V. SONUÇ VE DEĞERLENDİRME
5.2. İncelenen Eserlerden Ders Kitapları İçin Bir Metin
O plano de trabalho que elaborei teve a função de organizar a pesquisa que o grupo deveria desenvolver e quais as ações que poderiam ser realizadas, baseadas nos resultados das pesquisas. Foi imprescindível a elaboração desse material, mesmo sem a participação coletiva na preparação do mesmo, para que os integrantes tivessem mais visibilidade sobre o objetivo da pesquisa da qual estavam participando. A preparação do plano de trabalho veio, também, para atender o pedido de algumas integrantes que solicitaram a elaboração do plano de pesquisa que o GERe deveria desenvolver.
Os temas a serem pesquisados pelo grupo foram elaborados tomando como base os questionamentos levantados coletivamente. Também inseri outros temas para diversificar a pesquisa, de forma a proporcionar outras discussões, bem como a elaboração de ações educativas baseadas nesse conhecimento sobre a realidade dos resíduos no campus.
Os temas definidos para a investigação foram:
Identificação e quantificação dos resíduos gerados na UNESP; Identificação do consumo de copos plásticos e papéis no campus;
O tema “identificação e quantificação dos resíduos gerados” objetivou conhecer a composição dos resíduos gerados no campus e em que quantidade e identificar os resíduos perigosos e os comuns9. Para
realizar o diagnóstico dos resíduos perigosos, defini como amostra um laboratório didático e um de pesquisa, para conhecer a natureza dos resíduos gerados em atividades de pesquisa e nas aulas práticas de química e o grau de periculosidade dos resíduos, bem como identificar as formas de acondicionamento, tratamento e/ou descarte dos mesmos. Já para os resíduos comuns, defini que deveríamos quantificar e qualificar os resíduos descartados para a coleta comum – que são destinados ao aterro sanitário – e para a coleta seletiva – que têm como destino a central de triagem –.
O tema “identificação do consumo de copos plásticos e papéis no campus” consistia em conhecer qual era o consumo dos dois itens gerados em maior quantidade na universidade. Segundo uma análise gravimétrica dos resíduos descartados seletivamente, realizada no ano de 1997 no campus, o produto descartado em maior quantidade era o papel branco, o sulfite (NODA e SAMPAIO, 1997). Partindo desse dado, a pesquisa estruturada pelo GERe procurou conhecer em quatro setores da instituição - Sessão de Materiais da FAAC, FC e FEB e da Administração Geral do campus – o consumo e o gasto de cada setor com relação aos itens copos e papéis A4 (os sulfites).
O último tema proposto foi o “diagnóstico das concepções da comunidade unespiana sobre a problemática dos resíduos”. A pesquisa consistiu em uma entrevista estruturada para que o GERe conhecesse a percepção da comunidade acerca da problemática dos resíduos e qual era a opinião de professores, funcionários e alunos sobre a coleta seletiva. Na primeira parte da entrevista, sobre a percepção, questionou-se a comunidade sobre a qualidade e quantidade de resíduos gerados; como o entrevistado se enxergava enquanto consumidor e gerador da problemática; que tipo de opinião as pessoas tinham a respeito das soluções para o problema dos resíduos e de que forma este poderia ser resolvido. A segunda parte tratava da coleta seletiva e questionava se o entrevistado conhecia o programa e eram quais as sugestões sobre o funcionamento deste programa. Esse tema foi desenvolvido pelo grupo, e foi determinado coletivamente qual seria o público entrevistado, partindo do pressuposto de que deveríamos entrevistar representantes de toda a comunidade, para que os resultados refletissem as concepções de sujeitos de diversas formações e atuações dentro da instituição. Definimos uma amostra de vinte pessoas, composta por representantes de quatro setores da universidade:
9
Resíduos perigosos são materiais (substâncias ou mistura de substâncias) com potencial de causar danos a organismos vivos, materiais, estruturas ou ao meio ambiente; ou ainda, que podem tornar-se perigosos por interação com outros materiais. Os resíduos comuns são aqueles gerados a partir das atividades de alimentação, por exemplo. No caso da UNESP-Bauru, são os copos, latas, folhas de sulfite, restos de comida.
