As entrevistas foram feitas diretamente com os convidados em dias e locais combinados previamente, com as devidas autorizações de suas identificações e gravações em fitas cassete, sendo posteriormente transcritas e digitalizadas. Encontram-se arquivadas em fitas cassetes, disquetes, e gravadas em cd-rom, com as transcrições digitalizadas. Um cd-rom será anexado a cada monografia
impressa para eventuais pesquisas por parte de algum interessado. A governadora Wilma Maria de Faria, solicitou que as perguntas fossem encaminhadas através da sua assessoria de comunicação, sendo posteriormente respondidas, e enviadas por e-mail por um de seus assessores.
O tipo de entrevista adotada foi a não estruturada focalizada, (LAKATOS, 1991) seguindo um roteiro em que as perguntas foram estruturadas obedecendo a um histórico cronológico dos fatos, e que esclarecesse pelas suas respostas as questões formuladas, um entendimento lógico racional, de todo o processo decorrente nesses mais de dez anos, recorte deste trabalho, desde da implantação da acessibilidade a partir do sancionamento da Lei Municipal nº 4090, de 03 de junho de 1992 até em 2003. Pelo tipo de entrevista adotada, muitas vezes houve mudanças e redirecionamentos nas perguntas e respostas, em função do perfil do entrevistado e respeitando a subjetividade de cada entrevistado, que pelo interesse e afã em participar, redirecionavam algumas respostas que achavam importante deixar registradas, dada a vontade de contribuir com o trabalho.
5.5 SEGUNDO MOMENTO: CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DOS ENTREVISTADOS
Após o levantamento fotográfico encerrado e catalogado, passou-se para uma nova etapa, os critérios de escolha dos entrevistados. Foi feita uma pesquisa com seus envolvimentos com o tema acessibilidade na cidade do Natal nos últimos dez anos. Selecionou-se pessoas idôneas que ocupam ou ocuparam cargos técnicos ou de confiança em nível de decisões públicas e privadas, em especial envolvidas com as legislações vigentes, como é o caso da Lei Municipal nº 4.090/92, do Plano Diretor da cidade do Natal, o Estatuto da Cidade, o Código de Obras, a NBR 9050. Que de alguma maneira tivessem interferido nas legislações e execuções das políticas e gestões públicas, vez que o foco da pesquisa direciona para avaliações no âmbito que concerne à parte da eliminação das barreiras arquitetônicas, e conseqüentemente para uma melhor qualidade de vida para pessoas com deficiência temporária ou permanente. Um dos critérios de seleção dessas pessoas foi de trabalharem na área,
especialistas que apresentaram e apresentam propostas de políticas públicas ou de soluções técnicas para as vias públicas e edificações, procurando implantar no desenho urbano as informações técnicas decorrentes do desenho universal e da NBR 9050, a espinha dorsal de todo processo de implantação da acessibilidade, nas adequações específicas no planejamento urbano da cidade. São essas pessoas, que discutem e contribuem de uma forma criativa e personalizada, as soluções para a integração e inclusão social da pessoa com necessidade especial. Foram contatados e convidados treze representantes de organizações governamentais, de associações civis que vêem contribuindo com excelentes sugestões pelas suas vivências “in loco”, das reais necessidades de quem convive no dia a dia com os problemas das barreiras arquitetônicas dentro do âmbito urbano na cidade.
Além disso, todos os entrevistados são pessoas íntegras, idôneas, escolhidas pelos seus perfis profissionais, pelo tempo de prestações de serviços, pelas suas competências profissionais, pelos cargos públicos ou privados de confiança que ocuparam ou ocupam atualmente na cidade, e por terem residência fixa em Natal, critérios esses, que dá a plena garantia que os seus depoimentos são fidedignos e atendem, portanto, as normas para publicações e a segurança de tornar o trabalho com caráter de cientificidade.
Finalmente e importante deixar registrado que em todas as entrevistas, ao final se teve uma avaliação de zero a dez dadas pelos entrevistados, sem nenhum critério sugerido. Foram excluídas duas notas, a maior e a menor do grupo, para resguardar o direito de privacidade21. Somadas as notas restantes foi efetuada a sua média, para se ter uma avaliação de 1992 a 2002 da cidade do Natal dada por alguns dos melhores especialistas na área de acessibilidade. Muito embora não se tenha sugerido nenhuma norma para suas avaliações, percebe-se que os entrevistados usaram critérios bem definidos, como é o exemplo, da professora Gleice Elali quando comentou:
21Muitos dos entrevistados ocupam ou ocuparam cargos públicos de confiança. A não identificação individual das
Essa é a sua pergunta mais difícil. Vamos lá: (i) pela intenção de tornar a cidade acessível; (ii) pelo inicio dos trabalhos; (iii) pelo esforço da CORDE, José Gesy e companhia; (iv) pelo esforço de Rosário e todo pessoal da SEMURB; (v) pela iniciativa do CREA em participar; acho que a nota seria...( ) Em termos dos resultados alcançados, essa nota pode diminuir, talvez para..( ) porque, no conjunto, os esforços para tornar Natal acessível foram pequenos, e se concentraram numa minúscula parte da cidade. Isso mostra, infelizmente, que o resultado não depende só dos esforços das pessoas envolvidas. Ele é função de toda uma política social e da aceitação social desse investimento, além de depender de uma visão empresarial. Não é só dizer “vamos tornar a cidade acessível”, é preciso que o empresário que trabalha o dia a dia invista nisso, que o ambulante não encha as calçadas de mercadorias impedindo a passagem dos pedestres, que o rapaz apressado para entrar no banco não estacione na vaga dos deficientes nem na descida da rampa.. um monte de pequenos gestos de inclusão que não vemos hoje. Logo, esse é o tipo de política que só se consolida lentamente. Primeiro as pessoas precisam ser sensibilizadas, depois conscientizar-se para entrar realmente no esquema. Estamos numa fase intermediária, apenas quando muita gente se interessar por facilitar a processo inclusivo, nós teremos uma cidade realmente acessível.
Concluído esse último item, serão tratados no próximo capítulo, na seqüência lógica do andamento da tese, assuntos que se seguem como: a participação das entidades civis no contexto, fatos que antecederam a Lei Municipal nº 4.090, processo de elaboração da Lei Municipal nº 4.090 e a importância da imprensa no contexto social da acessibilidade na cidade do Natal.
6 UM RESGATE DA LEI MUNICIPAL Nº 4.090
São tratados neste capítulo, depoimentos de alguns entrevistados, que irão se somar aos itens posteriores que se refere: a participação das entidades civis, a fatos que antecederam a Lei Municipal nº 4.090, seu processo de elaboração, e finalizando se verá a importância da imprensa no contexto da política pública.