C. İDAREYE İLİŞKİN BİLGİLER
II. AMAÇ VE HEDEFLER
Em 1906, o então presidente do Estado do Rio de Janeiro, Nilo Peçanha, por meio do Decreto no 787, de 11 de setembro, fundou no Estado do Rio de Janeiro quatro escolas profissionais: Campos, Petrópolis, Niterói, e Paraíba do Sul, sendo as três primeiras para o ensino de ofícios manufatureiros e a última à aprendizagem agrícola. Por meio do Decreto no 1008, em 15 de dezembro, foi criada também a escola de Resende destinada ao ensino agrícola. Conforme aponta Cunha (2000), embora essas escolas tivessem vários aspectos que as diferenciassem (regime de internato ou externato, idade de ingresso, rigidez da disciplina, currículo) estavam todos orientados para a consecução do mesmo fim: formação de força de trabalho industrial em termos técnicos e ideológicos.
Apesar de criadas para “educar” os menores desvalidos, devido à inexistência de programas e a ciclos acadêmicos indefinidos, bem como à falta de professores preparados e instalações e maquinários inadequados, estes estabelecimentos tiveram vida curta, duraram pouco mais que um ano (GOMES, 2004).
No mesmo ano, além dessas ações, outros fatores foram essenciais para a implantação de uma Educação Profissional no País. Um deles foi a declaração de Afonso Pena, então Presidente da República, em seu discurso de posse, no dia 15 de novembro de 1906: “A criação e multiplicação de institutos de ensino técnico e profissional muito podem contribuir também para o progresso das indústrias, proporcionando-lhes mestres e operários instruídos e hábeis”. Segundo Brandão (1999), se, por um lado, o discurso parece marcado pela ideia simplista de que formando mão de obra "hábil" para a indústria teríamos como consequência o seu desenvolvimento, por outro, demonstra já alguma preocupação com a necessidade de providências para o desenvolvimento industrial do País, ao mesmo tempo que explicita também a necessidade de formar um trabalhador nesse sentido.
O Senado, por meio da Comissão de Finanças, aumentou a dotação orçamentária para os Estados instituírem escolas técnicas e profissionais elementares, sendo criada, na Estrada de Ferro Central do Brasil, a Escola Prática de Aprendizes das Oficinas do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro (SAMPAIO, 2010).
Em dezembro de 1906, ocorreu o “Congresso de Instrução”, na cidade do Rio de Janeiro. Com base em Cunha (2000), o evento apresentou ao Congresso Nacional um anteprojeto de lei para promoção do ensino prático industrial, agrícola e comercial, nos estados e na capital da República, a ser mantido pelo Governo da União e parceria com os Estados, onde os Estados arcariam com a terça parte das despesas.
O anteprojeto previa a criação de campos e oficinas escolares, assim como institutos profissionais. Esses seriam implantados em cada município, em número correspondente à população.
A proposta era de oferta de cursos (diurnos e noturnos) variados: ensino prático elementar de comércio e indústria; ensino prático e elementar de agricultura; serviços domésticos; internato de ensino prático industrial e agrícola para “menores desamparados e viciosos”; campos de experiência e demonstração; cursos industriais, agrícolas e comerciais; cursos de aprendizagem de ofícios nos quartéis e nos navios de guerra; cursos de aprendizagem agrícola para os praças.
De acordo com o anteprojeto, vislumbrou-se, no currículo de formação geral dos cursos, a Matemática por meio dos seguintes componentes curriculares: aritmética, geometria plana, desenho linear, elementos de trigonometria, elementos de geometria descritiva.
O anteprojeto foi esquecido nos arquivos da Câmara dos Deputados, mas, três anos depois, foi baixado o decreto presidencial que criava as escolas de aprendizes artífices que, sem a amplitude, convergia com ela em diversos pontos (CUNHA, 2000).
