• Sonuç bulunamadı

1. GİRİŞ

1.8. Zigoma İmplantları

1.9.13. İzotropik Cisim

Mas o evento que causou mais alvoroço nas fileiras da Igreja em 1933 ainda estava por vir. Ocorreu no dia 13 de novembro de 1933. Um dia após o povo alemão ter referendado por 95% a saída da Alemanha da Liga das Nações e da Conferência de Genebra sobre desarmamento, anunciada em 14 de outubro por Hitler, e dado 92% dos votos ao Partido Nazista – o único inscrito – na eleição para o Parlamento, em sufrágios que tiveram a

78 LUTZER, E., A cruz de Hitler, p. 160-162; MILNSTEIN, W., Dietrich Bonhoeffer: vida e pensamento,

p. 40-42.

participação de 96% da população, os “cristãos alemães promoveram um estrondoso comício no Sportplatz,80 em Berlim. Cerca de 20 mil pessoas estiveram presentes. A manifestação teve início com uma procissão solene das bandeiras nazistas. Em seguida, um coral acompanhado de uma banda de tambores, entoou alguns hinos, entre ele o da Reforma, “Castelo forte”. Orações de agradecimento a Deus pela revolução nazista foram feitas. A liderança do movimento foi ao palco proclamar que “os cristãos alemães” ainda não tinham alcançado todos os objetivos, e incitou o público a continuar perseguindo o inimigo, ou seja, os judeus, até que fugissem em confusão.

1.7.1 Pronunciamento de Reinhard Krause

Todavia, o discurso que causou maior repercussão e indignação, até mesmo entre alguns “cristãos alemães”, foi proferido por Reinhard Krause, líder de uma seita em Berlim e um dos dignitários do movimento. Ele iniciou sua prédica conclamando por uma nova reforma na Igreja alemã, sendo interrompido por aplausos. E continuou dizendo que para isso era necessário expurgar da Bíblia o Antigo Testamento, com sua ética de recompensa judaica e suas histórias de negociantes de gado e seus alcoviteiros; depurar do Novo Testamento os relatos supersticiosos e distorcidos, como os milagres de Jesus, sua deidade e ressurreição; e extirpar toda teologia de bode expiatório e de inferioridade, que era a forma como ele se referia a doutrinas, como a da morte expiatória de Cristo e da pecaminosidade universal da humanidade. Para Krause, essas doutrinas tinham sido forjadas por Paulo, o apóstolo, a quem ele considerava um rabino falsificador dos ensinamentos de Jesus, um israelita que dissimuladamente adulterou o cristianismo impregnando-o de conceitos do judaísmo. Além dos expurgos e das depurações, Krause preconizou uma releitura de Jesus segundo os padrões da ética nazista, o que implicava na substituição das representações de Jesus como o Cristo humilhado, crucificado e morto, para de um Cristo forte, corajoso e vencedor. Insistiu também que todas as igrejas tinham que adotar o parágrafo ariano e excomungar os judeus convertidos, e os pastores prestarem juramento de fidelidade a Hitler. Em

suma, Krause explicitou, sem tergiversações, o que era o cristianismo positivo, o programa teológico e político que os “cristãos alemães” visavam implantar na Igreja.81

O discurso de Krause inflamou os ânimos e provocou uma nova onda de polêmicas e indignações. Até mesmo alguns “cristãos alemães” ficaram escandalizados com ele. O problema do seu discurso foi ter escancarado o que pretendiam os “cristãos alemães”.

1.7.2 Reação da Liga

Muitos pastores que apoiavam o cristianismo positivo, talvez por desconhecerem as suas reais intenções, ou que marcavam uma posição hesitante, de não enfrentamento a ele, sentiram-se pressionados pela suas consciências e/ou pela ala conservadora a se posicionarem publicamente contrários ao cristianismo positivo. Não podiam mais alegar desconhecimento de causa ou que as denúncias se tratavam de distorções ou exageros da oposição. Niemöller, em nome da Liga, foi até o bispo da Igreja do Reich, Müller, protestar contra o ocorrido e exigir a demissão de todos os bispos que não protestaram contra o discurso de Krause. No domingo seguinte nas igrejas pastoreadas pelos membros da Liga foi lido um manifesto de repúdio ao discurso de Krause.

1.7.3 Reação de Müller

Pressionado pela nova crise e temendo que sua agudização provocasse uma divisão, Müller suspendeu Krause e o desautorizou a falar em nome da Igreja. Hitler estrategicamente retirou o seu apoio público aos “cristãos alemães”. Uma cisão na Igreja seria prejudicial aos seus empreendimentos militares e a sua popularidade, além de ser um golpe no seu projeto de unificação institucional. Por isso, diante do tamanho repúdio à fala de Krause, precisava convencer os pastores conservadores e seus rebanhos, que

81Cf. LUTZER, E., A cruz de Hitler, p. 162-163; SHIRER, W., Ascensão e queda do terceiro reich, p.

constituíam a grande maioria, de que não estava associado às pretensões dos “cristãos alemães”. E assim manter temporariamente a ilusão de que seu projeto político não teria implicações na autonomia da Igreja.82

