• Sonuç bulunamadı

İnisiyatik Düşüncenin Doğuşu

II. BİTMEYEN ARAYIŞ

II.2. İnisiyatik Düşüncenin Doğuşu

A violência contra as mulheres foi, por séculos, em todo o mundo, uma prática tolerada e menosprezada pelo Estado e pela sociedade, o que prestigiava a impunidade dos agressores e assegurava a perpetuação dessa teratológica prática.

A condição de inferioridade feminina, construída histórica, social e culturalmente, era o que acabava por legitimar a discriminação e a violência de gênero.

Com a evolução social, que evidenciou a necessidade da proteção dos direitos humanos fundamentais, bem como com as alterações legislativas, nacionais e internacionais, que passaram a gradativamente conferir maior proteção aos cidadãos, as mulheres puderam começar a ter os seus direitos e garantias assegurados.

Importante observar que essa evolução histórica na proteção da mulher aconteceu em razão de luta e esforços, da antiguidade até a contemporaneidade, os quais deram origem à legislação vigente e ao ideal de igualdade de gênero.

Não obstante os progressos, o preconceito e a discriminação persistem e, na contemporaneidade, a violência contra as mulheres ainda alcança níveis assustadores, demandando um enfrentamento por meio de mecanismos estatais específicos capazes de coibir a prática.

Nesse sentido, a Lei nº 13.104/2015 evidentemente se reveste de caráter constitucional e surge como mais um meio de avanço no combate à violência de gênero, com a tipificação da última e mais bárbara faceta da violência contra as mulheres, o homicídio praticado pelo simples fato de ser mulher.

Não se confere maior proteção à vida da mulher do que à do homem, mas tão somente se dispensa tratamento especial, fundado na igualdade material, o que é justificado socioculturalmente por um histórica dominação da mulher em relação ao homem, já que a igualdade consiste em dispensar aos desiguais tratamento desigual na medida da sua desigualdade.

Ademais, a Lei do Feminicídio representa um movimento legislativo que vem para desestimular a impunidade e a indiferença, ao conferir pena mais gravosa aos sujeitos ativos do delito, dando seguimento às realizações da Lei Maria da Penha e aos compromissos internacionais firmados para a proteção das mulheres. Busca-se conferir às mulheres o pleno gozo do direito à vida, sem violência.

Além da nova legislação responder à necessidade de que medidas sejam tomadas para coibir os elevados índices de violência, também tem o fundamental papel de evidenciar a

81 existência de homicídios de mulheres por questões de gênero, evitando que os delitos sejam julgados sem a análise desta perspectiva.

Frise-se que é no mínimo ingenuidade se imaginar que a Lei nº 13.104/2015 solucionará a toda problemática exposta ao longo deste trabalho. O feminicídio representa apenas mais um passo na busca pela igualdade de gênero, pela universalização dos direitos humanos e pelo fim da violência contra a mulher. Muito ainda deve ser feito para que a mulher se transforme em credora de dignidade e direitos pela sociedade.

Em suma, o que se objetiva é que os direitos e as garantias já estabelecidos na legislação sejam efetivados na realidade o mais rápido possível, o que demanda o investimento estatal em políticas públicas e em um sistema judicial perspicaz e preparado para lidar com a problemática, até que ocorra a quebra dos paradigmas institucionais da sociedade brasileira.

De toda forma, o fato é que enquanto existir desigualdade entre gêneros, haverá a necessidade e a legitimidade, de mecanismos especiais para compensar as diferenças, promovendo a igualdade e a dignidade das mulheres.

82

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBORNOZ, Suzana. Violência ou não-violência: Um estudo em torno de Ernst Bloch. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2000.

ALMEIDA, Tânia Mara Campos; BANDEIRA, Lourdes Maria. Vinte anos da Convenção

de Belém do Pará e a Lei Maria da Penha. 2014. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2015000200501&script=sci_arttext>. Acesso em: 03/11/205.

ARENDT, Hannah. Da violência. Brasília: UNB, 1985.

______________. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.

ARISTÓTELES. A Política; tradução de Roberto Leal Ferreira. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

AZAMBUJA. Mariana Porto Ruwer de. JAEGER. Fernanda Pires. STREY, Marlene Neves. (Orgs.). Violência, gênero e políticas públicas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.

AZEVEDO, Rodrigo Ghiringhelli de. Org. Relações de Gênero e Sistema Penal. Violência e Conflitualidade nos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Porto Alegre: EDIPUCRS. 2011.

BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo. Nova Fronteira, 2009.

BEVILÁQUA, Clóvis. Código civil dos Estados Unidos do Brasil comentado por Clóvis

Beviláqua, v. 2. 12ª ed. atualizada por Achilles Bevilaqua. Rio de Janeiro: Editora Paulo de

Azevedo Ltda, 1960.

BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: parte geral. 17ª ed. São Paulo: Saraiva. 2012.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF. 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 03/11/2015.

BRASIL. Lei nº 13.104/2015. Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm>. Acesso em: 30/10/2015.

