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5. ISPARTAKULE ÖRNEĞİNDE EN ETKİN VE VERİMLİ KULLANIM

5.4 Arz Analizi

5.4.1 İstanbul Alışveriş Merkezi Pazarı

De autoria anônima e do final do século II, o autor reivindica o Tratado sobre a ressurreição como um escrito gnóstico, um conhecimento oferecido por Cristo (49.41- 50.2), uma verdade que apresenta respostas claras e diretas a um de seus discípulos chamado Reghinos (43.25). A atual opinião de estudiosos sugere que o tratado não foi escrito por Valentino, pois no contexto dos debates são evidenciadas no texto ideias platônicas medianas, possivelmente entre o século I a.C. e o século II d.C., as quais influenciaram o valentinismo.

Entre as ideias consideradas platônicas, encontramos no Tratado a concepção da distinção dos mundos, incluindo o mundo do Bem e a esfera da corrupção (48.20-27), assim como um “mundo inteligível” e um “mundo sensível” (46.4-6; 49.30-36).28

O Tratado sobre a ressurreição apresenta uma ressurreição para o agora. É uma transição espiritual — “já que você tem a ressurreição”29. Como uma realidade presente,

afirma que o mundo é uma ilusão; o mundo do espírito é verdade.

O início do Tratado presencia um diálogo com Reghinos, a quem o autor chama de “meu filho”. Refere que muitos procuram e desejam aprender muitas coisas, mas possuem esse objetivo apenas quando precisam ou sentem a necessidade de responder a algumas questões. No entanto, o texto informa que “eles estão longe da Palavra da

27 ROBINSON, 2006, p. 51. 28 ROBINSON, 2006, p. 60. 29 ROBINSON, 2006, p. 63.

Verdade”, pois buscam o seu próprio conforto. O descanso acontece após conhecer a verdade (§43) e buscar repouso nela.

Em seguida o Tratado apresenta uma solução: a emanação da “Verdade e do Espírito, da Graça que é da Verdade”30; a destruição do mal, de um lado, e a revelação

do eleito. Segundo o texto, o Salvador tragou a morte, transformou-se num aeon imortal e subiu às alturas, oferecendo o “caminho da imortalidade” (§62).

Estamos diante de uma ideia platônica mediana, na qual temos a existência do Perfeito e Bom e de um mundo de ilusão e corrupção — “[...] o mundo é uma ilusão [...]”. Logo, o que vem a ser a ressurreição?

É sempre a revelação daqueles que se elevaram. Se tu lembras ao ler no Evangelho que Elijah apareceu e Moisés estava com ele, não penses então que a ressurreição é uma ilusão. Não é uma ilusão, mas sim a verdade! De fato, é mais apropriado dizer que o mundo é uma ilusão, em vez da ressurreição, que veio à existência por meio do nosso Senhor o Salvador Jesus Cristo (48).

O texto ecoa a ideia do QE quando Jesus, ao ressuscitar Lázaro, revela: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra viverá, e quem vive e crê em mim jamais morrerá” (11.25).

O autor adverte Reghinos para a existência de pessoas que acreditam nos filósofos que estão neste mundo, que desejam persuadir para que creiam “que ele é aquele capaz de retornar por ele mesmo”. O texto retrata a impossibilidade de conseguir o retorno ao mundo ideal por si mesmo. Para isso é necessário o poder do Pleroma, da verdade revelada, do conhecimento adquirido.

O pensamento daqueles que são salvos não deve perecer. A mente daqueles que o conheceram não deve perecer. Por isso, somos eleitos à salvação e à redenção, pois somos predestinados desde o início a não cair na tolice daqueles que tenham conhecido a Verdade. De fato, a Verdade, que é mantida, não pode ser abandonada, como não tem sido. “Poderoso é o sistema do Pleroma, fraco é aquele que se desprendeu (e) se tornou (o) mundo”. Mas o Todo é o que está envolvido [...] por isso nunca duvide sobre a ressurreição, meu filho Reghinos (46-47).

Mas o que vem a ser verdade no Tratado sobre a ressurreição? Segundo o autor implícito, não é a ressurreição por si só, mas a verdade. Esta é que se mantém firme, é a

revelação da possibilidade de transformação das coisas: “[...] É a revelação do que é. É a transformação das coisas, e a transição para o novo [...]” (4κ).

