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İkonik Yapılar ve Modernite Kapsamında Kent Kimliği ve Kentsel Yaşam

O direito ao desenvolvimento terá sempre uma dimensão individual, com foco no ser humano. A posição central da pessoa humana é assegurada pela Carta das Nações Unidas, pela Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 e pelos Pactos Internacionais de Direitos Humanos de 1966, a partir do momento em que todos esses documentos tomam como fundamento a dignidade da pessoa humana.

A Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento é coerente com esse paradigma, até porque o seu texto e a sua interpretação não podem contrariar os propósitos e princípios das Nações Unidas nem justificar a prática de qualquer ato voltado à violação dos direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos Pactos Internacionais sobre Direitos Humanos711. Dessa forma, reconhece que a pessoa humana deve ser não só o sujeito central mas também o principal participante e beneficiário do desenvolvimento712. Também a Declaração e Programa de Ação de Viena adota o paradigma que coloca a pessoa humana como o sujeito central do desenvolvimento713.

Essa posição é consentânea com a idéia de que a dignidade da pessoa humana é a fonte de todos os direitos humanos. Todos os seres humanos, assim, são titulares do direito ao desenvolvimento, sem distinção de qualquer natureza. Mesmo quando se tratar da dimensão coletiva desse direito uma perspectiva individual também estará presente, pois, afinal, coletividades são formadas por seres humanos. Temos, assim, proclamada a

universalidade do direito ao desenvolvimento, como, aliás, textualmente faz a Declaração

e Programa de Ação de Viena714.

711 Artigo 9°, § 2°, da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento.

712 Preâmbulo e artigo 2º, § 1º da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento. 713 A/CONF.157/23, preâmbulo e § 10.

714 “A Conferência Mundial sobre Direitos Humanos reafirma o direito ao desenvolvimento, previsto na

Declaração sobre Direito ao Desenvolvimento, como um direito universal e inalienável e parte integral dos direitos humanos fundamentais” (A/CONF.157/23, § 10).

Além disso o ser humano é o sujeito central do Direito Internacional como um todo, e, portanto, também do direito ao desenvolvimento nessa dimensão. Eis o resultado do processo de humanização do Direito Internacional, ressaltando Cançado Trindade que essa titularidade jurídica internacional do ser humano já é hoje uma realidade inegável715. A própria construção do sistema internacional de direitos humanos exige que o ser humano seja considerado sujeito de direitos internacionais, e implica o reconhecimento da responsabilidade dos demais Estados e da comunidade internacional em relação a violações de direitos humanos no plano interno, superando a ultrapassada concepção da Paz de Westfália, segundo a qual a soberania bloqueava qualquer intromissão nos assuntos internos dos Estados.

As disposições que tratam do conteúdo do direito ao desenvolvimento se projetam em relação à pessoa humana individualmente considerada. O desenvolvimento é considerado um processo econômico, social, cultural e político abrangente, que visa o constante incremento do bem-estar de toda a população e de todos os indivíduos com base em sua participação ativa, livre e significativa no desenvolvimento e na distribuição justa dos benefícios daí resultantes716. Esse desenvolvimento deve ser, ainda, integral, maximizando-se todas as potencialidades humanas, o que justifica o fato da promoção, do respeito e do gozo de certos direitos humanos e liberdades fundamentais não poderem justificar a negação de outros direitos humanos e liberdades fundamentais717.

Tomando esses parâmetros, Nicolás Angulo Sánchez entende que o direito ao desenvolvimento no plano individual consiste no direito de fazer possível desenvolvimento integral de toda pessoa humana como indivíduo autônomo e livre, não só no aspecto econômico e material, mas, também, no que concerne ao social, cultural e espiritual. Abrange, dessa forma, o direito de cada um ao pleno desenvolvimento da sua personalidade e das suas capacidades, bem como a uma vida livre e digna no seio da

715 TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. A recta ratio nos fundamentos jus gentium como Direito

Internacional da humanidade. In TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. A humanização do Direito Internacional. Belo Horizonte: Del Rey, 2006, pp. 17-18. Diz, ainda, que “O ser humano é, inconstestavelmente, em última análise, o sujeito último do direito tanto interno como internacional”, e que a tarefa que se apresenta agora é consolidar a sua capacidade processual internacional (p. 18). Sobre o tema vide, ainda do mesmo autor, TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. La consolidación de la personalidad y capacidad jurídicas internacionales del ser humano en la agenda de los derechos humanos del siglo XXI. In TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. A humanização do Direito Internacional. Belo Horizonte: Del Rey, 2006, pp. 129-142.

