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Jung’ın Tip Sınıflaması ve Myers-Briggs Tip Göstergesi (MBTI)

Belgede ÖRGÜTSEL DAVRANIŞ (sayfa 46-49)

Além do retorno às arrematações em Lisboa a partir de 1736, medida postergada na capitania de São Paulo por dois anos, a Provedoria iria sofrer com a perda progressiva de várias fontes de receitas vinculadas aos territórios de Mato Grosso e Goiás. Por medida régia de 26 de janeiro de 1736 foram criadas as provedorias da fazenda de Goiás e Cuiabá, separadas da antiga provedoria de Santos e São Paulo. Com os conflitos pela Colônia de Sacramento e o envio de tropas paulistas para o Rio Grande em 1737 e 1738, somados à criação de novas intendências, a provedoria paulista viu-se em apuros com o pagamento dos oficiais militares e civis. Na década seguinte, os gastos com a criação do bispado agravariam ainda mais a situação financeira da capitania. Para remediar a falta de recursos da provedoria, foi decidido no Conselho Ultramarino, ao final de 1740, a remessa das sobras das provedorias de Goiás e Cuiabá para cobrir as despesas da provedoria paulista. Para Goiás, estipulou-se o envio anual de 8.000 oitavas de ouro ou 12:000$000 réis.228

A medida foi empregada apenas em 1746 e 1747, mas depois da criação da capitania de Goiás, desmembrando-a de São Paulo em 1748, a prática foi completamente abandonada.229 Segundo relato do provedor da fazenda, as remessas foram suspensas

pela divisão do novo governo e da necessidade de dinheiro alegada pelo governador de Goiás, d. Marcos de Noronha, premido tanto pela decadência das minas quanto pelas despesas com uma nova casa de fundição para arrecadação do quinto.230 Em 1760, o

governador de Goiás alegava a necessidade de cobrir as suas próprias despesas, não podendo remeter nada para São Paulo. O morgado de Mateus tentou inutilmente recuperar estas transferências durante o seu governo.231

228 AHU-SP, cx. 3, doc. 3. Lisboa Ocidental, 12 nov. 1740. Consulta do Conselho Ultramarino ao rei d. João V sobre o limitado rendimento da Provedoria da Fazenda Real de São Paulo, depois da criação das Provedorias de Goiás e de Cuiabá.

229 Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Arq. 1.2.6, Co. Ultr. v. 32, fl. 277v-280. Lisboa, 14 out. 1761. “Pede o provedor da Fazenda Real de São Paulo, que da Provedoria de Goiás, se lhe remetam cada ano duas arrobas de ouro”.

230 AHU-SP, cx. 4, doc. 18. Santos, 15 out. 1753. Representação do provedor da fazenda de Santos, José Godói de Moreira, ao rei d. José I.

231 DI, v. 72, p. 111. Santos, 20 out. 1765. DI, v. 35, p. 153-156. São Paulo, 6 ago. 1773. Ofícios de d. Luís Antonio de Sousa ao governador e capitão-general de Goiás.

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Embora o provedor da fazenda reclamasse em 1752 a redução de 26:000$000 réis ao longo do quinquênio anterior, as perdas foram menores do que o alardeado.232 A

diferença da receita entre 1748 e 1754 foi de 13:431$455 réis, portanto metade do valor declarado pelo provedor. Ainda assim, considerando-se a média anual das décadas de 1740 e 1750, houve uma grande perda dos rendimentos auríferos provenientes das novas capitanias, equivalente a 35% da receita total na primeira década (TABELA II.6). Em 1756, o provedor da fazenda queixava-se “que h[avia] muito que daquela do Rio de Janeiro se não remet[ia], e nem das minas dos Goiás, e Cuiabá v[inha] remessa alguma”. O resultado era o acúmulo de déficits, como o de 1755, quando se registrou a diferença negativa de 10:130$101 réis, o que representava 37% da receita total da provedoria naquela ano.233

Após a criação do Erário Régio, ao final de 1761, o destino das provedorias da fazenda nas capitanias sofreria dois processos concomitantes, embora deva ser ressaltado que a lei não previsse a extinção das provedorias. O primeiro ponto referia-se à inspeção das contas dos contratos anteriores, um fato talvez secundário na reorganização contábil da fiscalidade imperial portuguesa sob o modelo das partidas duplas, mas que permitiu um maior apuro no controle exercido sobre as dívidas dos contratos arrematados nas décadas antecedentes. Desta forma, ocorreria, nas décadas de 1760 e 1770, uma investigação em massa das atividades de todos os oficiais da fazenda nas capitanias. Além da pulsão extrativa por informações fiscais, as provedorias teriam seus poderes gradualmente dissipados e incorporados às Juntas da Fazenda.

