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FAALİYETLERE İLİŞKİN BİLGİ VE DEĞERLENDİRMELER

B. TEMEL POLİTİKA VE ÖNCELİKLER

III. FAALİYETLERE İLİŞKİN BİLGİ VE DEĞERLENDİRMELER

O Brasil tem apresentado um considerável crescimento social e econômico nos últimos anos. Conforme dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao primeiro trimestre de 2011, o Produto Interno Bruto (PIB – conjunto dos bens e serviços produzidos no país) brasileiro cresceu 1,3% no primeiro trimestre deste ano, incremento de 4,2% em relação ao mesmo período de 2010. Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 939,6 bilhões no primeiro trimestre de 2011.

Com a divulgação do PIB do primeiro trimestre de 2011, o Brasil aparece na quarta colocação no acrônimo BRICS - sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China e África do

Sul (em inglês: South Africa) - que se destacaram no cenário mundial pelo rápido crescimento

das suas economias. Conforme apresentado pela imprensa8, a China lidera o ranking do crescimento, com alta de 9,7%, seguida pela Índia, com avanço de 7,8%. A África do Sul aparece em terceiro, com alta de 4,8%, à frente do Brasil que registrou expansão de 4,2%. Em quinto lugar, vem a Rússia, com alta de 4,1%.

8 Divulgado, em 05 de março de 2011, pelo Jornal “O Globo (Economia)” por meio da matéria jornalística de Clarisse Spitz intitulada por Entre os Brics, crescimento do PIB brasileiro só supera expansão da Rússia disponível em http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/06/03/entre-os-brics-crescimento-do-pib-brasileiro-so-supera-expansao-da- russia-924604965.asp. Acesso em: 14 jun. 2011.

Desde 2009, os líderes do grupo realizam cúpulas anuais, salienta-se que apenas em 2011 a África do Sul foi convidada a se juntar ao grupo, formando o BRICS (antes denominado apenas de BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China).

O BRICS tem procurado formar alianças, transformando, assim, seu crescente poder econômico em uma maior influência geopolítica, visto que o conjunto desses cinco países representa, atualmente, mais de um quarto da área terrestre do planeta e mais de 40% da população mundial.

Deste modo, fica evidente a ocupação privilegiada do Brasil no mercado internacional e posição considerável em organismos mundiais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), dentre outros. Ou seja, o País tem fomentado o crescimento econômico com investimentos consideráveis nos diversos setores da economia, tornando-se referência econômica mundial, propício para investimentos e, consequentemente, o fortalecimento de seu capital nacional.

Algumas ações na história econômica do País foram úteis para esse crescimento. Nos anos 50, Juscelino Kubitschek incentivou a indústria automobilística, a abertura de estradas e a criação de Brasília. Nos anos 70, os governos militares fomentaram investimentos em infraestrutura (abertura e asfaltamento de milhares de quilômetros de estradas, construção de usinas de energia como Itaipu e outras, a Ponte Rio-Niterói, aeroportos, portos, criação do Pró-Álcool e da Telebrás etc.). Em 1994, o governo Itamar Franco propôs a criação do Plano Real – programa brasileiro de estabilização econômica que promoveu o fim da inflação elevada no Brasil, situação que já durava aproximadamente 30 anos.

O Governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), período de 1995 a 2002, investiu na duplicação de 1300 km de rodovias entre Belo Horizonte e Florianópolis, e dos trechos BR- 232 (140 km entre Recife e Caruaru) e BR-230 (132 km entre João Pessoa e Campina Grande), incrementando a economia nordestina. FHC também asfaltou rodovias de terra da Região Norte, para melhorar a economia e a integração nacional: com a Venezuela, ao asfaltar a rodovia BR-174 (988 km ligando Manaus a Boa Vista), e com o Peru e Bolívia, ao asfaltar a rodovia BR-317 (331 km ligando Rio Branco a Assis Brasil, na fronteira tríplice). No governo FHC houve reformas que possibilitaram o avanço econômico como Lei de Responsabilidade Fiscal, reformas do Estado e da previdência, quebra do monopólio das estatais e privatizações, fatores que influenciaram a redução radical da inflação, contribuindo para o crescimento econômico brasileiro.