716 Preâmbulo da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento. 717 Preâmbulo da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento.

comunidade à qual pertence, convive e interage com os demais indivíduos que a compõem718.

Mesmo os direitos que admitem dimensões coletivas sempre consideram como finalidade última o ser humano, o que se encontra de acordo com a idéia de que os direitos de segunda e terceira geração podem ser reduzidos à titularidade individual. Por isso, é também em prol da dimensão individual do direito ao desenvolvimento que os Estados devem tomar providências para eliminar os obstáculos ao desenvolvimento resultantes da falha na observância não só dos direitos civis e políticos, mas ainda dos direitos econômicos, sociais e culturais719. Vale lembrar que os dois Pactos Internacionais de Direitos de 1966, já examinados, garantem todos esses direitos.

É importante para a dimensão individual do direito ao desenvolvimento que seja assegurada a igualdade de oportunidades em relação ao desenvolvimento, o que é considerado uma prerrogativa tanto das nações quanto dos indivíduos que as compõem720. Por isso, os Estados devem assegurar a igualdade de oportunidade para todos no acesso aos recursos básicos, educação, serviços de saúde, alimentação, habitação, emprego e distribuição eqüitativa da renda721. Essas medidas dizem respeito, obviamente, à igual satisfação das necessidades básicas, através da quais são ampliadas as potencialidades, as capacidades de escolha, ou, para lembrar Amartya Sen, as liberdades das pessoas. Ainda à luz desses objetivos igualitários medidas efetivas devem ser tomadas para assegurar que as mulheres tenham um papel ativo no processo de desenvolvimento, e reformas econômicas e sociais apropriadas devem ser efetuadas com vistas à erradicação de todas as injustiças sociais.

A igualdade de oportunidades, se assegurada, faz com que eventuais diferenças de desenvolvimento sejam justificadas por critérios puramente meritocráticos, o que se aproxima do valor da justiça. Porém, nem mesmo a eventual ausência de mérito justifica um déficit de desenvolvimento tal que resulte na privação de direitos básicos mínimos, que na perspectiva de solidariedade devem ser assegurados a todos, sem distinção de qualquer

718 SÁNCHEZ, Nicolás Angulo. El derecho al desarrollo frente a la mundialización del mercado: conceptos,

contenido, objetivos y sujetos. Madrid: IEPALA, 2005, p. 177.

719 Artigo 6°, § 3º, da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento. 720 Preâmbulo da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento. 721 Artigo 8º, § 1°, da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento.

natureza, o que condiz com a garantia do mínimo existencial e com o fato do direito ao desenvolvimento ser considerado um direito humano inalienável722.

A intenção de assegurar a igualdade fica evidente quando se entende o direito ao desenvolvimento como um processo em virtude do qual toda pessoa e todos os povos estão habilitados a participar do desenvolvimento econômico, social, cultural e político, para com ele contribuir e dele desfrutar, de maneira que todos os direitos humanos e liberdades fundamentais possam ser plenamente realizados. Essa compreensão foi explicitada no artigo 1°, § 1°, da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento, em relação ao qual Fábio Konder Comparato observa argutamente que está presente um vício lógico, consistente em colocar o objeto definido na própria definição723.