232 AHU-SP, Mendes Gouvêa, cx. 20, doc. 1958. Santos, 23 ago. 1752. Carta do provedor da Fazenda Real de Santos, José de Godói Moreira, a d. José I.

233 AHU-SP, Mendes Gouvêa, cx. 21, doc. 2084. Santos, 24 jul. 1756. Carta do provedor da Fazenda Real de São Paulo e Santos, José de Godói Moreira, para d. José I. O déficit apresentado pelo provedor é maior, pois não considera a remessa da provedoria do Rio de Janeiro em 1755, cf. DI, v. 14, 22 set. 1765, p. 63- 67. No entanto, não foi possível averiguar se os valores das remessas registrados em 1765 referiam-se a quantias atrasadas.

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Tabela II.6. Rendimentos da capitania de São Paulo, décs. 1720-1750: médias anuais

(em réis)

1720 1730 1740 1750 Geral Dízimos 14:822$222 8:351$667 9:505$000 7:615$000 10:415$606 Passagens 961$220 1:908$940 1:837$910 1:675$000 1:615$044 Contrato dos subsídios 1:128$889 1:372$222 733$333 1:505$000 1:165$598 Rendimentos do sal 1:967$607 1:810$579 1:855$335 4:822$807 2:801$761 Direitos da metade das cavalgaduras - - 3:165$020 4:803$333 2:039$920 Contribuições do Rio de Janeiro 533$333 2:133$333 3:200$000 2:800$000 1:781$818 Novos direitos e donativos de ofícios 97$788 250$673 141$495 274$601 201$396 Consignação do contrato das baleias - - - 1:333$333 363$636 Ouro - 6:518$033 12:576$493 - 4:451$205 Outros 659$223 2:422$141 3:017$661 - 840$372 Total 20:170$282 24:767$588 36:032$247 24:829$074 25:676$357 (%) 1720 1730 1740 1750 Geral Dízimos 73 34 26 35 41 Passagens 5 8 5 8 6

Contrato dos subsídios 6 6 2 7 5 Rendimentos do sal 10 7 5 22 11 Direitos da metade das cavalgaduras 0 0 9 22 8 Contribuições do Rio de Janeiro 3 9 9 11 7 Novos direitos e donativos de ofícios 0 1 0 1 1 Consignação do contrato das baleias 0 0 0 6 1

Ouro 0 26 35 0 17

Outros 3 10 8 0 3

Total 100 100 100 100 100

Notas

(1) Os valores foram obtidos a partir das médias simples para cada década de acordo com o número de observações encontrado. (2) Os valores não foram deflacionados.

(3) Corrigi os valores para as remessas do Rio de Janeiro nos anos de 1754 e 1755, ausentes na documentação do Conselho Ultramarino.

(4) Uma vez que não havia uma estrutura normatizada de receitas, algumas rubricas foram agrupadas, contendo diferentes tipos de rendimentos:

Dízimos – dízimos da capitania de São Paulo e anexas e contrato dos dízimos de Cuiabá. Passagens – contrato das passagens, contrato das passagens antigas e contrato das passagens novas. Rendimentos do sal – sal de particulares e cruzados do sal. Contribuições do Rio de Janeiro – consignação do Rio de Janeiro, contribuição da Fazenda Real do Rio de Janeiro e contribuição da alfândega do Rio de Janeiro. Ouro – ouro das minas de Cuiabá e Paranapanema, ouro dos dízimos de Goiás e das minas do caminho de Cuiabá, ouro dos dízimos, novos direitos e chancelaria de Cuiabá. Outros – rendimento do subsídio cobrado pela Fazenda Real em 1725, dinheiro da Casa de Fundição de São Paulo por empréstimo pertencente às terças partes dos ofícios, dinheiro de pistolas, espingardas, barretes, direitos de escravos, confisco em Goiás, sobras do ano anterior, contribuição à Fazenda Real, dinheiro proveniente da Câmara de São Paulo e dinheiro reposto pelo ouvidor-geral.

