KKAOKS: HAKLAR MADDELERİNE KONULAN ÇEKİNCELERİN GERİ ÇEKİLMESİ UYGULAMASINA DAİR TABLO
3) Hollanda Hükümeti, onay aşamasında, Türkiye Hükümetinin Söz-
Até o início do século XX, a expansão descontínua e o despojamento são as principais marcas da identidade urbana e arquitetônica de Cuiabá, frutos da escassez de recursos técnicos e materiais. A rancharia de palha, que conferia o aspecto inicial de acampamento provisório, foi aos poucos sendo substituída pelas primeiras moradias cobertas com telha. De acordo com FREIRE (1988), a arquitetura das primeiras casas segue o padrão paulista do século XVIII, que assume em Cuiabá algumas características particulares (fig.6.6). As casas eram implantadas sobre o alinhamento das ruas e limites laterais do terreno, umas coladas às outras. Inicialmente o pé-direito era baixo, e as fachadas estreitas reproduziam um único padrão, o que conferia uma certa monotonia à paisagem. Os telhados avermelhados eram de duas águas, com caídas para a rua e para o quintal. As aberturas eram estreitas e pequenas. Os alicerces eram de pedra-cristal, os baldrames, largos e altos, eram construídos em pedra canga, e as paredes, de pau-a-pique, taipa socada ou adobe.
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Figura 6.6 - Primeira casa construída em Cuiabá, em 1720. (fonte: Mendonça, R. Roteiro Histórico & Sentimental da Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá, p. 72).
Uma outra descrição da cidade de Cuiabá, feita em janeiro de 1827, foi encontrada no diário de viagem de Hercules Florence, artista francês, relatando a primeira parte da expedição Langsdorff ao interior do Brasil. Florence, logo depois de chegar ao Brasil, em 1824, engajou-se na expedição científica organizada pelo Barão de Langsdorff, então Cônsul Geral da Rússia, no Rio de Janeiro, com o objetivo de estudar certas regiões brasileiras até então pouco conhecidas (fig.6.7). De Cuiabá, foram remetidos para a Rússia cerca de 60 desenhos (fig.6.8 a 6.11), material botânico e zoológico. Há informações de que muitos outros trabalhos se perderam (Expedição Langsdorff ao Brasil, 1988).
Figura 6.7 - Vista de larga extensão da Chapada e um dos vales que comunicam o Planalto de Guimarães com a Depressão Cuiabana. Aquarela negra de Taunay, um dos três artistas que fizeram
parte da expedição, em junho de 1827. (fonte: Expedição Langsdorff ao Brasil, 1988)
De acordo com FLORENCE (1977, p.137-142), “a cidade pode ter meio quarto de légua de poente a nascente e dois terços dessa distância de N. a S. Não há senão 18 a 20 casas de sobrado, esse mesmo pequeno: todas as mais são térreas. Cada casa
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tem nos fundos um jardim plantado de laranjeiras, limoeiros, goiabeiras, cajueiros e tamarindeiros, árvores cuja folhagem densa e escura forma no meio das outras agradável contraste, concorrendo todas elas para darem à povoação aspecto risonho e pitoresco. Rebocam-se por fora as habitações com tabatinga, que lhes dá extrema alvura: entretanto muitas há, principalmente nos arredores, que conservam a cor sombria da taipa de que são feitas, bem como todos os muros e cercados. Não há uma só casa que tenha chaminé: a cozinha faz-se no jardim debaixo de um telheiro. O edifício em que estão o presidente e a intendência chama-se palácio: é térreo; as janelas, únicas na cidade, têm caixilhos com vidros.(...) O clima da cidade é muito quente: sua latitude 15° 36’S.”
Figura 6.8- Cidade de Cuiabá. (fonte: Florence. Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas. p.138).
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Figura 6.10- Cidade de Cuiabá. (fonte: Florence. Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas. p. 140).
Figura 6.11- Cidade de Cuiabá. (fonte: Florence. Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas. p. 141).