O Tratado finaliza com uma exortação a Reghinos seguida de uma saudação (bem características do QE) para que ele não viva segundo a carne. O mundo é uma ilusão! Notamos aqui uma proposta de modelo de vida, possivelmente uma vida ascética, de abstinência sexual. Reghinos é chamado a permanecer na verdade, no desejo de retornar ao que era antes do erro. Quem possui a ressurreição sofre uma transformação de crenças, sinais, ritos — portanto uma categoria de pertença que gera identidade. Com ecos do GJ, sentem-se herdeiros das ideias que geraram o grupo e apresentam outro projeto de vida, outro conceito sobre o termo verdade.

Em “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6), temos um Jesus receptor e os substantivos que o seguem, os emissores, chama atenção pela relação perturbadora e tensa entre as metáforas e seu contexto (incongruência semântica). As metáforas continuam a transmitir o seu sentido original. Segundo Klaus Berger, contexto e metáfora interpretam-se mutuamente. Mesmo que o autor do Tratado diga que recebeu o conhecimento da “[...] generosidade do meu Senhor, Jesus Cristo [...]”, a ideia central continua sendo a de uma revelação, um conhecimento que mora dentro do ser humano. No fundo, temos um drama. No mundo que está ao nosso redor isso se apresenta assim: se eu já sou o caminho, e a verdade, e a vida, por que preciso de Jesus? Quem conhece sai da condição de morte.

Que condição é essa? É a condição de abrir mão dos prazeres da vida, abrir mão do vinho que causa alegria, abstinência sexual no casamento e fora do casamento, uma vida de castidade, o martírio como um modelo de vida plena de conhecimento e certeza da salvação.31

31 PIÑERO, Antonio; CERRO, Gonzalo del (ed.). Hechos Apócrifos de los Apostoles: Hechos de Andrés, Juan y Pedro. Madrid: BAC, 2012, p. 327-330.

Nos Atos Apócrifos de João, quando do seu discurso em Éfeso, João alega que os desejos da carne são a consequência da enfermidade no corpo. Ele apresenta a causa de sua vinda a Éfeso:

33. Saibam em primeiro lugar por qual motivo estou residindo em vossa cidade... tamanha é a confiança que tenho em vós, de modo que me incluo nesta assembleia pública, apresento-me manifestamente diante de vós. Não fui enviado a uma missão humana nem a uma viagem em vão. Tampouco um mercador que pratica vendas ou truques. Jesus Cristo, pelo contrário, misericordioso e bom, a quem prego, quer por meu meio arrancá-los do erro, a vós convertendo-os, que pela incredulidade estão algemados e vendidos aos perversos desejos.

34. Mas este é o primeiro desejo dele, semear em vossos ouvidos: que vos preocupeis com vossas almas, motivo pelo qual estou entre vós... Não espereis que este tempo de servidão haja de ser eterno nem

[...] Por isso não penses parcialmente, ó Reghinos, nem vivas em conformidade com esta carne pelo bem da unanimidade, mas fuja das divisões e dos grilhões, e assim terás a ressurreição [...] (49).

Para o GJ, a verdade liberta. Ela está na pessoa de Jesus. João assumiu uma posição, logo o grupo deve imitar. A vida que Jesus apresenta é suave, livre do peso das tradições judaicas, das ideias filosóficas, livre do mito gnóstico, no qual o corpo se apresenta como cadeia (soter).

Disse, então, Jesus aos judeus que nele haviam crido: Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Jo 8.31-32).

A pergunta que não quer calar é: quem concedeu e quais critérios foram empregados para conceder o selo de autenticidade para o QE e classificar como literatura herege a verdade encontrada na Biblioteca de Nag Hammadi?

acumuleis tesouro sobre a terra onde tudo se corrompe nem penseis encontrar descanso nos filhos que nasceram. Nem tenteis roubá-los e acumular avidamente... Não vos aflijais, pobres, se não possuirdes meios para servir seus prazeres da carne, pois o que tem, assim cai doente, anunciaram uma satisfação plena. Tampouco vos alegreis, ricos, por possuirdes maiores riquezas. Pois enquanto as possuis, mas estais longe delas, carregais uma tristeza impossível de se eliminar e, uma vez, estando junto a elas, temeis que alguém vos ataque por sua causa.

35. Tu que te exaltas com tua beleza do corpo e manténs um olhar altivo, no final contemplarás sobre a tumba a tua pretensão. Tu que te satisfazes no adultério, saibas que a lei e a natureza te castigarão, e antes dela a tua consciência. Tua mulher adúltera que se faz independente da lei, desconhece aonde irás parar. Tu que não compartilhas teus bens com os necessitados ainda possuis riqueza acumulada, aparta-te deste corpo, e necessitado de misericórdia, não terás quem se compadeça de ti enquanto arde no fogo. Tu iracundo e furioso, caias em si que te comportas como os animais irracionais. Tu, ébrio e briguento, saibas que os sais de tua mente servem a uma paixão vergonhosa e sórdida.