Fontes

AHU-SP, Mendes Gouvêa: 1724/1725 – cx. 4, doc. 510. Santos, 30 jan. 1726. Carta do provedor da fazenda da vila de Santos, Timóteo Correia de Góis, a d. João V. 1726 – cx. 5, doc. 598. Santos, 8 jul. 1727. Carta do provedor da fazenda da vila de Santos, Timóteo Correia de Góis, a d. João V. 1731 - cx. 7, doc. 815. Santos, 20 fev. 1732. Carta do provedor da fazenda da vila de Santos, Timóteo Correia de Góis, a d. João V. 1732 - cx. 8, doc. 919. Santos, 20 ago. 1733. Carta do provedor da Fazenda Real da praça de Santos, Antonio Francisco Lustosa, enviando a d. João V a relação da receita e despesa da Fazenda Real dessa praça. 1733 - cx. 9, doc. 979. Santos, 24 fev. 1734. Relação feita pelo escrivão da Fazenda Real, José Ribeiro de Andrada, dos rendimentos da Provedoria da vila e praça de Santos, no ano de 1733. 1747/1748 - cx. 19, doc. 1831. Santos, 23 fev. 1749. Carta do provedor da Fazenda Real de Santos, José de Godói Moreira a d. João V. 1754 - cx. 21, doc. 2047. Santos, 8 mai. 1755. Carta do provedor da Fazenda Real de Santos, José de Godói Moreira para d. José I. 1755 - cx. 21, doc. 2084. Santos, 24 jul. 1756. Carta do provedor da Fazenda Real de Santos, José de Godói Moreira para d. José I. AHU-SP: 1757 – cx. 4, doc. 40 (AHU_ACL_CU_023, Cx. 5, D. 298). Santos, 15 jun. 1757. Carta do provedor da Fazenda Real de Santos, José de Godói Moreira, para o rei d. José I. Remessas do Rio de Janeiro: DI, v. 14, 22 set. 1765, p. 63-67. DI, v. 69, 6 dez. 1772, p. 344-347.

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A criação das Juntas da Fazenda retirava das Provedorias seu principal componente – o provedor – ao elegê-lo como mais um membro do corpo colegiado pertencente à instituição, a disputar sua influência com o governador, o ouvidor-geral e o tesoureiro-geral. Desta forma, praticamente extinguia a antiga administração fazendária. Tendo permanecido as arrematações dos contratos e as despesas a cargo da Junta, pouco restara à Provedoria a não ser alguma influência sobre a indicação de funcionários. Em 1770, transferiu-se para a Junta o poder de nomeação dos oficiais de cobrança e administração dos direitos dos contratos.234 A extinção da Provedoria foi

promulgada em 1774 juntamente com outras ações. Os livros e papéis da Provedoria, inclusive aqueles dispersos nas casas dos oficiais da fazenda ou justiça, foram arquivados na Junta. Além disso, os cargos relativos à administração e arrecadação das rendas, que fossem considerados desnecessários pela Junta, poderiam ser suprimidos.235

Se o legado institucional das provedorias foi facilmente incorporado ao novo modelo pombalino, tarefa mais difícil era o controle sobre os inúmeros contratos arrematados no Conselho Ultramarino. A insolvência dos contratadores e a permanência de dívidas são temas caros à historiografia fiscal sobre Minas Gerais. No caso da capitania de São Paulo, houve outros problemas com os contratos antigos. Embora os contratos estipulassem fiadores e a penhora dos bens dos contratadores em caso de insolvência das prestações anuais, a responsabilidade secundária pela cobrança dos contratos recaía sobre os oficiais da fazenda, especialmente os almoxarifes, que recebiam as parcelas pagas por cada contrato. Não consta da documentação consultada para a capitania de São Paulo nenhum exame das contas dos oficiais da fazenda antecedentes quando um novo provedor ocupava o cargo. Uma averiguação massiva das contas anteriores somente ocorreria com a criação do Erário Régio, embora tenha sido um processo bastante moroso, efetuado durante o período pombalino.

