2. YAPAY ZEKÂNIN ASKERİ SAHADAKİ YANSIMALARI
3.2. Etik ve Hukuki Sorunlar Ekseninde Askeri Dönüşüm
3.2.1. İnsan-Yapay Zekâ İkiliğinde Savaş Alanı
• Correição nº 31456
O Conselho Nacional de Justiça através da Correição nº 31456, determinada pela Portaria 151, realizou Inspeção de Serviços Notarias e Registrais no Estado do Pará, nos dias 16 e 17 de julho de 2009, com foco na Comarca de Altamira de acordo com sugestão do Comitê Executivo do Fórum Nacional para Monitoramento e Resolução de Conflitos Fundiários Rurais e Urbanos, mas se estendeu ao Registro de Imóveis de Vitória do Xingu e de Senador José Porfírio.
Quando da estada da Comissão na Capital do Estado, o Des. Otávio Marcelino Maciel, Presidente da CPMEAQLG, entregou aos seus integrantes diversos documentos
158
contendo informações coletadas pela comissão incluindo as irregularidades identificadas a respeito do Cartório de Registro de Imóveis de Altamira.
Ao final desta inspeção foi realizado relatório preliminar pelos integrantes da comissão, e posteriormente foi finalizado o auto circunstanciado de inspeção que confirmou as notícias da existência de inúmeras irregularidades de caráter formal e material nos Cartórios inspecionados, denotando a total falta de cuidado e de sujeição à lei e aos princípios do direito registral pelos procedimentos registrais desenvolvidos, fazendo com que a função primordial dos Registros de Imóveis que é a segurança jurídica dos negócios imobiliários se perca.
Nos Registros de Imóveis de Altamira e Senador José Porfírio verificou-se pelos trabalhos correcionais que seguiam o mesmo padrão, contendo registros imperfeitos; falta de controle na entrada e tramitação dos títulos; inexistência de efetiva qualificação registral (exame de legalidade dos títulos); abertura de matrículas com vários e reiterados erros técnicos; registros de títulos que instrumentalizam meros direitos pessoais e possessórios; matriculação de áreas excessivas (que extrapolam os limites da comarca); falta de controle de disponibilidade; parcelamentos irregulares; má gestão de dados e manutenção precária de livros e demais documentos das Serventias.
Dentre as constatações identificadas no sub-relatório dos registradores realizado após visita de inspeção ao Pará, é possível citar:
- Títulos sem causa legítima. A existência de títulos aptos apenas à comprovação da posse que foram utilizados pelo Estado com o intuito de estimular a ocupação do território, mas que foram registrados visando indevidamente legitimar e regularizar o domínio, como os títulos de mera posse, de concessão de direitos, de legitimação, de outorga de propriedades em caráter resolutivo; certidões extraídas do Registro do Vigário; datas de sesmarias.
- Livros extravagantes. A existência e utilização de livros na Serventia de Registro de Imóveis de Altamira não previstos na Lei nº 6.015/73, identificados da seguinte forma: 3-I; 3-J; 3-L; 3-N; 3-O; 3-P; 3-Q; e 3-S, sem o devido controle da origem do imóvel e possibilitando a abertura de matrículas no livro 2, em outras Comarcas, com a aparente configuração de legalidade.
- Ausência de controle da disponibilidade. A somatória das parcelas desmembradas da matrícula inicial supera a área original descrita no título matriz, denotando uma total falta de controle da disponibilidade existente para o desmembramento, pela ausência de averbações de controle, registros de parcelamento da área original, plantas, levantamentos geodésicos, memoriais, georreferenciamento, descrição dos lotes alienados, etc. Esse é o problema existente na Matrícula 1.822, de 19 de julho de 1979, do Cartório de Registro de Imóveis de Altamira, oriunda de uma doação de terras do estado do Pará para o município de Altamira originariamente contendo 75.190 hectares151 dispostos parte em Altamira e parte em Vitória do Xingu, conhecida como 1ª Gleba Patrimonial, mas que ao serem abertas novas matrículas em Altamira (p.ex. a matrícula n° 25.796, 25.797 e 25.798) e no Registro de Imóveis de Vitória do Xingu (p. ex. a matrícula n° 30 com área de 37.577,47 há; n° 31 com 41.580,57 ha; n° 32 com 32.701,44 ha; n° 82 com 68.657,85 ha; n° 83 com 66.685,00 ha; e n° 178 com 410.000.000 ha) chegou a inacreditáveis 410.247.202,33 ha (quatrocentos e dez milhões, duzentos e quarenta e sete mil, duzentos e dois hectares e trinta e três centiares).