36. Tu que te alegras com o ouro e sentes prazer no marfim e nas pedras preciosas quando vier à noite. Poderás contemplar o que ama? Tu que deixas vencer pelo gosto de vestidos delicados, logo quando deixes a vida. Servir-te-á de algo para onde vais? Tu, assassino, saibas que te espera em dobro e justo castigo depois que hajas partido daqui. Igualmente tu, mágico, intrometido, rapaz expoliador, homossexual, ladrão e tantos quantos participem deste coro, vossas obras os conduzem até que os joguem com o jogo inextinguível, à enorme treva, ao abismo do castigo e às ameaças eternas. Por isso, Éfeso, converta-se, sabendo também que os reis, os poderosos, os tiranos, os orgulhosos, os que derrotaram os inimigos passam nus daqui para sofrer entre os males eternos.

Conclusão

Nesse breve esboço do Evangelho da Verdade e do Tratado sobre a ressurreição, conseguimos expandir o conceito de identidade, sendo ampliado não só no cristianismo, mas para além das fronteiras. Isso mostra o modo de vida no qual entendemos e compreendemos a herança religiosa. É obvio que os líderes não conseguem trabalhar completamente ou bloquear o imaginário dos grupos, tanto que, ao prosseguirmos em Nag Hammadi, percebemos claramente ecos do QE que apontam que o grupo dos conhecidos gnósticos tomou como herança parte das ideias do GJ.

No QE o caminho é apresentado pelo GJ. Nele João caminhou com Jesus e agora o grupo “do caminho” caminha com João. O narrador implícito usou um conjunto de metáforas dependentes uma das outras, a fim de apresentar uma possibilidade de vida — uma vida eterna que se atinge mediante uma verdade. Essa verdade é a revelação de Deus na pessoa de Jesus, e a vida eterna seu tratado para os que crerem e permanecerem na verdade (Jesus). Ao identificarmos o que os grupos professam na narrativa, buscamos a construção ou pistas da identidade do GJ — o que em princípio necessita de informações sólidas para depois ser feito mediante a subjetividade do grupo. Logo, o grupo ao qual se pertence está ligado a afinidades de experiências mediadas pelo mundo, pelo meio em que se vive.

O caminho______________________A verdade____________________ A vida

Conhecimento da________________A ressurreição_____________Tratado celestial imortalidade negação do mundo

Este trabalho nasceu a partir da frase “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”. Ela nos apoiou na produção de sentido no imaginário do GJ, a fim de se buscar a identidade deste.

No decorrer da pesquisa no QE, a divergência quanto aos caminhos para Deus exposta pelo narrador implícito apresenta um grupo que não está alheio à multiplicidade religiosa. Percebeu-se crises internas e externas que o grupo enfrentava, o que aponta o quanto esse tema é identitário.

Como o grupo recebe a mensagem no imaginário e como esta é exteriorizada é o nosso objeto de pesquisa. No primeiro capítulo, dedicado às metáforas, foram expostas as teorias necessárias para o nosso estudo e a pesquisa de Paul Ricoeur permitiu redescobrir a potência do significado da metáfora.

Percebeu-se que o objetivo do QE é o de prender o leitor e levá-lo a uma tomada de decisão — o que é próprio do papel metafórico na retórica, a persuasão, cuja função se cumpre na produção de sentido, pois os sinais linguísticos são insuficientes para explicar a realidade humana e suas crises existenciais, uma vez que não respondem às perguntas de onde viemos e para aonde vamos. Além disso, vimos que com o declínio da retórica a metáfora sofre um reducionismo, passando a ser definida e compreendida como um ornamento linguístico de discurso que pouco a pouco foi perdendo o seu significado.

