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3.6. Karşılaştırmalı Bir Mekân Analizine Giriş

3.6.5. İmgeler ve Anılar

Ao longo da década de 90, os pequenos supermercados começam a sofrer as conseqüências do processo de concentração do setor, derivado de um processo mais geral de globalização e acirramento da concorrência em diversos segmentos econômicos. Esta situação de turbulência se revela especialmente agressiva para os negócios de pequeno porte. Moldero (1998), citando dados do Censo Nielsen, observa que os estabelecimentos com até quatro check-outs no período de 1990 a 1997 haviam crescido 49,3% em termos físicos (pontos de venda e área de venda), enquanto que as lojas maiores cresceram 42,7%. Contudo, a participação dos pequenos sobre as vendas do setor não acompanhava o crescimento físico.

14 CYRILLO, D.C. O papel dos supermercados no varejo de alimentos: São Paulo: IPE, 1987. 198 p. (Série Ensaios Econômicos, 68).

A participação no faturamento decaiu no mesmo período, com os pequenos negócios representando 26,6% em 1997, sendo que, em 1990, o mesmo setor representava 30%. Apesar de esta perda de faturamento se concentrar ainda nos grandes centros (no interior e regiões como o Nordeste, Sul e em estado como Minas Gerais e Espírito Santo, a participação dos pequenos no faturamento se mantinha expressiva), ela permanecia como um indício importante da perda de terreno dos pequenos supermercados. Numa perspectiva de tempo mais ampla, o avanço dos grandes grupos fica mais evidente. De 1994 a 1997, os pequenos estabelecimentos haviam sofrido uma perda real em seu faturamento da ordem de 5,68%, ao passo que os grandes grupos cresceram neste mesmo período 4,85%. Moldero (1998) observa que, por um lado, a estabilização da moeda em meados dos anos 90 fez com que os consumidores passassem a realizar compras mais freqüentes e de menor valor na sua vizinhança, o que obviamente favorecia os pequenos. Por outro lado, os pequenos comerciantes sofreram com escassez de crédito para financiar sua expansão.

Outro fator importante apontado pelo autor foi a autorização dada, neste período, aos hipermercados para permanecer abertos aos domingos. Para o ano de 1998, a situação se mantém. Do ponto de vista da participação no volume físico de vendas e espaço físico, segundo dados do Censo Nielsen de 1999, citados em Campos (2000), o segmento dos pequenos estabelecimentos, definido pela autora como aquele que possui de 1 a 4 check-outs, apresentou um aumento da sua participação no volume total de vendas, passando de 24,9% do total para 29,3%, registrando também, no mesmo ano, uma maior expansão física (número de lojas) da ordem de 25%. Contudo, este desempenho não se refletiu em participação no faturamento do setor, com uma queda de 1,5% na mesma. No ano de 1999, Campos (2000), citando novamente o Censo Nielsen de 2000, observa que, com relação a participação das pequenas lojas, aquelas com menos de 300m2 de área e faturamento inferior a R$ 100 mil, eram 54 % do total de lojas com mais de dois check-outs.

A pulverização do setor se confirma quando se acrescenta a informação que relaciona quantidade de lojas e de empresas. As 23.220 lojas existentes no país pertenciam a 18.766 empresas, resultando em 1,24 para cada empresa. Contudo, a partir de 2002 até 2005, a AC Nielsen registra um avanço dos pequenos, com um aumento de participação chegando a 37% (lojas com até quatro caixas). Neste mesmo período, os cinco maiores grupos apresentam uma redução de 29% para 24%. Uma das explicações continua sendo o fato de que, com a estabilidade econômica, as compras de fim de mês feitas nos hipermercados, dão lugar compras menores e mais freqüentes em estabelecimentos da vizinhança.

contra os pequenos. As grandes redes, que, neste momento, já concentravam 40% do mercado, partem para a instalação de lojas de menor área, de sortimento limitado (600 a 1200 itens), estrutura enxuta de custos e preços competitivos, aumentando a pressão sobre os pequenos supermercados.