Em 28 de janeiro de 2007, foi lançado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), que caracterizava-se como um conjunto de medidas políticas econômicas visando estimular o crescimento da economia brasileira por meio do investimento em obras de infraestrutura (portos, rodovias, aeroportos, redes de esgoto, geração de energia, hidrovias, ferrovias, etc.). Este modelo de desenvolvimento econômico e social combina crescimento da economia com distribuição de renda, proporcionando a diminuição da pobreza e a inclusão de milhões de brasileiros no mercado formal de trabalho.

Conforme divulgado pelo Governo Federal9, o PAC previa investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010 e, em fevereiro de 2009, recebeu um aporte de 142 bilhões de reais para as obras. Era constituído por um conjunto de medidas cujo objetivo principal era favorecer a implementação dos projetos. Entre estas medidas, podemos citar a desoneração tributária para alguns setores, medidas na área ambiental para dinamizar o marco regulatório, estímulo ao financiamento e crédito, medidas de longo prazo na área fiscal.

Em 29 de março de 2010, o governo Lula lançou a segunda etapa do PAC, prevendo investimentos nas áreas: Energia, Água e Luz Para Todos, Comunidade Cidadã (aumento da cobertura de serviços nas cidades), Minha Casa, Minha Vida, Transportes e Cidade Melhor (voltadas para as cidades).

Em consequência dos consideráveis e constantes fomentos supracitados no crescimento econômico do país nos últimos anos, ocorrem fatores marcantes de desenvolvimento, principalmente abarcando investimentos em inovação tecnológica: as pioneiras pesquisas em produção combustíveis, como produção de petróleo em águas profundas, de onde aproximadamente 73% das reservas brasileiras são extraídas, etanol, biodiesel e outros combustíveis menos poluidores; pesquisas em projetos de construção de submarinos a aeronaves, bem como pesquisas espaciais, sendo o único país do Hemisfério Sul a integrar a equipe responsável pela construção da Estação Espacial Internacional (EEI). Ressalta-se, ainda, que o Brasil foi o primeiro país capitalista a reunir as dez maiores empresas montadoras de automóvel em seu território.

Diante desse crescimento, surge um novo perfil profissional do trabalhador brasileiro, com demanda acentuada de qualificação profissional e tecnológica para atuação nos diversos setores produtivos da sociedade.

9 Divulgado pelo Governo Federal por meio do Relatório de Balanço 2 (fevereiro/2009) – disponível em: http://www.brasil.gov.br/ pac/relatorios/nacionais/6o-balanco-2-anos/parte-1-apresentacao-quadro-macroeconomico- medidas-institucionais-gestao-do-pac-e-investi mentos-em-infraestrutura-1. Acesso em: 08 jan. 2012.

Desse modo, a dicotômica relação de exploração entre trabalhador e empregador torna-se menos conflitante, diante da interdependência constituída nos setores produtivos entre os empresários (ou seus gestores) e os trabalhadores (ou profissionais), vista a necessidade de assunção nos postos de trabalho de mão de obra cada vez mais qualificada. Não se faz presente neste trabalho uma noção ingênua de classes sociais; considera-se a incidência de conflitos e lutas de classes presentes em uma sociedade capitalista, bem como nas relações trabalhistas sindicalistas por melhorias de salários e de condições de trabalho.

Contudo, resgata-se neste trabalho uma discussão da importância dada, pela Administração, ao capital humano nas organizações, entendendo o capital humano como um dos principais ativos intangíveis que garante o crescimento financeiro e econômico destas organizações frente aos mercados altamente complexos e competitivos. Logo, estreitam-se as relações entre mundo do trabalho e instituições de ensino devido a esta e outras mudanças constantes do contexto econômico, em que a formação profissional tecnológica torna-se um valor de mercado, que cada vez mais depende da qualidade de conhecimentos e serviços prestados. Ou seja, profissionais bem formados se tornam um diferencial competitivo para os setores produtivos – visto que os bens tangíveis são facilmente copiáveis e profissionais bem qualificados “não”, pois promovem a inovação. Releva-se que a “gestão de pessoas e do conhecimento” torna-se ferramenta e estratégia para a gestão empresarial, superando a ideia de “despesas com pessoal” por uma perspectiva de “investimento em capital humano”.

Neste contexto, instituições de Educação Profissional de qualidade tornam-se essenciais para garantir a sustentabilidade do processo de crescimento econômico e social do país. Estas possibilitam a formação de profissionais qualificados para atuar com competência nos mais variados setores produtivos.

