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Ela apresenta 7 questões, sendo 1 de interpretação textual de natureza objetiva, na qual o professor elaborador pede para assinalar V ou F, e 6 de gramática5. Deste total, 5 questões são de natureza objetiva, compreendendo: 2 de respostas curtas, 1 questão de correspondência entre colunas, 1 questão de múltipla escolha, 1 questão de assinalar Certo ou Errado. Por fim, do total das 6 questões, temos uma questão dissertativa que exige a elaboração de produção textual por parte do aluno.

Dentre as 6 questões que analisamos, apenas duas têm relação com os textos presentes na avaliação e as outras quatro são postas desconexas deles.

Vamos nos deter, primeiro, nas questões 2 e 7, já que são as únicas que se baseiam nos textos para a sua elaboração.

FIGURA 1: AVAL. ESC. COL. 1 - Texto

FONTE: Coleta de dados 2013

FIGURA 2: AVAL. ESC. COL. 1 – Questão 2

FONTE: Coleta de dados 2013

Nessa questão número 2, observamos que o objetivo é identificar, entre as orações destacadas no texto, o tipo de oração já classificado pelo professor elaborador. Implica afirmar que a questão é objetiva de resposta curta (HAYDT, 1997; LIBÂNEO, 1994), pois demanda apenas uma frase curta que deve ser copiada da forma em que se encontra no texto. Constatamos, também, que essa questão demanda do aluno o conteúdo conceitual, já que se baseia no reconhecimento de conceito sobre a classificação das orações coordenadas.

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FIGURA 3: AVAL. ESC. COl. 1 – Questão 7

FONTE: Coleta de dados 2013

Aqui, averiguamos, mais uma vez, que o avaliador pede que o aluno retire do fragmento de texto as orações já classificadas e que desta vez não foram sublinhadas no texto e isso torna a questão mais complexa que a de número 2, uma vez que o aluno deverá reler o texto com o objetivo de encontrar as orações desejadas.

Não há dúvida de que esse tipo de questão mobiliza habilidades diferentes das requeridas na questão anterior, porém, o objetivo é apenas a classificação, o que não leva o aluno a usar a língua de modo eficiente e a refletir sobre seu uso, desenvoltura primordial para um profícuo exercício de utilização da língua em suas mais diferentes esferas. Não asseveramos que estudar metalinguagem seja desnecessário, mas é preciso associá-la à epilinguagem, para que o aluno consiga compreender que os termos os quais aprendeu a classificar possuem finalidades sociodiscursivas importantes.

As próximas quatro questões foram elaboradas a partir de frases não contidas nos textos utilizados. Entretanto, três primeiras questões têm um foco diferente da última. Vamos analisá-las:

FIGURA 4: AVAL. ESC. COL. 1 – Questão 3

FONTE: Coleta de dados 2013

Nessa questão, o objetivo é classificar as orações coordenadas tendo como foco, novamente, a metalinguagem, mas aqui o professor utilizou uma questão objetiva de correspondência entre as colunas.

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FONTE: Coleta de dados 2013

Temos, acima, um exemplo de questão objetiva de múltipla escolha com a finalidade de identificar a oração que apresenta a classificação dada pelo professor, ou seja, ele tem como finalidade saber se o aluno classifica as orações coordenadas sindéticas e assindéticas. Infelizmente, ela apresenta um pequeno deslize metodológico, pois, segundo Medeiros (1989, p. 62), o professor deve “(...) apresentar de forma positiva o enunciado.” Portanto, o quesito acima deveria pedir para o aluno: Marque, entre as opções abaixo, a que apresenta a oração

coordenada assindética.

FIGURA 6: AVAL. ESC. COL. 1– Questão 5

FONTE: Coleta de dados 2013

Nesse quesito, a finalidade do educador é, mais uma vez, fazer o aluno aplicar os conceitos sobre orações para assinalar C ou E nas afirmações sobre a identificação e a classificação das orações feitas por ele. Novamente, temos o uso da metalinguagem por ela mesma sem associá-la à epilinguagem para fazer o aluno refletir sobre a língua e adquirir os conhecimentos já sistematizados pela cultura.

FIGURA 7: AVAL. ESC. COL. 1– Questão 6

FONTE: Coleta de dados 2013

Essa questão, ao contrário das outras analisadas, configura-se como dissertativa, pois, segundo Vianna (1976), Medeiros (1989), Libâneo (1994) e Haydt (1997) ela demanda do aluno a expressão escrita pessoal, ou seja, aquela em que o discente utiliza suas próprias palavras para construir a resposta.

Nessa questão, temos a perspectiva da epilinguagem, a partir do momento em que é exigido o uso da língua, uma vez que o aluno produzirá as frases. Entretanto, o docente ainda tolhe um pouco o aluno, pois determina que o complemento deve vir em forma de orações subordinadas substantivas, o que já seria natural, não necessitando, portanto, de um direcionamento.

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De uma forma geral, podemos asseverar que a finalidade do professor é constatar se os estudantes sabem classificar e identificar as orações subordinadas substantivas e as orações coordenadas e, para isso, o docente se utiliza de 5 questões objetivas e de 1 questão dissertativa. Isso implica afirmarmos que a capacidade de expressão escrita do aluno praticamente não foi explorada.

Verificamos também que, em 5 das questões, foi abordado o enfoque metalinguístico em sobreposição ao epilinguístico e isso contradiz o que Mendonça (2006, p. 217) preconiza como essencial ao ciclo de aprendizagem, pois “Se o EFI deve se voltar essencialmente para apropriação do sistema de escrita e para a ampliação das experiências de letramento dos alunos, com ênfase nas práticas de leitura e escrita, esse trabalho é ampliado do EFII, com acréscimo de outras habilidades e outros conceitos, estes devidamente nomeados. (...)”.

Acreditamos, assim como a autora, que o percurso deve ser o inverso - da epilinguagem à metalinguagem, ou seja, o discente deve ser levado a refletir sobre o uso que faz da língua e, paulatinamente, ser apresentado às nomenclaturas que servem para munir o aluno dos conhecimentos que já foram produzidos pela ciência e que precisam ser conhecidos por todos que desejam participar do processo de ensino-aprendizagem.