CAMPOS, Carmen Hein; CARVALHO, Salo. Violência doméstica e Juizados Especiais

Criminais: Análise desde o Feminismo e o Garantismo. 2006. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-26X2006000200005&script=sci_arttext#nt07>. Acesso em 20/11/2015

CARDOSO, Irede; CADOZO, José Eduardo Matins. Caminhos da constituinte: o direito da

83 CHAUÍ, M. Uma Ideologia Perversa. Folha de São Paulo, São Paulo, Caderno Mais!, P. 3, 1999, 14 de março. Disponível em < http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_1_4.htm >. Acesso em: 05/10/2015.

COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 8ª ed. São Paulo: Saraiva. 2012.

COSTA, Ricardo. A guerra na Idade Média: estudo da mentalidade de cruzada na

Peninsula Iberica. Rio de Janeiro: Paratodos, 1998.

COULANGES, Fustel de. A Cidade Antiga, tradução Frederico Ozanam Pessoa de Barros. São Paulo: Editora das Américas, 2006.

Declaração e Plataforma de Ação da IV Conferência Mundial Sobre a Mulher.

Disponível em:< http://www.unfpa.org.br/Arquivos/declaracao_beijing.pdf>. Acesso em: 19/11/2015.

DEL PRIORE, Mary. História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Editora Contexto, 2007. DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo: RT, 2007.

___________________. Lei Maria da Penha, afirmação da igualdade. Revista Juristas, João Pessoa, a. III, n. 92, 19/09/2006. Disponível em: <http://www.juristas.com.br/mod_revistas.asp?ic=3130>. Acesso em: 11/12/2015.

_________________. Manual de Direito das Famílias. 8ªEd. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2011.

DIEESE. Anuário das Mulheres Brasileiras. 2011. Disponível em: <http://www.wageindicator.org/documents/publicationslist/publications-2011/anuario-

Mulheres-Brasileiras-2011.pdf>. Acesso em 02/12/2015.

DIRCEU BARROS, Francisco. Feminicídio e neocolpovulvoplastia: As implicações legais

do conceito de mulher para os fins penais. Disponível em:

<http://franciscodirceubarros.jusbrasil.com.br/artigos/173139537/feminicidio-e-

neocolpovulvoplastia-as-implicacoes-legais-do-conceito-de-mulher-para-os-fins-penais>. Acesso em: 11/12/2015.

FALEIROS, Vicente De Paula. Violência Contra Idosos, Ocorrências, Vítimas e

Agressores. Brasília: Editora Universa. 2007.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da língua portuguesa. 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010.

FROSSARD, Heloisa. (org.). Instrumentos Internacionais de Direitos das Mulheres. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2006.

GAUER, Gabriel José Chittó. A complexidade do fenômeno da violência. PUCRS Informação em Revista: Porto Alegre, v.26, n. 116, 2003.

84 GOMES, Izabel Solysko. Feminicídios e Possíveis Respostas Penais. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/feminicidios_e_possiveis_respostas_penais .pdf>. Acesso em: 20/11/2015.

GONÇALVES, Tamara Amoroso. Direitos humanos das mulheres e a comissão

interamericana de direitos humanos: uma análise de casos admitidos entre 1970 e 2008.

São Paulo, 2011. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2140/tde- 31052012-162759/pt-br.php>. Acesso em: 20/10/2015.

GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: parte geral. 13 ed. Rio de Janeiro: Ímpetus, 2011.

GRECO, Rogério. Feminicídio: comentários sobre a Lei nº 13.104/2015. Disponível em: <http://www.rogeriogreco.com.br/?p=2906 >. Acesso em: 08/12/2015.

HIRIGOYEN, Marie-france Assédio Moral - A Violência Perversa no Cotidiano; tradução de Maria HELENA Kuhner. 9° Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.

HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, 2001.

IANNI, Octávio. A violência na sociedade contemporânea. Estudos de Sociologia,

Araraquara. 2002. P.9. Disponível em

<http://seer.fclar.unesp.br/estudos/article/viewFile/644/647>. Acesso em 17/10/2015.

IPEA. Violência Contra a Mulher: feminicídios no Brasil. 2013. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/130925_sum_estudo_feminicidio_leilaga rcia.pdf>. Acesso em: 01/12/2015.

LEAL, César Barros; JUNIOR, Heitor Piedade/ org. Violência e Vitimização: a face

sombria do cotidiano. Belo Horizonte: Del Rey, 2001.

LOBO, Paulo Luiz Netto. Direito civil: famílias. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011

LOPES. Ana Maria D’Ávila; MAUES. Antonio Moreira (orgs.). A Eficácia Nacional e

Internacional dos Direitos Humanos. Rio de Janeiro: EditoraLumen Juris. 2013.

MAIA, Gretha Leite; TEIXEIRA, Zaneir Gonçalves. Gênero e Direitos de Personalidade:

Os Caminhos da Jurisprudência nos Casos e Identificação Civil de Transexuais.

Disponível em: <http://www.publicadireito.com.br/conpedi/manaus/arquivos/Anais/sao_paulo /2161.pdf>. Acesso em 22/11/2015.

