O Questionário é o instrumento de pesquisa que possibilitou quantificar as variáveis de cada categoria analisada pelo estudo. O mesmo é composto, na sua maioria, por perguntas fechadas, que utilizam a escala de Likert, de escalonamento não comparativo, para avaliar o grau de concordância dos pesquisados perante cada variável. Para McDaniel e Gates (2003, p. 322): “O questionário é um conjunto de perguntas destinadas a gerar dados necessários para atingir os objetivos de uma pesquisa. Trata-se de um roteiro formalizado destinado à coleta de informações dos entrevistados”. O mesmo foi construído com base nas variáveis selecionadas para cada categoria definida no estudo: Comprometimento, Confiança, Cooperação, Poder e Satisfação. Elas são derivadas das áreas analisadas no estudo, Relações Públicas e Marketing de Relacionamento, dentro do contexto de comunicação estratégica, totalizando 30 variáveis.
O instrumento sofreu ainda duas avaliações relativas à validade de conteúdo: a primeira avaliação foi a de Método de Juízes, Acadêmicos e Práticos (Malhotra, 2001) realizada por seis especialistas, dois acadêmicos e 1 profissional de cada uma das áreas envolvidas no estudo, ou seja, de Relações Públicas e de Marketing, que contribuíram para a validade técnica do
questionário; e, após, foi realizado um pré-teste do instrumento, aplicado em quarenta pessoas, quinze alunos e cinco professores dos cursos de Administração e quinze alunos e cinco professores da área de Comunicação Social, revelando consonância à proposta de Malhotra (2001, p. 291): “Em geral, o tamanho da amostra do pré-teste é pequeno, variando de 15 a 30 entrevistados para o teste inicial, dependendo da heterogeneidade da população visada”.
A versão definitiva do questionário é composta de dois formulários, um aplicado ao corpo docente67 e o outro aplicado ao corpo discente68. Foi acrescentada, ainda, uma pergunta, do tipo aberta, que procurou apontar características e categorias relativas ao tema relacionamento organizacional. Os dois formulários possuem as mesmas variáveis, tanto em termos de ordenação quanto de sentido, tendo a redação das variáveis adaptada a cada um dos públicos pesquisados. Outro ponto importante é que a ordem das variáveis foi definida utilizando um processo de amostragem aleatória simples, descrito abaixo:
a) Codificação das variáveis: cada uma das variáveis foi numerada em ordem crescente, de zero a trinta, e registrada em planilha de controle.
b) Confecção do cartão para o sorteio: cada número ordenado, de zero a trinta, foi anotado em um papel no formato de cartão, de mesmo tamanho e gramatura.
c) Sorteio da ordem das variáveis no questionário: cada cartão foi devidamente dobrado, da mesma forma, colocados todos dentro de um saco, agitados e sorteados um a um. d) Registro da ordem das variáveis no questionário: a ordem do sorteio foi registrada na
planilha de controle, como demonstra o Anexo C.
A aplicação do questionário possibilitou a quantificação e as análises estatísticas necessárias para se verificar as hipóteses do estudo. A mesma ocorreu dentro de padrões amostrais caracterizados pela determinação do tamanho da amostra e pela definição do método de amostragem.
A determinação do tamanho da amostra para cada público pesquisado encontra-se na quadro abaixo:
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Anexo A. 68 Anexo B.
Público População (N) Tamanho da Amostra (n)
Professores de Administração 25 professores 25 professores Professores de Comunicação Social 11 professores 11 professores
Alunos de Administração 1.518 alunos 317 alunos
Alunos de Comunicação Social 265 alunos 160 alunos
Quadro 12 – Determinação do Tamanho da Amostra dos Públicos Pesquisados
Fonte: criado pelo autor com base no número de professores (anexo D) e alunos (anexo E) fornecidos por setores da Univates.
A determinação do tamanho da amostra para cada um dos públicos pesquisados levou em conta os seguintes fatores:
A significância do tamanho da população: se a população apresenta um número pequeno de componentes, como acontece na população de professores dos cursos de Administração e Comunicação Social, opta-se pela aplicação do instrumento de pesquisa à totalidade dos componentes (censo).
A amostra deve ser confiável: deve ter um padrão estatístico aceitável, no caso, ter 95% de nível de confiança e um erro máximo de 5%.
O tamanho da amostra deve ser determinado por critérios estatísticos reconhecidos: o cálculo da amostra foi realizado através da aplicação da fórmula utilizada em populações finitas, apresentada por Mattar (1996, p. 159) e descrita abaixo:
Figura 03 – Fórmula para cálculo amostral em populações finitas
Fonte: retirado da obra de Mattar (1996, p. 159)
A fórmula é composta por: “n” - determina o tamanho da amostra; “N” - representa o tamanho da população; “P” - indica a proporção de ocorrência da variável analisada e “Q” - a não ocorrência, no caso, como não se determinou previamente tal proporção, utilizou-se o critério de 50% ou 0,5 para cada um, como sugere Mattar (1996)69; e, “e” é o erro amostral máximo esperado.