Entidades ligadas aos setores produtivos, principalmente do “Sistema S” (Sesi, Sesc, Senai, Senac, Senar, Sebrae, previstas pela Constituição Federal - artigo 149) têm apresentado em seus relatórios que um dos maiores problemas enfrentados pelas empresas é a falta de profissionais qualificados.

A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) confirma que encontrar trabalhadores devidamente qualificados representa um dos principais problemas para as empresas no Brasil. Um estudo feito em janeiro de 2011, com 1.616 empresas – sendo 931 pequenas, 464 médias e 221 grandes –, aponta que 69% das empresas consultadas afirmam que enfrentam problemas devido à falta de profissionais qualificados no mercado, e 52% das empresas industriais afirmam que a má qualidade da Educação Básica é uma das principais dificuldades que enfrentam para qualificar os trabalhadores.

O relatório aponta ainda que a falta de trabalhador qualificado atinge todas as áreas e categorias profissionais das empresas, mas afeta mais intensamente a área de produção, sobretudo operadores e técnicos. Conforme o relatório, toda a indústria é afetada, independente de porte, setor ou região e, consequentemente, impacta diretamente a competitividade da indústria brasileira, afetando a produtividade e a qualidade (SONDAGEM ESPECIAL, 2011a).

Em outro relatório da Sondagem Especial da CNI, específico do setor da Construção Civil, também apresentado em abril de 2011, mostra que: 89% das empresas da construção civil consultadas afirmam que a falta de trabalhador qualificado é um problema para a empresa; 61% das empresas sustentam que enfrentam a falta de trabalhador qualificado e sustentam que o problema afeta a busca pela eficiência e a redução de desperdícios; 56% das empresas corroboram que a alta rotatividade dos trabalhadores é uma das principais dificuldades que enfrentam para qualificá-los; 94% que enfrentam a falta de trabalhador qualificado têm dificuldade de encontrar profissionais básicos ligados à obra, como pedreiros e serventes; 64% que dizem enfrentar a falta de trabalhador qualificado adotam a capacitação na própria empresa como uma das principais formas de lidar com o problema; 91% das empresas acreditam que precisam investir em qualificação.

O relatório aponta ainda que a falta de trabalhador qualificado é um importante obstáculo ao crescimento da economia no Brasil. A questão deve ser tratada com ações de curto e longo prazo. No curto prazo, o relatório aponta que é preciso intensificar a capacitação dos trabalhadores tanto nas empresas, como nas escolas técnicas e profissionalizantes e nas universidades; outra possibilidade é a integração do seguro- desemprego com a capacitação dos trabalhadores. As empresas precisam intensificar o investimento em atração e retenção do trabalhador. Em longo prazo, as empresas precisam investir em inovação e o Brasil precisa investir na qualidade da educação, sobretudo da Educação Básica. O relatório ressalta, ainda, que não se deve confundir uma política de longo prazo com uma política não emergencial (SONDAGEM ESPECIAL, 2011b).

Visto este cenário, o Ministério da Educação põe em prática uma série de ações vislumbrando o desenvolvimento econômico e a inclusão social no País. Dentre elas, na Educação Profissional e Tecnológica foram instaladas 214 novas escolas, visando implantar a RFEPCT, expandindo a Educação Profissional no País, na perspectiva de colaboração com os demais sistemas de ensino. Ao mesmo tempo, encaminha-se a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia presentes em todos os Estados e no Distrito Federal. A Escola Técnica do Brasil (e-Tec Brasil) ampliou as vagas públicas de cursos técnicos,

possibilitando, pela utilização da modalidade de educação a distância, a formação de jovens residentes nas periferias dos grandes centros e em regiões isoladas. O PROEJA tem viabilizado a formação plena de sujeitos, até então, excluídos dos sistemas de ensino. O Programa Escola de Fábrica, educação em ambiente de trabalho, e o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (PROJOVEM), com todas as limitações que possam ter, estendem a mão a milhares de jovens, reforçando seus vínculos com a escola.

Uma das mais importantes ações, conforme apontado anteriormente, ocorreu em 29 de dezembro de 2008, por meio da Lei no 11.892, onde o Governo Federal reconfigura a RFEPCT (ver anexo A), visando acelerar o crescimento econômico e a inclusão social no Brasil, conforme apresentado pelo Secretário de Educação Profissional e Tecnológica.

