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O projeto de trabalho social aprovado pela CAIXA teve como premissa a autonomia dos moradores da área de intervenção, seguindo o parâmetro do trabalho de participação comunitária do PAT-PROSANEAR. Continha as exigências do COTS no que concerne aos seguintes eixos – mobilização e organização comunitária, educação sanitária e ambiental, trabalho social de apoio às obras e execução dos reassentamentos e relocações, geração de trabalho e renda e trabalho social de acompanhamento do pós-obras, conforme apreendemos do item objetivo geral constante no projeto:

Fortalecer as condições de exercício da cidadania da população beneficiária com o desenvolvimento de ações sociais necessárias à viabilização da participação da população em todo o Projeto de Urbanização Integrada da sua atual área de moradia, abrangendo: a garantia de mecanismos de participação em todas as etapas do projeto; o fortalecimento dos fatores de desenvolvimento social das comunidades, tanto com o apoio ao processo de organização da comunidade, quanto com ações de Educação Sanitária e Ambiental e ações voltadas para as questões de emprego e renda e inclusão social; prevendo de ações e fomento às condições de sustentabilidade do empreendimento, para que ele se constitua em um meio de efetiva elevação de qualidade de vida da população beneficiária. (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2009b, p. 283).

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O projeto prevê que a participação seja executada em todas as fases do projeto como co-executora do projeto. Dentre os objetivos específicos destacamos: a participação da comunidade em todas as decisões, monitoramentos, acompanhamentos e avaliações, as lideranças seriam capacitadas e haveria o estímulo a que outros moradores se tornassem líderes de suas comunidades e o projeto viabilizaria meios de comunicação que assegurariam o acesso às informações por todos os moradores

A participação popular é expressa como a diretriz de condução do trabalho técnico social, “sendo ao mesmo tempo um objetivo a ser alcançado e um meio para realizar os outros objetivos” (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2009b, p. 285). O conceito é relatado com um processo a ser realizado em todas as etapas do projeto “como uma necessidade de desenvolvimento social da comunidade” (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2009b, p. 285), mas também com meio para garantir a sustentabilidade das obras e do novo habitat a ser construído:

Pretende-se que a participação seja assumida, livre e consciente, na medida em que os que dela participem perceberem que a realização do objetivo perseguido é vital para quem participa da ação e que o objetivo só pode ser alcançado se houver efetiva participação. (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2009b, p. 285).

De acordo com o projeto, a forma de planejamento deveria estabelecer as condições para que o processo todo tivesse como diretriz a identificação dos fatores positivos que estão presentes na comunidade, despertando o desenvolvimento de suas potencialidades durante e na execução do processo. Para isso, a abordagem deveria ser multidisciplinar, exigindo diversas integrações:

A abordagem integrada e interdisciplinar da questão exige uma integração de diversos níveis: ao nível das políticas urbano-habitacional, ambiental, de saúde, etc; ao nível dos agentes envolvidos (poder público, agentes técnicos e comunidades); e ao nível das competências técnicas das equipes de formulação e execução do projeto de intervenção. (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2009b, p. 289).

O projeto expõe que essa interdisciplinaridade não deveria, apenas, ater-se às condições de formação da equipe, mas também em estabelecer processos, nos quais as questões específicas e pontuais sejam inseridas em uma visão global, a saber, a dimensão físico-espacial, a dimensão sócio-cultural, que vai da condição econômica das famílias aos aspectos históricos e organizativos da comunidade e a dimensão jurídico-legal, que

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estabelecem as normas que regulamentam as relações entre a sociedade e o espaço urbano (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2009b).

O planejamento foca a interdependência entre planejamento, implementação e avaliação. E, conforme expresso no projeto, as ações seguem o Planejamento Estratégico postulado por Matus com ênfase na “reflexão que precede e preside a ação”. O monitoramento e a avaliação, por sua vez, são entendidos como “instrumentos de controle da eficácia e eficiência da execução dos projetos, esse processo se desenvolve como ciclo de aprendizagem progressiva”. (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2009b, 289).

Ademais, pontua que o processo participativo esteve presente na elaboração da proposta apresentada, a qual incorporou as opiniões dos beneficiários da proposta, sendo considerada uma síntese elaborada por todos os atores envolvidos. Indicando que os instrumentos metodológicos a serem utilizados no processo serão aqueles que viabilizam a compreensão das informações, estimulam o pensar crítico coletivo, a explicitação e o tratamento do conflito e a pactuação clara e negociada das decisões e ações. (SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2009b).

No detalhamento do eixo “Mobilização, Participação e Organização Comunitária” se expressa que os bairros abrangidos pelo projeto possuem grupos organizados e haviam sido eleitos os representantes da Comissão de Acompanhamento do Projeto (CAP), que participaram de todo o trabalho desenvolvido no âmbito do Programa PAT-PROSANEAR e, que na urbanização, estariam presentes como um meio de interlocução para o projeto PAC. Os objetivos desse eixo são convergentes ao objetivo geral do projeto, direcionando as ações para que a população se organize e participe ativamente das ações a serem implementadas, vendo-se como partes estruturantes do projeto. A estratégia metodológica desse eixo é a educação popular, tendo como intuito estimular a prática da cidadania.

Esse eixo possui sete etapas: ações preparatórias para o início da obra, ações para participação comunitária mobilização e acompanhamento do projeto, estruturação e manutenção do sistema de comunicação apoio à organização comunitária e às ações da comissão, eventos lúdicos e temáticos de integração da comunidade, monitoramento e avaliação periódica do projeto com a comunidade e atividades de gestão integrada e participativa. Todas as etapas possuem descrições pormenorizadas das atividades e do período em que iriam acontecer. Entretanto, durante o desenvolvimento das ações, houve dissonâncias entre o escopo do projeto apresentado e a implementação.

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O nível do projeto apresentado gerou expectativas de uma condução de trabalho que divergiu do real, como foi explicitado, em conversas informais com um funcionário da CAIXA “enquanto eu acompanhei, antes de sair da GIDUR, o trabalho era muito produtivo, mas parece que agora eles tiveram problemas, não digo de competência, sei que a Tássia é muito séria no trabalho, mas de coisas que não devem estar nas mãos delas”. Nem todas as atividades forma conduzidas nas datas definidas e nem todas as atividades ocorreram conforme descrito no projeto.

A capacidade de governo nos permite delimitar quais são os impactos existentes na condução do processo participativo no programa de urbanização. Entender quais as capacidades de governo presentes, ausentes e os recursos potenciais existentes no processo participativo nos concedem um viés teórico sob o qual analisaremos o estudo de caso.

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Benzer Belgeler