O comércio como sistema de trocas é elemento componente das relações sociais de longa data. O mecanismo de troca do excesso pelo ausente ou escasso constituiu a base das expansões nas relações entre os povos e permitiu, ainda, o desdobramento de um processo de intercâmbio além daquele relacionado às necessidades para a sobrevivência.
O internacionalismo também pode ser apontado como elemento constante na história enquanto produto da relação entre diferentes povos, diferentes nações. Tal conceito, após a Idade Média, passa, no entanto, a ser progressivamente dominado por uma única instituição e coloca-se entre os instrumentos da nova visão do Estado nacional em formação. Assim sendo, o adjetivo internacional atrela-se cada vez mais aos limites geográficos e jurídicos dos Estados e admite-se como sinônimo de interestatal.
Tendo em vista o referencial do Estado67, podemos destacar três principais movimentos para a compreensão das relações comerciais no âmbito internacional até os dias atuais: (i) de individualismo ou dominação; (ii) de reestruturação ou coexistência; e, (iii) de fragmentação ou cooperação. Identificaremos os três fluxos em relação a períodos da história das relações comerciais internacionais; no entanto, isso não implicará a adoção de uma perspectiva evolutiva sobre esses três movimentos. Apesar de tais movimentos serem mais facilmente visualizados frente a determinadas estruturas históricas, suas características e influências podem ser detectadas nos diferentes momentos. Por essa análise, observaremos também as diferentes relações que se compõem entre os modos de produção, sob cada um dos movimentos.
É interessante ressaltar que, nessa perspectiva histórica, poderemos acompanhar também o desenvolvimento de um sistema capitalista de produção68, de um progressivo processo de globalização das relações sociais, bem como de crescentes formas de regulamentação entre os Estados no nível internacional69.
O comércio internacional com fortes características de um movimento de caráter individualista ou de dominação é identificado com as expansões mercantilistas iniciadas no século XV. Expansões comerciais essas que se lançavam em busca de novos produtos e na promoção do intercâmbio com base na exploração de um território sobre outro, de uma nação sobre outra, sob as figuras do colonialismo e do imperialismo daquele período.
Neste primeiro momento histórico, o Estado assumiu a responsabilidade pela definição dos limites de organização de cada sociedade. O Estado também era o grande promotor e importante financiador das expedições comerciais, mas, não era o principal regulador desse tipo de transação. Vigorava neste primeiro momento o princípio liberal de regulação do mercado. Portanto, o comércio, apesar de apontado como importante elemento de estratégia do Estado, tinha suas bases no conceito de promoção individual.
67 O referencial do Estado do qual nas palavras de IANNI (2002b:44) é difícil se livrar: "Ainda que seja
evidente o empenho em desvendar as realidades geográficas, históricas e econômicas da mundialização, o Estado-nação aparece todo o tempo, como agente, realidade, parâmetro ou ilusão."
68 Assim, institui-se o capitalismo como o sistema econômico de produção preponderante do comércio
internacional. Nas palavras de WALLERSTEIN (1987:321): "The French Revolution highlights the political arena. (...) the French revolution was the moment when the bourgeoisie ousted the feudal aristocracy from state power and thereby transformed the pre-capitalist ancien régime into a capitalist state. The Industrial Revolution highlights the fruits of such a transformation. Once the capitalists achieve state power (or in Smithian terms reduce the interference of state) thein it is possible to expand significantly the triumphal possibilities of a capitalist system."
69 Na concepção de Octavio Ianni, a própria estrutura do sistema capitalista estimula tais processos de
Nesse sentido, aponta-se a emergência do mercantilismo sob dois pilares: o absolutismo estatal e a empresa privada.
O conceito de comércio internacional nesse período histórico relaciona-se ao conceito do capitalismo expansivo dos Estados europeus, que afirma o ideal e o material do espírito burguês e capitalista70. Esse é também um momento histórico marcado pelo contínuo processo de racionalização das relações sociais; entretanto, nem todos os modos de produção assumem já nesse momento uma perspectiva racionalizada e sistêmica ante à lógica do sistema capitalista. Com exceção dos espaços da produção e do mercado (fundados no pilar da empresa privada) e da cidadania (fundado no pilar do Estado), cada um dos demais modos de produção encontrava-se nesse período em processo de auto- identificação, diante do sistema capitalista, sem interações significativas com os demais.