O segundo capítulo se dedicou à exegese segundo o método histórico-crítico, com o objetivo de explicar e entender o texto sobre o qual esta pesquisa se funda, ou seja, redescobrir nele pistas do passado no GJ, de modo que a narrativa se torne compreensível quanto à nossa busca da identidade do grupo dos “do caminho”. “Convém dizer que o ato de interpretar um texto nos obriga a investigar as diferentes

possibilidades que este encerra e fazer escolhas [...] e por isso deve deixar várias outras possibilidades”.1

O resultado é o de um personagem de nome Jesus de Nazaré, que não só constrói um caminho, como é ele o próprio caminho: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida: ninguém vem ao Pai senão através de mim” (14.6). Assim, desde seu início, no prólogo, o QE prepara, constrói o que será a identidade do GJ com similaridades e desigualdades de ideias internas e externas. No entanto, o mais provável é que um membro do GJ que tenha caminhado com Jesus seja o narrador implícito.

Jesus revela ser o caminho construído numa verdade cujo destino é a vida. A verdade são as palavras vividas e ditas pelo nosso personagem protagonista aos seus discípulos na criação redacional, as quais, no momento da leitura, o narrador implícito do GJ revela aos leitores, quiçá futuros membros do grupo.

O narrador implícito faz essa construção pelo modo como os diversos personagens reagem diante da revelação de Jesus. O leitor é conduzido a avaliar a sua própria opção de pertença. O narrador implícito proporciona ao leitor uma espécie de autoavaliação que pode conduzir a outra percepção em adorar a Deus, com o pressuposto de permanecer ou não no grupo: “Mas vem a hora e é agora em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura” (4.23). Esse é o caminho para uma nova possibilidade de ter os pecados perdoados, pois um novo santuário lhes está sendo revelado em “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (14.6).

Todos os personagens do QE são importantes por apresentarem pistas para o nosso trabalho. Desde o início do QE, quando o narrador dá testemunho de João Batista, a fórmula de revelação “Eu sou” (evgw, eivmi) é construída de modo brilhante. O narrador dá um ritmo crescente à narrativa, até que esta recebe a sua tensão máxima em nossa perícope. O personagem não só intercambializa as suas características como também apresenta uma verdade — verdade esta que foi reconhecida pelo cânon e que entrou para a história da humanidade. Deus está se revelando na pessoa de Jesus, na história dos seres humanos. Eis o GJ, com suas características linguísticas, construindo a identidade de todo um grupo, o grupo dos “do caminho”.

1 LIMA, Anderson de Oliveira. Introdução à exegese: um guia contemporâneo para a interpretação de textos bíblicos. São Paulo: Fonte Editorial, 2012, p. 10.

O terceiro capítulo dialogou com o Evangelho da Verdade e com o Tratado da ressurreição, ambos da Biblioteca de Nag Hammadi. Por ser o QE uma produção tardia, por volta do ano 80-100 d.C., quase cem anos após a morte de Jesus, temos um livro que apresenta uma cristologia baixa, quando João Batista dá testemunho de Jesus como sendo o Filho de Deus no sentido de messias, e o GJ, que cresce para uma cristologia alta, que não só crê nos sinais como em todas as revelações contidas no livro dos sinais e no livro da paixão.

Constatou-se que a Biblioteca de Nag Hammadi contém ecos do QE, principalmente os do grupo denominado gnósticos de Valentino e da escola valentiniana, situados aproximadamente em meados do séc. II (140-180 d.C.) e próximos a Irineu Lyon, no final do séc. II. Esse desenvolvimento literário do QE para os textos de Nag Hammadi possibilita contemplar marcas, crenças dos grupos construídas em seu imaginário e a maneira como estas são recebidas de um grupo para outro. Esses ecos são combatidos por Irineu, que os chama de “interpretação maligna2”.

Seu desafio mais importante nesse processo identitário do que viria a ser conhecido como cristianismo nos próximos milênios foi instruir os grupos sobre qual revelação destruir, qual se deveria manter e como interpretar as que foram escolhidas como sinal de pertença do grupo a se permanecer.

As palavras do texto de nossa perícope e dos textos da Biblioteca de Nag Hammadi comunicam o sentido dos acontecimentos. O amor de Jesus pelo grupo não é exclusivo, mas uma marca identitária a ser imitada pelos membros. É por meio de Jesus que o grupo crê na identidade divina de Deus Pai e na identidade de Jesus como filho de Deus. E assim o Pai permanece no filho, este permanece neles, e eles devem permanecer no grupo.

Lembrando que a promessa de nosso personagem é a de “outro Paráclito” (14.16), uma linguagem de conflito que denuncia o “espírito do erro” (1 João 4.6), significando que as ideias gnósticas que estão circulando não têm ecos do gnosticismo; os gnósticos é que irão herdar as ideias do QE.

2 PAGELS, Elaine. Além de toda crença: o evangelho desconhecido de Tomé. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004, p. 135.

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