A pessoa humana, assim, tem o direito de participar ativamente do desenvolvimento, exercendo o seu papel ativo em benefício próprio e dos demais, contribuindo na medida das suas potencialidades, que devem ser ampliadas ao máximo. Essa última tarefa exige a satisfação de direitos humanos básicos, como educação, saúde, alimentação, moradia, alargando-se assim, a sua capacidade de escolha. A condição de beneficiário último, da qual resulta o direito de usufruir os frutos respectivos, implica, dentre outras conseqüências, ter acesso ao resultado econômico do desenvolvimento. Logo, a repartição das receitas e a distribuição de renda fazem parte do conteúdo do direito ao desenvolvimento.

A participação das pessoas em todas as esferas deve ser encorajada pelos Estados, como um fator importante no desenvolvimento e na plena realização de todos os direitos humanos724. Essa participação diz respeito não só à dimensão econômica do processo de desenvolvimento, através do qual se dá a geração de recursos financeiros, mas, também, de outras dimensões, como, por exemplo, a política e cultural.

Como decorrência da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todas as pessoas têm, ainda, direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e as liberdades nela consagrados possam ser plenamente realizados. Para tanto, a paz e a segurança internacionais são elementos essenciais à

722 Artigo 1°, § 1° da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento.

723 COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 4ª edição. São Paulo: editora

Saraiva, 2005, p. 395.

realização das dimensões individual e coletiva do direito ao desenvolvimento. Não há, como parece óbvio, nenhuma condição do desenvolvimento ser promovido em situações de beligerância. É por essa razão que existe uma relação íntima entre desarmamento e desenvolvimento, de forma que quanto maior o progresso no campo do desarmamento maior a probabilidade de avanço em termos de desenvolvimento, ainda mais se os recursos antes gastos em armas forem adequadamente redirecionados725.

Como se pode notar, o objeto do direito ao desenvolvimento perpassa o conteúdo de outros direitos humanos. Isso faz com que parcela da doutrina o veja como uma síntese, como já anotado anteriormente. Porém, o direito ao desenvolvimento não é uma simples soma de direitos humanos já reconhecidos, indo muito além. Cumpre relembrar que a Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento726 e a Declaração e Programa de Ação de Viena727 enfatizam que todos os direitos humanos e as liberdades fundamentais são indivisíveis e interdependentes, e que para promover o desenvolvimento devem ser dadas atenção igual e consideração urgente à implementação, promoção e proteção dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. A interdependência e a indivisibilidade entre todos os direitos são marcas indeléveis da concepção contemporânea dos direitos humanos, e foram estendidas a todos os aspectos do direito ao desenvolvimento, ou seja, às suas projeções econômica, social, cultural, ambiental, as quais devem ser consideras no contexto do todo728. Essas disposições modificam o alcance dos vários direitos humanos e liberdades fundamentais que compõem o direito ao desenvolvimento. O direito ao desenvolvimento, quando enfatiza a interdependência de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais e os contextualiza em um todo integral e indivisível, faz com que o conteúdo próprio de cada um deles ganhe novas dimensões.

Nesse sentido é a argumentação de Philip Alston, já exposta quando cuidamos da possibilidade de conferir valor jurídico ao desenvolvimento na esfera internacional e que toma como exemplo o alargamento, a partir do direito ao desenvolvimento, do conteúdo do direito à comida e do direito à erradicação da fome previstos no artigo 11 do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Também Cançado Trindade deixou registrado que a agenda dos direitos humanos no plano internacional se expandiu consideravelmente a partir da cristalização do direito ao desenvolvimento como um direito

725 Preâmbulo e artigo 7° da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento. 726 Preâmbulo e artigo 6°, § 2° da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento. 727 A/CONF.157/23.

humano729. Arjun Sengupta, de sua vez, em seu quarto relatório na condição de perito independente sobre o direito ao desenvolvimento, registrou que o direito ao desenvolvimento não é apenas uma espécie de umbrella right ou a soma de determinados direitos, constituindo em verdade um direito a um processo que expanda as capacidades ou as liberdades das pessoas em melhorar seu bem-estar e perceber o seu valor. O direito ao desenvolvimento, ao seu ver, implica em uma melhoria de um vetor de direitos humanos, o qual é composto de vários elementos que representam os diferentes direitos econômicos, sociais e culturais, bem como os direitos civis e políticos, todos interdependentes. O próprio vetor é um direito humano, pois o direito ao desenvolvimento é um todo integral desses direitos730.

