5. ISPARTAKULE ÖRNEĞİNDE EN ETKİN VE VERİMLİ KULLANIM
5.2 Pazar Alanının Tanımı ve Analizi
5.2.2 Konu Gayrimenkulün Yakın Çevresi
5.2.2.1 Bahçeşehir
Introdução
Estamos construindo a identidade do GJ. Nossa pesquisa reflete sobre a possibilidade do QE apresentar uma comunidade singular, assumida dentro de uma comunidade pluralista. A ideia básica é a de um grupo que possui a verdade de um Deus que não desiste nunca (15.2), que levanta mesmo o que não produz fruto, não corta os que não permanecem “na verdade”, um grupo que vive o drama da contradição. Jesus vive num mundo que o odeia. O mundo é um lugar ruim, mas Deus o amou (3.16).
Temos a presença da construção “Eu sou” intensificando a identidade de Jesus e de seus membros, mas que também se coloca como uma linguagem de conflito, pois se “Eu sou”, o outro não é. Se “outro” Paráclito (14.16) será enviado é porque há um que não é o verdadeiro. O Paráclito a ser enviado aos que obedecem às normas e regras do grupo é o espírito da verdade. Estamos diante de uma marca identitária de um grupo, o qual possui uma “verdade”, cujo fim é a “vida eterna” como um tratado. O grupo apresenta o “caminho” e precisa defendê-lo. Presumivelmente o outro caminho apresentado não está indo bem, logo eles precisam de outro, precisam de um caminho que tenha na verdade o seu sentido. O autor implícito apresenta um grupo fragilizado pela pluralidade. Se o autor relata que Deus criou os céus e a terra (1.2-3) é porque existe outro grupo dizendo que Deus criou os céus e os arcontes, a terra (8.22). O grupo também está fragilizado pela pressão exercida pela autoridade religiosa judaica, pelos gregos, samaritanos, etc.
Por esses motivos este terceiro capítulo trabalhará brevemente os evangelhos de Nag Hammadi. Não buscamos ecos do gnosticismo no QE, pois o mesmo só se irá descobrir gnóstico quando for exteriorizado, absorvido pela cultura para, então, ser
novamente interiorizado e depois colocado em prática. O que temos circulando são as ideias.
Por meio da comparação com o Evangelho da Verdade (EV1), iremos autenticar
e finalizar a nossa pesquisa referente à identidade do GJ, o que vem a ser “verdade” no imaginário dessa comunidade e no imaginário da comunidade gnóstica, bem como no EV. Compararemos semelhanças e diferenças que nos auxiliem na construção identitária dos grupos que se apresentam e se mostram em debates. A recepção de verdade para este grupo posterior, o imaginário e a construção de pertença são caminhos para uma identificação, isto é, uma identidade.
1 Gnosticismo
A principal linha divisória da história do cristianismo antigo e gnosticismo2 é o
imperador Constantino Magno, em 306 d.C., quando o cristianismo foi adotado como religião oficial do Império Romano na tentativa de unificar a diversidade religiosa — lembrando aos leitores de que, nos três séculos antes de Constantino, Roma vivia uma pluralidade de grupos religiosos; estamos por volta dos séculos II e III d.C.
A escritura cristã antiga e gnóstica é considerada uma literatura religiosa marcada por crenças, comportamentos, retórica, questões práticas do cotidiano, normas e regras que geram a identidade dos grupos, passando por um processo seletivo da autoridade dos Pais da Igreja quanto à informação religiosa que deve chegar ao povo.