Deste modo, o presidente Nilo Peçanha, em 23 de setembro de 1909, assina o Decreto no 7.566, criando em diferentes unidades federativas, sob a jurisdição do Ministério dos Negócios
da Agricultura, Indústria e Comércio, dezenove Escolas de Aprendizes Artífices, destinadas ao ensino
profissional, primário e gratuito para os “desafortunados”. O 2o artigo do Decreto no 7.566 prevê:
Nas Escolas de Aprendizes Artifices, custeadas pela União, se procurará formar operarios e contra-mestres, ministrando-se o ensino pratico e os conhecimentos technicos necessarios aos menores que pretendem aprender um officio, havendo para isso até o numero de cinco officinas de trabalho manual ou mecânico que forem mais convenientes e necessárias no Estado em que funccionar a escola, consultadas, quanto possível, as especialidades das industrias locaes. (FRAJUCA; MAGALHÃES, 2009, p. 92)
Os cursos, cujos programas eram aprovados pelo ministro, funcionavam em regime de externato, com aulas das 10 horas até às 16 horas. Conforme o artigo 6o, tinham preferência os desfavorecidos de fortuna, e eram requisitos de acesso: i) idade de 10 anos no mínimo e de 13
anos no máximo; ii) não sofrer moléstia infectocontagiosa, nem ter defeito que o impossibilite para o aprendizado do ofício.
Conforme o artigo 8o do decreto, cada escola deverá ofertar dois cursos noturnos: i) primário – obrigatório para os alunos que não sabiam ler, escrever ou contar; ii) desenho – para os alunos que necessitavam dessa disciplina para aprendizagem do ofício.
Segundo Cunha (2000), a rede de escolas não inovou muito em termos ideológicos e pedagógicos; ao menos no início de seu funcionamento, ela trouxe uma grande novidade em relação à estrutura do ensino, por constituir, provavelmente, o primeiro sistema educacional de abrangência nacional.
O Decreto no 7763, de 23 de dezembro de 1909, dispõe que, caso em um estado exista um estabelecimento do tipo das escolas de aprendizes artífices, custeado e subvencionado pelo respectivo estado, o governo federal poderá deixar de instalar aí a escola de aprendizes e artífices, auxiliando o estabelecimento estadual com uma subvenção igual à cota destinada à instalação e custeio de cada escola. Deste modo, cada estado recebeu essas escolas, com exceção do Rio Grande do Sul, onde já funcionava o Instituto Técnico Profissional da Escola de Engenharia de Porto Alegre, mais tarde denominado Instituto Parobé. O Decreto no 9.070, de 25 de outubro de 1911, declara este Instituto como Escola de Aprendizes Artífices, enquanto não for estabelecida a escola da União; esta escola nunca veio a existir. Por já existir o Instituto Profissional Masculino, no Distrito Federal também não foi instalada uma escola de aprendizes artífices – legislações posteriores previram a criação da Escola do Distrito Federal, porém a mesma não chegou a ser implantada. Assim, dos vinte estados, apenas dezenove receberam a Escola de Aprendizes Artífices.
Na capital do estado de São Paulo, o início do funcionamento da escola ocorreu no dia 24 de fevereiro de 1910, instalada precariamente em um barracão improvisado na Avenida Tiradentes, sendo transferida, alguns meses depois, para as instalações no bairro de Santa Cecília, à Rua General Júlio Marcondes Salgado, no 234, lá permanecendo até o final de 1975 (FONSECA, 1986), transferida para o bairro Canindé, à Rua Pedro Vicente, no 234 – sua atual localização (IFSP – Campus São Paulo e reitoria).
Com uma exceção da escola do estado do Rio de Janeiro, as escolas foram instaladas sempre na capital dos estados, independente se elas eram populosas ou se a produção manufatureira fosse intensa; deste modo, o critério de dimensionamento do sistema e de localização das escolas não correspondiam à dinâmica da produção manufatureira (CUNHA, 2000).
Na Tabela 1, percebe-se que a variável “número de operários” nem sempre acompanhava o quantitativo de alunos matriculados nas Escolas de Aprendizes Artífices; como exemplo extremo, temos São Paulo, Minas Gerais e Bahia, que possuíam um número baixo de aprendizes artífices em relação ao número de operários do estado. Em contrapartida, nos estados da Paraíba, Paraná e Espírito Santo havia, proporcionalmente aos outros estados, muitos aprendizes artífices em relação ao número de operários.