No âmbito internacional, como regulamentação do comércio, destacavam-se os ocasionais acordos de caráter bilateral entre os Estados e as regras estabelecidas pelos próprios comerciantes (agregada posteriormente no conceito da lex mercatoria71). Nas relações entre povos, vislumbrava-se o sistema de dominação, institucionalizado com base na exploração de um território sobre outro, marcado pela submissão com uso da força e da superioridade econômica.
Apesar de o individualismo e a dominação presente nas relações entre os Estados preponderarem, conceitos de outros movimentos também podem ser identificados neste momento. Por exemplo, já neste período consagram-se os representantes (ao menos simbólicos) do sistema jurídico internacional da coexistência: os Tratados de Westfália, de 1648. São esses os tratados que após trinta anos de guerra na Europa celebram a paz nesse continente sob os princípios de soberania e igualdade dos Estados72.
70 Aldo Maffey, em BOBBIO et alli (1995:746), destaca ao citar Aldo de Madalena os princípios do
mercantilismo: "(...) formação e consolidação do Estado unitário nacional; fim das aspirações a um poder supranacional; sobrevivência de ideais e instituições de natureza particularista; quebra do monolitismo religioso e eclesiástico; vitória total do capitalismo comercial; descobertas geográficas e aberturas de novos mercados de monopólio e absorção; desvio das correntes de tráfico internacional; consolidação de políticas e estruturas monolíticas e imperialistas; introdução de grande quantidade de moeda circulante metálica e modificação dos sistemas monetários; agressividade dos Estados nacionais; aumento incessante das despesas públicas (...)."
71 V. nota 28 supra sobre os conceitos da lex mercatoria.
72 Os Tratados de Westfália consolidam as bases do direito internacional clássico que propugnam o modelo
jurídico-político inaugurado na Europa, sobretudo no contexto da Europa continental. É um modelo baseado exclusivamente nas relações interestatais. QUOC DINH (1999:59) comenta os aspectos positivistas do sistema interestatal: "Désormais le droit international positif pleinement consolidé peut être caracterisé par les principes suivants: 1o. Les États sont souverains et égaux entre eux; 2o. La société internationale est une
société interétatique; au point de vue de sa structure, elle apparaît comme une juxtaposition d'entités
souveraines et égales entre elles, excluant tout pouvoir politique organisé et superposé à ses composantes; 3o.
O sentido emergente da coexistência entre Estados, dotados de centralidade no planejamento e na organização social, é refletido de forma cada vez mais acentuada nas relações internacionais. Documento exemplar é a Carta da Liga das Nações de 1919 que reflete os princípios de coexistência entre os Estados – para além do espaço europeu – e as novas configurações de poder daquele momento (não mais restrita à exploração colonial)73. Institucionaliza-se, então, um sistema de respeito entre Estados soberanos no nível político e presumidamente iguais para competição no nível econômico. Sistema esse que predominou até a década de 30 e culminou nas crises econômica e política74.
É importante destacar que, apesar de sua breve existência em momentos previstos para reforma da Liga das Nações, importantes preceitos emergem para a concepção do ambiente internacional, entre os quais podemos distinguir o Relatório Stanley-Bruce de 1939, que aporta conceitos de vanguarda (tanto para a época como para os tempos atuais)75. Essas diretivas subsistem de alguma forma nas novas estruturas de coordenação que são criadas no pós-Segunda Guerra.
O momento histórico pós-Segunda Guerra Mundial vem, então, a ser o momento de marcante reestruturação. Quanto aos modos de produção, esse novo movimento comporta a tentativa de centralização e submissão de todos os modos de produção àqueles comandados pela figura do Estado: os espaços da cidadania e o interestatal. Permite-se, assim, a consolidação do dualismo nacional-internacional. Tal
concerne ses sources, le droit international est un droit issu de la volonté et du consentement des États souverains; les traités proviennent d'un consentement exprès et les coutumes d'un consentement tacite; 5o.
