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İŞVERENİN 5510 SAYILI SOSYAL SİGORTALAR VE GENEL SAĞLIK

A evolução histórica da moda e seus impactos no desenvolvimento econômico e inovativo seguiu ao longo do tempo a mesma dinâmica da evolução das mudanças técnicas, da tecnologia e da inovação. Conforme Mokyr (2010, p. 13), as referências da evolução econômica até 1800 foram praticamente inexistentes, no que se refere à indústria de confecção mesmo que artesanal ou de manufaturada também são pouquíssimas as referências, no entanto, têm-se dois fatos diferenciados, um que retrata o surgimento de vestuários utilizados como ato de cobrir o corpo e outro que aborda a questão do nascimento da moda moderna se deu no século XVII quando:

Paris estabeleceu sua reputação como centro de artigos de luxo, mas a cidade só se tornou o epicentro do estilo no século XVII, quando o moderno sistema moda começou a surgir como resultado de vínculos mais estreitos entre a corte e a cidade, do aumento do consumo visível entre os parisienses [...]. (FOGG, 2013, p. 94). A história do ato de vestir como indumentária, no entanto, precede a estes fatos, a confecção de vestuário e o processo de tecelagem de fios de algodão e linho no Egito, de lã na Grã-Bretanha e da seda na China, já existia há muitos séculos, é possível afirmar que “a história da moda está inserida no próprio desenvolvimento da humanidade e, consequentemente, na evolução e mudança de costumes.” (FEGHALY; DWYER, 2004, p. 37).

21N.A. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (2014, p. 9) a indústria da moda está assim denominada por reunir “diferentes características, dificilmente encontradas em outros setores. Fala de arte, negócios, artesanato e alta tecnologia, mistura química, física, sociologia e história. ”

22 N.A. Conforme afirma Valerie Steele (2013, p. 9) no prefácio do livro Tudo sobre Moda “[...] o sistema (moda) envolve todas as atividades desde a produção das matérias-primas até a manufatura, a distribuição e o marketing de uma gama de itens – de vestidos de gala de alta-costura a calças jeans. A moda não existe apenas na forma de objetos, mas também como imagem e significado. Além dos profissionais que criam as roupas- muitos outros – fotógrafos de moda, jornalistas especializados ou mesmo curadores de museus- criam e disseminam imagens e ideias que nos comunicam o que essas roupas especificas podem significar. ”

Considerando esta prerrogativa secular do surgimento da vestimenta, cuja história, conforme Feghaly e Dwyer (2004, p. 37) aponta ter “iniciado durante a pré-história, mais precisamente no período Neolítico (10000 a 5000 a.c), classificou-se a23 evolução da moda

em três fases que seguem seu processo evolutivo e se complementam.” A primeira fase foi denominada de moda como fenômeno de cobrir o corpo (vestimenta ou indumentária), a segunda, seguindo o avanço das mudanças na sociedade chamou-se de moda como

comportamento que não é estanque e segue até os dias de hoje, e a terceira já na fase dos

processos de inovação foi chamada de moda como negócio, estas três fases culminaram na concepção moderna do desenvolvimento da moda, o sistema moda.

Antes de prosseguir com as descrições das fases, é importante que se apresente a definição do termo ou da palavra moda – “Originado do latim ‘modus’, literalmente ‘medida’, o termo ‘moda’ passou a expressar valores diversos como conformidade e relações sociais, rebelião e excentricidade, aspiração social e status, sedução e encanto.” (FOGG, 2013, p. 8).

Outro termo muito utilizado para designar moda, principalmente quando está relacionada a estilo, é a palavra inglesa “fashion” que na língua original é um verbo, cuja tradução é moldar, ou seja, fazer algo sob medida, dentro de um determinado padrão, com especificidades e no caso do fashionismo, confeccionar com domínio da técnica e capacidade criativa, o que caracteriza o estilo.

