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İNCELENMESİ VE DEĞERLENDİRİLMESİ

“A vocação consiste na escuta interior de um apelo que dá sentido e valor à vida inteira” (IDÍGORAS, 1983, p. 556). Está ligada a um chamado para a realização de uma determinada missão.

A vocação apresenta sempre uma dimensão essencialmente religiosa, pois está arraigada na dimensão mais profunda do homem e o orienta decisivamente em seu viver. Uma das grandes tarefas do cristão deve ser ajudar os homens a descobrirem sua autêntica vocação, o apelo que brota do mais profundo de seu mistério, onde se realiza o encontro com o Deus transcendente, que dá sentido à nossa vida. (IDÍGORAS, 1983, p. 557)

“(...) A vocação representa o encontro do ser humano com seu autêntico caminho, fazendo-o centrar-se e realizar-se na dimensão mais profunda de sua existência” (IDÍGORAS, 1983, p. 556). Porém, um impasse na busca de confrontar-se a si mesmo, consiste no desafio humano de conjugar a relação entre a vocação e a profissão, “(...) que

implica a dedicação a uma tarefa especializada segundo as necessidades da sociedade em desenvolvimento” (IDÍGORAS, 1983, p. 556). Mas quando este encontro entre vocação e profissão é possível, o ser humano tem a possibilidade de se realizar e o faz na superação de suas necessidades espirituais, biopsicossociais, políticas e econômicas.

Além de sua essência religiosa, a vocação designa uma inclinação para o exercício de uma profissão ou um talento, aptidão para exercer algo e assim, como há variedade nas aptidões humanas, a vocação se manifesta e pode ser percebida de diversas maneiras dentre as quais se destacam a vocação ontológica do ser humano, a vocação cristã e a vocação pastoral.

2.4.1 Vocação Ontológica

Paulo Freire introduz o tema vocação ontológica do ser humano em que, “(...) a vocação do homem é a de ser sujeito e não objeto, esta não pode realizar na medida em que... refletindo sobre as condições espaço-temporais, nos submergimos nelas e as medimos com espírito crítico” (FREIRE, 2008a, p. 40). Ela está direcionada para o ser mais, na possibilidade do ser humano superar seus limites. No exercício de sua vocação, o ser humano assume a sua condição de sujeito de sua própria história, o que está estritamente ligado ao processo educativo e a possibilidade de humanização, libertação histórica. A educação é fundamental para estimular a vocação ontológica do ser humano. “Para ser válida, a educação deve considerar a vocação ontológica do homem – vocação de ser sujeito – e as condições em que ele vive: em tal lugar exato, em tal momento, em tal contexto” (FREIRE, 2008a, p. 39). Neste sentido, a educação deve ser o resultado da harmonia entre a vocação de ser situado e localizado no tempo e a especificidade da situação vigente. Deve ir além da preparação de quadro técnico em razão da demanda de uma determinada região. É na reflexão sobre sua condição de vida que o ser humano chega a ser sujeito de sua própria história (FREIRE, 2008a, p. 39). No entanto, para ajudá-lo a exercer a sua vocação ontológica, é preciso que a educação contribua, “utilizando um método ativo (...), um método dialógico – crítico e que convide à crítica, modificando o conteúdo dos programas de educação” (FREIRE, 2008a, p. 61).

2.4.2 Vocação Cristã

No Antigo Testamento, a vocação é destaque. No caso de Moisés, por exemplo, “(...) o chamado divino nasce de uma necessidade concreta à necessidade dos hebreus de obter liberdade e vida digna...” (SIQUEIRA, 2005, p. 94). Desta forma, o chamado, a vocação é consequência da realidade vigente, considerando toda a conjuntura histórica e cultural das pessoas ou povo.

Garcia, ao refletir sobre a vocação no Novo Testamento a partir do texto bíblico de Romanos 8.18-25, levanta duas vertentes: a vocação cristã e a vocação pastoral.