A nova religião era um rebento do judaísmo de seu tempo, e muitos dos primeiros cristãos tinha sido judeus. Como Jesus, eles aceitavam e interpretavam as escrituras judaicas, que mais tarde vieram a ser chamadas de Antigo Testamento.3
Considerando a literatura religiosa geradora de crenças, comportamentos, retórica, questões práticas, congelamento de textos, produto das diferentes culturas, fronteiras permeáveis entre a Mesopotâmia e cidades de Roma, encontramos na recepção de Jesus imagens como: taumaturgo, sabedoria encarnada, revelador, messias de Israel, Cristo, luz, caminho, verdade, vida, encarnação de outro mundo etc., vindo a
1 Daqui por diante o Evangelho da Verdade será referido como EV. 2 LAYTON, Bentley. As escrituras gnósticas. São Paulo: Loyola, 2002, 17. 3 LAYTON, 2002, p. xvii.
refletir nas diferentes correntes filosóficas e sistemas simbólicos num leque de possibilidades em que os antigos cristãos podiam escolher seu lugar — algumas dessas leituras consideradas estranhas, dentre elas a denominada gnóstica, que se insere num extraordinário mundo imagético e simbólico.
Segundo Bentley Layton, a escritura gnóstica é considerada estranha por não partilhar crenças consideradas importantes pelos cristãos — tenhamos aqui o cuidado de lembrar que o nosso olhar está influenciado pelo cânon. De acordo com Elaine Pagels, uns quatro séculos antes de T. S. Eliot, que escreveu um poema inspirado pelas primeiras linhas do QE, um filho de judeu convertido se tornou um monge espanhol místico e fervoroso. Ele adotou o nome de João e passou a se chamar de João da Cruz. Nesse sentido, podemos ver que muitos dos leitores de João se viram como herdeiros das ideias do GJ e reagiram de maneira surpreendente e criativa4. Na pluralidade de
pensamento, seja filosófico, helênico ou judaico, as ideias gnósticas ganham estrutura literária e adeptos aos diversos grupos, bem como uma variedade de ritos e liturgias na tentativa de consolidar ou legitimá-los. O imagético ganha espaço e revela a convicção de cada grupo.
O arcabouço intelectual mais abrangente para esta série de imagens é fornecido pela tríade platônica o Belo, o Verdadeiro e o Bom, que desempenhou um papel significativo na história do pensamento cristão. Em certos aspectos, corresponde a essa tríade clássica, embora de modo algum a ela idêntica, a tríade bíblica de Jesus Cristo como o Caminho e a Verdade e a Vida (14.6).5
Irineu, um importante líder de um grupo cristão na Gália do século II d.C., fica horrorizado com alguns cristãos. Como podem ler assim o Evangelho de João, o discípulo que caminhou com Jesus, e outras escrituras? Ele adverte que esses cristãos estão dando as costas à verdade, estão introduzindo mentiras. Segundo Irineu, o poeta e mestre Valentino, seu discípulo Ptolomeu e também outros inventaram todo tipo de mito sobre a origem de tudo: “a estrutura gnóstica se distingue não só pela hostilidade ao Deus de Israel, mas pela competição do mito gnóstico com o livro do Gênesis”.6
O gnosticismo surgiu em meados do século II. A língua era o grego, assim como era para o judaísmo helênico e para o cristianismo, em particular o GJ. A referência
4 PAGELS, Elaine. Além de toda crença: o evangelho desconhecido de Tomé. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004, p. 122.
5 PELIKAN, Faroslav. A imagem de Jesus ao longo dos séculos. São Paulo: Cosac & Naify, 2000, p. 6. 6 LAYTON, 2002, p. xxii.
mais antiga desse período é a de Irineu, por volta de 180 d.C. Possivelmente as questões do princípio, da origem de todas as coisas eram discutidas entre o círculo judaico, nas escolas — perguntas que aparentemente influenciaram Valentino e Ptolomeu em suas interpretações de passagens das Escrituras de Israel e do QE.
