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İSTANBUL’UN FETHİNE DAİR GENEL BİLGİLENDİRME

TÜRK TİYATROSUNDA OSMANLI DEVLETİ

II) İSTANBUL’UN FETHİNE DAİR GENEL BİLGİLENDİRME

As formas de transformação usadas na improvisação musical são equivalentes às duas formas básicas de transformação poética: metáfora e metonímia.

Colocar-se disponível para esse tipo de escuta, recepcionando evocações causadas por canções, para poder manejar as associações, tecer comentários, intervindo e realizando articulações com base na história de vida do respectivo

78 The rhetoric of Improvisation Spontaneous Discurse in jazz and psychoanalysis. American Imago,

vol. 50, nº 2, 227-252, 2003.

79 Parte significativa das ideias condensadas nessa parte da tese foi originalmente publicada no livro

paciente é tarefa do analista. Haveria aqui uma especificidade, relativa a essas associações, pois ainda que envolvam a palavra, trazem na sonoridade algo que é fundamental. (LUIZ, 2005, p. 59)

O gênero jazz foi apresentado por Charles e passou a ser referência das situações vividas anteriormente à sessão e atualizadas nela por meio de uma fala que só acontece em razão da regra fundamental que permite o desenrolar de uma análise. Bem como, evidentemente, ―sem a transferência estabelecida entre analista e analisando não há processo analítico que possa ser sustentado‖. (LUIZ, 2005, p.60)

O dispositivo analítico foi inventado para permitir o surgimento de cadeias de sentido, cadeias de pensamento concebidas como instrumento libertador. Freud afirmou várias vezes ao longo de sua obra que sofremos de reminiscências quando nos vemos aprisionados nessas cadeias de sentido. A fim de nos libertarmos de tais reminiscências – de seus sentidos fixos –, é necessário revivê-las para que ganhem novas significações; é preciso abrir seu sentido, recuperar a mobilidade das significações e a possibilidade de experimentar. O meio para isso é o mergulho transferencial (CAVALCANTI, 2001, p. 245).

As associações trazidas à tona (pré-consciente) via lembranças de determinadas situações funcionam como agentes de um ―favorecimento‖, conduzindo a uma série de outros temas ainda não mencionados em sessão. Ou seja, a associação livre estimulada por esse tipo de intervenção é o agente dessa ―especificidade‖ de evocações e de improvisações.

Ora, a palavra em si não é a responsável pelo desencadeamento das associações, mas o efeito particular que a palavra mobiliza na memória. A palavra, cantada ou não, possui ritmo, sonoridade, algum tipo de expressão (que pode trazer consigo algum significado, uma figura de linguagem, um meio...) está sempre presente. Assim, podemos incluir a hipótese do uso metafórico e metonímico que a música teria na análise. Já que, mesmo a sonoridade (não verbal) possa ser verbalizada pelo paciente.

Segundo Houaiss (2001) metáfora é a transferência de sentido de um termo para outro numa comparação implícita e metonímia é o uso de um nome por outro numa relação de causalidade. Já no Dicionário Enciclopédico de Psicanálise

encontra-se a seguinte definição: ―Metáfora e metonímia são definidas classicamente como ‗figuras de estilo‘ que modificam o sentido das palavras: elas

‗fazem figura‘, ‗ornamentam o discurso‘, como se existisse além delas a palavra justa‖ (KAUFMANN, 1996, p. 331). É a semelhança que aparece no sentido figurado. Mas como entendê-las e compreendê-las na análise?

Lacan, partindo da leitura de Freud sobre os processos primários, formulará a ideia de que existe correspondência entre essas figuras de linguagem e dois mecanismos no trabalho dos sonhos. A saber: condensação e deslocamento.

A Interpretação dos sonhos (1900) apresenta o próprio sonho como uma linguagem. Lacan diz, então, que o sonho é um enigma de imagens e ―as imagens do sonho só devem ser consideradas pelo seu valor significante‖ (Apud GARCIA- ROZA, 1993, 187).

A imagem não é ela mesma portadora de seu significado. Significante e significado são duas ordens distintas, constituindo redes de articulações paralelas. Há um deslizamento incessante do significado sob o significante e é a rede do significante, pelas suas relações de oposição, que vai constituir a significação do sonho (LACAN apudGARCIA-ROZA, 1993, p. 187).

Tal deslizamento do significado sob o significante é encontrado no trabalho do sonho em seu efeito de distorção. Em suma, a condensação e o deslocamento produzem essa distorção.