Les États souverains apprécient seuls ce qu'ils doivent faire ou ne pas faire dans les rélations internationales; 6o. Dans les rapports des États souverains, la guerre est permise. Le principe de base est celui de la
souveraineté de l'État, tous les autres n'en sont que les conséquences. Leur ensemble forme ainsi un système cohérent. C'est le système interétatique et volontaire." (grifos nossos).
73 O conteúdo da Carta da Liga das Nações em seu texto original de 1919 aponta mecanismos para a
coordenação entre os Estados no nível internacional, sobretudo com vistas a resguardar a paz e a segurança internacional. Os traços atribuídos ao movimento de coexistência podem ser encontrados em seu Preâmbulo que define como sujeitos The High Contracting Parties e ao longo do texto atribui exclusivamente ao Estado a responsabilidade de resguardar alguns padrões no nível nacional e mantê-los no nível internacional. Em 1938, apresenta-se a proposta de alteração na redação do Preâmbulo, retirando a referência explícita aos Estados como sujeitos e deixando-o mais abrangente, para: "In order to promote international co-operation and to achieve international peace and security...". A nova redação, no entanto, não chegou a entrar em vigor.
74 HOBSBAWN (1994:103-4) destaca as conseqüências desses elementos para a economia global: "And by
the end of the 1930's the liberal orthodoxies of free-market competition were so far away that the world economy could be seen as a triple system composed of a market sector, an inter-governmental sector (within which planned or controlled economies such as Japan, Turkey, Germany and the Soviet Union conducted their transactions with each other) and a sector of international public or quasi-public authorities which regulated certain parts of the economy (e.g. by international commodity agreements)."
75 O relatório foi publicado em Liga das Nações (1939). V., também, para análise mais específica sobre as
dualismo permitiu não apenas a redução dos conceitos dos modos de produção, mas também a facilidade de controle sobre uma e outra esfera76.
No cenário internacional, com a emergência dos Estados Unidos da América e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas como as grandes potências mundiais, a coexistência é revista: mantém-se ainda o sentido de dominação, mas há criação de organismos internacionais como fóruns de coordenação internacional.
Como representantes do movimento de coordenação, temos a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 194577 e, ainda, como respostas aos movimentos de crise do capitalismo, as Instituições de Bretton Woods. Entre essas últimas, constava o projeto para a criação de uma Organização Internacional do Comércio, para compor ao lado do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional o tripé do sistema econômico internacional. Tais organizações abrem precedentes para a conotação de um multilateralismo, fundado na interdependência, que veio a reforçar o conceito de cooperação no nível internacional.
Mas, em sentido adverso, o não avanço na institucionalização da Organização Internacional do Comércio reflete a perspectiva ainda predominante, no recém pós- Segunda Guerra: a impossibilidade de criação de uma organização de cooperação, que impusesse limites aos Estados no âmbito de expansão comercial. Nesse sentido, o
76 Como exemplo desse dualismo é interessante averiguar a configuração dos elementos do comércio sob o
controle do Estado, explícito na Carta da Liga das Nações, arts. 16.1 e 23 (e). No artigo 16.1 o comércio apresenta-se como possível instrumento de represália internacional regulado pelo Estado: "Should any Member of the League resort to war in disregard of its covenants (...), it shall ipso facto be deemed to have committed an act of war against all other Member of the League, which hereby undertake immediately to subject it to the severance of all trade or financial relations, the prohibition of all intercourse between their nationals and the nationals of the covenant-breaking State, and the prevention of all financial, commercial or personal intercourse between their nationals of the covenant-breaking State and the nationals of any other State, whether a Member of the League or not." (grifos nossos)
77 Alguns dos importantes pontos de colaboração internacional da Carta da ONU são também apresentados
por GUÉBALI (1970:75 e segs.) como consagração do Relatório Stanley Bruce. QUOC DINH (1999:71) define a criação a ONU como o reconhecimento pelos Estados da interdependência de seus problemas econômicos, técnicos e de manutenção da paz, adquirindo assim uma dimensão política única no sistema internacional, com poderes de decisão e de ação das entidades criadas. Os novos princípios já são
apresentados no Preâmbulo da Carta da ONU: We the peoples of the United Nations. HELD (1995b:78-86, 1993:27-37) aponta a contraposição paradigmática permitida entre os modelos de Westfália e aquele admitido pela Carta das Nações Unidas: (i) exclusividade dos Estados como sujeitos de Direito Internacional no modelo de Westfália versus alargamento da personalidade jurídica internacional ativa às organizações internacionais, de forma mais restrita, aos povos e mesmo aos indivíduos no modelo das Nações Unidas; (ii) inexistência de legislação internacional vinculante no modelo de Westfália versus reconhecimento de normas imperativas (princípios gerais e jus cogens) no modelo das Nações Unidas; (iii) soberania formal na ordem de Westfália versus reconhecimento da soberania relativa, conforme capacidade de atuar e influir no sistema; (iv) liberdade discricionária de recurso à força e à guerra no modelo de Westfália versus centralização dos poderes punitivos na ONU no modelo das Nações Unidas. Trata-se, pois, de uma construção que enfatiza a institucionalização e uma determinada sistematização como desejáveis e necessários acompanhamentos formais do processo globalização. A respeito v. também ZOLO (1997:94-6) e PUREZA (2002:243).