1.1 O caminho do mito gnóstico clássico no Livro Secreto de João
Trata-se de um mito filosófico, aproximadamente século II d.C., seguido de um interesse acentuado pela história mitológica da criação no Timeu de Platão em combinação com o livro de Gênesis. Especulações desse tipo eram populares entre os judeus cultos de Alexandria, de língua grega, no tempo de Fílon Judeu (c. 30 a.C.- c. 45 d.C.).7
O mito gnóstico clássico é uma criação literária de poetas teólogos, um elaborado poema simbólico teológico e não um produto espontâneo da cultura. Estava em moda no século II d.C., acompanhado pelo reavivamento do interesse pela história mitológica da criação, no Timeu de Platão, nos dois séculos anteriores.8
1.1.1 A vida no drama mítico se desenrola em quatro atos
1° Ato. A expansão de um solitário Primeiro Princípio (deus) em um universo não físico (espiritual) completo.
2° Ato. Criação do universo material, incluindo estrelas, planetas, terra e inferno.
3° Ato. Criação de Adão, Eva e seus filhos. 4° Ato. História subsequente da raça humana.9
Percorrendo a leitura encontramos um subenredo que acontece abaixo da superfície da terra, algo como perda, roubo, recuperação etc., também dividido em quatro atos.
1° Ato. Expansão do poder divino (“o Pai da totalidade”) para encher o universo espiritual.
2° Ato. Roubo e perda de algo desse poder nas mãos de um ser não espiritual (Ialdabaoth).
3° Ato. Engano do ladrão, levando à transferência de poder para uma parte da humanidade (gnósticos).
7 LAYTON, 2002, p. 5. 8 LAYTON, 2002, p. 13. 9 LAYTON, 2002, p. 13.
4° Ato. Recuperação gradual pelo divino do poder que lhe faltava à medida que as almas gnósticas são chamadas por um salvador e retornam a deus.10
O Timeu de Platão influenciou o judaísmo helênico quando este tentou explicar que a obra dizia a mesma coisa que o livro de Gênesis. Isso foi dito por Fílon, um judeu de Alexandria, e seus amigos por volta de 45 a.C., no Tratado de Fílon. Lembremos que o GJ sofre influência do judaísmo helênico. A ideia de um “criador intermediário” pode ser encontrada na teologia do logos (lo,goj): “σo princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus. No princípio ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (Jo 1.1-3). Em Platão o criador do universo é um demiurgo ( η ου γό ), uma metáfora utilizada na obra mítica da criação intitulada Timeu. O criador dos gnósticos não é um deus absoluto como é o Deus de Israel. Seu deus é intermediário entre um princípio absoluto e a terra. Os gnósticos não identificam o Deus de Israel como sendo o deus do princípio absoluto.
1.2 O espírito da vida no gnosticismo
τ que define a salvação de um gnóstico é o “espírito santo” ou “espírito da vida”. A pessoa é portadora dele se renunciar ao “espírito da falsidade” dos governantes. A marca é uma vida de ascetismo. No GJ há a promessa de outro Paráclito:
Se me amais, observareis meus mandamentos e rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco esteja para sempre, o “espírito da verdade” o qual o mundo não pode receber, porque não vê a ele e não conhece! Vós conheceis a ele, porque junto a vós permanece e em vós estará (14.15-17).
Jesus oferece ao GJ “outro Paráclito”, o “espírito da verdade”. Não exige levar uma vida de ascetismo (em particular a abstinência sexual). Temos ecos do GJ. Possivelmente o “espírito da vida” da ideia gnóstica circula no GJ, e é provável que este não tenha a característica de permanecer (me,nw). O Paráclito, porém, permanecerá para sempre, e assim como Jesus permanece neles, eles devem permanecer em Jesus.
Os outros grupos não podem receber o Paráclito porque não o conhecem. O narrador implícito do QE utiliza o verbo “conhecer” (ginw,skw). Termo antigo, gnosis fazia parte da linguagem comum em grego, inclusive no judaísmo e nos grupos cristãos. Assim far-se-á entender que os gnósticos apresentam ecos do GJ, mais uma maneira de
perceber como os leitores do QE receberam a mensagem posteriormente e como outros grupos liam o QE e o interpretavam.