Lacan torna assimiláveis esses mecanismos à metáfora e à metonímia.

Na condensação teríamos uma sobre-imposição dos significantes dando origem à metáfora; no deslocamento pela substituição dos significantes com base na contiguidade, teríamos o equivalente a metonímia. Condensação e deslocamento desempenhariam, no sonho, uma função homóloga à da metáfora e metonímia no discurso (LACAN apud GARCIA-ROZA, 1993, p. 188).

Esses processos (metafórico e metonímico) encontrar-se-iam em funcionamento em todas as formações do inconsciente sendo responsáveis pela característica de duplo sentido da linguagem.

Dor (1989) sintetiza a ideia:

As noções de metáfora e metonímia constituem, na perspectiva lacaniana, duas das pedras fundamentais da concepção estrutural do processo inconsciente. Estas duas molas mestras sustentam, com efeito, uma larga parte do edifício teórico mobilizado pela tese: o inconsciente é estruturado como uma linguagem. Assim também, se os processos ―metafórico‖ e ―metonímico‖ estão na própria origem dos mecanismos que regulam

geralmente o princípio do funcionamento inconsciente, devemos poder evidenciar a aplicação destes dois paradigmas tanto ao nível do processo primário, como ao nível das formações do inconsciente propriamente ditas (DOR, 1989, p. 49).

Análogas ao sonho, as imagens, assim como a música, dão outro sentido à linguagem verbal, de tal modo que em função das associações que se seguem, permitem a inserção de outras sonoridades no espaço analítico. Por meio da substituição (na metáfora) de significante a significante produz-se um efeito de significação. A metonímia, por sua vez, se dá por meio de um processo que se designa como transferência de denominação (um objeto é designado por um outro termo que apresente algum tipo de ligação com o primeiro). Ou seja, espera-se a conexão de um significante novo com um significante antigo. Como no improviso, novo sentido, ―desorganizando organiza‖.

Podemos pensar que o papel da metáfora é falar sobre algo por um ―meio‖ diferente, por formas que se equivalham sem, no entanto, falar diretamente. Ainda no dicionário (segundo Lacan) temos que:

A metáfora se situa no ponto preciso em que o sentido se produz a partir do não senso: ―é entre o significante do nome próprio de um homem e aquele que o abole metaforicamente que se produz a centelha poética‖; assim que é abolido não ressurge jamais, mas se manifesta pelo que surge em seu lugar (KAUFMANN, 1996, p. 332).

Já a metonímia é entendida como um termo que é designado por outro termo, que não é o mesmo que habitualmente o designa, devendo existir necessariamente uma relação entre eles.

Nesse campo, Rosenfeld (1998) argumenta que as metáforas: ―permitem que se verbalizem coisas para as quais não há palavras, elas nomeiam vivências emocionais significativas, permitem que se pense e se converse sobre elas‖ (ROSENFELD, 1998, p. 44). Assim como poderia nomear os sons do jazz em Charles, que na maior parte das gravações não possuem canto, uma letra.

A importância dessas (metáfora e metonímia) na música é, fundamentalmente, criar condições para que a verbalização, ou melhor, alguma construção significante se apresente. ―A metáfora é a palavra pronunciada que

contém, que dá a ouvir, o impronunciável. Ela nos convida a um movimento diferente que o de compreender um significado‖ (ROSENFELD, 1998, pp. 80-81).

Por uma espécie de automatismo psíquico, uma ideia ou imagem quase sempre nos evoca outra que se lhe opõe ou se lhe assemelha. Constitui por assim dizer uma operação normal estabelecer contrastes e analogias: os primeiros traduzem-se principalmente em antíteses, e as segundas, em comparações e metáforas.

Mas pode a linguagem metaforizar o som? Sim. Pois a música é elemento de mediação e transmutação, dos traços de personalidade: do controle obsessivo à liberdade de improvisação. Em Charles viu-se a sonoridade como metáfora dos sentimentos. A angústia pode ser representada ao falar, ou seja, criando a metáfora a partir da metáfora. Tomando a metáfora como forma de construção do pensamento, apenas um substrato para a experiência musical ser expressada. Como se a sonoridade usada fosse o caminho para chegar à linguagem. Nesse sentido a linguagem sonora pode sim ser metafórica. Afinal, imagens e música, desde que produzidas pelo homem em princípio, são linguagens com regras de escrita e leitura e passíveis de interpretação.