- Falhas técnicas. Foram detectadas falhas relacionadas a princípios basilares do Direito Registral Imobiliário, como os princípios da continuidade, especialidade e disponibilidade. No tocante ao princípio da especialidade, identificou-se que as descrições dos imóveis registrados limitam-se a repetir a descrição disposta no título de origem emitido pelo Poder Público, sem que haja preocupação em caracterizar qualitativamente e quantitativamente o imóvel, como ocorre na averbação da reserva legal sem a devida identificação da área abrangida pela mesma. Outra falha estaria na ausência de menção do nome do proprietário do imóvel na abertura de nova matrícula, restando a indicação apenas do registro anterior. Foi identificado ainda a utilização de terminologia técnica inadequada; a falta de averbação de construção, sem a devida essencialidade do acessório; o desnecessário desmembramento da alienação fiduciária em dois atos, um com a descrição do contrato e outro de averbação.
- Descontrole da prioridade. Em afronta a previsão legal que exige a criação do Livro de Protocolo, nº 1, para a realização de prenotação dos títulos recebidos para registro,
160
verificou-se a inexistência desse livro no Registro de Imóveis de Altamira, não havendo assim a rotina dispondo a prenotação, e conseqüente controle de prioridade de um registro em relação a outro e de preferência dos direitos reais.
- Deterioração dos livros. A forma como os livros são guardados e conservados é precária, o que ocasionou a deterioração de parte do acervo de livros, muitos deles com textos quase ilegíveis.
• Decisão Ministro Gilson Dipp
Em decorrência desta correição, o Ministro Gilson Dipp, Corregedor Nacional de Justiça, em despacho prolatado em 23-09-09, reconhece inicialmente a complexidade da situação evidenciada pela inspeção nos serviços notariais e de registro do estado do Pará, através da identificação de erros, falhas, vícios e infrações, demonstrando a completa insegurança jurídica existente nos procedimentos registrais, que potencializa o conflito pela posse da terra e consolida a desordem fundiária trazendo inúmeros prejuízos para a região.
Após breve relato das constatações realizadas pelos trabalhos correcionais, e tendo em vista as providências sugeridas no sub-relatório a serem tomadas no intuito de sanar a problemática identificada, a decisão da corregedoria dispõe estas providências em duas linhas de ação:
a) Providências voltadas para o aprimoramento da instituição registral através da realização de concursos públicos para provimento das serventias com profissionais qualificados; programa de capacitação dos delegados do serviço registral com intuito de efetivar o controle de disponibilidade tanto quantitativa quanto qualitativa da atividade registral e notarial; normatização de rotinas mínimas do serviço com a edição de Resolução que regulamente o desenvolvimento regular do serviço registral; normatização de rotinas mínimas de fiscalização através da edição de Resolução regulando a atividade de fiscalização dos serviços desenvolvidos pelos cartórios; e informatização mínima dos serviços notariais e registrais através de edição de Resolução dispondo meios adequados e padronizados que garantam a rotina e qualidade do serviço;
b) Dentre as providências correcionais estariam: o encerramento dos livros extravagantes (3-I a 3-S) não previstos em lei, mas existentes na Comarca de Altamira; proibição de expedição de qualquer certidão a respeito destes livros sem autorização prévia da Corregedoria Geral da Justiça do estado do Pará, o que só poderá acontecer mediante procedimento administrativo devidamente fundamentado da legitimidade do interesse da parte; realização de inventário das certidões expedidas com base nos livros extravagantes pelo Delegado do Registro de Imóveis da Comarca de Altamira e envio no prazo de 15 dias às Corregedorias Estaduais e Nacional e aos interessados; determinação para a Secretaria da Corregedoria Nacional de abertura de procedimento visando o cancelamento de todas as matrículas filiadas à Matrícula 1822 que ultrapassam a área original do título; cancelamento liminar da Matrícula 178 disposta no registro de imóveis de Vitória do Xingu ressalvado o direito do interessado em requalificar o título com a renovação do ato através da apresentação do título verdadeiro; restauração dos livros e documentos pelo Delegado de Registro de Imóveis da sede da Comarca de Altamira e comprovação periódica da realização dessa providência; revogação da atribuição de competência plena ao Delegado do Serviço Notarial e Registral do município de Vitória do Xingu e o recolhimento do acervo para o registro de imóveis do município de Altamira, sede da Comarca.
Nesta decisão o Corregedor Nacional de Justiça com o intuito de “garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos” determinou o cancelamento das matrículas abertas “com origem na matrícula 1822 do RI/Altamira/PA, envolvendo área superior a 410 milhões de hectares, e integralmente a matrícula 178 do RI/Vitória do Xingu/PA e todas as abertas e filiadas a essa origem, assim como todas as averbações e inscrições respectivas”. Foi determinado ainda o encerramento dos livros extravagantes encontrados no Cartório de Registro de Imóveis de Altamira e o inventário das certidões expedidas tendo como base os referidos livros extravagantes.
162
4.1.3 Cancelamento de todos os registros de imóveis rurais tidos como inconstitucionais