Tendo esclarecido o significado do termo, retoma-se à definição e história do surgimento das indumentárias, fase que se denominou de moda como fenômeno para cobrir

o corpo ou vestir, onde se faz um histórico do surgimento da cultura de cobrir o corpo com

formas de vestir diferentes e criativas. Difícil afirmar que a história da moda teve início na Grécia, em Roma, no Egito, na Índia ou China, para citar alguns países. Conforme Steele (in FOGG, 2013, p. 7) populações em diferentes partes do mundo desenvolveram diferentes tipos de indumentárias que “em geral permaneceram relativamente estáveis por longos períodos”, uma vez que o perfil hiperconservador das sociedades primitivas, segundo Lipovetsky (2009, p. 28):

[...] impede o aparecimento da moda por ser esta inseparável de uma relativa desqualificação do passado: nada de moda sem prestígio e superioridade concedidos aos modelos novos e, ao mesmo tempo, sem uma certa depreciação da ordem antiga. Inteiramente centrada no respeito e na reprodução minuciosa do passado coletivo, a

23 N.A. – A classificação de moda como fenômeno para cobrir o corpo, moda como comportamento e, moda

como negócio foi atribuída pela pesquisadora no sentido de contextualizar a evolução socioeconômica da

sociedade primitiva não pode em nenhum caso deixar manifestarem-se a sagração das novidades, a fantasia dos particulares, a autonomia estética da moda.

Atribui-se isto às mudanças ocorridas no modus vivendi da humanidade que a cerca de onze mil anos trocou sua existência livre, caçadora e movimentada, que exigia roupas mais rudes, com características de proteção, e geralmente elaboradas com peles de animais, por um modo de vida mais sedentário, com moradias fixas, climas amenos, menor exposição ao tempo, o que por sua vez demandava trajes confeccionados com tecidos mais leves como o linho e o algodão (FOGG, 2013, p. 8). Estas mudanças, no entanto, foram gradativas, as vestimentas eram elaboradas respeitando expressões culturais e artísticas, obedecendo a hierarquias, castas, classes sociais e, conforme afirma Lipovetsky (2009) “inteiramente centradas no respeito e na reprodução do passado coletivo”.

No entanto, a moda como fenômeno de cobrir o corpo – vestir – emerge, conforme Fogg (2013, p. 8) de duas fontes diversas, os “cortes baseados no desenvolvimento

de peles e os trajes dependentes da forma retangular do tecido”, evoluindo para aquela que denominamos segunda fase da moda, a moda como comportamento. Esta evolução,

afirma Steele, in Fogg (2013, p. 6) teve início com “[...] a ascensão do capitalismo na Europa do século XIV que ajudou a criar uma nova ênfase em um padrão regular de mudanças na forma de se confeccionar as roupas” e este, afirma a autora, foi o marco histórico do início do que hoje se identifica como moda/estilo e acrescente-se a isto a manifestação das características sociais do comportamento na moda, uma vez que conforme Steele (2013) já naquela época se reconheceu que “uma das características centrais da moda é o fato de se modificar com o tempo”. Não estão claras, diz a autora, “a rapidez, a regularidade e a extensão necessárias nessas mudanças para que se possa qualificar o fenômeno moda”, e continua:

Talvez tenha sido apenas no século XVIII que os estilos de vestir regularmente mutáveis (“na moda”) deixaram de ser um privilégio das pequenas elites e foram adotados pela maioria da população urbana ocidental. Em razão da história do capitalismo e colonialismo europeus, as modas ocidentais acabaram sendo introduzidas mundo afora. (STEELE in FOGG. 2013, p. 7).

Considera-se que um dos fatores que motivou esta dinâmica foi o aumento da mobilidade e o advento de meios de transportes mais ágeis para a época, já com relação à indústria têxtil a Inglaterra desenvolveu técnicas de manufatura de lã bruta por volta de 1728 (CHANG, 2004, p. 41). Destacam – se como percursores da moda na Europa neste período a Inglaterra e a França, embora a primeira tenha se destacado no processo de desenvolvimento

da tecelagem dos fios de lã nos séculos XVIII e XIX, a França se destacou como berço da moda pelo desenvolvimento do “conceito de roupa elegante específicos das sociedades ocidentais, com raízes nas cortes reais dando ênfase aos contornos e corte e à implementação das técnicas de alfaiataria.” (FOGG, 2013, p. 9).

