada pela consciência de trabalhar numa empresa poderosa: MA grande sociedade [...) cont.nua a ser o símbolo do sucesso e do êxito na ordem da civilização. Ela transmite esse prestígio a seus membros: vale mais, eviul:ntemente, pertencer à General Motors ou à Western Eletric do que ser um iso.ado. A pergunta que automaticaml:nte se fazem dois homens que acabam de se conhccl:r na Flórida ou num avião é: 'onde você trabalha'?' E a tal ponto que, se es.se detalhe não for conhecido, o outro é um enigma; não se pode situá-Io num contexto; ninguém sabe que grau de consideração ele merece [...). [Se o mallagerJ capitu a diante da organização é porque essa faz mais por ele do que ele mesmo poderia fazer" (Le nc>uvel Elat industriel, Gallimard. 1968, p. 155).

o que vale para determinada multinacional vale igualmente para uma certa administração, mais ou menos apoiada. no mito do serviço publico. Apesar da persistência de algumas diferenças, a distinção entre público e privado torna-se cada vez mais anacrônica. Galbraith admite que cientistas e administradores se associam para constituir uma tecl!Uestrutura que governa. Notemos que as teses do economista americano prctendem ser críticas. Ele constata o desap.arecimento do liberalismo econômico e, com ele,. a eliminação do poder do capitalismo na empresa c do consumidor no mercado. A economi~ moderna é então dominada por algumas grandes firmas que invertem a lei da oferta e da procura c criam artificialmente necessidades irracionais a fim de aumentar indefinidamente o próprio crescimento. Além disso, a simbiose entre tecno..:strutura c burocracia permite ao conjunto apoderar-se de toda a sociedade.

U ma interpretação esquerdista poderia fazer de Galbraith um defensor do capitalismo monopolista de Estado. Uma leitura direitista

1 A exprl:ssão é de Eticnnc Allcmand. i/I Pour une élhologie générale. tese. Paris VIII, 1976.

veria nele um nostálgico da era liberal. Na verdade, o economista kcynesian~kennediano . prega uma reorientaçâo do papel do Estado, na qual a burocracia se dcstacaria das tecno-estruturas para satisfazer necessidades sociais. Galbraith, sobretudo, inscreve-se nessa série dc aijtores americanos que - com Daniel Bcll ou Zbigniew Brzezinski - vêcm na evolução dos Estados Unidos o futuro do mundo.

INDICAçõES BIBLIOGRAFICAS

John Kenne1h Galbraith A na ela opulência, 1961; O nVI'u ES/adu industrial, 1968 [00. bra~ileira, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1968].

Zbigniew Brzezinski. A revolução teclIetrõllica, 1971.

Daniel Bell, Les conlradictiolls culturel/es du capitalisme, PUF. 1979. E. A ideologia tecnoburocrática

Foram os mesmos sociólogos - americanos - que inventaram a expressão "sociedade pós-industrial" e proclamaram o fim das ideologias. É que o Estado-Cientista execra a ideologia - contestável, por natureza - e a política - que pressupõe oposição. Prefcre-Ihes a . gestão da sociedade pelos homens mais competentes.

Essa ideologia, que tende a se tornar dominante, tomou corpo nos anos 1930 e difundiu-se entre as elites em oposição à política tradicional. Para compreendê-Ia, talvez não seja inútil lembrar em que ela se definia contra a política, antes de ver como esse dualismo simplista desembocou em novos valores. Originariamente, portanto, temos .

duas orientações:

Uma salutar, a promover:

Ciência (verdadeiro) Administração (administrador) Inleresse geral Serviço público Neutralidade técnica Consenso (unidade) O Estado (o público) Permanência dos flmcionários

A outra nefasta, a eliminar:

Ideologia (falso) Pol ílica (político) Interesses particulares Opções parlidárias Compromissos sociais Divisões (conflitos) A Sociedade (o privado) Instabilidade dos governos

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Sob essa forma caricatural, a ideologia tecnocrática não tinha nenhuma possibilidade de triunfar. Apesar de seu modernismo, ela contradizia dc modo excessivamcritc brutal a lcgitimidade democrática de que os Estados Ocidentais têm também - e ainda - necessidade.