A lei fundamental de criação do Erário Régio ordenava aos contadores-gerais a entrega de dois balanços anuais ao inspetor-geral do tesouro, cargo inicialmente ocupado pelo próprio conde de Oeiras: um indicando as receitas e despesas das contadorias e outro as quantias existentes em caixa (tít. XV, §1). A medida incluía

234 AHTC, cód. 4061, fl. 55-56. Lisboa, 4 jul. 1770. Carta do conde de Oeiras, inspetor geral do Erário Régio, para a Junta da Fazenda da capitania de São Paulo.

235 AHTC, cód. 4061, fl. 88-89. AHU-SP, Mendes Gouvêa, cx. 33, doc. 2894. ANRJ, cód. 446, v. 1, fl. 103. Lisboa, 6 jul. 1774. Provisão do marquês de Pombal, inspetor geral do Erário Régio, para a Junta da Fazenda da capitania de São Paulo.

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obrigatoriamente os domínios ultramarinos, ficando a cargo dos provedores a remessa das contas.236 No entanto, percebeu-se que em São Paulo, as receitas e as despesas

recebidas nas contadorias-gerais não estavam separadas anualmente, sendo que várias rubricas incluíam diversos anos, prática que inviabilizava a feitura dos balanços anuais. Em 1766, ordenou-se ao provedor da fazenda paulista, seguindo recomendação igualmente empregada em outras capitanias, que refizesse as contas referentes aos quatro anos anteriores. A medida abrangia ainda a averiguação de parcelas devidas pelos contratadores. Mesmo as parcelas pagas deveriam conter os respectivos almoxarifes que as haviam recebido.237

Desta forma, procedeu-se a um inquérito inédito que revelava as “falhas” na forma de gestão dos contratos no período anterior ao Erário Régio. É interessante observar que, diversamente do caso mineiro, o maior problema enfrentado na capitania de São Paulo encontrava-se nos desvios realizados pelos almoxarifes da fazenda e não na insolvência dos contratadores. Uma vez que boa parte das receitas auferidas pela provedoria acabava sendo despendida na própria capitania, os mecanismos de controle do Conselho Ultramarino sobre os descaminhos dos almoxarifes eram muito débeis. Estes oficiais pouco conhecidos contavam com a anuência direta do provedor da fazenda e dos edis da câmara, que elegiam os almoxarifes e deveriam exigir fiança.

Ao longo de toda a sua carreira, a única grande denúncia feita contra o provedor José de Godói Moreira foi a de ter pago côngruas a párocos e coadjutores inexistentes em 1762. A acusação havia sido realizada pelo governador da praça de Santos, Alexandre Luís de Sousa Meneses, ao secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos, Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Apesar da denúncia, não houve consequências negativas para a carreira do provedor. Ademais, este viria a falecer em 1764, impedindo qualquer retaliação pelo Erário Régio.238

236 MENDONÇA, Marcos Carneiro de. O Erário Régio no Brasil. Rio de Janeiro: Ministério da Justiça, Serviço de Documentação, 1968. p. 189.

237 AHTC, cód. 4061, fl. 1-4. DI, v. 14, p. 221-223. Lisboa, 12 jul. 1766. Provisão do conde de Oeiras, inspetor geral do Erário Régio, para o provedor da Fazenda Real de Santos e São Paulo.

238 AHU-SP, Mendes Gouvêa, cx. 23, doc. 2172. Santos, 8 jun. 1762. Carta do provedor da Fazenda Real da capitania de São Paulo, José de Godói Moreira, para o ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo. AHU-SP, Mendes Gouvêa, cx. 23, doc. 2174. Santos, 25 jun. 1762. Carta do provedor da Fazenda Real da capitania de São Paulo, José de Godoi Moreira, para o secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos, Francisco Xavier de Mendonça Furtado.