No tocante à vocação cristã, apresenta três perspectivas:

a) A vocação cristã acontece a partir da ação do Espírito Santo. É decorrente de uma

vivência de fé baseada na graça de Deus que move o ser humano. O Espírito Santo “(...) move o ser humano de uma perspectiva egocêntrica de existência para uma perspectiva relacional, ampla e solidária, de forma especial para com os mais fracos” (GARCIA, 2005, p. 105).

b) A vocação cristã é marcada pela esperança e por dores de parto. A vocação cristã

tem um misto de esperança e, ao mesmo tempo, de dores de parto. A esperança enquanto motivação, força, estímulo, é a matriz propulsora que permite a continuidade na caminhada e mantém acesa a chama da realidade possível. Do que ainda não é, vir a ser. Dores de parto, pois a expectativa de um mundo mais humano, marcada pela resiliência, essa força informe, mas que produz transformações, envolve lutar contra forças opressoras que intentam deformar o humano (GARCIA, 2005, p. 105).

c) A vocação cristã implica serviço. Está intrínseca à percepção da vocação cristã a

dimensão de servir, “(...) a partir dessa expectativa universal, os portadores das primícias do Espírito necessitam se colocar a serviço do cosmos que espera a redenção” (GARCIA, 2005, p. 105 e 106).

Esta percepção da vocação cristã ressalta a valorização do ser humano na construção de sua humanidade incluindo a restauração da criação, introduzindo o desafio ecológico no exercício da vocação (GARCIA, 2005, p. 108).

2.4.3 Vocação Pastoral ou Ministério Pastoral

Em relação à vocação pastoral, ou ministério pastoral, Garcia, afirma que: “O ministério pastoral é uma vocação que surge dentro e a partir da vocação cristã, e que tem o seu específico no cuidado com todas as dimensões desta vocação” (GARCIA, 2005, p. 108). Assim, a ação pastoral tem como desafios o “cuidado” a partir dos seguintes dimensões:

a) Cuidado para com a comunidade de fé. A ação pastoral tem como viés o cuidado à

igreja, à comunidade em que a pessoa, vocacionada ao pastorado, está inserida. O que inclui os membros da igreja, e também, participantes e pessoas da comunidade (bairro, cidade).

b) Cuidado para com a pessoa. Tal cuidado estimula a pessoa ao exercício da vocação

e cujo testemunho contemple a dimensão pessoal e pública da fé.

d) Cuidado para com a criação. Cuidado expresso na busca de alternativas para a

preservação da integridade da criação de Deus tendo como princípio a interdependência e a coexistência com o ser humano.

Sobre a vocação como chamado ao exercício do ministério pastoral, Josgrilberg afirma que: “Jesus Cristo é o núcleo formador, a matriz de todo ministério constituído pela graça de Deus. É ele quem vocaciona...” (JOSGRILBERG, 2005, p. 66). No entanto, o ministério constituído está sempre ligado a uma instituição religiosa, eclesiástica. Esta concepção enfatiza a dimensão social e não personalizada no exercício do ministério pastoral e ressalta a ênfase de que Cristo é o Senhor da Igreja. E neste tópico, reside uma das principais especificidades da espiritualidade e da religiosidade. A espiritualidade não necessariamente está ligada ou depende da instituição eclesiástica para existir. Já a religiosidade prevê a ligação ou a aproximação com uma determinada religião ou igreja. No entanto, é fundamental que a pessoa vocacionada tenha uma intimidade com Deus e perceba a sua presença no exercício de sua vocação pastoral (JOSGRILBERG, 2005, p. 85):

O ministério pastoral é entendido na visão protestante como um ministério especial chamado e preparado para zelar pela pura pregação da Palavra, ministrar corretamente os sacramentos, zelar pelas marcas essências da Igreja e ainda cuidar da comunidade missionária como um todo, tudo isso como um mandato da Igreja.

O ministério pastoral, essencial à vida da Igreja, instituído pelos apóstolos, trabalha continuamente em dar forma à Igreja de tal forma que todo serviço reflita o ministério de Jesus Cristo. (JOSGRILBERG, 2005, p. 75 e 76)

A partir destas reflexões emanam dois pressupostos da vocação pastoral: a Espiritualidade e a Religiosidade.

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Benzer Belgeler