M: Araç Sayısı, N: Müşteri Sayısı,
4. YEŞİL LOJİSTİK KAPSAMINDA EŞZAMANLI TOPLA-DAĞIT ARAÇ ROTALAMA PROBLEMİ ROTALAMA PROBLEMİ
4.2. İşletmelerin Yeşil Lojistiğe Geçişinde Yasal Zorunluluklar
A constatação da incapacidade de auto-gestão dos negócios públicos pelo próprio povo, titular do poder soberano, em razão das transformações sociais que vivenciaram as comunidades políticas, tornando-as cada vez mais dinâmicas e complexas, e, de igual modo, inquietados com a necessidade de preservação e aprimoramento da liberdade, transferiu-se para representantes legitimamente eleitos da prerrogativa para decidir em substituição ao coletivo, sugerindo, assim, a capacidade de expressarem-se em nome da vontade geral.
A partir dos fundamentos dos movimentos liberais dos séculos XVII e XVIII, quais sejam a divisão dos poderes e a preservação das liberdades públicas, a democracia direta serviu de meio à afirmação do Poder Legislativo como o locus de aferição da vontade geral. Destarte, tem-se a instituição de mandatos como instrumentos de auscultação da vontade geral, possibilitando, desse modo, a expressão de toda a sociedade nos espaços institucionais de deliberações estatais.
Neste sentido parte a defesa de Montesquieu ao exercício indireto do poder soberano, por meio de representantes escolhidos para manifestarem os anseios do povo perante o Estado, em contraponto ao modelo direto de democracia:
“Como, em um Estado livre, todo homem que supostamente tem uma alma livre deve ser governado por si mesmo, seria necessário que o povo em conjunto tivesse o poder legislativo. Mas, como isso é impossível nos grandes Estados e sujeito a muitos inconvenientes nos pequenos, é preciso que o povo faça através de seus representantes tudo o que não pode fazer por si mesmo. (...) A grande vantagem dos representantes é que eles são capazes de discutir os assuntos. O povo não é nem um pouco capaz disto, o que constitui um dos grandes inconvenientes da democracia.” 81
Conclui Montesquieu:
“Havia um grande vício na maioria das antigas repúblicas: é que o povo tinha o direito de tomar decisões ativas, que demandavam alguma execução, coisa da qual ele é incapaz. Ele só deve
participar do governo para escolher seus representantes, o que está bem ao seu alcance. Pois, se há poucas pessoas que
conhecem o grau preciso da capacidade dos homens, cada um é capaz de, no entanto, de saber, em geral, se aquele que escolhe é mais esclarecido do que a maioria dos outros.” 82 (destaque
acrescido).
81 MONTESQUIEU, Charles de Secondat. O espírito das leis. cit., p. 170-1.
De igual modo, Alexis de Tocqueville, pensador liberal, afirmando a democracia como o governo do povo, entende a sua expressão a partir da forma indireta ou representativa:
“Não apenas as instituições são democráticas em seu princípio, mas também em todos os seus desdobramentos. Assim, o povo nomeia
diretamente seus representantes e os escolhe em geral todos os anos, a fim de mantê-los mais ou menos em sua dependência. É,
pois, realmente o povo que dirige e, muito embora a forma de governo seja representativa, é evidente que as opiniões, os preconceitos, os interesses, até as paixões do povo não podem encontrar obstáculos duradouros que os impeçam de produzir-se na direção cotidiana da sociedade. Nos Estados Unidos, como em todos os países em que o povo reina, é a maioria que governa em nome do povo. Essa maioria se compõe principalmente dos cidadãos pacatos que, seja por gosto, seja por interesse, desejam sinceramente o bem do país.” 83
Importa compreender o sistema representativo como o regime político em que, na relação estabelecida entre governantes e governados, intervêm intermediários devidamente legitimados a expressarem a vontade do povo, autorizados a constituírem as decisões políticas do Estado.
Ainda que de forma fictícia, dada à incapacidade prática de oitiva de toda nação, a representação está diametralmente associada à expressão da vontade geral. Contudo, a própria idéia de democracia indireta traz em si importante controvérsia que serviu para a configuração da democracia indireta. Destarte, implica compreender o caráter de representatividade, ou seja, se os legitimados, ao expressarem-se em nome do povo, o fazem a partir de convicções próprias ou vinculados aos interesses dos que o elegeram.
Neste sentido, o sistema representativo desenvolveu-se sob duas perspectivas: da representação delegada, em que impera a identificação entre eleitos e eleitores, e, noutro aspecto, da duplicidade entre as opiniões a partir da independência do eleito em face do eleitor. Dessa controvérsia, prevaleceu a perspectiva da duplicidade enquanto teoria diretiva do sistema representativo.
“A ‘duplicidade’ foi o ponto de partida para a elaboração de todo o moderno sistema representativo, nas suas raízes constitucionais, que assinalam o advento do Estado liberal e a supremacia histórica, por largo período, da classe burguesa na sociedade do Ocidente. Com efeito, toma-se aí o representante politicamente por nova pessoa, portadora de uma vontade distinta daquela do representado, e do mesmo passo, fértil de iniciativa e reflexão e poder criador. Senhor absoluto de sua capacidade decisória, volvido de maneira permanente - na ficção dos instituidores da moderna idéia representativa – para o bem comum, faz-se ele órgão de um corpo político espiritual – a nação, cujo querer simboliza e interpreta, quando exprime sua vontade pessoal de representante.” 84
A partir de então, afirmaram-se os institutos que constituíram a democracia representativa, asseverando, não sem muitos conflitos doutrinários, questões envolvendo partidos políticos, sufrágios e mandatos.