“Outra descripção, datada de 1868, mostra o seu desenvolvimento no espaço de quarenta e um annos: ‘Cuiabá tem um aspecto alegre, não obstante reinar no seu interior bastante monotonia. As suas ruas são quasi todas calçadas de pedra cristal que, quando lavadas pelas chuvas, tornam-se bastante aceadas. Tem não pequeno numero de ruas, sendo a principal a rua Bella do Juiz que parte do largo da Matriz e vae desembocar no Arsenal de Guerra, continuando ainda com outro nome. Existem n’ella as melhores casas, cuja maior parte foi construida ha pouco tempo pelo systema moderno. Ha também as ruas - Direita, do Commercio, Augusta, do Campo, da Esperança, da Piçarra, Formosa e a do Mundéo, que ficam no centro da cidade, todas ellas cortadas por beccos na maior parte tortuosos.” (Album Graphico do Estado de Matto-Grosso, 1914, p.318)
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No Album Graphico do Estado de Matto-Grosso, publicado em janeiro de 1914, encontram-se inúmeras descrições e fotografias de diversas regiões do Estado. Na panorâmica da cidade de Cuiabá (fig.6.12), vista do Morro da Luz, pode-se ter uma idéia das construções locais do início do século: telhados cobertos com telhas de barro, em sua maioria de duas águas, cores claras nas paredes, amplos beirais, ocupação total do lote, com as casas umas encostadas às outras, e inúmeros quintais fartamente arborizados com árvores de copas altas e largas.
Disse um engenheiro ao chegar a Cuiabá, em fins de 1938: “No trajeto para o hotel compreendi porque chamavam Cuiabá, Cidade Verde. Embora as ruas não apresentassem arborização, os quintais, os espaços vazios eram cobertos de vegetação”. (SÁ, 1980, p.49) No interior do estado de Mato Grosso as cidades apresentavam as mesmas características, seguindo o mesmo padrão construtivo. Observam-se os telhados cobertos com telhas de barro, as casas justapostas, sem recuo frontal, e os quintais arborizados. Só no início do século XX as residências começaram a adotar o afastamento de um ou ambos os limites do lote e da fachada, adotando também os jardins, o alpendre lateral e um maior requinte na decoração das fachadas. “A arquitetura das residências oscila entre o novo e o velho; entre as inovações dos recuos alpendrados e as soluções tradicionais.” (FREIRE, 1988, p.44) Nessa época, as residências urbanas das províncias eram cópias imperfeitas das construções dos grandes centros. As pessoas de maiores posses, que frequentavam a corte, levavam, ao regressar à sua terra, as novas idéias, que procuravam reproduzir em suas residências. Porém, os elementos estruturais, sempre grosseiros, construídos de taipa ou adobe, não permitiam o uso de colunatas, escadarias, frontões ou quaisquer tipos de soluções mais complexas, ficando as modificações, na maioria das vezes, bastante superficiais, restritas aos detalhes (REIS FILHO, 1987).
Figura 6.12 - Vista panorâmica de Cuiabá no início do século. (fonte: Album Graphico do Estado de Matto-Grosso, p. 34-35).
De acordo com FREIRE (1988, p.7), o repertório da linguagem arquitetônica cuiabana está impregnado pela paisagem, pelas ruas, as casas, o cotidiano e o modo de vida, historicamente estruturados e organizados através de um lento processo de evolução urbana. Cuiabá é uma cidade do início do século XVIII, com um desenho urbano de ruas tortuosas e estreitas, topografia acidentada, becos, largos e praças. O espaço produzido reflete, nas curvas da malha urbana, a ondulação do relevo e a sinuosidade dos rios. A luminosidade intensa e o calor escaldante infiltram-se no desenho da cidade, ajudando a compor o equilíbrio telúrico do ambiente cuiabano.