O “carro-chefe” da RFEPCT são os Institutos Federais; estes possuem uma concepção de organização pedagógica verticalizada da Educação Básica à Educação Superior, pois permitem uma atuação dos docentes nos diferentes níveis de ensino e um compartilhamento pelos alunos dos espaços de aprendizagem, incluindo os laboratórios, possibilitando o delineamento de trajetórias de formação que podem ir do curso técnico ao doutorado (PACHECO, s/d).

Os Institutos Federais, no desenvolvimento de suas ações, garantem a oferta de 50% de suas vagas para a EPTNM, prioritariamente na forma de cursos integrados, para os concluintes do Ensino Fundamental e para o público da Educação de Jovens e Adultos, e 20% para cursos de licenciatura, bem como programas especiais de formação pedagógica, com vistas à formação de professores para a Educação Básica, sobretudo, nas áreas de Ciências e Matemática, e para a Educação Profissional.

Como aponta o próprio secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Eliezer Pacheco:

A criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia dá visibilidade a uma convergência de fatores que traduzem a compreensão do atual governo quanto ao papel da educação profissional e tecnológica no contexto social do Brasil e deve ser reconhecida como ação concreta das atuais políticas para a educação brasileira. Esta compreensão considera a educação profissional e tecnológica estratégica não apenas como elemento contribuinte para o desenvolvimento econômico e tecnológico nacional, mas também como fator para fortalecimento do processo de inserção cidadã de milhões de brasileiros. (PACHECO, s/d, p. 11-12).

Deste modo, os Institutos Federais têm como pressuposto, conforme o discurso do secretário, a inclusão social de brasileiros no mundo do trabalho, apresentando uma preocupação tanto na esfera sociocultural quanto econômica; ou seja, estimular e apoiar processos educativos que levem à geração de trabalho e renda e à emancipação do cidadão na

perspectiva do desenvolvimento socioeconômico local e regional, conforme disposto na lei de criação (Lei no 11.892/2008).

Conforme o artigo 2o da lei de criação, os Institutos Federais caracterizam-se como instituições de Educação Superior e Educação Básica, pluricurriculares e multicampi, especializados na oferta de Educação Profissional e Tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos com as suas práticas pedagógicas.

A referida lei equipara os Institutos Federais às Universidades Federais para efeito da incidência das disposições que regem a regulação, avaliação e supervisão das instituições e dos cursos de Educação Superior. A lei concede autonomia para os Institutos Federais para criarem e extinguirem cursos (presenciais e a distância) nos limites de sua área de atuação territorial, bem como para registrar diplomas dos cursos por eles oferecidos. Concede, ainda, a estes, papel de acreditador e certificador de competências profissionais.

Dentre suas finalidades, os Institutos Federais desenvolverão a Educação Profissional e Tecnológica a partir de processo educativo e investigativo de geração e adaptação de soluções técnicas e tecnológicas às demandas sociais e peculiaridades regionais. Pacheco corrobora este pressuposto dizendo que:

Os Institutos Federais, com uma proposta singular de organização e gestão, no diálogo com as realidades regional e local e em sintonia com o global, costuram o tecido de uma rede social capaz de gerar, em resposta às demandas de desenvolvimento sustentável e inclusivo, arranjos e tecnologias educacionais próprios. Vislumbra-se que se constituam um marco nas políticas educacionais no Brasil, pois desvelam um projeto de nação que se pretende social e economicamente mais justa. Na esquina do tempo, essas instituições podem representar o desafio a um novo caminhar na produção e democratização do conhecimento. (PACHECO, s/d, p. 24)

Visando constituir uma visão crítica do atual cenário de reformas na Educação Profissional e Tecnológica no País, se tornam urgentes estudos que possibilitem uma análise crítica destas políticas, visto que estas têm demandado um exponencial crescimento, nos últimos anos, de investimentos públicos neste segmento de ensino, conforme os dados na Tabela 210.

10 Os gráficos e demais dados estatísticos apresentados neste tópico, foram extraídos do portal do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), em específico do documento Sinopse das Ações do Ministério da Educação – disponível em: <http://gestao2010.mec.gov.br/download/sinopse_acoes_mec.pdf>. Acessado em: 19 jul. 2011.