movimento ainda preponderante nos anos 1940-1950 permitiu apenas a regulação do sistema pelo mero "contrato" do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (sob a sigla em inglês GATT), em 194778.
Ainda, sob os lapsos de outros movimentos no mesmo período histórico, permanecia a perspectiva do movimento de dominação anterior, identificado com o forte colonialismo ainda presente em regiões da África e da Ásia e também, em uma outra dimensão de dominação, a bipolaridade exercida pelas grandes potências sobre territórios definidos do hemisfério.
Apesar da não institucionalização de formas sistêmicas de regulamentação do comércio no nível internacional por uma organização internacional, logo no pós-Segunda Guerra, o avanço crescente do capitalismo ao longo do século XX preconiza o comércio como um importante mecanismo das relações internacionais. A inter-relação de mercados produtores e consumidores fortalece a perspectiva de interdependência entre os Estados, com o favorecimento do conceito de cooperação, abrindo espaços para relações além daquelas de coexistência no âmbito internacional79.
O segundo momento histórico, portanto, fornece as bases para a configuração do terceiro momento. E, assim, em um processo de globalização incessante, figuram-se as tendências de fragmentação e concentração80.
Nas teorias das relações internacionais, o terceiro momento histórico aporta o pluralismo como visão de mundo, ou seja, diferentes concepções de poder e instituições manifestam suas capacidades de regulação e controle e, em contraposição ao momento anterior, delineiam sistemas de relações marcados pela heterogeneidade e pela porosidade de seus contornos. O conceito de fragmentação pode ser detectado tanto quanto ao reconhecimento da heterogeneidade entre os próprios Estados, pelas suas diferentes capacidades e formas de participação no sistema internacional, como quanto à autonomia de novas instituições, que não o Estado.
78 Nesse sentido, v. ABBOTT, SNIDAL (2000:436).
79 Nesse sentido as teorias sobre o sistema mundial em WALLERSTEIN (1979) são esclarecedoras de como
a relação entre Estados pode vir a compor um sistema internacional, de dependências e interdependências. Essas perspectivas favoreceram inclusive o desenvolvimento das teorias para uma internacionalização do Estado, no sentido deste apropriar-se do conceito econômico emergente e incluí-lo nas suas estratégias internacionais, v. COX (1981) e COX, SINCLAIR (1992). As análises sobre as relações de dependência, reconhecidas em uma divisão internacional do trabalho, como produto do sistema de dominação, são apresentadas pelos teóricos latino-americanos nas décadas de 1960-1970, no âmbito da CEPAL; v. o texto- referência de CARDOSO, FALETTO (1969).
80 A respeito da relação entre os momentos de coexistência e colaboração, há o clássico trabalho sobre o tema
em FRIEDMAN (1964) (que os denomina de momentos de colaboração e de cooperação) e comentários em LAFER (1998) e TIETJE (2002).