69 Conforme Mattar (1996, p. 159): “Mesmo não se tendo nenhuma idéia dessas proporções na população, pode-se calcular n fazendo P = Q = 0,5 (ou p = q = 0,5). O único inconveniente que esse desconhecimento acarreta é que a amostra resultante será maior.”
4.N.P.Q n = ---
O método de amostragem utilizado foi o probabilístico, que conforme McDaniel e Gates (2003, p. 370) é a: “Amostra na qual todos os elementos da população têm uma probabilidade de seleção conhecida e diferente de zero”. E, o tipo amostragem utilizado foi a amostragem aleatória simples para a seleção dos pesquisados. As etapas da amostragem aleatória simples utilizadas no estudo estão descritas abaixo:
a) Relação dos pesquisados dos cursos de Administração e Comunicação Social da Univates: foi solicitada à Pró-Reitoria de Ensino a relação dos nomes, em ordem alfabética, e demais dados relativos aos alunos matriculados no semestre B de 2005. A Pró-Reitoria forneceu, ainda, a listagem dos professores concursados que atuam nos respectivos cursos70.
b) Codificação de todos os alunos contidos na relação: foi designado um número para cada um dos nomes da lista em ordem seqüencial: de 001 a 1518 na listagem de Administração e de 001 a 265 na listagem de Comunicação Social.
c) Seleção de cada um dos pesquisados utilizando tabela de números aleatórios: a partir de um ponto arbitrário da tabela de números aleatórios, oriunda da obra de McDaniel e Gates (2003, p. 529), foi selecionada uma amostra 20% maior da calculada para cada grupo de alunos a serem pesquisados, totalizando 381 alunos de Administração e 192 para Comunicação Social. A margem de segurança da amostra está atrelada a fatores como: o não comparecimento do selecionado no período da pesquisa, a recusa em responder ao instrumento de pesquisa e a desistência no semestre.
d) Identificação da sala de aula dos pesquisados: através da definição da lista de alunos e professores a serem pesquisados, solicitou-se à Pró-Reitoria de Ensino a autorização para a realização da pesquisa junto aos docentes e discentes e, também, o número das salas e dos prédios onde os mesmos poderiam ser encontrados durante o período da pesquisa. Foram cadastrados os dados relativos aos alunos e professores, bem como suas respectivas salas de aula. Foram impressos os formulários necessários e treinados os bolsistas (dois) para a devida aplicação do instrumento de pesquisa.
e) Realização da coleta de dados: na semana de 05 (cinco) a 09 (nove) de junho de 2006, foram coletados os dados da pesquisa da seguinte forma: os bolsistas foram a cada uma das salas selecionadas, apresentaram os objetivos da pesquisa e aplicaram os questionários. Durante a semana foram coletados: 298 formulários de alunos de Administração, 173 de alunos de Comunicação Social, 18 formulários de professores de 70 Ver anexo D.
Administração e 7 de professores da Comunicação. A partir dos números acima, identificou-se a necessidade de novo sorteio aleatório de alunos de Administração, pois não foi atingida a amostra mínima necessária (317 alunos pesquisados) e outra forma de abordagem (por endereço eletrônico ou telefone) junto aos professores não pesquisados. Utilizando os critérios citados acima, na semana de 12 a 16 de junho, foram totalizados 324 alunos de Administração pesquisados e somente um professor de Comunicação não aceitou participar da pesquisa.71
f) Tabulação dos dados: os 532 questionários72 preenchidos foram devidamente analisados procurando identificar problemas de preenchimento, tais como borrões e não resposta. Após, utilizando o controle de formulários preenchidos73, foram sorteados 5% dos respondentes74, de forma aleatória, para serem contatados, via telefone, buscando identificar se realmente haviam respondido o questionário, e solicitando criticas, sugestões e impressões sobre o instrumento de pesquisa aplicado. Todos os contatados confirmaram o preenchimento do questionário e, na sua grande maioria, elogiaram a iniciativa da pesquisa. Assim, todos os formulários foram devidamente tabulados, via leitora ótica, criando o banco de dados relativos à pesquisa da tese.
Cabe destacar, ainda, que o desenho de pesquisa construído para a tese, associado aos processos e às técnicas de investigação apresentaram, de forma sistemática, os procedimentos metodológicos que permitiram dar consistência ao estudo. Conforme Santaella (2001), a construção de uma pesquisa se dá pela definição de uma coluna dorsal representada pelo tripé: problema(s) de pesquisa, hipóteses e metodologia. A definição do tripé científico que dá sustentação à tese possibilitou a operacionalização do trabalho gerando as análises e interpretações sobre o tema proposto que estão descritos a seguir.