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TARTIŞMA SONUÇ VE ÖNERİLER

5.3 ÖNERİLER

5.3.1 İleride Yapılacak Araştırmalar İçin Öneriler

da entrega e coleta dos mesmos, que a nova Proposta Curricular surge num momento de

37 A professora P6 nos relatou que não dispunha nem mesmo de uma mesa em suas salas de aula e que as lousas, de tão deterioradas, mais pareciam asfalto.

desencanto, no qual os professores parecem desacreditar na possibilidade de mudanças no quadro atual de ensino de LE nas escolas públicas. Podemos perceber que os professores associam a não viabilidade de aplicação/sucesso da Proposta, à distância que existe entre o que é apresentado no documento e a realidade por eles enfrentada no dia-a-dia. Podemos verificar isso nas falas dos professores:

[...] eu acho que o pessoal que formula isso daí, eles não têm idéia do que é

uma sala de aula... nunca passaram por aqui, não sabem como é que é o

negócio. (P1 - entrevista)

Considero que cada governo quer mostrar sua cara como nova, e apresentam teorias, na sua maioria absurdas, pois não fazem idéia do que

seja uma sala de aula. (P2)

[...] acho que estão em outro mundo, pelo menos não está de acordo com

nossa realidade. (P8)

[...] quem elaborou essa proposta não sabe o que é sala de aula e não conhece os alunos do ensino médio nas escolas públicas. (P11)

Na língua inglesa, a proposta está muito fora da realidade das salas de

aula. Está muito fora da realidade social e cultural de nossos alunos.

(P12)

Os objetivos estabelecidos na proposta curricular não atendem à realidade dos alunos, onde se tornam (sic) difícil desenvolver os objetivos propostos.

(P17)

Os objetivos contidos são excelentes, mas a realidade do aluno é outra, são provenientes das camadas populares e o sentido atribuído à aprendizagem desta língua relaciona-se à perspectiva de obtenção de um emprego e também como meio de realizações pessoais. O conteúdo contido é válido, embora muitas vezes não seja pertinente à realidade da vida cotidiana do alunado. (P23)

Alguns professores declararam desconhecer o conteúdo da Proposta:

Nunca recebemos informações sobre as propostas. (P17)

Muitos professores afirmaram que faltou um processo de preparação/capacitação para a prática dos objetivos contidos na Proposta, e para a utilização das atividades contidas nos

Cadernos do Professor:

[...] tudo é lançado assim aleatoriamente, para que cada professor faça o que quiser. Na verdade, cada um faz o que quiser [...]. (P2)

Essa Proposta foi jogada pra gente. (P11)

O caderno do professor está sendo difícil trabalhar com ele, porque não

fomos capacitados [...]. Entregam o caderno do professor e não falam nada.

(P17)

Não adianta fazer um material e não dar condições para os professores usarem. Teria que haver uma preparação, um investimento primeiro no professor, algum treinamento, ou curso para explicarem como podemos usar os cadernos em classes de 45 alunos. Talvez alguém que elaborou o material vir até a minha escola e usar o material em uma das minhas classes! (P18)

P1, P2, P3 e P4, que lecionam na mesma escola, optaram por não usar os Cadernos do

Professor, pois acham o conteúdo difícil de ser trabalhado com suas classes, e continuam a

utilizar o mesmo livro didático38 que usavam nos anos anteriores. O mesmo argumento foi utilizado por P11, P12 e P21, que também adotam um livro didático na escola em que lecionam. Outro motivo apontado por essas professoras para a não utilização dos Cadernos, é que o livro didático que utilizam possui várias atividades de conversação e de compreensão auditiva, atividades que, na opinião das professoras, dão muito prazer aos alunos.