A fragmentação dos Estados na área do comércio internacional resulta do reconhecimento da não-homogeneidade entre todos os Estados que, por um lado, favorece movimentos do então denominado "Terceiro Mundo" nos anos 1960-197081 e, por outro, promove a formação de acordos de cooperação em blocos econômicos. Os grupos de diferentes Estados a se organizarem na órbita internacional, a fim de facilitar suas formas de coordenação e cooperação, pluralizam-se constante e acentuadamente na segunda metade do século XX.
Associados à perspectiva da pluralidade, no nível internacional, outros modos de produção trazem a possibilidade de novas estruturas e constelações interagirem no espaço, além do nacional e do internacional, sem a intermediação necessária do Estado82. Daí o recurso hoje, para além do nacional e do internacional, aos conceitos do local, do transnacional e do global83. Quebra-se, assim, o dualismo nacional-internacional, fundado na idéia de fronteira, como apontado no item 2.2.
Assim, os efeitos da fragmentação trazem à tona o problema da regulação pelo Estado e das estruturas anteriores de controle social84. A retração dos modos de produção
81 São os movimento dos não-alinhados que favoreceram a implementação de resoluções que demandavam a
criação de uma concepção de responsabilidades no sistema internacional e de compromisso das próprias organizações internacionais e mesmo a criação de novos organismos internacionais, tais como a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (conhecida pela sigla em inglês UNCTAD) e o G- 77. Documentos importantes para verificar essas demandas são: (i) as estratégias decenais para o
desenvolvimento na ONU, Resoluções da Assembléia Geral da ONU n. 1710 (XVI), de 19/12/1961; n. 1715 (XVI), de 19/12/1961; n. 2626 (XXV), de 24/10/1970; n. 35/56, de 5/12/1980; n. 45/199, de 21/12/1990.; (ii) as resoluções para o estabelecimento de uma Nova Ordem Econômica Internacional, Resoluções da
Assembléia Geral da ONU n. 3201 (S-VI) e n. 3202 (S-VI), ambas de 1/5/1974; e (iii) a resolução para a criação da UNCTAD, Resolução da Assembléia Geral da ONU n. 1995 (XIX), de 30/12/1964. KRASNER (1981) demonstra que os movimentos promovidos pelo Terceiro Mundo foram movimentos que provocaram inclusive mudanças no regime internacional e, ainda, pretendiam introduzir mudanças desse mesmo regime (sob o exemplo das tentativas de implementação da Nova Ordem Econômica Internacional). De acordo com KRASNER (1983b:2) o conceito de regime envolve: "(…) implicit or explicit principles, norms, rules, and decision-making procedures around which actor expectations converge in a given issue area of international relations."
82 ROSENAU (1997:39) utiliza o conceito de fragmentação para as novas unidades e afirma: "(...) the world
is not so much a system dominated by states and national governments as a congeries of spheres of authority (SOAs) that are subject to considerable flux and not necessarily coterminous with the division of territorial space. SOAs are, in effect, the analytic units of the new ontology. They are distinguished by the presence of actors who can evoke compliance when exercising authority as they engage in the activities that delineate the sphere." No mesmo sentido v. também COX (1992b:183).
83 COX (1992a:515) indica tais efeitos quanto ao comércio internacional: "The global economy has become
something distinct from international economic relations, i.e., from trasnsborder economic flows assumed to be subject to state control and regulation.(…) a new structure of production relations superseding the nation- centered labor-capital relations of the past."
84 ROSENAU (1997:174) adverte que na medida em que as fronteiras se tornam porosas, as normas
tradicionais tornam-se menos aplicáveis às novas situações fragmentadas: "As the Frontier widens, so do traditional norms become less applicable to the new fragmentative situations. Confronted with unfamiliar issues, new claims to loyalty, and a multiplicity of messages received from ever greater numbers of disparate sources, both citizens and officials are likely to feel deprived of the normative anchors to which the have long been accustomed." HOBSBAWN (1994:141) descreve o desânimo que a ordem, ainda que ilusória, do pós-
permitiu que os temas antes restritos a cada um dos espaços ou a outros submetidos possam hoje promover a sua interação com todos os outros modos de produção. O