Portanto, ela se atenuou para melhor concordar com os novos valores dos governantes. A convergência foi facilitada por eventos históricos e transformações estruturais. Na França, a Resistência abalou as velhas elites, obrigou altos funcionários ao compromisso, desgostou a nova geração política dos partidos. 'Em menor medida. vinte e cinco anos mais tarde, o Maio de 1968 produzirá efeitos análogos sobre a nova vaga de enarcas.2 Além dessas importantes peripécias, a diversificação dos papéis do Estado implicou uma poJitização da administração, ao mesmo tempo ent que o fortalecimento do poder executivo favorecia uma funcionarização da política. Desde a Libertação, de resto, altos funcionários e dirigentes políticos são recrutados no mesmo viveiro, o da Escola Nacional 'de Administração. Os enarcas que se tornam políticos reivindicam o monopólio do saber sobre a técnica de decisão:

corno os altos funcionáários. eles são capazes de decidir. Os enarca~ que continuam administradores reivindicam a legitimidade representativa: o diretor de música do Ministério da Cultura representa os músicos melhor do que qualquer deputado saberia fazer; o intendente de Jura representa os jurassianos pelo menos tanto qu.anto o deputado que eles elegeram para a Assembléia Nacional.

No final das contas, os tecnodirigentes concordam no essencial.

A política política [Ia politique politicienne] e a administração executiva estão mortas. Viva o político [le polilique) e a gestão? As opções partidárias cedem lugar à resolução dos problemas. Revolucionários e conservadores são afastados em conjunto para deixar o caminho aberto aos animadores da mudança social. O Estado-Cientista será dirigido por negociadores e técnicos. Especialistas técnicos e técnicos da negociação podem se dar as mãos para decidir: o resto não passa de falatório.

2 -I!lIarques", no original. ou seja, pessoas formadas pela École Nationale d' Ad. ministration (ENA), que é conhecida por forneçer os quadros sup-:riorçs da admi. nistração pública na França. (N. do T.)

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

Daniel BeH, The End of Ideology, 1960 [ed. brasileira: O fim da ideologia, Ed. da Universidade de Brasília, Brasília, 1980].

Association française de Sciences politiques, Administratioll et poli tique en France sous Ia Ve. République, Presses de Ia FNSP, 1982.

J 'ariariolls aurour de l'idéologie de I'inrérêr général, vános autores, editado por J.-J. Chevalier e Danielle Loschak, PUF. 1979.

J.-J. Chcvalier e D. Loschak, Science adminisrrarive, LGDJ, 1978, 2 tomos. 3 . Os juristas, o direito e o Estado-Cientista

Taylor, Durkheim e Duguit foram contemporâneos. Os juristas são confrontados com o mesmo mundo com o qual se deparam engenheiros e sociólogos. O problema específico deles consiste em edifi-.

car uma teoria geral do' Direito compatível com esse mundo; em salvar a ciência jurídica, construindo-a. A tarefa é dura, tanto no Leste como no Ocidente: lá, porque Marx não se encarregou disso, limitando-se (por falta de tempo!) à crítica do direito burguês e não se. aventurando na edificação de um direito socialista; aqui, porque o Estado-Cientista surgiu e arntinou os belos sistemas do pensamento liberal, exigindo em seu lugar uma doutrina jurídica capaz de explicar e justificar o intcrvencionismo estatal. Ness.a tarefa tão difícil, OS juristas terão um relativo êxito; e isso por caminhos diferentes, dos quais os três principais são a sociologia, a lógica forma] e o materiaJismo.

A. Léon Duguit:

O socorro da sociologia

Duguit começa por uma subversão. Ele recusa o direito subjetivo, quer esse resulte do individualismo postulado pelo direito natural ou do ordcnamento jurídico criado pelo Estado. Toda metafísica jurídica é assim afastada: a regra do direito não provém nem da vontade individual, nem do Estado. É, antes de mais nada, uma regra social. O princípio da obrigação, que caracteriza o imperativo jurídico, decorre da norma social: é ela que dita a obrigação de respeitar a solidariedade

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social e de trabalhar para sua realização. Diante do Estado, e num primeiro momento. Duguit nào carece de audácia. Ele o descreve como um fenômeno de pura força, retirando-lhe assim qualquer legitimidade jurídica. Ao mesmo tempo, ele afirma também a submissão do Estado ao Direito: a força, por que é força, não pode fundar o Direito; portanto, ela pode apenas submeter-se a ele. Quanto à doutrina jurídica tradicional, atravessada pelo idealismo, por ficções individualistas e por intrincadas exegeses, ela se espantaria com a idéia de que o Direito e o Estado devem ser definidos a partir da realidade social.

