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A AVAL. ESC. COL. 2 apresenta um texto narrativo do gênero Crônica, que foi integralmente posto juntamente com 9 questões, sendo que 4 são de interpretação textual e 5 referentes à gramática. 6

Podemos constatar que as questões referentes ao estudo do texto da referida avaliação foram retiradas sem alterações do Livro Didático de Costa et. al. (2009, p.98-100)7 e correspondem aos quesitos 3, 4, 7 e 6 (respectivamente).

No documento oficial sobre currículo e avaliação publicado em 1997, o Ministério da Educação trouxe muitas reflexões sobre a dinâmica dos constituintes do processo educativo, como a avaliação. Uma delas é :

Um exemplo de prática avaliativa inadequada pode ser vista quando uma tarefa é retirada de um livro didático para servir de questão de teste ou prova. Muitas vezes,

6 Ver a AVAL. ESC. COL. 2 completa no ANEXO C. 7 Ver texto e todas as questões do LD no ANEXO D.

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uma boa atividade de um livro didático não se enquadra no propósito de avaliar a aprendizagem realizada por um estudante, simplesmente porque ela não foi pensada com esse fim (INDAGAÇÕES SOBRE CURRÍCULO: 2007, p. 19).

Corroboramos o que foi afirmado acima, porque entendemos que não é adequado retirar uma questão do livro didático tal qual ela aparece lá , já que, no momento da prova escrita, o aluno pode se encontrar em outro patamar de aprendizagem. Então seria mais pertinente o professor adaptar as questões pesquisadas no LD de acordo com seus objetivos avaliativos específicos e as potencialidades de seus alunos. Isso demandaria por parte do professor o conhecimento sobre o NDR, NDP e ZDP, conforme explicitado no capítulo anterior.

De posse desses conhecimentos, o docente precisa estar ciente de que no momento da avaliação escrita o aluno precisa estar no NDR para que consiga atingir os objetivos desejados pelo professor, de outro modo não conseguirá responder a avalição sozinho, demonstrando que ainda se encontra no NDP e que o ciclo da ZDP ainda não foi completado. Isso implicaráem um novo recomeço por parte do docente com a finalidade de redirecionar o processo ensinoaprendizagem.

Com relação ao aspecto gramatical, ao observarmos a AVAL. ESC. COL. 2, podemos afirmar que a educadora não atendeu ao que preconizam os estudos referentes ao ensino de LP, uma vez que não explorou as questões com base no texto, ou seja, ela sequer usou o texto como pretexto para ensinar a gramática. As questões estão totalmente desvinculadas do texto, mostrando ao aluno o oposto do que a Linguística Aplicada preconiza como ideal para o ensino de língua: o discente precisa se dar conta de que a gramática está presente em todas as esferas da comunicação humana, porque ela é inerente à língua, ou melhor, ela é parte integrante da língua. Essa prática demonstrada nessa avaliação passa para o educando a ideia de que o texto é totalemente desconexo da gramática, que ela é uma entidade abstrata que teoricamente não serve para nada.

O nosso objetivo como professores deve ser o oposto: aproximar o aluno dos conhecimentos valorizados socialmente (variedade padrão) e conscientizá-lo de que a variedade não-padrão igualmente faz parte da língua e por isso é importante, mas não suficiente para operar em todas as esferas sociais.

As questões da AVAL. ESC. COL. 2, além de só apresentarem a GN como fundamento para o ensino de LP, também evidenciaram um desconhecimento das regras da GN por parte da educadora, que confundiu flexão verbal com regência verbal, o que fica evidente na questão de número 5.

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FIGURA 8: AVAL. ESC. COL. 2 – Questão 5

FONTE: Coleta de dados 2013

Por isso, modificaríamos o enunciado da questão para: Assinale a alternativa em que

o uso do verbo assitir está correto quanto à regência de acordo com a norma padrão da língua portuguesa.

Adequaríamos, também, a frase da letra C, pois o verbo assistir está grafado como

assisti, o que pode induzir o aluno ao erro. Como no próprio enunciado há uma confusão de

“flexão” com regência, o educando pode pensar que a flexão do verbo está errada por causa de sua grafia assisti . Então, seria melhor reescrever da seguinte forma: Que filme você quer

assistir?

Podemos asseverar que a docente poderia ter proporcionado uma reflexão por parte dos alunos sobre a regência do verbo assistir, incluindo nos enunciados a situação comunicativa em que eles teriam um uso adequado, levando em consideração as variedades da língua da Portuguesa e chamando a atenção sobre o fato de que a variedade padrão é instituída pela Gramática Normativa.

Passemos às questões 6 e 8.

FIGURA 9: AVAL. ESC. COL. 2 – Questão 6

FONTE: Coleta de dados 2013

FIGURA 10: AVAL. ESC. COL. 2 – Questão 8

FONTE: Coleta de dados 2013

5) Assinale a alternativa em que o verbo está flexionado corretamente.

a) Nunca assisto filmes de terror. b) Quem assistiu essa aula? c) Que filmes você quer assisti? d) Quantos assistiram a esta peça?

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Nessas questões, a professora enfatizou o conhecimento sobre o uso dos tempos presente e futuro do subjuntivo, adotando a perspectiva da epilinguagem, isto é, partindo da reflexão sobre o uso das estruturas linguísticas adequadas para completar as frases.

Dando sequência, temos as questões: 7 e 9.

FIGURA 11: AVAL. ESC. COL. 2 – Questão 7

FONTE: Coleta de dados 2013

FIGURA 12: AVAL. ESC. COL. 2 – Questão 9

FONTE: Coleta de dados 2013

Essas duas questões solicitam a aplicação do conceito abstrato do conteúdo - tempos do pretérito e do período composto- nas frases indicadas na questão, entretanto não mobilizam as habilidades de reflexão do aluno, como também não contextualizam a situação comunicativa em que elas podem ser usadas, tratando a língua como entidade abstrata, longe da realidade de uso. Trata-se de um enfoque descontextualizado de ensino da língua, o que passa para o aluno de que a língua estudada na escola não é a língua que ele usa para se comunicar o tempo todo, inclusive na escola.

Destacamos que a Aval. Esc. Col. 2 utilizou apenas questões objetivas de múltipla escolha, as quais solicitam o conhecimento da GN. Todavia três delas abordam apenas a metalinguagem (5, 7 e 9) enquanto duas questões (6 e 8) utilizam a epilinguagem, fazendo com que o aluno use a forma verbal mais adequada para a frase. Logo, as questões exploram a temática do uso da língua por parte do educando, sem que ele precise decorar uma lista imensa de conjugações com as quais muitas vezes ele não se depara em situações de leitura ou de convívio social, isto é, em situações de letramento. Significa que as questões 6 e 8 abordam a língua de maneira que os alunos se apropriem do conhecimento sem necessariamente usar a metalinguagem por si.

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Reiteramos que o estudo da metalinguagem é importante, desde que ele seja associado ao da epilinguagem, com base no uso que fazemos da língua e que esse estudo não privilegie apenas a variedade padrão da língua, sob a pena de desprezar as variantes usadas pelos alunos.