Mais recentemente, os pequenos e médios grupos têm conseguido manter suas operações viáveis, contendo, até certo ponto, o processo de concentração de mercado. Classificados de acordo com valor de vendas, segundo a Revista Supermercado Moderno (2002), tanto os estabelecimentos com receita até R$ 100 milhões como aqueles abaixo de U$ 35 milhões, apresentavam crescimento de vendas anuais superiores aos grandes grupos, o que pode indicar que os pequenos e médios supermercados começavam a reagir bem a esta ameaça. Segundo dados publicados na REVISTA EXAME (2002), por exemplo, surgem indícios de que o pequeno varejo e lojas de vizinhança (segundo definição da própria revista, estabelecimentos que operam com 10 a 19 check-outs), começam a melhorar sua posição, pois, em 2002, passam a deter uma participação expressiva de 58,1% no faturamento geral do setor, representando um percentual de 35% a 40% do volume de vendas de grandes fornecedores. De fato, já no inicio dos anos 2000, se observa uma migração de uma parte dos consumidores das cadeias líderes para estabelecimentos e redes de menor porte. Aparentemente, com a crise econômica do início dos anos 2000, os pequenos passam a atrair estes consumidores com preços mais vantajosos e crédito menos burocratizado. Estes negócios familiares passam a se valer de algumas vantagens tais como menores custos trabalhistas, mais liberdade para promoções, menos filas e atendimento personalizado.

Os pequenos conservam ainda vantagens de custos frente aos grandes que não podem ser desprezadas: “Com estruturas mais enxutas, uma rede média de varejo tem custos 25% inferiores aos dos grandes. Os preços, em média, são entre 3% e 16% mais baixos” (REVISTA EXAME, 2000). Por outro lado, Saab e Gimenez (2000)enunciam que o processo de concentração do varejo brasileiro, além de menos acentuado do que em países desenvolvidos e da América Latina, também estaria mais localizado em grandes centros urbanos, sendo que, em cidades menores, os supermercados independentes e de menor porte possuem maiores condições de desenvolver vantagens competitivas, aproveitando-se de sua maior proximidade com o consumidor, tanto em termos espaciais como em termos de um atendimento mais personalizado.

No ano de 2005, no ranking divulgado pela ABRAS, a participação dos pequenos estabelecimentos (até 250m2 de área) no total de lojas instaladas, aumenta de 29,1% em 2003 para 32,4%, em 2004. Algumas razões para este desempenho dos pequenos

estabelecimentos podem ser encontradas em alguns trabalhos, um deles realizado pela CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina, órgão ligado às Nações Unidas. Segundo pesquisa da CEPAL, realizada em conjunto com a FIA/USP (PROVAR – Programa de Administração de Varejo), os supermercados de menor porte (considerados abaixo da 100a posição no ranking de vendas da Associação Brasileira de Supermercados – ABRAS), possuem uma estrutura de custos fixos que é mais favorável, devido a um maior índice de terceirização, especialmente em transportes e entregas, além de menores custos de manutenção e mão de obra e uma maior proximidade com o consumidor, devido ao fato de estarem localizados nas periferias e bairros onde os grandes têm dificuldade em chegar e que, por isso, e pelo menos por enquanto, ainda preferem deixar nas mãos de supermercados independentes, especialmente em regiões de baixa densidade demográfica.

Também, ao contrário do que se poderia normalmente imaginar, conseguem, em alguns casos, boas condições e descontos junto aos fornecedores, tanto na indústria como no setor atacadista. Isso se explica devido ao interesse dos mesmos em ter bom relacionamento com os pequenos supermercados, diminuindo sua dependência dos grandes grupos varejistas e aliviando assim a pressão sobre suas margens, pressionadas pela ação dos grandes grupos ao exigirem descontos crescentes e taxas adicionais de exposição de produtos, além de outras vantagens. Do lado dos pequenos, estas melhores condições também têm uma relação com as centrais de compras ou de negócios, como se verá mais adiante.

Além dos fornecedores, Campos (2000) observa a existência de mais um ator no processo de proteção aos pequenos negócios que vale a pena ser mencionado: as próprias entidades representativas do setor supermercadista, tais como APAS, ABRAS, etc., passam a realizar ações visando o fortalecimento e preservação dos pequenos supermercados, tais como convênios com instituições de credito e fomento oficiais (a exemplo do BNDES), para a criação de linhas de crédito direcionadas ao setor e o próprio incentivo ao associativismo, através das centrais de compras, fornecendo todo um aparato técnico e institucional para a formação e consolidação destas centrais. Se considerarmos serem as entidades representativas do setor supermercadista um reflexo da concentração do setor, poderíamos nos perguntar por que uma entidade, onde o peso dos grandes é forte, defenderia os concorrentes destes grandes grupos, os pequenos estabelecimentos. Uma possível resposta para isto está em algumas suposições aventadas por pequenos supermercadistas, por ocasião das entrevistas de campo: as entidades necessitam também dos pequenos por que, se estes são pequenos individualmente, em conjunto, tem poder de voto dentro da entidade e poder econômico representado pela contribuição associativa que eles realizam e que não pode ser desprezada

pelas entidades.