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Após a morte de Moreira, o reinol José Honório de Valadares e Aboim foi indicado para ocupar o cargo, chegando à vila de Santos em 16 de outubro de 1765. Os bens do antigo provedor, dos almoxarifes e dos camaristas da vila, por elegerem almoxarifes sem fianças, foram sequestrados até que se procedesse à averiguação das contas anteriores pelo novo oficial. A medida incluía também os herdeiros de todos os envolvidos, caso os espólios não alcançassem as dívidas existentes. Segundo a maior estimativa encontrada, houve o desfalque de 53:319$603 réis entre 1737 e 1752. Os responsáveis pela maior parte do desvio eram os almoxarifes Bento de Castro Carneiro, Matias de Couto Reis e Pedro Fernandes de Andrade.239

Embora não tenha sido possível averiguar todos os contratos envolvidos, inicialmente o maior responsável pelos desfalques foi Bento de Castro Carneiro, cujas fraudes atingiram 37% do montante total devido pela provedoria. Dois contratos dos dízimos por triênios consecutivos e arrematados por Cosme Damião de Gouvêa e Manuel de Bastos Viana estiveram sob sua supervisão entre 1738 e 1744. Bento também foi fiel dos cruzados do sal, onde igualmente cometeu irregularidades. Apenas quanto ao contrato das passagens antigas de São Paulo entre 1744 e 1750 há dívidas dos contratadores, notadamente Francisco da Silva Lisboa e João Francisco. No entanto, estas dívidas representavam apenas 13% do montante avaliado.240

Injustamente, boa parte das dívidas ficou a cargo da herdeira e irmã do antigo provedor, Francisca de Siqueira, pois muitos dos devedores faleceram sem bens, ou então, ficaram impunes. Segundo um requerimento da representante de Francisca, eram “os principais devedores pessoas poderosas por si, e seus parentes; sendo esta a razão de se não proceder contra eles”. Um dos devedores, dizia, era procurador dos outros e servia de escrivão da Junta da Fazenda, “aonde por se salvar a si não cuida[va] no pagamento da Fazenda Real”.241

239 ANRJ, cód. 456, fl. 4. Rio de Janeiro, 6 set. 1764. Ofício do vice-rei do Estado do Brasil ao governador da praça de Santos, Alexandre Luís de Sousa Meneses. ANRJ, cód. 446, v. 1, fl. 133-136v. s.l., ant. 14 out. 1774. Requerimento de Ana Bárbara Ribeiro Leite, tutora de seus filhos menores e herdeiros de Francisca de Siqueira, herdeira a benefício de seu irmão José de Godói Moreira, à Junta da Fazenda de São Paulo.

240 Ver nota anterior e também ANRJ, cód. 446, v. 1, fl. 69-70. Lisboa, 21 ago. 1770. Ofício do conde de Oeiras à Junta da Fazenda de São Paulo. ANRJ, cód. 446, v. 1, fl. 71-71v. Lisboa, 22 ago. 1770. Ofício do conde de Oeiras à Junta da Fazenda de São Paulo. ANRJ, cód. 446, v. 1, fl. 75-76v. Lisboa, 28 ago. 1770. Ofício do conde de Oeiras à Junta da Fazenda de São Paulo.

241 ANRJ, cód. 446, v. 1, fl. 135v-136. s.l., ant. 14 out. 1774. Requerimento de Ana Bárbara Ribeiro Leite, tutora de seus filhos menores e herdeiros de Francisca de Siqueira, herdeira a benefício de seu irmão José de Godói Moreira, à Junta da Fazenda de São Paulo.

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Segundo o ouvidor da comarca de São Paulo, Salvador Pereira da Silva, os antigos almoxarifes da provedoria não buscavam o ofício pelo ordenado recebido, apenas 20$000 réis, mas para “negociarem, e distraírem os dinheiros de Sua Majestade, aplicando-os com dolo, e em grande prejuízo das partes para que eram destinados”. Conforme apontado pelo ouvidor, com a transferência do cofre da provedoria para a Junta na cidade de São Paulo não houve mais interesse em se ocupar o cargo de almoxarife.242

Por último, cabe observar que a nomeação de um reinol letrado para ocupar o cargo de provedor da fazenda representava uma mudança na política secular da Coroa portuguesa que tendia a privilegiar as famílias principais da terra. Faltam, contudo, informações a respeito de outras capitanias que permitam verificar a generalização desta prática. Em todo caso, os primeiros anos da década de 1760 são um momento crítico para a transformação na forma da Coroa lidar com os provedores, reduzindo sua autonomia e aumentando a supervisão sobre eles.

242 DI, v. 15, p. 43. Santos, 28 jan. 1766. Parecer do ouvidor e corregedor da comarca de São Paulo, Salvador Pereira da Silva, sobre o termo de junta sobre a mudança da provedoria, o cofre e seus oficiais para a cidade de São Paulo.

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