Quanto ao sujeito passivo do direito ao desenvolvimento na sua dimensão individual, como já é possível perceber, os Estados têm a responsabilidade primária pela criação das condições nacionais e internacionais favoráveis à realização desse direito. Por isso devem tomar todas as medidas necessárias para a realização do direito ao desenvolvimento. Essa responsabilidade, que foi expressa na Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento731, é consentânea com o compromisso assumido pelos Estados quando da aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, conforme registra o preâmbulo respectivo732, segundo o qual os Estados Membros da Organização das Nações Unidas se comprometeram a promover, em cooperação com aquele órgão, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem e a observância desses direitos e liberdades. Da mesma forma, está de acordo com as obrigações assumidas nos dois Pactos Internacionais de Direitos Humanos de 1966, os quais colocam os Estados como devedores de diversos direitos humanos que se vinculam ao direito ao desenvolvimento. Também cabe lembrar a Declaração do Milênio, na qual os líderes dos Estados signatários assumiram a responsabilidade de criar condições propícias, a nível nacional e mundial, ao

728 Artigo 9°, § 1°.

729 TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. Human development and human rights in the international

agenda of the XXIst century. In TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. A humanização do Direito Internacional. Belo Horizonte: Del Rey, 2006, pp. 383.

730 “The right to development as the right to a process of development is not just an umbrella right or the sum

of a set of rights. It is the right to a process that expands the capabilities or freedom of individuals to improve their well-being and to realize what they value. The independent expert described this right to development in terms of an improvement of a “vector” of human rights, which is composed of various elements that represent the different economic, social and cultural rights, as well as the civil and political rights. All these rights, in turn, are dependent on each other. (…) the vector itself is a human right, since the right to development is an integral whole of those rights” (E/CN.4/2002/WG.18/2, §§ 3° e 4°).

desenvolvimento e à eliminação da pobreza733. O Estado, desta forma, efetivamente ocupa a posição de devedor do direito ao desenvolvimento em relação às pessoas individualmente consideradas, o que leva a obrigações tanto no plano nacional quanto internacional. Parte da doutrina separa as obrigações dos Estados mais ricos e industrializados e as obrigações dos países menos industrializados, enfocando não só a cooperação norte-sul, ou seja, entre estas duas categorias, mas, também, a denominada cooperação sul-sul, que é aquela entre países menos favorecidos economicamente734. O Estado de origem, através do governo respectivo, tem o dever de atuar tanto no âmbito interno como nos foros internacionais no sentido de criar as condições favoráveis à realização do direito ao desenvolvimento das pessoas que o compõem. Esta atuação internacional fará com que naquela dimensão o Estado seja visto como credor do direito ao desenvolvimento em relação a outros atores, gerando repercussões próprias que serão examinadas adiante.

É lógico e natural que o Estado tenha responsabilidades primárias pela promoção do direito ao desenvolvimento e seja assim o principal devedor no plano interno. Isso porque o desenvolvimento depende de planejamento e da elaboração e execução de políticas públicas735 e programas de ação em diversos campos, medidas estas que se encontram sob a responsabilidade do Estado, que, internamente, se apresenta comumente como governo. Os Estados têm o dever de formular políticas nacionais adequadas para o desenvolvimento, que visem ao constante aprimoramento do bem-estar de toda a população e de todos os indivíduos, com base em sua participação ativa, livre e significativa, e no desenvolvimento e na distribuição eqüitativa dos benefícios daí resultantes736. Complementando essas ações, os Estados deverão ainda tomar medidas para assegurar o pleno exercício e o fortalecimento progressivo do direito ao desenvolvimento, incluindo a formulação, adoção e implementação de políticas, medidas legislativas e outras, em níveis nacional e

732 Como se sabe, nem mesmo aqueles que negam força normativa aos preâmbulos discordam do seu valor

como fonte de hermenêutica.