Temores arcaicos, já que a dualidade de Estado e Direito termina por reforçar o Estado. Léon Duguit é incapaz de determinar a autoridade qualificada para precisar o conteúdo do direito, na ausência de um "ac~rdo geral das consciências". Seu sociologismo recai nos trilhos do direito natural, simplesmente substituído pelo direito objetivo: ou se supõe que o direito positivo lhe corresponde, o que, por princípio, justifica o que existe; ou então é preciso confrontar o direito positivo com o direito natural (ou objetivo). Mas quem realiza esse confronto?

O autor postula sabiamente que a lei positiva, emanada do Estado, beneficia-se de uma presunção de conformidade com o direito objetivo.

Duguit reencontra assim o idealismo jurídico respeitoso da ordem estabelecida; mas o que ele legitima é a nova ordem. Sua concepção sociológica do Direito, com efeito, liberta o Estado liberal dos .entrave::.

que o impediam de se converter em Estado-Cientista. O Estado não é mais uma potência soberana, mas uma "cooperação de serviços públicos" organizados e controlados pelos governos para cumprir funções de gestão. A potência estatal é menos comprometida do que justificada nesse seu novo impulso. A gestão dissimula a dominação e permite a intervenção do Estado em todos os domínios. INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

Léon DUGUrr, Trailé de droit conslitutionnel. Boccard, 3.a ed., 1927; rced. CNRS, em 3 volumes.

B. Hans Kelsen:

O Direito, o Estado, a norma

Se a sociedade sugere que não se deve matar, a norma jurídica não enuncia a obrigação de não matar. Ela somente ordena ao juiz que inflija uma sanção ao assassino. A sanção não é distinta da obri~ gação; e o Direito tampouco é dissociado do' Estado. O pensamento de Kelsen, muito racional, visa a construir a "teoria pura" do direito, libertando-o definitivamente de toda ideologia. O Direito é uma pirâmide de normas. "As normas jurídicas fOImam o objeto da ciência do direito ou, o que dá no mesmo, o direito é um sistema de normas." O Estado não criou o Direito. Não está submetido a ele. Ele é o Direito. Para fazer com que essa afirmação seja compreendida, o jurista austríaco compara o problema das relações do Estado éom o Direito ao das relações entre Deus e o mundo, notando que "foi preciso muito esforço para convencer o homem de que Deus não é mais do que a personificação da natureza, concebida como um sistema de leis". O Direito é uma ordem que tem como função regulamentar o emprego da força nas relações entre os homens; o Estado, também. Portanto, eles coincidem, já que "uma só e mesma comunidade social não pode ser constituída por duas ordens diferentes". A ordem estatal possui uma estrutura piramidal, pois "aparece. como uma série de graus jurídicos, uma hierarquia cujos diferentes estágios são ligados entre si pelo princípio da delegação". Cada norma é obrigatória na medida em que é conforme' a uma norma superior. Kelsen, assim, apresenta o Direito enquanto forma.

A teoria pura do Direito põe-se acima da ideologia, o que explica as numerosas oposições que encontrou. Um jurista democrata-cristão ou socialista fica indignado se alguém lhe sugere: "Hitler é o direito".

uin advogado conservador considera inconcebível que a República dos Sovietes seja considerada como uma ordem jurídica. As oposições foram particularmente veementes na França, já que a ideologia francesa há muito confunde as opções políticas e as análises jurídicas. Cada um deseja ter a legalidade de seu lado, incapaz pe se satisfazer com a legitimidade. A ciência jurídica, contudo, ironiza a "justiça" do Direito.

A norma jurídica pode muito bem ser injusta ou ilegítima: esse é um problema do político, não do jurista. Esse último considera apenas a coerência da 'pirâmide normativa.

Um primeiro obstáculo não tarda a surgir: a pirâmide deve certamente ter um topo, a norma superior deve se ligar a uma norma su-

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prema. Kelsen responde que se trata de uma norma hipotética ou "norma fundamental, hipótese necessária à ciência do Direito". Outra dificuldade: as normas estão contidas nos . textos e esses textos têm de ser objeto de uma interpretação. O órgão de aplicação escolhe dar um sentido ao texto., entre outros sentidos possívéis. Os sentidos ligam-se .

necessariamente ao conteúdo: o que quebra a estrutura da ordem jurídica, separada da sociedade. Kelsen, ao separar o direito da ideologia, corre o forte risco de reduzi-Ia a um formalismo abstrato. INDICAçõES BIBLIOGRÁFICAS

Hans KELSEN, Théorie pure du droit (1934). Dalloz. 1962; A democracia, 1923; Socialismo e Estado (1923).