Os partidos políticos são produto da necessidade de institucionalização dos agrupamentos sociais, a partir de interesses comuns e doutrinas políticas convergentes, dotando-lhes de personalidade jurídica e prerrogativas de atuação no espaço público. Por seu intermédio, são os instrumentos de afirmação de projetos para o Estado, situando em seus mandatos a concretização de ideais próprios e viabilizando atuações que
condizem com a estrutura ideológica. São, portanto, aparelhos de representação política.
A existência do sufrágio, como elemento da democracia indireta, centra-se na assertiva de que a representação corporifica a manifestação da vontade geral. Por sua intervenção, procede-se à escolha dos que ocuparão os postos eletivos do Estado democrático, satisfazendo a expectativa da sociedade em se fazer presente (ainda que representada) nos espaços de deliberação pública.
A manifestação do voto é, sem dúvida, instrumento de afirmação e, a um só tempo, de legitimação da democracia indireta. Deste modo, com o intuito de ampliá-la, urge que o sufrágio seja de tal modo expandido que deva se aproximar ao máximo da sua universalidade. Esse é o ideal de concretização da representação, posto que englobaria todas as forças políticas da sociedade no espaço público da deliberação.
Ademais, deve-se pugnar pela liberdade de decisão do eleitor, asseverando a livre manifestação da sua vontade, garantindo a lisura nos processos eleitorais, desde a sua origem, tendo como conseqüência a eficácia das deliberações estatais. Medidas que impeçam a alienação do voto, tais como a proibição de distribuição de cestas básicas de alimentação, bem como a aplicação severa da legislação de crimes eleitorais, são essenciais à lisura do procedimento decisório.
No que se refere aos mandatos, cumpre salientar a controvérsia entre o exercício imperativo ou irresponsável das atribuições outorgadas pelo povo representado ao seu representante. Embora já tendo sido objeto de análise deste trabalho (item 1.3.3.), tornando dispensáveis maiores
elucidações, é útil asseverar que os mandatos são o meio pelo qual o mandatário adquire a prerrogativa de posicionar-se como representante de uma nação ou categoria social, atrelando direitos e deveres de atuação, tais como a imunidade parlamentar. Destarte, transforma o seu desempenho em instrumento de representação política para deliberação no espaço de convivência democrática.
O sistema representativo, prevalecente no modelo liberal de democracia, suscitou ainda outros profícuos debates em torno do caráter da representatividade, nascendo daí múltiplas teorias, tais como a da
representação profissional, representação corporativa e representação institucional85.
Todavia, o sistema representativo de governo não permaneceu imutável e rígido. Cada Estado, a seu modo, adotou a forma que melhor adequava-se à estrutura política, de modo a asseverar a representação enquanto forma de governo de sua democracia. À medida que as relações sociais tornaram-se complexas, especialmente com o aparecimento de atores políticos não vinculados aos organismos estatais, a idéia de representatividade adquiriu novos contornos, estabelecendo diferentes significados à atuação dos sujeitos democráticos.
Além disso, importa observar que a doutrina da duplicidade, que tanto afastou representantes e representados, perdeu força com o advento das crises da democracia liberal, emanando a necessidade de se estabelecer alternativas ao exercício indireto dos governos, sem, contudo, implicar em rompimentos institucionais. Assim, uma releitura da atuação dos organismos
públicos impôs maior identificação entre a vontade dos soberanos e a expressão dos mandatários, forjando a recepção, pelos ordenamentos constitucionais, de instrumentos destinados à ampliação da atuação política dos cidadãos.
“Todas as variações que se prendem ao sistema representativo e aos novos moldes que ele ostenta ao presente podem, sem grave fratura de unidade e congruência, resumir-se num feixe de doutrinas, cuja aspiração básica consiste essencialmente em estabelecer a identidade e suprema harmonia da vontade dos governantes com a vontade dos governados. Consiste também em fazer, com máximo acatamento dos princípios democráticos, que aquelas vontades coincidentes venham a rigor apagar traços distintivos entre o sujeito e o objeto do poder político, entre povo e governo. De modo que a soberania popular, tanto na titularidade como no exercício, seja peça única e monolítica, sem a contradição e contraste dos que na sociedade mandam e dos que nessa mesma sociedade são mandados.” 86
Por fim, pode-se afirmar que o sistema representativo não significa, necessariamente, uma negação do modelo direto de democracia, podendo coexistir e complementar, plenamente, representação e deliberação popular a partir de instrumentos apropriados a esse fim.
Isto posto, tem-se a democracia indireta como uma forma de governo pautada em um pensamento doutrinário que identifica a representação como o meio mais eficaz para se abstrair a vontade geral de uma nação. Para além disso, está-se diante de um sólido arcabouço ideológico fundamentado na expressão do liberalismo clássico ainda hoje vigente.