Professores: três da FAAC, três da FC e três da FEB;
Funcionários: um técnico de laboratório, um funcionário responsável pela limpeza e um da biblioteca;
Alunos: sete alunos das três faculdades;
Serviço terceirizado: o responsável pela administração da cantina e do restaurante.
4.2.1. Resultados do diagnóstico
Os dados que serão apresentados a seguir referem-se aos resultados obtidos durante o diagnóstico realizado pelo GERe sobre a questão dos resíduos na UNESP-Bauru. Durante o período destinado à execução dos diagnósticos, o grupo conseguiu concluir somente dois: os diagnósticos do consumo e das concepções da comunidade.
Os problemas enfrentados pelo Programa de Coleta Seletiva, relativos à não sinalização dos cestos, à falta de coleta em diversos prédios do campus e à falta de sacos azuis destinados aos cestos dos recicláveis, foram fatores que contribuíram para a não realização do diagnóstico dos resíduos comuns. Pelo fato dos resíduos ali presentes não representarem fielmente se o descarte era seletivo ou não, o resultado do diagnóstico não seria verdadeiro. Dessa forma optamos por esperar que essa falhas fossem sanadas, o que não ocorreu, o semestre foi finalizado e não houve tempo suficiente para a realização desse diagnóstico. Em relação aos resíduos perigosos, pelo fato do interesse principal do grupo ser a coleta seletiva, esse tema não foi considerado prioritário para diagnóstico e ação e, devido à escassez de tempo, não foi possível executá-lo.
Destacamos que, dos diagnósticos realizados pelo grupo, apenas a entrevista com a comunidade foi coletiva. O diagnóstico do consumo, embora simples de se realizar, requeria a nossa entrada em sessões de compras e a solicitação aos funcionários para que paralisassem suas atividades e procurassem informações em arquivos de compras. Temendo que eles não atendessem os alunos, decidimos que esse tema seria pesquisado por mim e que os resultados seriam, posteriormente, apresentados e discutidos coletivamente.
Consumo
Os resultados obtidos para o diagnóstico do consumo está resumido no quadro 1. Os dados apresentados referem-se a resultados médios, pois consideramos que em alguns meses há menor
consumo dos dois itens, como por exemplo, durante as férias e o recesso do ano letivo. Vale destacar também que, embora não haja a distinção entre os copos de café e água, o consumo também varia de acordo com as estações do ano. No calor há consumo maior de água e, portanto são mais utilizados os copos de 200 ml. Já no inverno há maior consumo de café e conseqüentemente, dos copos de 50 ml.
Quadro 1. Consumo e gastos com copos plásticos e papel A4 na UNESP – Bauru
Faculdade/setor Copos plásticos (200 e 50 ml) CONSUMO Papel A4 (unidades)
ADM GERAL 37.500 37.500 FAAC 37.500 30.000 FC 12.500 21.000 FEB 10.000 62.500 TOTAL (mês) 97.500 151.000 TOTAL (ano) 1.170.000 1.812.000 Faculdade/setor GASTOS ADM GERAL $R 480,00 $R 825,00 FAAC $R 480,00 $R 630,00 FC $R 160,10 $R 462,00 FEB $R 157,00 $R 1.187,50 TOTAL (mês) $R 1.277,10 $R 3.104,00 TOTAL (ano) $R 15.325,20 $R 37.248,00
A comunidade da UNESP-Bauru é composta por 5282 pessoas, divididas em 4528 alunos, 365 professores e 389 funcionários. Fazendo uma estatística entre a população consumidora do campus e os dados resultantes sobre o consumo de copos e papéis obtivemos o seguinte resultado apresentado no
quadro 2.
