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conhecimento do fenômeno das

mudanças climáticas? Qual a sua opinião sobre este fenômeno em termos globais e nacionais ? Ele integra as atividades ou

projetos institucionais?

-É o tempo. As condições climáticas estão alterando os rios, montanhas. O mar está invadindo. O homem é responsável.

-Tem a ver com desmatamento, lixo. Muito lixo no bairro. Alagamentos também têm a ver com isso.

- Mudança do tempo. Mistura das estações. Não há

mais distinção. Uma estação dura mais do que a outra.

Mais aquecimento. Aparecimento de

fenômenos como o Katarina,ciclones, tufões. Chuva de granizo que antes não acontecia.

Respostas bastante diversas entre causas e conseqüências. Quando questionados sobre os possíveis impactos no Brasil e no mundo os entrevistados apresentaram respostas diferentes da primeira pergunta, sobre o problemas e ameaças da comunidade, talvez por não reconhecerem que além do citado alagamento, a Tapera pode estar sujeita aos mesmos impactos pensados de forma mais ampla e global.

3. Na sua opinião, quais seriam as ameaças e impactos prováveis das variações climáticas em sua comunidade?

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4. O(a) senhor(a) considera que sua comunidade contribui de algum modo para esse fenômeno? Se sim, como? Se não, por quê?

i. È uma bola de neve. Não jogar lixo, fazer rede de esgoto, tudo está na cultura. Eles queimam lixo. Todos contribuímos. O esgoto aqui é a céu aberto. Muita área invadida. Muito gato de água. Tem valinhas por onde passam cano de água potável dentro da vala grande. As crianças brincam ali.

ii. Falta responsabilidade. Mal

armazenamento do lixo, cuidados com o bairro. Esgoto aberto nos terrenos, não há encanamento, não só dos moradores, mas saneamento.

iii. Tem muito lixo, sofá na rua, tudo jogado. Na Rua do Juca tinha uma vala a céu aberto, mas foi fechada. Antes dava para ver o esgoto, lixo. Tudo direto para o mar. Mas acho que a prefeitura está fazendo um sistema de tubulação no bairro. O sul da ilha inteiro não tem sistema de tubulação.

Referente às responsabilidades da própria comunidade foi citado o mau armazenamento do lixo, principalmente no que diz respeito ao trabalho dos recicladores – a reciclagem (venda de materiais) é uma atividade que propicia renda a muitos moradores. Outro ponto bastante frisado é a questão do encanamento e saneamento básico, que produz esgoto lançado diretamente no mar. Recorrentes também são as manifestações que denunciam a ausência de programas sociais e ambientais na comunidade.

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5. Qual(is) o(s) seu(s) envolvimento(s) ou de sua organização com as questões

apontadas nas duas respostas anteriores? Destaque a

participação em alguma instância política local, quando houver.

-Não há envolvimento, nunca ouvi falar.

De modo geral não visualizam ações das entidades ou deles próprios que tenham relação com a questão das mudanças climáticas

6. Como avalia os principais programas públicos que incidem na comunidade, tendo em conta as demandas da comunidade e os fatores de vulnerabilidade sócio- ambiental da mesma?

- Falta preocupação das entidades publicas. Fossa aberta, até muitas pessoas já caíram lá. Mal cheiro. Há muito descaso e muito a ser feito. Até por conta da creche. Nós tratamos o esgoto, mas no final vai para um a vala sem tratamento.

Outros problemas, que não são sempre ou prontamente associáveis à dinâmica do clima, foram seguidamente citados. Entre eles a ausência de espaços públicos, carência na infra-estrutura hospitalar e atendimento psico-social.

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7. Caracterize a interação e debates entre as entidades presentes em sua comunidade, destacando os interesses e eventuais conflitos relacionados com as questões abordadas antes.

- Não há. São poucos e poucos articulados os programas ou ações na

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8. Que elementos o(a) senhor(a) sugeriria para a construção de uma agenda de ação local e que instituições deveriam estar envolvidas?

- Deveria participar a saúde, universidade, empresas. Deve haver uma mudança de cultura, mais investimentos.

iv. Hoje trabalhar com lixo reciclável, rende bem. Mas há pouco incentivo.Poderia ser melhor aproveitado com cooperativas. v. Por outro lado há pessoas interessadas em melhorias mas não sabe o que fazer. Sei de uma senhora que quer ensinar, tem um máquina, mas não sabe o que fazer. Tem muita burocracia. Deveria estimular espaços e recursos para quem quer ajudar.

- Todos deveriam participar. O Conselho comunitário do bairro, que não é presente. A igreja, enfim a comunidade inteira. Na prefeitura os vereadores que tem proximidade também.

- Verificar os morros, construções

irregulares. Tem muita burocracia e é muito caro ter acompanhamento de engenheiros para construção das casas. A Prefeitura deveria formular uma planta de orientações onde construir, com o tipo de fundação certa... Essas coisas.

- Também deveria haver um programa de educação para ensinar os catadores de berbigão.

- Conscientização da comunidade. Tem muitos recicladores. Famílias que vivem da reciclagem mas só valorizam alguns materiais como o papelão e a latinha.

Quanto à elaboração de um plano de ação, as manifestações de atores sociais apontam em comum a necessidade do desenvolvimento de um trabalho com os recicladores, e sobre o encaminhando do lixo. Aspecto igualmente lembrado é a evidente necessidade de tratamento de efluentes. Apesar de algumas iniciativas a respeito, a burocracia de órgãos públicos tem sido um empecilho para melhorias segundo eles.

Emergem como demandas importantes que os moradores desfrutem de espaços e condições para refletirem sobre o fenômeno das mudanças climáticas para então participarem do processo que buscamos construir: capacidade de adaptação. Seria importante familiarizá-los com conceitos discutidos em diferentes âmbitos, por exemplo, a partir de textos didaticamente pensados para essa função, Essa pode se revelar da maior importância para uma adequada elaboração de uma agenda de ação local.