MARQUES, José Frederico. Tratado de direito penal. Imprenta: Campinas, SP, Millennium, 2002.

MARQUES JÚNIOR, William Paiva. O tratamento da Corte Interamericana de Direitos Humanos na questão da proteção dos direitos indígenas na América Latina. In: Andrea Maria Calazans Pacheco Pacífico, Susana Camargo Vieira. (Org.). Direito internacional e direitos

85 MICHAUD, Yves. A Violência. São Paulo: Ática, 1989.

MINAYO, M. C. S.. Bibliografia comentada da produção científica brasileira sobre

violência e saúde. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, 1990.

MIRABETE, Julio Fabrini. Código penal interpretado. 8. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2013.

MORAES, Alexandre de. Direitos Humanos Fundamentais – Teoria Geral – 10ª ed. São Paulo: Atlas S.A. 2013.

NORONHA, E. Magalhães. Direito penal, volume 2 - Dos crimes contra a pessoa. Dos

crimes contra o patrimônio. 4ª Ed. São Paulo: Saraiva, 1967. ODALIA, Nilo. O que é violência?. São Paulo: Brasiliense, 2004.

PANTEL, Pauline S. (ed.). A história das mulheres na história da antigüidade hoje. In: DUBY,G. E PERROT,M. História das mulheres no Ocidente. A Antigüidade. Porto: Afrontamento, 1990, v.1.

PACHA. Andrea. Igualdade em Construção. Disponível em < http://www.cnj.jus.br/atos- administrativos/atos-da-presidencia/433-informacoes-para/imprensa/artigos/13324-igualdade- em-constru> Acesso em: 09/10/2015.

PAZINATO, Wânia Izumino. Justiça e Violência Contra a Mulher – O Papel do Sistema Judiciário na Solução dos Conflitos de Gênero. São Paulo: Annablume, 2004.

PEREIRA, Jeferson Botelho. Breves apontamentos sobe a Lei nº 13.104/2015, que cria o

crime de feminicídio no ordenamento jurídico brasileiro. Disponível em:

<http://jus.com.br/artigos/37061/breves-apontamentos-sobre-a-lei-n-13-104-2015-que-cria- de-crime-feminicidio-no-ordenamento-juridico-brasileiro>. Acesso em: 13/12/2015

PIMENTEL, Sílvia. Evolução dos direitos da mulher: norma, fato, valor. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 1978.

PINO, Angel. Educação Social. Campinas, vol. 28, n. 100 – Especial. 2007. P. 764. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/es/v28n100/a0728100.pdf>. Acesso em 16/10/15. PIOVEZAN, Flávia. Violência Contra a Mulher: Um Escândalo!. Disponível em:< http://cartamaior.com.br/?/Coluna/Violencia-contra-mulher-um-escandalo-/21914>. Acesso em: 19/11/2015.

Portal do Planalto. Violência contra a mulher é tema do Brasil em Pauta. 2015. Disponível em: <http://www2.planalto.gov.br/acompanhe-o-planalto/brasil-em-pauta/brasil-em- pauta/violencia-contra-a-mulher-e-tema-do-brasil-em-pauta>. Acesso em: 08/12/2015

RAGO, Margareth. Os feminismos no Brasil: dos anos de chumbo à era global. Labrys, estudos feministas, nº 3, janeiro/julho de 2003. Disponível em:<http://www.labrys.net.br> Acesso em: 07/10/2015.

86 RECHTMAN, M. y PHEBO, L. Pequena história da subordinação da mulher: As raízes

da violência de gênero. Rio de Janeiro. 2001.

Relatório nº 54/01 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Caso 12.051.

Disponível em: <https://www.cidh.oas.org/annualrep/2000port/12051.htm>. Acesso em: 21/11/2015.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio, ou, Da Educação, tradução Roberto Leal Ferreira. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

SAFATLE. Vladimir Pinheiro. Feminicídio. Disponível em: < http://www.ihu.unisinos.br/noticias/540701-feminicidio>. Acesso em: 13/12/2015.

SAFFIOTI, Heleieth. Contribuições feministas para o estudo da violência de gênero. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104- 83332001000100007&script=sci_arttext&tlng=es>. Acesso em 10/10/2015.

SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da Pessoa Humana e Direitos Fundamentais. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 2001.

SILVA, Sérgio Gomes. Preconceito e discriminação: as bases da violência contra a

mulher. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-

98932010000300009>. Acesso em: 30/10/2015.

SOARES, Barbara Musumeci. Mulheres Invisíveis: violência conjugal e novas políticas de

segurança. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

TELES. Maria Amélia de Almeida. MELO. Mônica de. O que é violência contra a mulher?. São Paulo: Brasiliense, 2003. P. 18.

VICENTE, Andrew. Ideologias políticas modernas. Rio e janeiro: Jorge Zahar Editor. 1995. WIEVIORKA, M. Violência hoje. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, vol. 11 (sup.), 2007.

World Report on violence and health. Geneva: World Health Organization; 2002. P.5.

Disponível em: <http://www.who.int/violence_injury_prevention/violence/world_report/en/ summary_en.pdf>. Acesso em: 05/10/2015.