Quadro 2. Consumo médio individual de produtos na UNESP-Bauru CONSUMO (resultados aproximados)
COPOS PLÁSTICOS PAPEL (A4) POR MÊS: 19 copos POR MÊS: 29 folhas
POR DIA: 0,6 copo POR DIA: 1 folha
Os dados nos revelam que a instituição não consome estes produtos além do necessário, já que os dados apontam para um consumo de aproximadamente meio copo por pessoa por dia e uma folha por dia para o papel A4. Devemos considerar que esta aproximação representa, também, que o consumo de uma unidade de cada produto não ocorre todos os dias, ou seja, em alguns dias algumas pessoas não consomem nenhum destes produtos. Porém, devemos considerar que o consumo não é igualitário para
toda a comunidade. Se considerarmos que existem áreas do campus que não possuem bebedouros que requerem copos e nem são contemplados pelo café, que requer copinho específico e, também, que os papéis não estão disponíveis para todas as atividades acadêmicas, estes dados sofreriam mudanças. Contudo, não foram levantadas evidências suficientes para concluir como cada setor e pessoa consome cada um desses produtos. Por uma questão econômica e não por uma postura da Instituição frente a problemática ambiental dos resíduos, estes dados não são maiores.
Segundo o Instituto brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec – (IDEC, 2003), dizemos que o consumo é sustentável quando este permite atender as necessidades de toda a sociedade, presente e futura, com o comprometimento para a “capacidade do planeta de fornecer recursos naturais e absorver impactos negativos provocados pela produção, a utilização e o descarte de produtos e serviços” (p.1). O consumo sustentável tem como princípios a responsabilidade comum e diferenciada. Isto significa que toda a sociedade, representada pelos civis e pelo poder público, deve exercer seu papel na busca de um consumo responsável, reflexivo, por parte dos cidadãos (consumidores e produtores) e da criação de políticas públicas que visem uma mudança nos padrões de produção e consumo.
A exemplo da UNESP-Bauru, seria importante a incorporação de uma política interna a respeito do ambiente. Embora já exista uma Comissão de Gestão Ambiental, essa não foi realmente institucionalizada. Desta forma, o consumo de produtos que analisamos, por exemplo, não segue uma exigência ambiental e sim econômica. Apesar desta ser uma das dimensões ambientais, quando uma dimensão não vem articulada a outras, tais como a ecológica, a política e a cultural, não pode ter um significado ambiental. A preocupação em dar significado ao consumo, além do estritamente econômico, recai na questão de que, se a instituição futuramente tiver maiores condições, isto é, receber mais verbas, e se estas forem destinadas à compra de papéis e copos, é evidente que o consumo aumentará. Podemos verificar isso fazendo uma comparação das classes sociais que mais consomem. Observa-se que, em geral, são aquelas que possuem maior poder aquisitivo. O consumo tem um significado de aumento de poder aquisitivo. Vivemos a era do consumo, este está relacionado ao bem estar, como sinônimo de felicidade (LAYRAGUES, 2002). Também, devemos considerar que as pessoas que freqüentam a UNESP-Bauru vivem no “mundo extra-muros”, se elas não apresentam um consumo sustentável aqui, fazem o mesmo em suas casas, na suas vidas cotidianas. Por isso, diante destes dados do consumo, mesmo que estes tenham sido revelados como pequenos, não exagerados, é preciso que sejam elaboradas ações, para toda a comunidade, para cada setor envolvendo os resíduos e enfatizando o fator consumo, já que este representa o resultado de um meio produtivo e o início da problemática dos resíduos. O consumo deve ser uma temática de discussão. Segundo Layrargues (ibidem, 2002), na nossa sociedade atual, deixar de
consumir tem um significado de “sacrifício, privação, renúncia” (p.185), Assim, as ações educativas devem mediar uma transformação cultural de forma que sejam privilegiados outros valores já esquecidos em nossa sociedade que não nos remetam ao conforto material.
Concepções sobre a questão dos resíduos
A análise a seguir foi feita a partir dos dados puros e das sínteses das entrevistas feitas por cinco integrantes do GERe que se responsabilizaram por um grupo de entrevistados.
A partir das entrevistas (anexo 6) realizadas para diagnosticar as concepções da comunidade unespiana sobre a problemática dos resíduos e sobre o programa de coleta seletiva, de acordo com as respostas emitidas para cada pergunta elaboramos categorias para analisar o repertório de concepções apresentadas pelos grupos de entrevistados.