As medidas tomadas por Müller acalmaram os ânimos, mas por um curtíssimo tempo, somente até o fim de 1933. No alvorecer de 1934, no dia 04 de janeiro, menos de dois meses depois da crise instalada por Krause, Müller toma uma medida que gera uma nova polêmica. Num decreto que ficou conhecido como “diretriz da mordaça”, o bispo do Reich proibiu os pastores de tratarem nos seus sermões de questões controversas, ou seja, de temas que suscitam polêmicas dentro da Igreja e na sua relação com o Estado. Prescreveu que os pastores deveriam se ater a pregação do evangelho puro, pois a função da Igreja era única e exclusivamente essa. Müller apelou para os princípios luteranos, de governo espiritual e governo terreno, para justificar sua posição. O problema que surgiu daí foi o questionamento quanto à interpretação do decreto, já que carregava uma margem de ambigüidade, no que concerne ao entendimento do que significa “pregação do evangelho puro”. Por exemplo, a pregação se restringia a prédica ou um modo de vida? O que deveria ser entendido por “evangelho puro”? Haveria um consenso comum na Igreja sobre o seu significado? Lutzer problematiza:

Seria possível que um pastor fosse fiel ao rebanho, apenas pregando a mensagem do Cristo crucificado? Ou existiam implicações que deviam ser vividas pelos cristãos? Qual deveria ser o papel do pastor ao alertar e instruir o rebanho sobre os perigos da outra cruz? 83

1.7.4 Reação de Hitler

Diante da nova crise e de uma ruptura que se avizinhava, Hitler resolveu mais uma vez interferir diretamente, mas dessa vez pela via diplomática, queria demonstrar boa vontade. Temia que a cisão – que viria a se consumar – desmoralizasse Müller e respingasse no seu prestígio. Afinal, Müller representava a sua vontade na Igreja. E na Igreja assim como no Estado não

82 Cf. LUTZER, E., A cruz de Hitler, p. 163-164; SHIRER, W., Ascensão e queda do terceiro reich, p.

322.

poderia haver espaço para contestação do Führer. A dissidência eclesiástica poderia significar o contrário. Ser um mau exemplo que estimularia outros grupos a fazerem o mesmo. No dia 25 de janeiro de 1934, Hitler convocou os líderes da Igreja, entre os quais estava Niemöller, para uma audiência na chancelaria, em Berlim. Tentando demonstrar um tom conciliatório, Hitler fez um longo discurso no qual disse que fora mal compreendido pelos “cristãos alemães” e que o que mais desejava era a paz entre a Igreja e o Estado. E para reforçar essa imagem conciliatória repreendeu os pastores por não estarem contribuindo para isso, ao se envolverem em freqüentes litígios na Igreja. A intenção era constrangê-los com o sentimento de culpa, fazendo-os acreditar que enquanto Hitler estava preocupado em promover a paz, eles, ministros do Evangelho, estavam semeando intrigas. Ao término do discurso de Hitler, os pastores puderam se manifestar. Niemöller, então, aproveitou para dizer que seu único objetivo era o bem-estar da Igreja, do Estado e do povo alemão. Hitler ouviu em silêncio e replicou para Niemöller limitar sua preocupação à Igreja, porque do povo alemão cuidava ele.

A resposta de Hitler causou constrangimento em Niemöller, mas ele não se fez de rogado. Reservou a sua tréplica para o final da audiência. Lutzer descreve a cena:

Quando o encontro acabou, Hitler apertou a mão de todo o clero e Niemöller se deu conta de que aquela seria sua última oportunidade de se expressar claramente. Escolhendo cuidadosamente as palavras disse: “Você disse: ‘Eu cuido do povo alemão’. Porém, nós também, como cristãos e homens do clero, temos responsabilidade para com o povo alemão. Essa responsabilidade nos foi confiada por Deus, e nem você nem ninguém neste mundo tem o poder de tirá-la de nós”. Hitler os despediu sem dizer uma palavra.84

Como represália a ousadia de Niemöller na noite do mesmo dia da reunião a Gestapo invadiu a paróquia que ele pastoreava e a vasculhou a fim de encontrar algum material que o incriminasse. Alguns dias depois uma bomba caseira explodiu no salão da igreja. A postura ousada de Niemöller causou mal-estar não apenas entre ele e Hitler e os cristãos alemães, mas entre os pastores de uma forma geral, inclusive entre os seus correligionários.

Dois mil pastores desertaram da Liga. Alguns, inclusive, se uniram aos “cristãos alemães” passando a crer que era possível um compromisso entre a Igreja e o Reich. Eles entenderam que Niemöller inviabilizou um canal de diálogo aberto por Hitler, desperdiçou uma oportunidade de negociação, que poderia implicar na demissão de Müller, e acabou por agravar mais a situação, reforçando a posição do então bispo do Reich, além de por em risco suas vidas e de suas famílias. Posteriormente, alguns pastores voltaram a militar com Niemöller. Mas, no início, pouquíssimos o apoiaram.85