• Sonuç bulunamadı

4.5. Araştırmanın Bulguları

4.5.15. İşletmelerin Karşılaştığı Diğer Sorunlar

Tendo percorrido os dados dos 263 acórdãos que compuseram o universo de análise, elenco o que considero que despontou como central no tratamento dos direitos humanos perpassado pela arena do STF. Tomando a teorização de Fraser que propõe a consideração de uma multidimensionalidade da justiça para que os obstáculos a sua realização sejam superados, entendo que as concepções atribuídas aos direitos humanos no STF ainda não se consolidaram em torno de uma concepção ampliada destes direitos.

Demonstro isso retomando o que a jurisprudência coletada sobre direitos humanos no STF nos informa. A seguir, ainda sob o marco teórico de Fraser e considerando os direitos humanos como instrumentais que detém a possiblidade de veicular a multidimensionalidade da justiça, faço considerações no que diz respeito (i) a própria conceituação de direitos humanos, (ii) a definição dos sujeitos das reivindicações e (iii) ao STF como instância autorizada a lidar com as demandas de direitos humanos.

O Relatório Supremo em Números109, cobrindo o período entre 1988 até 2009, portanto muito próximo do recorte temporal aqui analisado, estudou mais de um milhão e duzentos mil processos. A tese se estendeu por 24 anos de jurisprudência e, selecionando acórdãos pelas palavras-chave “direitos humanos” compôs uma amostra de 263 casos, levando em conta os retornos obtidos pelo site do próprio STF, por meio dos espelhos dos acórdãos. Se considerássemos como filtro para selecionar como sendo de

direitos humanos tão só os acórdãos que trouxessem a menção “direitos humanos” em suas

ementas o quadro seria ainda mais reduzido, totalizando apenas 16 casos.

É possível constatar então que a incidência de casos que o STF classifica como de direitos humanos expressa uma pequena proporção diante do volume de processos que ali circulam. Isso pode expressar pouca provocação desse Tribunal, algo que não defendo, pois como vimos anteriormente, no bojo da judicialização, é de se esperar mais casos de direitos humanos batendo às portas do STF. O que acredito ser a justificativa mais plausível para explicar esse quadro é a ausência de consenso sobre o que são os direitos

humanos, argumento que se coaduna com a descrição de Fraser de estarmos em um período de justiça anormal e que parece ter se confirmado com os dados obtidos. Vejamos.

O que importa como demanda, ou seja, o que compõe o conteúdo dos direitos humanos implica em elementos diferentes conforme se considere a interpretação que os demandantes trazem para o STF ou a interpretação que o próprio STF realiza quando defere ou não as reivindicações. Assim é interessante perceber, com relação às concepções de direitos humanos, que os dados sugerem o predomínio de demandas voltadas a satisfação de reivindicações individuais. Isso se conecta com o fato de os maiores demandantes serem os particulares.

No entanto, enquanto o tema mais demandado no STF apareceu como sendo o devido processo legal, com 66% de incidência diante dos demais, quando consideramos o cruzamento dos temas com o deferimento das reivindicações, o quadro se mostra diferente. Neste caso, o tema que mais aparece é o da extradição, com 61% de taxa de deferimento, seguido do fortalecimento das instituições para só depois desse aparecer o devido processo legal. Esses dois últimos contam com um índice de deferimento de 53% e 51%, respectivamente.

A partir daí parece possível dizer que o que importa para os demandantes não é o mesmo que importa para o STF, no que diz respeito aos temas que têm sido levados a esta Corte. Isso sugere que não há um consenso em torno dos direitos humanos e mesmo que a importância que se dá aos temas que cabem nesse rótulo varia conforme se esteja analisando o polo que traz a demanda ou o que a decide.

Quanto aos sujeitos que importam como sujeitos de direitos humanos chama atenção que os particulares são os que mais demandam, mas é o Ministério Público que tem as demandas mais aceitas. É claro que a reconfiguração do Ministério Público na ordem constitucional de 1988 deve ser uma das responsáveis por esse quadro. Não considero que isso seja uma desnaturação dentro do quadro institucional hoje vigente. Contudo, levando em conta o recorte de análise aqui adotado, a afirmação recorrente de que os indivíduos têm ganho mais espaço nas demandas de direitos humanos, precisa então ser melhor enquadrada. Isso porque é inegável que o acesso tenha se ampliado, porém ainda não parece possível dizer que tenha se consolidado.

Ainda com relação aos sujeitos merece destaque que os dados apontaram o Estado como o maior agente de violação de direitos humanos. Isso não é novidade, mesmo porque a construção destes direitos, na sua concepção contemporânea, deu-se justamente a partir da aceitação do Estado como uma instituição a ser controlada. A

isso se acrescenta um outro contorno contudo se considerarmos, como pode ser inferido dos dados aqui em análise, que o é o próprio Estado – representado pelo Ministério Público - que também tem figurado como o demandante que tem as demandas mais aceitas junto ao STF.

Se é o Estado que viola e se é o Estado que também tem lugar de relevância no polo dos demandantes, parafraseando e concordando com Boaventura de Sousa Santos (2013), os direitos humanos estão sob suspeita.

Por fim, considerando o Estado como violador de direitos humanos e com a atribuição de, na arena judicial, conduzir o processo para a apreciação das reivindicações destes direitos, o que explicaria essa procura pelo STF partindo majoritariamente dos particulares? Aqui eu arriscaria a interpretação de que a garantia de ter uma resposta definitiva do Judiciário tem falado mais alto do que a incerteza do jogo político, vinculado tradicionalmente aos Poderes Executivo e Legislativo. O que talvez não esteja sendo utilizado com mais fôlego, na medida em que estes particulares têm provocado uma atuação prioritariamente voltada para a defesa de direitos individuais, é o potencial que a arena política do STF representa.