Segundo o IBGE (1988, p.31), o clima quente domina a região Centro-Oeste (fig.5.6). Sua característica mais marcante é a frequência quase que diária de temperaturas altas, sobretudo em Mato Grosso e Goiás, onde nos meses mais quentes, setembro e outubro, podem ocorrer máximas superiores a 40°C. A maior parte da região não tem sequer um mês com temperatura média inferior a 20°C e as temperaturas médias anuais são, em geral, elevadas (fig. 5.7).
Figura 5.6 - Tipologia Climática. Região Centro-Oeste. (fonte: IBGE. Geografia do Brasil v.1.p.32)
Outra característica importante é o ritmo sazonal de precipitação bastante marcado, com uma nítida estação seca, no período de inverno. As temperaturas são constantemente altas, com pequenas diferenças durante o ano. O mês mais quente
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(setembro ou outubro) pode vir antes do período chuvoso (outubro a março), no qual as nuvens e precipitações mais pesadas tendem a baixar a temperatura. Geralmente pode-se identificar três períodos distintos em função da temperatura:
• estação seca e mais fresca, no inverno;
• estação seca e a mais quente, um pouco antes das chuvas; • estação úmida e quente, durante as chuvas, no verão.
Figura 5.7 - Temperatura Média do Ano. Região Centro-Oeste. (fonte: IBGE. Geografia do Brasil. v.1.p.26)
Segundo o IBGE (1988, p.25), na primavera, é comum ocorrer um forte calor em toda a região Centro-Oeste, principalmente no norte de Goiás e Mato Grosso. Essas
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altas temperaturas da primavera-verão podem ser atribuídas à ação da Massa Tropical Continental (CAMPELO Jr. et al, 1991, p.549).
No começo das chuvas, as temperaturas assemelham-se às do tipo climático Af (clima tropical chuvoso, sem estação seca) e Am (clima tropical chuvoso, com pequena estação seca), que predominam no norte do Mato Grosso e na região amazônica. A amplitude térmica diária diminui e, apesar do calor não ser tão intenso como na estação quente e seca, as altas taxas de umidade do ar fazem com que o ambiente pareça mais abafado, aumentando a sensação de desconforto.
Figura 5.8- Altura Média da Precipitação Anual. Região Centro-Oeste. (fonte: IBGE. Geografia do Brasil. v.1.p.28)
A temperatura também tende a subir logo após o período chuvoso, em função do céu se apresentar mais claro e a atmosfera, mais seca. Porém, durante a noite, nesse mesmo período, a perda de calor para atmosfera é um pouco maior, tornando as noites mais agradáveis. No inverno a temperatura continua alta, mas, como a
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umidade do ar é baixa, o calor não é tão opressivo, e as noites tornam-se mais amenas.
Como a temperatura não varia muito, a precipitação torna-se o elemento fundamental para diferenciar os tipos climáticos nas baixas latitudes (fig.5.8). O regime de chuvas em toda a região Centro-Oeste deve-se quase que exclusivamente aos sistemas regionais de circulação atmosférica. A influência do relevo é de tão pouca importância que não chega a interferir nas tendências gerais determinadas pelos fatores dinâmicos. De maneira geral, as precipitações máximas ocorrem durante o verão, e as mínimas, no inverno, com baixos índices nos meses de junho, julho e agosto. Em quase toda a região Centro-Oeste, mais de 70% do total de chuvas acumuladas durante o ano precipitam-se de novembro a março, com trimestre mais chuvoso em janeiro-feveiro-março, ao norte; dezembro-janeiro-fevereiro, no centro; e novembro-dezembro-fevereiro, no sul. Na estação chuvosa ocorrem violentas tempestades, provocando inundações, entremeadas por períodos de transição sob o calor do sol intenso.
O inverno é seco, porém, a estação seca, apesar dos baixos índices de umidade do ar, torna-se bem-vinda depois do calor úmido e abafado do período chuvoso. A paisagem torna-se ressecada e o ar recebe a poeira e a fumaça das queimadas. O trimestre mais seco é junho-julho-agosto, e o mês que o antecede, maio, e o que o sucede, agosto, são muito pouco chuvosos.
Apesar de boa parte da região não apresentar um mês sequer com temperatura média inferior a 20°C, em Cuiabá ocorrem, em média, 17 dias por ano com temperatura média inferior a 20°C e apenas 8 dias por ano com temperatura média inferior a 18°C, no período de maio a setembro (CAMPELO Jr. et al 1991, p.550).
No inverno frentes frias podem chegar até a região, provocando o fenômeno conhecido localmente como friagem, e que se caracteriza por uma queda brusca e rápida da temperatura, provocada por penetração dos ventos frios da massa polar atlântica, que avança pela vertente leste dos Andes argentinos e bolivianos e atinge o Centro-Oeste. “São ondas de frio , que chegam repentinamente, permanecem por alguns dias e se esvaem, até que venha outra, numa frequência de 4 a 6 por ano, quando muito. Nos intervalos há sempre dias não muito quentes e noites frescas.”(PÓVOAS, 1983, p.43)
Segundo o IBGE (1988, p.27), a frequência mensal da friagem é muito rara em abril, costuma tornar-se presente em maio e atinge seu máximo normalmente em julho, no rigor do inverno, decaindo, a seguir, até setembro ou outubro. A frequência média das friagens é de três por ano, mas em certos anos não se dá nenhuma, enquanto em outros são sentidas cinco ou mais invasões.
As ondas de frio que atingem a região geralmente não são as mesmas que chegam aos estados do sul do país, porque estas, desviadas quase sempre para nordeste, pelo relevo litorâneo, desfazem-se sobre o Oceano Atlântico. “As que chegam a Cuiabá vêm diretamente de Buenos Aires e Assunção, trazidas pelo vento sul que encana no corredor formado pela planície do Pantanal, entre as barreiras do planalto brasileiro de um lado e dos contrafortes dos Andes, de outro. Quando intensas, chegam à Cidade Verde exatamente quatro dias depois que as temperaturas registraram suas marcas mais baixas na capital argentina.(...) Costumava-se dizer,
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outrora, em Cuiabá, que a noite de São João era a mais fria do ano. E geralmente era. Naquela época o frio vinha com um pouco de garoa, no estilo do inverno paulistano, e muita cerração. Todavia a expansão da área construída da cidade contribuiu para modificar isso. Isso e muita cousa mais...” (PÓVOAS, 1983, p.43).