3.6. Karşılaştırmalı Bir Mekân Analizine Giriş
3.6.2. AVM’ yi Anlamlandırma
O objetivo deste capítulo não foi mostrar apenas um panorama descritivo das vertentes do institucionalismo e dos aportes teóricos de redes, mas apresentar possibilidades de diálogo entre estas vertentes, especialmente os enfoques econômico (NEI/ECT) e sociológico (NIS), com a formação em rede se constituindo, não apenas em uma estrutura híbrida de governança, mas num arranjo organizacional específico, no qual seria possível perceber a convivência de mecanismos de coordenação formais ao lado de outros mecanismos informais com aspectos sócio-culturais. Em outras palavras, tomando como base o institucionalismo e a teoria de redes, buscou-se nesta apresentação teórica, além de revisar estes conceitos e estabelecer espaços de diálogo entre as vertentes econômica e sociológica do institucionalismo, com a abordagem de redes como elemento relevante desta intersecção.
entre NEI/ECT e NIS foi encontrada nas postulações de Matthews (1986), já tratadas neste capítulo, e que podem ser resumidas a partir da existência de um espaço comum entre as visões do institucionalismo aparentemente antagônicas: a visão econômica, amparada nos conceitos teóricos básicos de oportunismo e custos de transação e a sociológica, cujo foco para este trabalho está na possibilidade e mesmo na necessidade da existência de relações confiantes e recíprocas em arranjos cooperativos. Em linha com o exposto nos trabalhos de Matthews (1986), este ponto de diálogo é representado pela racionalidade limitada e assimetria de informações, geradores de custos de transação (NEI/ECT), mesmo em um contexto de relações baseadas em confiança e altruísmo, existentes nas redes do tipo central de negócio analisadas neste trabalho9. Esta situação foi verificada concretamente por meio da observação de um mecanismo recíproco de troca de mercadorias que será mais bem analisado a frente.
A tipologia de redes, por sua vez, oferece espaço para novas caracterizações que não se enquadram exatamente nos padrões até o momento registrados e analisados sob a forma das formas híbridas da NEI/ECT, tais como as franquias, acordos de subcontratação, joint-ventures, alianças estratégicas, etc., ou ainda pelo conceito de redes sociais considerado pelo NIS. O arranjo cooperativo em redes de pequenos supermercadistas, denominado rede de compras ou centrais de negócios se apresenta como uma estrutura em rede passível de ser classificada em uma nova categoria que combina características de diversas estruturas em rede.
Podem ser identificadas algumas das características das alianças estratégicas entre empresas de maior porte. Por exemplo, no caso da motivação inicial, esta é essencialmente econômica, com um aspecto formal na natureza de seus vínculos, representado no caso das centrais pela existência do estatuto da rede. Mas também, se encontram características de redes de pequenas empresas, que conservam sua independência (o que nem sempre se dá com as alianças estratégicas) e que estabelecem entre si vínculos horizontais com elementos informais (o que é mais raro nas alianças, mesmo podendo, eventualmente, acontecer), baseados em cooperação, confiança e reciprocidade. A homogeneidade em termos de mercados, de porte e tecnologia, também se constitui em fator importante e, devido a isto, as redes de PMES tendem a possuir uma conformação de caráter não hierárquico (ao contrário de algumas alianças), se aproximando, por este lado, das centrais de negócio. Também a
9 Registre-se aqui novamente a importante contribuição do professor Mauro Rocha Côrtes, que, em discussões realizadas em disciplina sobre institucionalismo, cursada por este pesquisador para cumprimento de créditos junto ao programa de pós-graduação do DEP/UFSCar e ministrada em conjunto com o professor Luiz Fernando O. e Paulillo, chamou atenção para a abordagem teórica de Matthews, e sua pertinência para este trabalho.
proximidade espacial (mas não coincidente), é relevante, uma vez que esta se constitui num elemento de reforço da confiança e na manutenção dos vínculos. No caso das centrais, a proximidade em termos de região municipal é importante, mas a manutenção de uma distância mínima entre os associados dentro do município também tem sua relevância, tal como se verá mais adiante.
Por outro lado, a modalidade de centrais de negócios pende mais para as redes de empresas do que as alianças estratégicas, em alguns aspectos. No caso das alianças, existem elementos de dependência e possível hierarquia em relação a uma organização predominante, o que não ocorre nas centrais. As regras do estatuto que rege parte das atividades de uma central não possuem o mesmo caráter contratual encontrado nas alianças e não cobre todas as situações possíveis. Tendo em vista as redes de pequenas empresas, as centrais de aproximam mais destas, pois, tanto na formação quanto na manutenção da central, e a exemplo das redes de pequenas empresas, os fatores culturais ocupam papel de maior relevância. Mesmo com a existência de um estatuto formalizado, existe um importante conjunto de normas informais e expectativas de comportamento (como exemplo, tem-se a reciprocidade representada pelo sistema informal de troca de mercadorias, que será detalhado mais a frente) e torna-se fundamental que haja, por parte dos associados, um comprometimento de longo prazo com o respeito a estas normas e com a manutenção das relações. Mesmo se for considerado que, no caso das centrais, as motivações iniciais se prendem a questões de natureza econômica (economia de escala em compras e melhores condições competitivas), existe também a necessidade da criação e manutenção de um conjunto de valores cooperativos que vão desempenhar papel relevante na manutenção da ação cooperativa de uma central de negócios.
Um aspecto da ação cooperativa na forma de centrais de negócio é a existência de mecanismos de coordenação formais e informais. Os mecanismos de coordenação se apresentam como um aspecto importante do funcionamento das redes, sendo que, especialmente no caso em tela, há uma nítida combinação entre formalidade e informalidade. No caso deste trabalho, por exemplo, encontram-se tanto aqueles mecanismos de coordenação mais sintonizados com o controle e formalismo da abordagem econômica, tais como o estatuto da rede e atas de reuniões, como também mecanismos informais, baseados em confiança e reciprocidade, estes, mais trabalhados em vertentes sociológicas do institucionalismo. Portanto, a construção e manutenção da cooperação em centrais de negócios serão analisadas em termos de seus mecanismos formais e informais de coordenação.
Teoricamente, os mecanismos de coordenação são aqueles definidos por Grandori e Soda (1995) e apresentados por Sacomano Neto e Truzzi (2005), em resumo, comunicação, controle social, regras, planejamento, incentivo, seleção de parceiros, sistemas de informação e suporte público/externo. A formação em torno de centrais de negócios que coordenam suas transações e atividades com elementos de formalidade e informalidade, passa a ser considerada uma alternativa para as pequenas empresas do setor supermercadista aos modelos tradicionais de atuação no setor. Assim, foram apresentados neste capítulo de revisão teórica os elementos ligados às características relacionais dos associados das centrais estudadas e dos seus mecanismos formais e informais de coordenação para a manutenção da cooperação e eficácia da rede. Estas foram as principais questões abordadas neste trabalho.