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Cuiabá conservou, até bem pouco tempo, o seu aspecto tipicamente colonial, traduzido na sua arquitetura e nos hábitos de seu povo. Por exemplo, a sesta vespertina, que “é um hábito inteligente de autodefesa do organismo, que se enraizou em todos os povos que habitam regiões de climas causticantes.(...) Mas o descanso do meio do dia, até esperar que o ‘sol esfrie’, não foi a única precaução que os antigos cuiabanos de maiores recursos tomaram contra a inclemência do seu clima. Em muitas outras cousas essa preocupação sempre se manifestou. As ruas estreitas de Cuiabá colonial confirmam isso. (...) As ruas estreitíssimas são uma defesa contra o calor. (...) As casas típicas da Cuiabá antiga, das quais ainda restam alguns exemplares no centro comercial da cidade, eram construídas umas encostadas às outras. (...) A aeração era compensada pelo pé direito, quase sempre alto, de cerca de quatro metros, e pelos telhados de telhas vãs, sem forros, o que as tornava adequadas ao clima quente da região. Eram também construídas sobre o alinhamento das calçadas, sem nenhum recuo (...) No século XX, com a influência de construtores de origem européia, sobretudo italianos, introduziu-se a platibanda, em substituição aos beirais, nas casas dos proprietários de maiores posses. (...) Os pisos, antes de tijolo batido e depois de mosaico (outra reminiscência árabe), muito contribuíam para refrescar o ambiente. As janelas que davam para a rua, de rótulas ou de venezianas, que mesmo fechadas deixavam passar a ventilação, completavam o conjunto de medidas para adequar a habitação ao meio. Essas precauções foram banidas pela arquitetura moderna, importada de outras raízes, quiçá norte- americanas, que substituíram o pé direito alto pelo baixíssimo, o mosaico pelo carpete e as rótulas e venezianas pelos vitrôs fixos, forçando o oneroso recurso aos aparelhos de ar refrigerado.(...) Outra providência tomada pelos antigos cuiabanos para se defenderem dos ardores do verão era a existência, nas casas, de áreas internas ajardinadas e ensombradas e de quintais profusamente arborizados.” (PÓVOAS, 1987, p.21-28, 49-52)
Herbert SMITH (1922, p.281-322), em seu livro Do Rio de Janeiro a Cuyabá. Notas de um Naturalista, descreve assim a paisagem ao entrar no vale do Rio Cuiabá: “as margens são geralmente acompanhadas de florestas, como no Bananal, mas de pequena extensão, escondendo por traz grandes várzeas; (...) As poucas casas que vimos eram de taipa, quasi sempre de telha, e pelo tamanho mostravam ter sido outr’ora estabelecimentos importantes; mas quasi todas estavam desprezadas e meio arruinadas. (...) diante de nós appareceu uma praia baixa, aprumadamente cortada, coroada com uma carreira de casaria branca, coberta de telhas vermelhas. Eramos chegados a Cuyabá.(...) Com uma largura que em varios logares excede a um kilometro, a cidade estende-se por outros tres; o chamado Porto, situado junto ao rio, forma freguezia à parte, com o nome de S. Gonçalo de Pedro II. (...) Uma rua espaçosa leva ao largo da Sé; ahi está a igreja matriz, começada em 1722, edificio simples, de uma só torre de um lado, obra essa prejudicada pela conhecida asymetria da falta de dinheiro; o interior foi recentemente restaurado. (...) Nas ruas mal se percebe que se vive nos tropicos. Este solo ondulado, este calçamento exemplar, estas casinhas estreitas, estes candieiros de azeite, desprendendo-se das paredes, esta independência patriarchal do bom gado, tudo nos envolve num bafejo de idyllico repouso, tão indescriptivel que dir-se-ia uma aldeola rural da Thuringia (...) Um acontecimento apenas perturba esta agradavel pasmaceira; só uma vez por mez soa a voz do seculo XIX no rio Cuyabá. Um tiro de canhão, toque de cornetas nos quarteis; o vapor chegou.”
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Durante a Guerra o Paraguai o fechamento do acesso pelo rio forçou a utilização do acesso por terra. Época também do surgimento da atividade militar e industrial para fabricação de fardas, responsável também pela fundação de Várzea Grande, que inicialmente era um campo de concentração de prisioneiros paraguaios. Quando terminou a Guerra, muitos não voltaram ao Paraguai. Após a guerra intensificou-se a circulação de mercadorias através da bacia do Prata para o interior de Mato Grosso. Dadas as vantagens oferecidas pela rota fluvial, principalmente o barateamento das mercadorias, a antiga rota terrestre por Goiás, longa e tortuosa, quase foi relegada (IBGE, 1988, p.195).
A cidade de Corumbá, hoje em Mato Grosso do Sul, ocupava, nos séculos XVIII e principalmente XIX, posição destacada na região; era o centro de conexão da navegação fluvial de menor e maior calado para os portos de Cáceres, Cuiabá e Porto Murtinho, e também para os de Assunção, Montevidéu e Buenos Aires. A ausência de estradas razoáveis transformou Corumbá na porta de entrada da região, por sua posição geográfica privilegiada, que permitia o acesso a Mato Grosso através do Paraguai.
