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A EA esteve presente na Cúpula dos Povos, na tenda denominada Cúpula das Águas e Florestas e em diferentes locais do espaço oficial, tendo como evento mais significativo a II Jornada Internacional de Educação Ambiental57.

É importante destacar a disputa política para que a EA tivesse protagonismo no processo da Rio+20, sendo necessário conquistar espaço no GA da Cúpula dos Povos, através da REBEA, o que garantiu decisões nas questões conceituais, programáticas e metodológicas, mas também possibilitava a estrutura para vinda de educadores ambientais para o evento, que incluiu transporte, alimentação e estadia, sendo disponibilizados esta condição para 400 educadores ambientais de várias regiões do Brasil.

A Cúpula das Águas e Florestas, cujo tema central foi diálogo inter-redes, teve como principal protagonista a REBEA e parceria da Rede Brasileira de Agendas 21 Locais (REBAL). As atividades ocorreram entre os dias 15 e 22 de junho (Figura 03).

No primeiro dia (15/06), no Museu de Arte Moderna (MAM), redes da malha da REBEA realizaram um diálogo inter-redes, com a proposta de pensar a rede e discutir uma agenda de lutas pós-Rio+20. Vários temas foram abordados, dentre eles, a aproximação das redes de EA de outros coletivos no âmbito global, pois nos territórios esta aproximação tem ocorrido.

Da mesma forma, foi proposto que as redes cobrem do MCTI a possibilidade das organizações da sociedade civil concorrerem em editais de pesquisa sobre educação ambiental. Neste mesmo dia, na Tenda, ocorreram debates sobre a Agenda 21.

57 I Jornada Internacional de Educação Ambiental - um dos encontros do Fórum Global (nome dado à constelação de eventos da Praia do Flamengo) atraiu cerca de 600 educadores e educadoras do mundo todo, que debateram uma agenda comum de ação e de onde saiu como produto principal o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, que colocou princípios e um plano de ação para educadores ambientais, bem como uma lista de públicos a serem envolvidos (desde organizações não governamentais, comunicadores; e cientistas, até Governo e empresas) e idéias para captar recursos para viabilizar a prática da EA. Além disso, contém proposta para fortalecer uma Rede de Educação Ambiental.

Figura 03 – Cartaz com atividades da REBEA na Cúpula dos Povos Fonte: http://www.meioambiente.ufrn.br/salaverdern/wp-

No segundo dia (16/06), ocorreu mais uma atividade da II Jornada Internacional de EA com o tema “Redes de EA em Diálogos para Sociedades Sustentáveis”, tendo como palco o Parque dos Atletas, o auditório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do RJ. O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis de Responsabilidade Global resultou da 1ª Jornada de Educação Ambiental realizada no Rio de Janeiro em 1992, durante o Fórum Global da Rio 92, paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Rio 92. O Tratado é um processo dinâmico em permanente construção que tem como diretriz básica o reconhecimento do papel central da educação na formação de valores e na ação socioambiental. Ele compromete-se com o processo educativo transformador com envolvimento de pessoas, de comunidades e nações para criar sociedades sustentáveis e equitativas.

Produzido durante mais de um ano de trabalho internacional, o Tratado contou com a participação de educadoras e educadores de adultos, jovens e crianças de oito regiões do mundo (América Latina, América do Norte, Caribe, Europa, Ásia, Estados Árabes, África, Pacífico do Sul) e foi inicialmente publicado em cinco idiomas: português, francês, espanhol, inglês e árabe. Além de servir de apoio à ação educativa, inspirou a criação de Organizações da Sociedade Civil e Redes de Educação Ambiental. Paulatinamente, o Tratado serviu de inspiração para políticas públicas de EA.

A II Jornada de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global propôs um novo processo, com novas demandas e responsabilidades. Ela foi assumida por ONGs brasileiras e internacionais e contam com apoios de governos, empresas, universidades e abre oportunidades para se mobilizar novos olhares sobre o Tratado de Educação Ambiental, mantendo sua característica participativa em âmbito planetário.

A principal ação resultante da Jornada foi o lançamento da Rede Planetária de Educação Ambiental para divulgar e fortalecer os princípios do Tratado. Segundo a coordenação da Jornada, a meta para a formação e estruturação da Rede Planetária é de três anos, e ao longo desse processo ocorrerão diversos espaços de diálogos. Está sendo criado um grupo facilitador internacional, e também será fomentada a criação de grupos por regiões em prol da estruturação da Rede Planetária de Educação Ambiental.

As universidades tiveram dois espaços na Tenda da EA. Com o tema “Tecendo Sonhos Enlaçando a Governança das Universidades em Redes - Rumo às Comunidades Sustentáveis” a REASul, Rede de Educação Ambiental do Paraná (REA-PR) e Rede de Educação Ambiental da Alta Paulista (REAP) estabeleceram um grande debate com propostas para a sustentabilidade das universidades. Já o Grupo Pesquisador em Educação Ambiental

promoveu a atividade “A pesquisa em educação ambiental nos programas de pós-graduação: contribuições das universidades para a educação ambiental na construção de sociedades sustentáveis”.

Após as rodadas de discussões e debates foram definidos quatro propostas58 para irem para as Plenárias de Convergência.

O espaço da REBEA foi onde às redes de EA e consequentemente, os educadores ambientais e as entidades enredadas puderam estar debatendo e afirmando a educação ambiental no processo da Cúpula dos Povos. Com protagonismo de nomes como Marcos Sorrentino, Marina Silva, Jacqueline Guerreiro e Moema Viezzer, a tenda reuniu educadores de diferentes períodos históricos da EA, provocando uma troca geracional que a todo o momento, fazia conexões entre a Rio 92 e a Rio+20.