São Bernardo do Campo está localizado na sub-região sudeste da região metropolitana de São Paulo, fazendo divisa com os municípios de São Paulo, Diadema, São Caetano do Sul, Santo André, Cubatão e São Vicente. É uma cidade conhecida pelas atividades voltadas à indústria automobilística e à metalurgia. Ocupa a 13ª posição de economia municipal do país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) 57, podendo ser considerada uma das cidades mais prósperas do país. Entretanto, o modelo de desenvolvimento vigente proporcionou a má distribuição de renda e, concomitantemente, as desigualdades sócio-espaciais.
A cidade possui uma área de 406,18 km, em que pouco mais da metade, cerca de 50%, corresponde à Área de Proteção de Mananciais, correspondendo a 18,6% da área de manancial da Represa Billings. São Bernardo do Campo é a cidade que possui o maior território na Sub-bacia Billings e a segunda dentre as cidades que compõem a sub-bacia com maior população (São Paulo possui o maior contingente populacional).58
Diante destas características, há um difícil problema a ser equacionado: preservar as áreas de mananciais e, ao mesmo tempo, fazer viger o direito à moradia digna.
O município teve intenso crescimento populacional, devido ao seu potencial industrial que atraiu migrantes de outras regiões em busca de oportunidade de emprego, conforme citado no Sumário de dados do município:
A inauguração da Via Anchieta, em 1947, marca o início de uma fase de acelerado crescimento em São Bernardo. Incentivadas pelas facilidades logísticas proporcionadas pela estrada, pela presença de mão-de-obra razoavelmente qualificada na região e também por alguns incentivos fiscais concedidos, um grande
57 Produtos Internos Brutos dos Municípios Brasileiros – Tabela Posição ocupada pelos 100 maiores municípios,
em relação ao Produto Interno Bruto 2009 -
<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pibmunicipios/2005_2009/defaulttab_zip.shtm>
58 Dados obtidos no caderno de Educação Ambiental – Edição especial mananciais – Billings: <
156 número de empresas estrangeiras se instala na cidade. Em conseqüência da vinda de gigantescas indústrias automobilísticas como a Ford, Scania e Volks e de múltiplas fábricas de autopeças como a Perkins, Gemmer e Mangels, a cidade converte-se, nas décadas de 50, 60 e 70, num dos principais pólos industriais do país, atraindo enorme contingente de mão-de-obra que elas absorviam (contingente este que aumentava exponencialmente com a chegada de migrantes de várias regiões do país).
Rapidamente a pequena vila do início do século XX deu lugar a uma grande metrópole: o número de habitantes que era de 29 mil em 1950, alcançou em 1980 a marca dos 425 mil, dos quais 292 mil eram migrantes, conforme indicava o censo do IBGE realizado naquele ano. Segundo o mesmo censo, até aquele momento os maiores centros exportadores de migrantes para a região haviam sido o próprio estado de São Paulo (54,6 % do total da migração interna), Minas Gerais (14,6%), Bahia (7,4%), Pernambuco (5,4%), Paraná (5,3%) e Ceará (3,8%). Entre as regiões, o sudeste respondia por 68% do total da migração interna e em seguida vinham o nordeste (24%), o sul (6,1%), o centro-oeste (0,8%) e o norte (0,2%).
Como resultado da expansão populacional, as chácaras e sítios dos velhos núcleos coloniais deram lugar a novos loteamentos urbanos, regulares ou irregulares, transformando inteiramente as feições de bairros antigos e criando novos aglomerados. (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2011, p.4)59
Nota-se que as atividades industriais na cidade se instalaram devido aos investimentos na malha viária, corroborando para o escoamento da produção, além das matérias-primas e mão-de-obra abundante. O aumento do preço dos imóveis e dos aluguéis no centro urbano fez com que parte da população procurasse imóveis baratos nas regiões periféricas da cidade.
De acordo com Itikawa (2008), a partir da década de 60, surgem as primeiras favelas no município. Posteriormente, com a construção da Rodovia Imigrantes e do Parque Industrial Imigrantes surgem outras ocupações irregulares, que se intensificam na década de 80. A autora analisa que até a década de 70, a expansão urbana do municio dera-se em torno de dois núcleos existentes (a área central e o bairro de Rudge Ramos) e nas décadas seguintes deslocaram-se para as áreas de proteção de mananciais.
Itikawa (2008) e Martins (2006) apontam que as Leis Estaduais protetoras dos mananciais 898/197560 e 1172/197661, por serem limitadoras e complexas, corroboraram com o processo de ocupação irregular. Além disso, a postura leniente dos órgãos institucionais gerou a possibilidade das pessoas mais pobres conseguirem um lugar para morar em áreas ambientalmente sensíveis com custos reduzidos, porém sem acesso a nenhum tipo de infraestrutura, uma vez que estavam fora dos parâmetros legais.
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Informação também obtida na página da prefeitura: <http://www.saobernardo.sp.gov.br/historia-da-cidade>
60 Lei 898/195 - Disciplina o uso do solo para proteção dos mananciais, cursos e reservatórios de água e demais
recursos hídricos de interesse da Região Metropolitana da Grande São Paulo
61 Lei 1172/1976 - Delimita as áreas de proteção relativas aos mananciais, cursos e reservatórios de água, a que
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De acordo com o Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) do município de São Bernardo do Campo, não havia informações sobre a questão habitacional e tampouco a sistematização destas informações, principalmente no que concerne às áreas de assentamento precário. Diante desta situação, realizou-se um mapeamento, a partir de vistoria em campo, e, posteriormente, cruzando estes dados com as informações da prefeitura e das concessionárias (especificamente a SABESP) conseguiu-se delimitar os padrões da precarização com relação à condição socioeconômica, fundiária e ambiental, para planejar medidas específicas para cada situação. Os assentamentos irregulares são caracterizados como áreas ocupadas irregularmente, seja do ponto de vista legal, seja do ponto de vista urbano-ambiental e que não apresentam condições de habitabilidade – infraestrutura e mobilidade. (FERNANDES, 2000). Foram identificados 261 assentamentos precários no município, dos quais 151 assentamentos estão em área de manancial (68 favelas e 83 loteamentos irregulares).