P1 afirma que não está usando os Cadernos devido à indisponibilidade do material para o aluno:

Eu não estou usando aquilo lá, mesmo porque eles mandaram aquele

material lá, você não pode nem tirar xerox, não tem verba pra tirar xerox e é impossível você colocar aquele material na lousa pra eles copiarem. Então eu sigo o livro que nós adotamos o ano passado. O livreto [Caderno do

Professor] é muito bem feito, é muito bonitinho, mas só pra gente não adianta nada. Teria que ter pros alunos também. (P1 – entrevista)

38 Os professores dessas duas escolas relataram que adotam o mesmo livro didático há alguns anos. Os alunos são responsáveis pela compra dos livros no início do ano letivo. É importante esclarecer que essas duas escolas são centrais e que possuem realidades diferentes da maioria das outras por nós visitadas.

P4 não acredita que os Cadernos tragam algum tipo de mudança, por isso decidiu não utilizá-los:

Não acredito que houve mudanças. Usamos na nossa escola um material

muito interessante e eficaz. (P4)

Já P18 acha que os Cadernos são bem elaborados, mas por não ter tempo de preparar as atividades neles contidas, não os tem utilizado:

É um material bem feito, mas não tem me ajudado. Não tenho trabalhado com os cadernos, pois para começar, não tenho tempo de preparar as atividades que eles sugerem. (P18)

O aspecto mais positivo da nova Proposta, segundo os professores, é a idéia da base curricular comum a todas as escolas da rede pública, que poderá proporcionar uma prática pedagógica com foco mais definido, e a continuidade/seqüência dos componentes curriculares. Vejamos algumas falas nas quais tal aspecto é mencionado:

A proposta curricular, a meu ver, não inova, mas o plano de aula comum a

todos os professores é interessante, já que haverá continuidade dos

conteúdos em qualquer escola que o aluno queira estudar. (P6)

Gostei da proposta, pois acho que se houver seriedade por parte da Secretaria de Ensino e dos professores, haverá um projeto único a ser

trabalhado no Estado. (P9)

O bom foi que podemos igualar o ensino em todas as unidades. (P14)

Gosto da proposta mesmo porque é um meio de integrar todos os

professores da rede pública. (P26)

Todos os professores que estão utilizando os Cadernos do Professor, sem exceção, reclamaram do fato de possuírem o material, mas deste não ter sido disponibilizado para os alunos. Torna-se difícil para os professores a aplicação das atividades propostas nos

Cadernos, uma vez que se constituem de textos e materiais visuais (fotos, gravuras, tabelas),

que não podem ser reproduzidos (copiados) devido à falta de recursos financeiros por parte dos professores e das escolas:

Algumas sugestões para atividades podem me ajudar, embora haja dificuldade de aquisição dos recursos para ministrar as aulas propostas.

Imagens que os alunos não têm como ver, textos que têm que ser escritos no quadro e que despendem muito tempo. (P6)

[...] os alunos deveriam ter este material também; só assim meu trabalho

pedagógico terá sentido. (P8)

Os temas tratados nos textos são bem pertinentes. O problema maior neste ano é o fato de só os professores terem recebido os livros [...]. Dependendo do texto, colocá-lo na lousa iria descaracterizá-lo totalmente. (P9)

Acho que a proposta deixa a desejar quando nós professores recebemos

atividades super interessantes (e coloridas) nos Cadernos do Professor, mas que não podem ser aproveitadas pelos alunos, pois não há dinheiro para as

cópias [...] tiro cópias (xerox) com meu próprio dinheiro, o que nem sempre é possível, pois tenho em torno de 500 alunos. (P22)

Ao analisar a questão da autonomia no trabalho docente, Basso (1994) a relaciona com a formação do professor e o uso do livro didático. A autora afirma que a autonomia do professor fica comprometida quando este não tem uma boa formação. Nessa situação, grande parte de suas ações no ensino são exercidas em função do que dita o livro, pois devido à sua limitada formação, o professor utiliza o livro didático como único recurso, acabando este por reger o que ele faz em sala de aula.

Neves e Silva (2006) apontam que a perda da autonomia e a desvalorização do trabalho docente afetam brutalmente a auto-estima e a identidade profissional do professor, fazendo com que o mesmo deixe de ser aquele que ensina, para transformar-se, principalmente, num administrador de currículo, o que pode colaborar para que o docente não tenha interesse no que faz, nem sinta prazer nesse fazer.