Já Moldero (1998), acrescenta mais algumas razões de cunho operacional para explicar a resistência dos supermercados de menor porte. Uma delas está relacionada á criação de conveniência e melhorias físicas nas lojas, com a modernização de fachadas, pisos, pinturas, sortimento de produtos customizado e adequado às características locais. Na mesma linha da conveniência, Campos (2000) já afirmava a vocação dos pequenos estabelecimentos para serem lojas de vizinhança, vendendo a conveniência geográfica e de serviços e buscando espaços menos explorados pelos grandes grupos, como as regiões periféricas dos grandes centros e no interior do estado. No caso da vizinhança, é ressaltado o fato de que os pequenos supermercados, operando de um a quatro check-outs, teriam um raio de ação de no máximo 800 metros, com 80% da sua clientela residindo nos seus arredores, o que reforçaria a opção pela exploração deste tipo de clientela.

Reforçando estes dados, um estudo realizado pela consultoria Booz Allen Hamilton para a Coca Cola e divulgado pelo jornal Valor Econômico (2003), apresenta uma perspectiva interessante das razões para as vantagens dos pequenos. A questão do crédito, por exemplo, é redimensionada. Afirma esta pesquisa que os pequenos oferecem o chamado crédito virtual, relacionado com o atendimento personalizado e viabilizado pelo pequeno supermercadista presente naquelas situações onde, ao final da compra e diferentemente das grandes lojas, falta uma pequena quantia para o pagamento. Com esta prática, o cliente não é obrigado a devolver toda a mercadoria podendo levá-la consigo e depois pagar a diferença. Outro fato é o custo de bens complementares, relacionados com a compra em si, tais como o transporte. Mesmo oferecendo promoções de preços mais vantajosas, a grande loja se encontra fisicamente distante do consumidor (especialmente das classes C e D), cuja compra média é baixa, e que tem de se deslocar da periferia, arcando com um custo adicional de transporte, o que elimina a vantagem do preço mais baixo da promoção. Este último fato realça a importância da proximidade no padrão de competição do setor.

Quanto à suposta superioridade das grandes cadeias, em termos de variedade de produtos, esta também foi contestada na pesquisa da Booz Allen. Esta pesquisa apresenta um pequeno supermercado que ao, se limitar em oferecer apenas marcas lideres de produtos básicos, atinge, com esta prática, maior eficiência no atendimento das necessidades dos consumidores das classes C e D. O atendimento personalizado, efetivado pelo próprio dono do estabelecimento, completa o quadro favorável aos pequenos.

Ao longo dos anos, a situação de vantagem dos supermercados pequenos, de até quatro caixas registradoras, vem sendo mantida. De acordo com os dados obtidos por uma

pesquisa efetuada pela APAS e divulgados através da imprensa (Valor Econômico, 2007), os pequenos estabelecimentos supermercadistas obtiveram em 2006 um acréscimo de 3,9% no faturamento, enquanto que os supermercados e hipermercados com mais de 50 caixas, no mesmo período, apresentaram uma redução de 3,2%. À princípio, o consumidor continua se voltando mais para os pequenos. Além das razões já apontadas, uma razão importante deste desempenho é a necessidade de menores estoques de produtos por parte das famílias, devido ao período de baixa inflação que se iniciou no Brasil em 2003. Isso faz com que as compras sejam menores e o consumidor prefira, com isso, lojas mais próximas e menores. A proximidade possibilita compras mais freqüentes e de menor valor, inclusive a pé, o que gera mais comodidade e economia de tempo e transporte, mesmo em cidades menores.

Finalmente, constata-se que os grandes grupos, apesar de sua aparente superioridade de escala, não conseguem explorar plenamente regiões mais periféricas e capilarizadas, onde os pequenos estabelecimentos encontram oportunidades para construir vantagens competitivas, relacionadas com a conveniência da proximidade geográfica e com serviços adicionais, como entregas a domicílio, financiamento de compras (cheques pré-datados) e, dentro deste quadro, suas chances de sobrevivência em um contexto de concentração moderada são consideráveis.