C, Pashukanis e Vichinski: a dege~escência da teorkz marxista do direito

Pashukanis concorda com Kelsen quanto à especificidade da relação jurídica e à necessidade de levar em conta a forma jurídica enquanto tal. Ao contrário dos marxistas juristas, que completam a história das formas econômicas com algumas decorações jurídicas, e ao contrário dos juristas marxistas, que propõem uma história das instituições salpicada de luta de classes, Pashukanis busca uma teoria geral do direito.

Seu acordo com Kelsen, contudo, pára nisso, já que essa teoria geral irá se tornar materialista. Ela condena a teoria kelseniana por "voltar as costas a priori para as realidades efetivas, ou seja, para a vida social";

ela "cuida de normas sem se ocupar com ~ origem delas [...] ou com suas relações com quaisquer interesses materiais", O jurista soviético se esforça, portanto, para examinar o conteúdo material do direito através da história. Mas ele quer igualmente "dar uma explicação materialista da regulamentação jurídica como forma histórica determinada". Aparece-lhe então que as categorias jurídicai não são simples generalizações teóricas destinadas a ordenar uma matéria social sem vida nem história. Ao contrário, são a expressão de

formas sociais que organizam o comportamento de grupos sociais num contexto dado. O direito não nasce do Estado; nasceu das relações sociais. O Estado lhe confere clareza e estabilidade, mas suas premissas se enraízam nas relações materiais, nas relações de produção.

Pashuk:anis, desse modo, relaciona o direito com a economia, a ordem jurídica con1 a organização das classes sociais. Pode assim extrair dessa relação a conclusão política esperada, ou seja, de que o desaparecimento dos antagonismos de classe permitirá que a extinção do direito acompanhe a extinção do Estado.

Conclusão esperada, não por todos, não por muito tempo. O Estado stalinis~a não se extinguiu. A Constituição de 1936 diz que o Estado é "de todo o povo", ao mesmo tempo em que o reforça. Pashukanis foi eliminado em 1937.. Vichinski tornou-se o teórico soviético do direito.

O direito positivo deixa de ser um mal necessário em processo de extinção, uma sobrevivência do direito burguês, mas torna-se um direito de tipo novo. Vichinski justapõe as velhas banalidades ("um conjunto de costumes e de regras de vida em comum, confirmadas pela autoridade estatal") e o marxismo mais grosseiro ("um conjunto de regras de conduta que expressa a vontade da classe dominante"). Como coroamento do todo, temos a força: "Um e outro [são] garantidos pela força coercitiva do Estado." A coerção reconquista seus direitos; e a especificidade do Direito desaparace. Vichinski não se preocupa com ela. Preocupa-se, em troca, com a harmonização de suas teses com as de Stalin, segundo as quais a luta de classes desapareceu na União Soviética. Basta-lhe proclamar, nesse caso, que as leis soviéticas expressam a vontade do povo unânime, já que os eleitos para os sovietes o são por unanimidade, acrescentando que a vontade da classe operária "emerge da vontade do povo". O direito não é mais do que um instrumento acionado por uma vontade, a qual desliza progressivamente da classe para o Partido, do Partido para o Estado e do Estado para o Intérprete. O Gulag encontrou o seu direito.

INDICAÇÕES BIBLIOGRAFICAS

E. Pashukanis, La Ihéoâe générale d'l droil el Marxisme, EDI. 1970. Jean-Marie Vincent, Félichisme e/ soc.'é/é, Anthropos, 1973.

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4. As teorias do Estado-Cientista

Existem inúmeros "pensadores" do Estado-Cientista; mas, esquematicamente, é possível agrupá-Ias em dois tipos:

- por um lado, no coração da conivência entre Saber e Estado, os que - com talentos diversos - querem edificar a ciência do governo;

por outro, colocando-se dc1iberadamente fora dessa racionalidadc, os que querem elaborar a crítica do Estado-Cientista.

A análise sistêmica e, depois, as reflexões de Raymond Aron ilustrar50 o primeiro tipo; as da Escola de Frankfurt, o segundo.

A. A pilotagem sistêmica

Como suprimir o que há de político na política? Reduzindo-a a uma técnica entre outras. Substituindo a política pelo político. Há o que

faz parte do mecânico, do químico, do biológico, do cultural... Há também o que pertence ao político, já que os conjuntos sociais têm necessidade dc ser governados. Daí a metáfora náutica de