Corumbá chegou ao início do século XX como o principal empório de Mato Grosso e um dos portos fluviais importantes do país (fig.6.13). Embarcações de calado médio, provenientes das capitais platinas, não só abasteciam as casas comerciais, mas também transferiam as mercadorias para embarcações menores, que seguiam para outras direções, principalmente para Cuiabá. A centralidade de Corumbá só foi abalada no início do século, com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil ao sul de Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul), e da rodovia Cuiabá - Campo Grande (IBGE, 1988, p.195 - 196).
Figura 6.13 – Porto de Corumbá no início do século XX. (fonte: Album Graphico do Estado de Matto- Grosso, p.110)
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Em 1872 chegou uma comitiva de imigrantes mineiros à Vila de Santo Antonio de Campo Grande, que construiu as primeiras casas em taipa de mão e madeira. Apesar do acesso bastante difícil, o novo vilarejo tornou-se bastante conhecido, em parte pelo clima, bem mais ameno quando comparado aos demais povoados da região. Em 1902 se deu a implantação definitiva do município. Em 1905 foi aprovado um Código de Posturas que regulamentava condições de higiene, comércio e construções, na verdade uma cópia do código de Corumbá, cidade muito mais antiga. Em 1906 foi instituída uma lei que aprovava a criação e o alinhamento de ruas de Campo Grande, que tinha o propósito de melhorar a única rua existente e também planejar outras que viriam com o crescimento. Em 1909 o traçado urbano foi elaborado a pedido da Intendência Municipal pelo Eng. Nilo Javary Barém, estabelecendo o plano de alinhamento de ruas e praças de Campo Grande, de traçado ortogonal com ruas e avenidas mais largas no sentido Leste/Oeste e quadras retangulares divididas em lotes de 2500m2 e 50m de testada. Era, na verdade, um
projeto de expansão urbana, com ruas e calçadas bastante largas e retilíneas, formando um tabuleiro de xadrez. O projeto previa a construção de quatro praças e as principais preocupações eram o trânsito e a higienização, assim em muitas outras cidades no início do século (OLIVEIRA NETO, 1997).
Com a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em 1914, Campo Grande começou a sair do isolamento. Em 1918 foi elevada à categoria de cidade. Quando da execução do projeto de expansão urbana algumas casas na única rua da cidade foram demolidas para que o traçado das ruas ficasse retilíneo, largo, com amplas calçadas e de acordo com as novas vias criadas na planta. Nesse momento houve uma forte intervenção do Estado no sentido de planejar a cidade. A preocupação com o novo trouxe, na década de 1940, o primeiro Código de Obras, que estabeleceu um zoneamento no perímetro urbano e proibiu a reforma das antigas construções existentes na zona comercial, forçando os proprietários a substituí-las por outras mais modernas. O decreto determinava que as novas ruas que fossem surgindo seguissem o mesmo padrão de caixa e de calçada, e que 20% dos novos loteamentos deveriam ser reservados para as ruas e outros 20% para praças e jardins O traçado xadrez foi sendo reproduzido em todas as direções; somente em alguns bairros de classe alta surgiram traçados diferenciados, com ruas sinuosas e sem saída. Nos bairros para a população de baixa de baixa renda o traçado é xadrez, mas com significativa diminuição na largura das ruas e calçadas. Só em 1977 foi criado o Estado de Mato Grosso do Sul a partir do desmembramento do Estado de Mato Grosso; Campo Grande tornou-se a capital do novo estado no ano de 1979. Em 1909 eram apenas 1200 habitantes; hoje são mais de 650 mil (OLIVEIRA NETO, 1997). Ainda na década de 1950, mais de duzentos anos após a fundação de Cuiabá, afirmou AZEVEDO (1953, p.36-39) que “tudo parece indicar que foi somente nos últimos 20 anos que teve início uma fase nova na vida de Cuiabá. (…) Muitas das velhas habitações tiveram suas fachadas reformadas, construções modernas apareceram, aumentou a área urbana, como se um sangue novo tivesse sido injetado na velha cidade setecentista (fig.6.14 a 6.16). O desenvolvimento econômico do Estado, o loteamento de grandes glebas situadas na vizinha chapada e, notadamente, a ligação rodoviária com São Paulo (via Goiás) e com o sul do Estado podem explicar esse surto de progresso e o abandono do marasmo anterior. Cuiabá não é mais a ‘decrépita capital de Mato Grosso; é uma cidade cheia de vida. De fato, a Cuiabá
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que conhecemos em julho de 1953, embora guardando profundamente os traços inconfundíveis de seu passado, espraia-se hoje bem além do vale do córrego da Prainha. Ocupou efetivamente toda a margem direita desse modesto curso d’água, em larga faixa que se estende desde o primitivo núcleo até as barrancas do rio Cuiabá; caminha decididamente ara os níveis mais altos, no setor norte, como amplia-se para além da margem escarpada, no rumo do sul. (…) Vista de longe ou de avião, continua a ser a Cidade Verde, que o poeta ilustre da cidade tão bem cantou em versos cheios de ternura --- enfeitada pelas copas altas de suas elegantes palmeiras, ensombrada por uma impressionante massa de copadas árvores, que os viajantes antigos já haviam admirado e que lhe dão, realmente, um encanto todo especial.(...) Cuiabá é uma cidade que possui hoje cerca de 30.000 habitantes, colocando-se em segundo lugar dentro do Estado, apenas superada pela nova e dinâmica Campo Grande, metrópole sulina. Os dados do recenseamento de 1950 acusaram 27.306 habitantes para as zonas urbana e suburbana, num total de 56.204 para o município.”