733 A/55/2, item III.3.

734 SÁNCHEZ, Nicolás Angulo. El derecho al desarrollo frente a la mundialización del mercado: conceptos,

contenido, objetivos y sujetos. Madrid: IEPALA, 2005, pp. 221-228.

735 Sobre políticas públicas, vide FRISCHEISEN, Luiza Cristina Fonseca. Políticas Públicas: A

responsabilidade do administrador e o Ministério Público. São Paulo: Max Limonad, 2000.

736 Artigo 2°, § 3°, da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento. Conforme o § 10 da Declaração e

Programa de Ação de Viena (A/CONF.157/23), “O progresso duradouro necessário à realização do direito ao desenvolvimento exige políticas eficazes de desenvolvimento em nível nacional (...)”.

internacional737. Isso torna o Estado o principal formulador das políticas de desenvolvimento738.

As disposições da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento em relação aos deveres dos Estados estão em perfeita sintonia com a doutrina de Fábio Konder Comparato, que, como vimos quando tratamos do fenômeno do desenvolvimento, menciona ser o desenvolvimento integral um processo de longo prazo impulsionado por políticas públicas ou programas de ação governamental com influência nos campos econômico, social e político739.

Saliente-se que os deveres estatais para com o direito ao desenvolvimento em sua maior parte constituem obrigações de meio, não de resultado. Estas, no entanto, podem incidir em relação a direitos humanos necessários ao desenvolvimento.

Além da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento, também é possível que o ordenamento interno, em especial no plano constitucional, traga para o Estado obrigações sobre o direito ao desenvolvimento. Neste caso, podemos ter obrigações de meio ou de resultado, a depender do tratamento conferido por cada legislação. Atenção especial deve ser dada quando as obrigações ganharem status de direitos fundamentais.

No plano internacional os Estados e a comunidade internacional são tradicionalmente reconhecidos como sujeitos passivos do direito ao desenvolvimento740. Essa sujeição passiva não se refere apenas a situações nas quais o pólo ativo é ocupado pela pessoa humana individualmente considerada mas também àquelas cujo credor é uma coletividade, a exemplo dos povos ou de outros Estados.

As responsabilidades primárias do Estado no plano internacional quanto ao direito ao desenvolvimento dos demais Estados e povos, tema que será adiante examinado, também dizem respeito à pessoa humana individualmente considerada, que, como dito, é o sujeito central do Direito Internacional. Vale salientar, assim, o caráter visionário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, cujo artigo 22, ainda em 1948, proclamou que todo o

737 Artigo 10º da Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento.

738 Cf. BERCOVICI, Gilberto. Desigualdades Regionais, Estado e Constituição. São Paulo: Max Limonad,

2003, p. 41.

739 COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 4ª edição. São Paulo: editora

homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade.

Para tanto, há uma premissa inafastável, colocada de maneira expressa na Declaração Sobre o Direito ao Desenvolvimento, que é a obrigação de todos os Estados promoverem o estabelecimento, a manutenção e o fortalecimento da paz e da segurança internacionais, envidando o máximo dos esforços para alcançar o desarmamento geral e completo do efetivo controle internacional, assim como assegurar que os recursos liberados por medidas efetivas de desarmamento sejam usados para o desenvolvimento amplo, em particular o dos países em via de desenvolvimento741. Vale lembrar que o direito à paz é também considerado um direito de terceira dimensão, e que o desarmamento é uma das suas premissas742. Como já dito acima, é um truísmo afirmar que o desenvolvimento não pode ser perseguido em um ambiente de guerra.

Os indivíduos e as pessoas jurídicas de direito privado também têm responsabilidades para com o próprio desenvolvimento e para com o desenvolvimento das demais pessoas e povos no âmbito nacional ou internacional, podendo, dessa forma, ser considerados não só sujeitos ativos, mas, também, sujeitos passivos do direito ao desenvolvimento.

A esse respeito, saliente-se que em 1994 um Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre o direito ao desenvolvimento chegou a registrar em relatório seu entendimento no sentido de