Ainda no século XVIII, conforme Mokyr (2010, p. 19) surge um novo padrão de comportamento social e econômico, uma nova ordem, onde a moda está inserida. Esta nova ordem se deu no período marcado pela era da razão, denominada Iluminismo24, ou século das

luzes, período em que as formas de vestir estavam no auge da moda como comportamento. E, as ideias liberais do Século das Luzes, cuja característica era utilizar o poder da razão para reformar a sociedade, também tiveram seu impacto na moda já efervescente à época nas cortes europeias, particularmente a inglesa, francesa e em menor proporção a italiana como se pode ver:

A influência do iluminismo se fez presente a partir de século XVII quando o naturalismo passou a se refletir em roupas cada vez mais desestruturadas e padronagens e acessórios naturais como o chintz floral inglês, pluma e flores artificiais. (FOGG, 2013, p. 95)

A moda teve sua evolução mais acentuada no mundo ocidental, tendo como períodos mais profícuos para seu desenvolvimento no fator comportamental, os séculos XVIII e XIX. Neste período os avanços científicos e tecnológicos, o advento da eletricidade e da química propiciaram inovações no âmbito da moda. Tecidos coloridos e engomados, padronagens coloridas diferenciadas, estampas e ainda a invenção das máquinas de costura mecanizadas modificaram a estrutura do sistema moda. O mundo ocidental começa a presenciar o fenômeno da moda como estilo, baseada em épocas e comportamentos e com foco em processos criativos, de tal modo que,

À medida que a moda ocidental se desenvolveu como resultado de um processo criativo e industrial no século XIX, o desejo de mudança se acelerou pela disseminação de informações sobre moda e o lançamento de revistas ilustradas de ampla circulação. (FOGG, 2013, p. 11)

Ao final do século XIX e início do século XX os aspectos estéticos e comportamentais já haviam de certa maneira se consolidado na moda, a influência das revoluções industriais e a passagem por duas grandes guerras mundiais trouxeram consigo a modernização dos processos produtivos, na logística de distribuição e nos processos de

24 O Iluminismo foi um movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, que defendia o uso da razão (luz) contra o antigo regime (trevas) e pregava maior liberdade econômica e política. Disponível em: <http://www.sohistoria.com.br/resumos/iluminismo.php> Acesso em: 20 fev.2015.

comercialização tendo neste fator um forte acelerador de comércio com o surgimento das lojas de departamentos. A nova estrutura social e econômica que se instalou também teve influência na reconfiguração da moda, trazendo a proposta que impera até hoje, porém não desconectada da moda como comportamento, a visão de moda como negócio. A globalização da economia, o desenvolvimento tecnológico e a mudança de comportamentos de consumo e ainda a revolução dos têxteis, a inserção do design como fator de inovação e diferencial competitivo ao longo do século XX e XXI impulsionaram os negócios de moda no mundo.

O ato de ter algo diferenciado para vestir tornou-se parte da cultura da modernidade onde a moda é vista como efêmera e descartável e a experiência do consumidor deve ser levada em conta. Neste contexto a moda vista como negócio precisa cuidar do novo para não se tornar obsoleta e, particularmente, no século XXI deverá estar associada à sustentabilidade, ser mais estratégica do que operacional, além de se ajustar ao corpo, à experiência do cliente e ao seu lugar no mundo. Pode se dizer que da conexão das três fases históricas definidas neste trabalho para a moda, quais sejam: moda como fenômeno de cobrir o corpo/vestir, moda como comportamento e moda como negócio se desenvolveu atual sistema

moda.

O sistema moda é considerado como tal por abranger todas as atividades da cadeia, desde a produção da fibra têxtil, até a manufatura, desde as pesquisas de tendências, desenvolvimento de coleção até o marketing e distribuição, desde roupas de gala de alta costura até roupas íntimas ou o jeans (FOGG, 2013).

Consolidou suas características de forma e função de moda como vestimenta e

status, atua como comportamento, nas dimensões sociais, culturais, políticas e ambientais e

como negócio nas dimensões industriais, comerciais, produtivas dentre outras, de tal forma que mudanças e alterações na sua forma de produção impactam diretamente na geração de inovações e no desenvolvimento socioeconômico do núcleo social ao qual pertence.

Diante disto, pode-se dizer que, na sua concepção pura, o sistema moda influencia e é influenciado pelas questões sociais, comportamentais e econômicas, tendo se tornado hoje um fenômeno global, assim como a moda “é também uma indústria global multimilionária que emprega uma quantidade imensa de pessoas em todo o mundo” (STEELE, in. FOGG, 2013, p. 7) e cujo desenvolvimento impacta na economia mundial, conforme se demonstra neste breve panorama do segmento no Brasil e no mundo.