Em julho de 1953, Prof. Aroldo de Azevedo já mencionava dois graves problemas urbanos em Cuiabá: água e energia elétrica, além da insuficiência da rede de esgotos e do transporte urbano, publicados no primeiro estudo de caráter estritamente geográfico da cidade de Cuiabá. Apesar disso, chega a uma conclusão otimista em relação às perspectivas para o futuro: “Não saímos de Cuiabá com nenhum pessimismo quanto ao seu futuro. Muito pelo contrário, sentimos que novas perspectivas abrem-se à sua frente, prognosticando um constante desenvolvimento. Em primeiro lugar porque Cuiabá, cada vez mais, vai se caracterizando por ser um importante nó de comunicações: dispõe da via fluvial, que a técnica moderna poderá melhorar e que a coloca em contacto com o futuroso Pantanal, hoje simples área pastoril, mas amanhã, quem sabe, um dos celeiros agrícolas do Estado, se a cultura do arroz puder ser ali praticada; acha-se em comunicação com a zona da garimpagem, através de boas estradas, que conduzem a Goiás, a São Paulo e ao sul do Estado; liga-se ao norte através do vale do Cuiabá, o que significa que será, um dia, uma das portas de entrada terrestres para a vastidão amazônica. Mormente quando estiver concluída a ‘Rodovia General Rondon’, ora em construção pelo Exército e que a ligará com Santarém; espera, ansiosa, que até lá cheguem os trilhos da Estrada de Ferro Araraquarense, para colocá-la em comunicação direta com o Estado de São Paulo. São fatos que não podem sofrer contestações. Além disso, encontra-se numa posição excepcional, na zona de contacto entre duas importantes regiões matogrossenses --- o Pantanal e a Chapada; e todos sabem que, quando isso acontece, nenhum aglomerado urbano pode ter dúvidas quanto ao seu destino. Dispondo de um peneplano, através do qual poderá expandir livremente sua área urbana; e podendo contar como certa a abundância de energia hidroelétrica, graças à relativa proximidade da Chapada, Cuiabá pode ficar tranquila e confiante quanto ao seu porvir. Não lhe será reservado o mesmo destino de outras cidades nascidas da mineração do ouro; os exemplos de Ouro Preto e de Goiás não a devem amedrontar, porque outras bem diferentes são as suas condições geográficas. Seus horizontes, em relação ao futuro, são tão vastos como os que caracterizam a peneplanície em que se acha engastada. E isto muito conforta os nossos corações de brasileiros.” (AZEVEDO, 1953, p.65-66)
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Figura 6.14 - Casas populares, já demolidas, próximas à ponte sobre o Rio Coxipó. (fonte: Album Graphico do Estado de Matto-Grosso, p.238)
Figura 6.15 - Vista da Praça da República no início do século; hoje uma das principais da cidade. (fonte: Album Graphico do Estado de Matto-Grosso, p. 321 ).
Figura 6.16- Rua 13 de Junho, antiga Rua Bela do Juiz. (fonte: Album Graphico do Estado de Matto- Grosso, p. 316 ).
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Este período caracteriza-se pela presença marcante do poder público na região, que tomou a iniciativa de construir edificações de grande porte e incorporar elementos que exprimissem maior requinte às fachadas e aos espaços construídos. A sofisticação das construções públicas começou a influenciar as novas edificações